sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Bailarina nos ensina a nunca desistir de nossos sonhos


“Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior .É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!" Mário Quintana

Sei que não costumo começar críticas com citações, mas o filme A Bailarina merece este destaque por trazer o sonho como seu principal e indispensável elemento.

No filme, a órfã Félicie sonha em ser bailarina, pois a dança é sua única ligação com seu passado. Frustrada por não poder realizar seus sonhos em um orfanato do interior da França, a garota e seu melhor amigo, que sonha em ser inventor, fogem para Paris para realizá-los. Félicie vai para o único local que acredita ser possível se tornar uma bailarina profissional, a Ópera de Paris.

Claro que os sonhos não caem facilmente do céu, então a garota encontra muitas dificuldades em seu caminho, pois ela não possui técnica, muito menos um local para ficar e o que comer. Mas ela tem paixão pela dança e por seu sonho. Assim, a aspirante a bailarina conhece Odette, a faxineira da Ópera e da casa de uma influente mulher, que vai ajudá-la não só com suas necessidades básicas de sobrevivência, como no aprendizado do ballet e descoberta do amor.

Félicie precisa trabalhar duro para vencer a perfeita técnica de Camille, sua maior rival, e filha da chefe de Odette. De uma maneira não correta, Félicie entra para a turma de ballet da Ópera e acaba sendo desmascarada pela por Camille e sua mãe, mas ainda recebe uma chance por todo seu esforço e melhora de tentar ganhar a tão desejada vaga para dançar com a bailarina principal da Ópera de Paris no Ballet do Quebra-Nozes.

A animação se passa na França em 1869 e possui referências a personalidades como Gustave Eiffel, criador da famosa Torre Eiffel, que ainda estava em construção no período e assim é retratada no filme, e também da famosa Estátua da Liberdade, localizada em Nova York, um presente dos franceses para os norte-americanos pelo centenário de sua independência, durante sua fase de construção na França, no atelier de seu criador.

Outra coisa que preciso ressaltar é a precisão com que a Ópera de Paris foi retratada na animação, os detalhes do foyer e da escadaria são tão absurdos que eles gastam um tempo da animação com closes nos detalhes, mostrando que a locação da história foi amplamente estudada. Mesmo para quem nunca visitou a Ópera parisiense, é possível observar sua arquitetura em inúmeras produções, como por exemplo, O Fantasma da Ópera.

A Bailarina é um filme que pode ser visto em família, com os amigos e até mesmo sozinho, pois diverte e, de alguma maneira, te faz acreditar e perseguir seus próprios sonhos. Apesar de ter uma trama clichê, é bonito de ver o cuidado que a equipe de animação teve ao apresentar os movimentos das bailarinas, sua estrutura física e as danças bretãs de Félicie. Quem gosta de dança e ballet com certeza notará estes aspectos e vai se entreter com a produção.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Até que ponto a crítica influência na experiência de um filme


O ano mal começou e novamente um assunto voltou a ser discutido entre os fãs de cinema: existe de fato uma campanha de boicote contra certos tipos de filme? 

Muita gente vai dizer que não, que estou imaginando coisas, ainda mais quando se trata de filmes de super-heróis, especialmente da DC/Warner Bros., que são o foco desta matéria. Porém, mesmo que não de forma direta ou intencional, infelizmente isso ocorre. 

Você pode me rotular de dcnauta fanático que só quer falar bem da editora que gosta. Sinceramente, a essa altura do campeonato eu não ligo mais. Sinceramente, o que vêm ocorrendo me deixa mais chateado a cada dia e eu vou mostrar o motivo disso. 

Desde o meio do ano passado, foram divulgados por vários sites internacionais e nacionais que o filme da Mulher Maravilha seria um fracasso e iria repetir o desastre que foi Batman vs. Superman. As notícias não tinham uma fonte concreta, mas se baseavam no que foi divulgado por um suposto informante anônimo que trabalhava na Warner Bros. e que fazia parte da equipe do filme. 

Na ocasião em que a notícia foi divulgada, a diretora do filme, Patty Jenkins, teve que ir a público para falar que as alegações eram falsas. Isso acalmou alguns fãs, porém outros, acharam e ainda acham, que Jenkins falou isso apenas para despistar e que de fato o filme vai ser desastroso. 

A notícia voltou a surgir e novamente relacionada a um informante anônimo que passou a informação para um canal no Youtube que divulgou a notícia, e claro, os sites começaram a propagá-la sem checar a veracidade do fato.

Esses incidentes me deixam triste e com raiva pela seguinte razão: o que leva uma pessoa a querer dizer que o filme vai ser ruim sem nem ter visto? Isso é tudo para chamar a atenção? O pior é que muita gente se deixa levar por essas opiniões e acaba reproduzindo esse discurso de que o filme vai ser ruim, isso tudo sem nem ter visto ainda. Esse fator, por sua vez, faz com que a pessoa vá conferir a produção já achando que ela vai ser ruim e com preconceitos construídos. 

Eu não vou pedir que a pessoa ame o filme. Longe de mim fazer isso, até porque, eu não gosto de muitos filmes. O que eu peço é que a pessoa seja crítica e não diga apenas: "Eu não gostei; É ruim; Não é como eu queria e nem como estava no quadrinho".

Sinceramente eu não consigo aceitar um "é ruim" como crítica. Porque, ao meu ver, deve existir um motivo para ter sido ruim. Acho que a pessoa deve explicar o porquê de não ter gostado. E usar o argumento de que não é igual ao quadrinho eu também não acho válido, já que tantas outras adaptações não são, como a exemplo: X-Men: O Confronto Final, Vingadores: Era de Ultron, Capitão América: Guerra Civil, Guardiões da Galáxia, Thor, Quarteto Fantástico (o reboot).

Para não dizerem que só estou usando a DC como base, outro filme que sofreu um boicote pesado e explícito foi Os Caça-Fantasmas. As sessões do filme estavam praticamente vazias. Os dito "fãs" dos primeiros filmes mandaram as pessoas não irem conferir o novo porque não prestava. Agora eu pergunto a você: o que leva uma pessoa a fazer isso? Qual deve ser a sensação de impedir que alguém queria ver algo ou acabar com a expectativa da pessoa? Às vezes eu juro que tento entender, porém não consigo. 

Outro fator, que pesa muito, e que muita gente leva em consideração é a crítica. Você pode concordar com o que o crítico fala, porém não use as palavras dele nem o que ele achou como um discurso seu, porque cada pessoa enxerga o filme de uma forma diferente. Experiências são coisas únicas. Você pode gostar de algo que alguém não goste, e vice-versa. Infelizmente muita gente usa a palavra dos críticos como verdade absoluta e, ao meu ver, isso é um grande erro, pois é justamente a partir dai que essa pessoa vai deixar de ver certos filmes porque um tal crítico falou que era ruim. 

O espectador deve tecer sua própria crítica e opinião baseado no que ele viu, e não se apropriar de um discurso já criado, que é o que vem acontecendo muito. 

Não culpem o Rotten Tomatoes pela nota de certos filmes, o site apenas computa o que as críticas dizem. E não é porque um filme tem 90% de aprovação que necessariamente você vai gostar, ou porque ele só teve 20% que você vai odiar. Cada pessoa tem seu gosto e suas preferências. 

Para finalizar, não acreditem em todo rumor que os sites divulgam. Pesquisem antes de ficar compartilhando informações falsas e aumentando ainda mais esse movimento negativo que está ocorrendo e, principalmente, tenha sua própria opinião sobre as coisas. Se você não gostou, diga o porquê, aponte os erros. Não é errado expressar sua opinião. Errado é copiar o que o outro disse e não ter a capacidade de pensar e desenvolver algo seu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Os Tokusatsu voltaram para o espaço?


Os últimos anos foram cruciais para definir o modelo de filmes e seriados de super heróis. Grandes nomes dos quadrinhos apareceram pela primeira vez e tivemos uma época repleta com esses personagens.

Claro que não acabou ainda essa fase de "super heróis" nos cinemas, na televisão (ou seria melhor dizer serviço de stream?) e nos quadrinhos, mas é certo dizer que Hollywood já busca outras formas de entretenimento para ganhar rios de dinheiro e ditar novas modas.

Mas o que está acontecendo no momento? Qual será o próximo grande "boom" na cultura pop, você consegue adivinhar? Bem, eu poderia fazer uma aposta sobre o retorno da ficção cientifica, mas isso já está acontecendo, basta prestar atenção.

A volta de Star Wars mudou o panorama dos filmes de super heróis - Foto: Reprodução Internet

Minha análise será pautada em um nicho especifico que é o Tokusatsu, mas não posso deixar comentar de outras produções que evidenciam o retorno do Sci-Fi para o grande público. Em 2015 tivemos o retorno triunfal de Star Wars, obra renomada de George Lucas que ditou como se faz um longa metragem de ação e ficção e que hoje está nas mãos da Disney. Não posso também esquecer de Star Trek e suas novas aventuras pela ótica de J.J Abrams e o retorno de Arquivo X em 2016 e as novatas WestworldStranger Things e Voltron: O Defensor Lendário.

Essas novas produções chegam para competir ou melhor conseguir um espaço em meio aos seriados de super heróis que reinam em seus horários de exibição. É uma fuga para quem quer algo diferente ou para quem está saturado de Arrow e Flash por exemplo.

Os seriados de Tokusatsu também já "sofrem" com essas mudanças, mesmo que de forma gradativa. Por serem produções de super heróis em sua maioria esmagadora, os Tokusatsu precisam se moldar às novas tendências de forma sutil em paralelo agradando ao seu público alvo. Programas como Ultraman que retornou com o modelo de seriados em 2013 consegue "navegar" nessa moda Sci-Fi de forma mais tranquila, até porque a própria franquia é pautada nesse segmento.

Do outro lado da maçã, séries como os Super Sentai e Power Rangers também mostram interesse na temática com suas produções atuais. Dino Charge (2015) e Dino Super Charge (2016) dos Estados Unidos mesclaram dinossauros com vilões do espaço e a inédita Power Rangers Ninja Steel (2017) abraça o gênero com maior evidência. Mas quem consegue melhor impactar é o seriado Uchu Sentai Kyuranger que estreia esse mês no Japão e traz nove integrantes e uma missão de salvar a galáxia de um inimigo muito poderoso.

Ultraman Dyna e Ultraman Orb - Foto: Tsuburaya Productions

Se a televisão está bem servida, o mesmo podemos dizer dos Tokusatsu das telonas. Enquanto temos o longa metragem de Ultraman Orb em Março no Japão, Power Rangers ganha o seu reboot no dia 23 de Março com forte influência da ficção científica e pode ser junto com Guardiões da Galáxia, uma das referências da mesclagem de heróis, sci-fi e viagens no espaço. Está bom ou não?

Encerrando (até o momento), temos o aniversário de 35 anos do seriado Uchuu Keiji Gavan, que ficou conhecido no Brasil como Detetive Espacial Gavan. Para celebrar o marco histórico, o personagem Gavan Type-G (o novo Gavan), retorna para um filme especial ao lado da equipe Dekaranger para lutar contra MacGaren, o vilão de Jaspion que está de volta.

Ainda é cedo para dizer se as próximas produções japonesas irão seguir nessa temática, afinal, os Tokusatsu precisam se reinventar a cada ano e trazer novidades para os fãs. Mas olha, ainda da tempo do próximo Kamen Rider pegar carona nessa nave e quem sabe até fazer um crossover com Kamen Rider Fourze.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Desventuras em Série, é melhor não olhar?


Desventuras em Série (A Series of Unfortunate Events), a mais nova produção do Netflix, finalmente teve sua estreia no serviço de stream, adaptando a obra de mesmo nome escrita por Lemony Snicket (o pseudônimo do autor Daniel Handler), que conta a trágica história dos irmãos Baudelaire.

Na trama, Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith), acabam de perder seus pais em um incêndio, tornando-se órfãos sem qualquer família próxima com quem contar. É a partir daí que o Sr. Poe (K. Todd Freeman), o banqueiro responsável pelos assuntos financeiros dos irmãos, os leva para viver com um parente distante chamado Conde Olaf (Neil Patrick Harris), um excêntrico criminoso que planeja colocar as mãos na fortuna dos Baudelaire.

Escrita ao longo de 13 livros, a história dos órfãos Baudelaire recebe o título "Desventuras em Série" devido à sequência de infortúnios que a caracteriza. O autor, desde o momento em que se inicia a leitura, avisa àqueles que não desejam encarar as inúmeras adversidades que vem por ai para não seguirem em frente, realizando constantes apontamentos das tragédias a serem enfrentadas pelas crianças. Não apenas nesses momentos, a presença de Lemony Snicket como narrador é constante por todas a narrativa, criando um verdadeiro diálogo com o leitor.

Os quatro primeiros volumes da edição nacional de Desventuras em Série adaptados para a primeira temporada - Foto: Mega Hero

A série, por sua vez, manteve essa característica, na qual Patrick Warburton representa o autor Lemony Snicket, que interrompe e complementa em diversos momentos a trama para explicar detalhadamente o significado de frases e palavras, assim como para expressar sua opinião de maneiras satíricas. Mesmo aparecendo como narrador e observador, Snicket integra muito bem a história, não atrapalhando seu desenvolvimento e até mesmo criando certo suspense sobre seu envolvimento no enredo.

Consistindo no total de 8 episódios, a primeira temporada de Desventuras em Série adapta um livro a cada dois episódios e consegue, com sucesso, adequar o material original sem retirar momentos indispensáveis ou prolongar desnecessariamente os acontecimentos. Cada episódio, assim, consegue passar de modo bastante orgânico e atrativo as histórias dos livros, juntamente com a bem elaborada (e um pouco creepy) abertura que é cantada por Neil Patrick Harris e tem diferentes versões para diferentes episódios.

Um ponto forte da adaptação do Netflix é, certamente, seu elenco. Além de Patrick Warburton, fortes nomes como Joan Cusack (Juíza Strauss), Aasif Hakim (Tio Monty), Catherine O'Hara (Dra. Georgina Orwell), Cobie Smulders (Mãe) e Will Arnett (Pai) contribuem para a bem produzida série, assim como os próprios atores que interpretam os órfãos, em especial Malina Weissman na pele de Violet Baudelaire. Já K. Todd Freeman, como o Sr. Poe, levanta suspeitas quanto a sua atuação, que, por um lado, aparenta ser fraca, mas, por outro, poderia ser simplesmente um reflexo da estranheza e indiferença do personagem, o que, no fim, acaba combinando com o tom da série.

O Conde Olaf (Neil Patrick Harris) recebe os irmãos Baudelaire em sua casa - Foto: Reprodução Internet

Ao viver o papel de Conde Olaf, Neil Patrick Harris se destaca positivamente, representando os modos excêntricos e bizarros do suspeito ator e criminoso que é o Conde. Da mesma maneira como nos livros, o vilão é apresentado com sua inclinação para arruinar a felicidade dos órfãos, contando com seu grupo singular de capangas e uma série de fantasias extremamente ridículas, mas que funcionam para esconder a identidade do Conde Olaf de todos, exceto dos irmãos Baudelaire.

Talvez o mais importante aspecto da série seja a fidelidade com que é apresentada. Fidelidade aqui não está necessariamente em seguir os exatos eventos dos livros, uma vez que existem algumas diferenças que não chegam a atrapalhar ou confundir a história. De outra forma, a fidelidade aqui apontada se refere ao cuidado da produção em manter o tom dos livros, que são marcados por seu caráter incomum, que chega a ser esquisito, e apresentam a narrativa de modo melancólico e cartunizado à certo ponto.

Todo o cenário, o figurino, o diálogo, os personagens e até mesmo a filmagem são feitos de uma maneira bastante peculiar, mas que acabam funcionando juntos. Para aqueles que não leram os livros, a série definitivamente parecerá estranha à primeira vista, enquanto aqueles já familiarizados com as desventuras dos irmãos Baudelaire se sentirão bem acolhidos pela nova adaptação do Netflix.

Dito isso, Desventuras em Série conta, sem dúvidas, uma história bastante peculiar, mas que pode ser acompanhada por todos, desde que não a encarem com um olhar sério e puramente racional, pois, se o fizerem, estariam perdendo seus momentos excêntricos e bem elaborados feitos para prender a atenção do espectador, em meio a uma fraca esperança de um final feliz dentre os infortúnios dos irmãos Baudelaire.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Intensas cenas de ação unem passado e presente em Assassin's Creed


Adaptações cinematográficas de games nem sempre alcançam o sucesso almejado, sendo alvos de extensas críticas que, na maioria dos casos, não se mostram completamente infundadas. Talvez por esse olhar crítico ou pela vontade dos fãs de assistirem seus games favoritos bem representados, bastante atenção tem sido dada a esses filmes, o que não é diferente no caso de Assassin's Creed, que chega aos cinemas dirigido por Justin Kurzel (Macbeth: Ambição e Guerra).

No longa, Callum Lynch (Michael Fassbender) é procurado pela misteriosa empresa Abstergo, por meio da qual descobre ser descendente de um membro do antigo Credo dos Assassinos, conhecido como Aguilar. Através do projeto Animus liderado pela Dra. Sophia Rikkin (Marion Cotillard), Callum passa a reviver as experiências de seu ancestral durante a inquisição espanhola do século XV, devendo lidar com seus dilemas pessoais e com o real objetivo da Abstergo.

Assassin's Creed é uma adaptação da renomada franquia de games de mesmo nome, famosa por explorar o conflito entre o Credo dos Assassinos e a Ordem Templária nos mais diversos períodos da história pelo mundo todo. Nos games, geralmente através da pele de um assassino, o uso de inúmeras técnicas de assassinato e infiltração, assim como as impressionantes escaladas e o parkour, tornaram-se verdadeiras marcas da franquia.

O filme, por sua vez, é apresentado com roteiro original, buscando explorar acontecimentos históricos diferentes aos já utilizados nos games, enquanto mantém seu foco principalmente nos acontecimentos do presente. Os dilemas entre Callum e seu pai acabam tomando muito mais tempo da narrativa do que seria ideal, revelando uma preocupação em tornar o personagem "mais real", do que efetivamente entrelaçar a história do presente, com a vivência histórica de Aguilar.

O assassino Aguilar em meio à Inquisição Espanhola de 1492 - Foto: Reprodução/20th Century Fox

Tendo como pano de fundo a inquisição espanhola, muito poderia ter sido explorado, ficando perceptível a falta de acontecimentos históricos para enriquecer a trama e desenvolver o ancestral de Callum. Ao invés disso, apenas alguns elementos da inquisição podem ser encontrados e o passado é usado para reproduzir cenas de ação, atrás de cenas de ação.

Um elemento dos games que ajudou a estabelecer a franquia, foi o investimento dado aos ancestrais nos primeiros jogos (a exemplo do personagem Ezio em Assassin's Creed II), não utilizando-os apenas como peças de um jogo de ação, mas sim com um verdadeiro desenvolvimento emocional através de eventos históricos. No longa, por outro lado, Aguilar é usado apenas como uma peça do passado e não passa qualquer carisma.

Já de um lado positivo, outros elementos clássicos são bem utilizados, como a desenvoltura para o combate com armas dos assassinos e as impressionantes cenas de parkour. Toda a parte da ação também é muito bem produzida, com acrobacias bem integradas e batalhas bem organizadas, mesmo que sobreponham-se à história em demasiado.

Talvez um dos maiores problemas da adaptação recaia sobre sua cinematografia. O filme é todo apresentado como se tivesse um filtro reduzindo a nitidez da imagem, ficando marcado pelos cantos escuros e inúmeras cenas contra a luz, que acabam escurecendo o filme ainda mais, além de uma filmagem tremida durante as cenas de ação que dificultam a visualização no geral. Outro destaque negativo é o barulho excessivo, que combinado aos outros fatores, parece ter sido escolhido para confundir e atordoar o espectador.
Sophia (Marion Cotillard) introduz Callum (Michael Fassbender) à Abstergo - Foto: Reprodução/20th Century Fox

O uso excessivo de filmagens cinematográficas de paisagem também poderia ser melhor dosado, reservando esse tempo para maior desenvoltura do passado. O período gasto nas instalações da Abstergo e na aproximação entre Callum e Sophia acaba não sendo tão interessante, não chegando a produzir grandes frutos ao final da trama.

Sob uma visão geral, o filme acaba funcionando muito melhor como mais um projeto de ação, no qual não se pode pensar muito nos fatos sem que se encontre uma série de inconsistências. Ainda, não se revela um fracasso total, como muito tem se difundido pelos grandes veículos de informação, podendo ter seus destaques positivos reconhecidos e seus negativos anotados para uma futura continuação.

Assassin's Creed peca no desenvolvimento da história, caindo em algumas armadilhas evitáveis, mas apresenta material para um filme de ação, com cenas de luta bem produzidas e perseguições notáveis.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O retorno de Ao no Exorcist, como assistir?


O mercado dos animes já faz parte, há vários anos, de uma verdadeira máquina de produção japonesa, com inúmeros títulos sendo lançados continuamente. Basicamente, basta que um mangá faça sua quota de sucesso entre os leitores japoneses para que ganhe sua adaptação animada, assim como foi com Ao no Exorcist (Blue Exorcist).

O mangá de Kazue Kato rapidamente agradou ao público e em cerca de 2 anos conseguiu seu próprio anime em 2011, que, apesar de algumas diferenças com o material original, ainda assim obteve bastante sucesso com sua arte e história singulares. O anime teve 25 episódios encomendados, mas, talvez por mal planejamento ou por exigência das produtoras, não conseguiu acompanhar o lento lançamento do mangá, fazendo com que a história da animação se derivasse da história do mangá (que ainda não havia sido publicada).

Em outras palavras, o que realmente ocorreu? Por volta do episódio 16 do anime, a história começou a sofrer alterações e seguir um rumo diferente à história original do mangá, passando, a partir do episódio 18, a exibir um arco filler (filler = diferente do material original/que não está no mangá) e mudando aspectos básicos dos personagens.

Essas mudanças não tiveram boas repercussões, fazendo com que o anime se encerrasse com os 25 episódios originalmente encomendados, enquanto o mangá continuou a ser publicado, desde então. Após vários anos, o anime teve uma continuação confirmada e já tem seu primeiro episódio disponível para exibição no Crunchyroll, agora com o título Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen. Mas, diante das mudanças sofridas no anime de 2011, de onde começa esse novo anime e como continuar a acompanhar a história compreendendo tudo?

O estúdio de Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen responde a essa pergunta de uma maneira bem simples. A continuação segue exatamente de onde começaram as antigas alterações (cerca do episódio 16 do anime/ capítulo 13 do mangá), que, por sua vez, ocorreram logo após a luta de Okumura Rin e Amaimon durante o acampamento das "férias de verão" do grupo, que culminou com o julgamento de Rin perante os exorcistas. O primeiro episódio se inicia, então, seguindo os eventos do volume 5 do mangá, mais precisamente do capítulo 16, dessa vez apresentando uma abordagem visivelmente mais fiel ao mangá.

Cartaz de Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen - Imagem: Reprodução Internet

Mesmo que persistam várias inconsistências com o anime original, a escolha do estúdio em desconsiderar a saga filler e seguir o material original é, sem dúvidas, a mais segura, uma vez que fazer um reboot e começar do zero seria muito custoso, enquanto considerar a saga filler seria extremamente prejudicial para a história de Ao no Exorcist.

Dito isso, o episódio inicial de Kyoto Fujouou-hen começa como se fosse um episódio de meio de temporada, sem maiores explicações, até que alguns flashbacks ao final surgem para relembrar alguns dos eventos anteriores da história. Com esse episódio, também é introduzido um novo arco, mais precisamente o arco do Rei Impuro, que leva Rin e seus colegas a uma nova missão em Kyoto.

Para aqueles que não conseguirem lembrar de todos os fatos prévios da história, ou, ainda, que não conheçam esse trabalho, mas que tenham interesse em mudar isso, uma boa opção seria ler o mangá até o capítulo 15 (até o final do volume 4). Isso seria mais benéfico do que assistir ao anime de 2011, que pode causar confusão razoável e atrapalhar a compreensão na nova produção.

Como um fã de Ao no Exorcist, posso dizer que realmente me alegra ver uma continuação ao excelente trabalho criado por Kato, ainda mais diante do arco do Rei Impuro, que expande consideravelmente a quantidade de personagens e ameaças na história. Dessa vez, com 12 episódios encomendados, se espera que essa temporada de Ao no Exorcist faça jus ao seu nome, produzindo um conteúdo atraente para que 2017 já se inicie com boas promessas.

O mangá Ao no Exorcist é publicado no Brasil pela JBC e o novo anime, Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen, pode ser assistido pelo serviço de stream do Crunchyroll.