HÁ UM HERÓI EM TODOS NÓS Cinco amigos produzindo conteúdo juntos


Em qualquer produção, há o comum e o ruim. Ambos são muitas vezes confundidos, pois vivemos em uma era onde o ''original'' quase que não existe mais. A verdade é que a vasta maioria das histórias atuais tem influência, até certo ponto, de algum trabalho ou ideia anterior, o que não é algo ruim. O problema é quando se confunde algo comum, o que é usual, habitual, ou seja, algo que já vimos, com algo mal produzido e sem qualquer senso de comprometimento.

Filmes de terror tem inúmeros elementos que caem na categoria do ''comum''. As críticas costumam ser severas e muitos são desconsiderados como produções ruins, quando na maioria dos casos são apenas mais uma dentre várias outras produções similares. Dito isso, há produções que pecam excessivamente na qualidade, se apoiando demais em muletas como jumpscares e outros. Como se a quantidade de sustos definisse a qualidade de um filme de terror.

A Possessão de Mary navega com toda velocidade para essa categoria. Quando uma família marcada por traumas recentes tenta reconstruir a sua relação ao adquirir um barco com antecedentes duvidosos, eles logo descobrem que a sua primeira viagem nessa nem um pouco suspeita embarcação pode ser a sua última.

A premissa é simples e direta. Ainda que limitadora, funcionaria bem mantendo o terror no lado psicológico, pois com o pequeno espaço que se tem no barco, não há tanto que se possa fazer em um filme de assombração (o que já elimina sereias, o Kraken e outras criaturas marinhas que poderiam deixar essa viagem mais assustadora).

Diante disso, a trama segue um caminho fraco, se apoiando fortemente nos muitos jumpscares e na subtrama de uma traição que dividiu a família. Ainda que relevante, o tema se repete várias vezes, consumindo tempo que poderia ser usado para desenvolver qualquer um dos 5 outros tripulantes, que não a mãe (Emily Mortimer). É impressionante ver como é mal utilizado Gary Oldman, que fica solto e irrelevante no longa, da mesma forma que os demais.

Dentre os muitos problemas que A Possessão de Mary possui alguns deles são: Não criar uma ambiência apropriada, não explicar mais e nem saber trabalhar a entidade, o uso repetitivo de sonhos e a falta de um fim para história, pois o filme literalmente termina sem um desfecho próprio.

São problemas de roteiro e direção que ficam mais evidentes a medida que a trama progride e, diferente de filmes comuns, que podem ser considerados chatos e entediantes, este passa claramente a imagem de uma produção má planejada, executada e não acabada.

Se a ideia é trabalhar com o espírito vingativo de uma bruxa secular, por que não explorar mais do passado dela? No fim das contas a entidade é mais um fantasma genérico, com motivações genéricas e toda a obra tem tantos problemas que acabam ofuscando quaisquer vantagens que estariam presentes em A Possessão de Mary.


Durante muitos anos, os canais de TV mantinham o padrão para suas séries, cada temporada tinha em média 20 a 22 episódios, e quem acompanhava não chegava a reclamar, porém isso acabou mudando.

Com a chegada dos serviços de streaming como a Netflix, Amazon Prime, HULU e até mesmo da HBO, cada vez mais o número de episódios por temporada caiu, e a medida que os fãs foram se acostumando a isso, temporadas mais longas não enchiam mais os olhos, e atualmente, é muito mais fácil e menos cansativo, assistir uma série de 8 a 10 episódios por temporada, do que investir tempo em uma temporada de 22 episódios.

As séries de super-heróis ainda estão passando por um processo de transição referente a isso. Enquanto algumas emissoras e streamings já adotaram o padrão de temporadas curtas, outras ainda insistem em continuar com o velho modelo de mais episódios.

Jessica Jones, Punho de Ferro, Demolidor, Luke Cage - - Foto: Netflix
A Netflix com suas séries da Marvel havia optado por um modelo mais curto, com cada temporada tendo em média 13 episódios, enquanto o canal The CW, continua investindo em temporadas de 22 episódios em média, para suas séries do Arrowverse, apesar de Legends of Tomorrow ter um número menor de episódios em relação as outras, entre 16 e 18 episódios por temporada.

O DC Universe optou por manter poucos episódios para suas séries. TITÃS por exemplo tem uma média de 11 a 13 episódios por temporada, enquanto Patrulha do Destino teve 15. Mesmo com essa quantidade de episódios, ainda sim o roteiro consegue ser arrastado e cansar os fãs. Já Runaways (do HULU) e Manto & Adaga (do Freeform) mantiveram a faixa dos 10 episódios por temporada, e conseguiram entregar uma história satisfatória, com arcos interessante e sem se arrastar muito.

Manter um padrão de vários episódios em uma época que se consome várias séries ao mesmo tempo não está mais dando certo.

Esse é o grande problema com o Arrowverse. Como as temporadas são muito extensas, a história acaba se perdendo em vários episódios e os fãs por muitas vezes perdem a motivação de acompanhar, já que a quantidade de episódios que não acrescenta em nada na trama. A temporada atual de Arrow, que é sua última, terá um total de 10 epísódos apenas, e isso está mostrando o quão positivo seria se todas as outras séries mantivessem esse padrão. Daria para contar uma história direta, sem enrolação e que prenderia muito mais os fãs.

Flash, Arqueiro Verde e Supergirl - - Foto: The CW
As séries da Marvel pelo Disney+ começam a sair este ano, e já foi revelado que elas terão de 6 a 8 episódios, que é um padrão que já vêm sendo adotado e que também agrada muito mais quem acompanha.

Resta agora saber como as emissoras que ainda insistem em temporadas longas vão tratar a questão. Se irão se adaptar ou continuar insistindo em algo que, mesmo dando retorno, se torna cansativo e desmotivador a cada temporada que passa.

Bem vindos a Jumanji! Após o sucesso do primeiro filme em 2017 com o novo elenco e conceito, Jumanji: Próxima Fase expande ainda mais o universo do jogo trazendo de volta o grupo de amigos para uma nova aventura.

Spencer (Alex Wolff), agora um estudante universitário em Nova Iorque, volta para sua cidade para rever sua família, amigos e namorada. Seu avô Eddie (Danny DeVito) está morando temporariamente na casa por problemas de saúde e precisa se reconciliar com seu antigo amigo e parceiro de negócios, Milo Walker (Danny Glover).

Por sentir-se frustrado e isolado dos amigos, o rapaz acaba recorrendo aos destroços do videogame que o tragou para o mundo de Jumanji na primeira vez. Preocupados com o sumiço de Spencer, Fridge (Ser'Darius Blain), Martha (Morgan Turner) e Bethany (Madison Iseman) colocarão suas vidas em risco mais uma vez por seu amigo.

Repetindo a dose cômica da produção anterior, Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan são os avatares do grupo principal dentro do jogo. Mas desta vez nem tudo saiu como se imaginava, pois Jumanji levou Eddie e Milo junto com o os quatro amigos e os dois precisam primeiramente entender o que está acontecendo para depois tentarem ajudar de alguma forma.

Kevin Hart, Karen Gillan, Jack Black e Dwayne Johnson. Foto: Columbia Pictures/Sony

O filme traz alguns elementos repetidos da trama de 2017, como a própria missão de resgatar uma pedra mágica, algumas mortes e momentos marcantes da obra original. Mas ao mesmo tempo consegue trazer uma essência diferenciada com a presença de Eddie e Milo, que possuem questões pessoais e delicadas para serem discutidas durante a missão.

Além disso, antigos personagens e novas adições se somam ao grupo principal para aumentar ainda mais as habilidades necessárias para que passem por cada nova fase do jogo. Eles também precisam unir-se para derrotar um novo e assustador vilão Jurgen the Brutal (Rory McCann) que ameaça toda vida em Jumanji.

O roteiro continua a explorar bem a insegurança dos jovens que, em sua maioria, desejam tornar-se seus avatares para esquecerem os problemas do mundo real, ou entender qual o papel daquele personagem e no que ele pode ser útil, mesmo que sua aparência não agrade.

Os astros principais do filme apresentam uma ótima interpretação das personalidades dos personagens originas e rendem boas risadas. Cada um com suas habilidades específicas entre forças e fraquezas consegue contribuir para que a trama se desenrole até o objetivo ser conquistado.

Com bons efeitos especiais, trilha sonora e a famosa percussão de Jumanji, o longa consegue trazer a mesma química entre os personagens com uma trama simples, muita comédia e boas cenas de ação, apresentando mais uma grande aventura para fortalecer a amizade e concluir de vez a relação deles com o jogo...ou pelo menos, foi isso que eles pensavam!



Os últimos anos tiveram sua quota de filmes que se passam em baixo d'água, funcionando especialmente bem nos gêneros de terror e suspense e Ameaça Profunda (Underwater) não é diferente ao trazer um grupo de pessoas em uma situação desesperadora a milhares de metros nas profundezas do oceano.

Com uma premissa típica de filmes do gênero, o longa segue um grupo de cientistas que trabalham na perfuração do local mais profundo conhecido, até que algo é lá despertado, trazendo o caos a toda a equipe e estação utilizada por ela.

Um fato que imediatamente chama atenção é que a história começa como se tivesse ''perdido'' a sua introdução. O ponto inicial da narrativa é o desastre e não temos um momento para conhecermos os personagens. Ao invés disso, o fazemos ao longa da sua jornada ao tentar escapar da estação Kepler, que está em colapso devido ao desconhecido acidente.

Isso torna difícil se importar muito com os protagonistas, uma vez que pouco deles conhecemos, mas, ainda assim, temos suas personalidades brevemente exploradas durante sua tentativa de fuga para uma outra estação e posteriormente para a superfície.

O que torna Ameaça Profunda especial é justamente esse trajeto tenso e inseguro, onde a cada momento se espera que todos os personagens sejam exterminados sem chance de vitória e lembrando, em vários momentos, elementos de Alien: O Oitavo Passageiro.

Por estarem no fundo do oceano, não há nenhuma claridade, então a escuridão e a incerteza do que está a sua volta são pontos extremamente importantes que são bem utilizados pelo diretor.

É com os trajes especiais que os protagonistas conseguem atravessar o fundo do oceano - Foto: Reprodução Internet.

Ao mesmo tempo, quando aprendemos que o acidente foi causado por criaturas das profundezas, não vemos muito delas até o final da trama, o que contribui muito para manter a tensão. Ao finalmente serem mostrados, esses seres não decepcionam e os visuais são suficientes para agradas fãs de Lovecraft.

Apesar da evidente situação de impotência em que os protagonistas se encontram, as suas chances de sobrevivência acabam sendo bem balanceadas com vários momentos de sorte e com o excelente trabalho do diretor em manter o espectador conectado ao que os personagens estão vivenciando. Isso contribui para manter o foco, mesmo com toda a escuridão que toma boa parte das cenas.

A escolha do elenco também é um importante fator para manter o longa interessante. Kristen Stewart, em seu tom mais monótono e melancólico, se conecta surpreendentemente bem com o suspense construído, enquanto o humor de T.J. Miller contrapõe a tensão com breves momentos cômicos, que juntos sustentam toda a produção.


Sejam bem-vindos a Riverdale! Não a série da CW, mas sim a cidade onde viver um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos norte-americanos, Archie Andrews, criado em 1941. Porém, hoje não iremos falar das versões mais antigas dele, mas sim, da atual, que é a que vêm atraindo bastante a atenção de uma nova gama de leitores (e espectadores, já que a série ajuda bastante na divulgação do quadrinho).

Em 2018 a Geektopia, o selo geek da Editora Novo Século, e focado mais em quadrinhos e graphic novels, começou a lançar a versão moderna dos personagens da Archie Comics. Archie Vol. 1 – Bem-Vindo a Riverdale foi um grande sucesso, seja nos Estados Unidos, onde começou a ser lançado em 2016, ou no Brasil, onde acompanhou o sucesso da série de TV. Archie Vol. 2 foi lançado este ano, e continuou a ser um sucesso entre os fãs.

É interessante ver que a história trás para atualidade tudo que os primeiros quadrinhos do Archie já se propunham a debater, que são amizade, relações familiares, amores, comportamento, e vários outros temas que devem e precisam ser discutidos com os jovens, e nada melhor do que colocar adolescentes para falar sobre isso.

Apesar de bem simples, a história prende bastante, e nada mais justo do que falar um pouco sobre ela.

Nos dois volumes já lançados, acompanhamos o jovem e desastrado Archie Andrews em sua cotidiana vida em Riverdale, tendo que lidar com o término de seu relacionamento com Betty, sua vizinha, melhor amiga e agora, ex-namorada. Também se faz presente na história do personagem o excêntrico Jughead, melhor amigo de Archie e uma figura que vai conquistas bastante os leitores, além de um alívio cômico, não mais do que o próprio Archie.

A vida dos jovens é bem tranquila, até a chegada da família Lodge, que acaba por mudar toda a dinâmica da cidade, especialmente a de Archie e seus amigos, já que Verônica Lodge, uma jovem socialite passa a morar na cidade e isso resulta em uma série de situações constrangedoras, trágicas, hilárias e bem dramática envolvendo Archie, Verônica e Betty, um típico triângulo amoroso que vai se estendendo ao decorrer das duas edições que já foram lançadas.

Todas as situações que de desenrolam a partir da chegada da família Lodge fazem com que o leitor comece a pensa e analisar diversos temas, já que Archie, que é o centro da história, se vê confrontando diversos dilemas como a lealdade para com sua família, com seus amigos, situações que ele mesmo criou, mesmo sem saber, e que não terminam da forma que ele imaginava. O quadrinho mesmo tendo um ar bastante leve e agradável, trabalha perfeitamente assuntos sérios, sem deixar de lado a comédia.

A história é escrita por Mark Waid, já conhecido dos fãs por trabalhos como O Reino do Amanhã, Superman: Legado das Estrelas, e The Flash pela DC Comics e por Capitão América, Quarteto Fantástico e Demolidor pela Marvel. Além dele temos um grande time de artistas como: Fiona Staples (que já ganhou o Eisner Awards), Annie Wu (que já trabalhou para a Marvel e DC) e Veronica Fish (que já trabalhou na Marvel e na Boom! Studios).

Archie é definitivamente o tipo de quadrinho que todo fã precisa ter na estante, pois, além de ser uma leitura bem dinâmica e leve, ainda é bastante prazerosa e importante. Quando você começa a ler, não quer mais parar e já fica na expectativa para o próximo volume. A conexão com os personagens é imediata.

A Disney nos trouxe de volta a um de seus maiores sucessos no quesito animação, Frozen II, e eu vou falar um pouco sobre o que achei dessa sequência, que fará muita gente ficar com o coração quentinho.

A história, que se passa 6 anos após o primeiro filme, busca revelar um antigo segredo a respeito do reino de Arendelle, e da fonte dos poderes mágicos da rainha Elsa, que embarca na aventura ao lado de sua irmã Anna, de Kristoff , Olaf e da rena Sven.

Em relação ao primeiro, é visível o amadurecimento que os personagens tiveram, especialmente Anna, que passou de uma menina estabanada, para uma mulher muito mais decidida, ainda que doce e divertida. Mesmo sendo mais nova que Elsa, Anna se tornou uma espécie de figura maternal para a irmã mais velha, que a vê como sua melhor amiga, companheira e conselheira.

Elsa também mostra sinais de amadurecimento, porém, ainda se mantém um pouco temerosa em relação a seus poderes e não consegue entender direito o que eles são e o que de fato podem fazer. Todo o cuidado que ela tem com sua magia acaba tendo uma forte relação com seu reino, e especialmente com seus pais.

Kristoff continua o mesmo desengonçado de sempre, porém é interessante ver a evolução que o personagem tem ao decorrer da trama, se tornando uma figura forte e decidida ao lado da mulher que ama, neste caso, Anna. A interação entre Kristoff e Sven, sua rena, continua impecável. E aqui vale um ponto: o personagem ganhou sua música solo, coisa que não tem no primeiro filme e que alguns fãs sentiram falta.

Olaf ainda continua sendo o alívio cômico do filme, porém, desta vez vemos que o pequeno boneco de neve está passando por uma crise existencial, que dá para ser bastante associada a adolescência. É muito divertido ver todos os questionamentos e descobertas que ele faz no decorrer da história.

Essa sequência foca muito mais no aspecto família e na descoberta do passado do que o primeiro. Vemos o desenvolvimento de muitos laços e a revelação de diversos segredos e pontas que não foram esclarecidos no primeiro, especialmente em relação aos pais de Elsa e Anna.

O elenco de dublagem principal está de volta para o filme: Idina Menzel, dando voz a Elsa; Kristen Bell, a Anna; Jonathan Groff, o Kristoff; e Josh Gad, que vive Olaf. Porém, se você também puder ver o filme dublado, vale muito a pena, especialmente por causa de Olaf, que fica totalmente engraçado e descontraído.

No quesito música, como não poderia faltar, algumas pessoas podem não gostar tanto quanto as do primeiro, porém, levando em consideração os temas abordados no filme, ela tem um peso significativo e são muito poderosas. É o tipo de trilha sonora que nos faz querer continuar ouvindo sem parar, e em todas as línguas possíveis.

Frozen II consegue ser tão bom quanto o primeiro, e em alguns aspectos eu até diria que supera o antecessor. É uma boa conclusão para a história e dificilmente veremos um terceiro filme, já que os pontos que não haviam sido finalizados antes, foram agora. Vale muito a pena conferir no cinema e se preparar para as emoções e risadas. E claro, também vale cantar junto.

Mais de quatro décadas depois Star Wars (ou Guerra nas Estrelas para os mais saudosos), continua a cultivar uma gigantesca base de fãs ao redor do mundo.

Para muitos como um dos pilares da cultura pop mundial e um dos principais difusores da "cultura nerd", Star Wars tem uma trajetória de dar inveja para outras franquias cinematográficas. Com onze filmes ao todo (incluindo os spin-offs), várias animações e dezenas de quadrinhos, livros e jogos, a obra criada por George Lucas em 1977 é rica em universo e uma mina de ouro para quem quiser se aventurar.

Em 2012 a gigante Disney comprou a Lucas Films e com ela todos os direitos dos filmes de Star Wars com a promessa de criar novas obras para as futuras gerações. A primeira etapa nos cinemas se deu com "O Despertar da Força" em 2015, dirigido por J.J. Abrams, dois anos depois Ryan Johnson assumia o controverso "Os Últimos Jedi" e agora em 2019 J.J. retorna não só com a obrigação de encerrar a trilogia como também de uma saga que iniciou no final dos anos setenta.

Rey e Kylo se confrontam pela última vez - Foto: Disney

À partir daqui os spoilers estarão presentes no texto. Com a fã-base dividida após Os Últimos Jedi, J.J. Abrams optou por encerrar eventos apresentados por ele mesmo em O Despertar da Força, além de ressignificar elementos trazidos no episódio oito. A trama de Ascensão Skywalker acontece pouco tempo após os eventos de Os Últimos Jedi. A General Leia Organa, que agora está bastante debilitada, precisa reunir todos os rebeldes para um último ataque contra a Primeira Ordem. Paralelo a isso, a galáxia precisa lidar com o possível retorno do Imperador Palpatine enquanto Rey encerra seus treinamentos como uma Jedi com sua nova mestra.

O filme abre com uma grandiosa sequência mostrando Kylo Ren atrás de Palpatine nas bordas da galáxia para destruí-lo e assim torna-se de fato o Supremo Líder. Depois de uma incansável busca que contou com a ajuda dos seus Cavaleiros, Ren encontra Darth Sidious no sombrio planeta de Exegol. O vilão revela ter sido o arquiteto por trás de todos os passos de Kylo e como conseguiu enganar a morte até ali. Por fim entrega uma última missão para o filho de Han e Leia, matar Rey e reinar para sempre por toda galáxia.

Ritmo desenfreado marca o episódio 9 - Foto: Disney

Esse breve inicio configura todo o ritmo que Ascensão Skywalker vai seguir. O filme é recheado de reviravoltas e apresenta um ritmo acelerado que destoa significativamente dos seus antecessores. Além das reviravoltas, vários personagens ganham mais destaque como o trio Rey, Finn e Poe além do droide C3PO e Chewbacca. O espectador se sentirá mais confortável com a dinâmica do grupo que desta vez soa mais natural e convincente. Por outro lado, personagens secundários como Rose perdem destaque e atuam quase que imperceptíveis em tela.

É um bom filme ou não?

Não poderei mentir ou omitir que o episódio nove muda radicalmente alguns eventos do episódio oito, porém essas mudanças fazem sentido mesmo que totalmente inesperadas e até mesmo "exageradas" em alguns pontos. A direção optou por um caminho mais seguro e mais condizente com os materiais de Star Wars adjacentes ao cinema. Por outra via, isto pode causar um certo desconforto e a sensação de que falta uma outra parte da história, talvez seja o ponto negativo de maior destaque: A falta de mais material para sustentar as novidades que são apresentadas, o que convenhamos poderia ter sido resolvido com mais tempo de filme.

Resgatando elementos dos outros episódios, o filme opta por criar um ambiente familiar para os fãs de longa data e também presenteando o público que consome quadrinhos e animações de Star Wars, vários componentes são trazidos à tona de forma implícita e explicita. E como prometido desde o episódio 7, J.J. coloca um ponto final na história dos Skywalker sem muitos rodeios encerrando um ciclo de quatro décadas.

A sensação no final é que poderiam ter tido mais um filme entre o oitavo e o nono, muitas informações deverão ser contadas apenas em outras mídias que na maioria das vezes não são tão atrativas para o grande público. Mas, apesar do ritmo abrupto, Ascensão Skywalker cumpre com o seu papel e entrega um filme totalmente Star Wars, batalhas épicas no espaço, lutas com sabre de luz, a presença do lado negro e diversos momentos emocionantes, característica essa que está enraizada no âmago da franquia.

Embora o marketing diga que tudo termina neste filme, sabemos que a franquia continuará firme e forte em outros lugares e formatos. Resta saber se até lá estaremos acompanhando e acreditando que novas histórias tão boas quanto as que vimos no passado surjam para abraçar as próximas gerações.


Não tem pouco tempo que escrevi uma matéria aqui no Mega Hero onde falava que a Tsuburaya tinha planos de expandir a marca de Ultraman por todo o globo. E agora vem mais um passo ousado.

Após o lançamento do anime de Ultraman na Netflix no ano passado e a websérie Ultra Galaxy Fight que está sendo transmitida pelo mundo no inteiro no YouTube, a Tsuburaya da mais um passo ousado no licenciamento dos guerreiros da Estrela de Ultra, um movimento que pode mudar como o grande público enxerga a marca.

Ultraman na arte de Alex Ross - Imagem: Reprodução Marvel

Em um comunicado oficial a Marvel Entertainment anunciou uma parceria com a Tsuburaya para produzir quadrinhos e graphic novels de Ultraman. O anúncio foi feito durante a Tokyo Comic Con e o novo material irá chegar às loja no ano que vem. Este novo "achievement" atesta de uma vez por todas como a visão de mercado da gigante do Tokusatsu mudou sua forma de vender conteúdo e atingir novos públicos.

Trabalhar com quadrinhos é um recurso interessante e outras mídias já se beneficiaram com isso. Star Wars tem um gigantesco universo expandido vindo das páginas dos gibis e recentemente Power Rangers ganhou uma vasta mitologia graças às HQ's da BOOM! Studios. Com um gigante multiverso, Ultraman também deve seguir nessa linha e cativar novos fãs.

Ultraman é um clássico da cultura pop desde sua introdução na década de 1960, resultando em mais de 50 anos de histórias contadas na tela e nas páginas de mangá e quadrinhos. Hoje, Ultraman continua sendo um fenômeno mundial, mas os fãs sempre se lembram da emoção e maravilha inovadoras da primeira geração do Ultraman que começou tudo. A partir do próximo ano, a Marvel expandirá essa era icônica dos Ultras através das lentes da arte e da narrativa da Marvel.

Cebulski, o editor chefe da Marvel deixou algumas empolgantes palavras sobre a nova parceria.

"Como uma das franquias mais populares do mundo, Ultraman reuniu alguns dos fandoms mais apaixonados da cultura pop atualmente e mal podemos esperar para levar sua história para ainda mais fãs ao redor do mundo", e continuou. "Como a Marvel, Ultraman cativou gerações ao contar histórias espetaculares baseadas no mundo real e continua a ser um clássico amado por meio de programas de televisão, filmes, brinquedos, jogos, quadrinhos e muito mais. Estamos muito empolgados em apresentar novos capítulos para o Ultraman Multiverse no próximo ano".

Do outro lado do globo a Tsuburaya também mostra animação e confia na mídia. "Temos o prazer de anunciar a parceria com a Marvel, uma das principais empresas de entretenimento que produz personagens e histórias fascinantes amadas por fãs em todo o mundo há mais de 80 anos", disse Takayuki Tsukagoshi, CEO da Tsuburaya Production. "Não podemos estar mais animados para explorar e criar novas histórias para a franquia Ultraman com a Marvel e trazê-las para os fãs da Marvel e Ultraman em todo o mundo".

Ambas as empresas pediram para os fãs ficarem atentos em 2020, outras informações só serão reveladas no próximo ano. Essa nova parceria pode inclusive abrir portas para os cinemas, mas isso é conversa para outro momento.
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MEGA HERO
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