quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Aquaman tem estreia épica e leva o universo cinematográfico da DC a novos rumos


Com a direção de James Wan, Aquaman finalmente chega aos cinemas para dar um novo rumo ao universo cinematográfico da DC. A mudança de tom que já fez parte de Mulher Maravilha e Liga da Justiça fica agora bem mais evidente, deixando de lado uma boa parte da visão sombria que Snyder projetou para esse vasto universo que ainda tem muito a ser explorado.

O filme, que se utiliza em muito da origem dos Novos 52 do personagem, conta como a Rainha Atlanna (Nicole Kidman) conheceu o simples faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) e como os dois se apaixonaram. Do seu amor nasceu o meio atlante e meio humano Arthur Curry (Jason Momoa), que anos após deve lutar pelo trono de Atlantis para impedir que seu meio irmão, o Rei Orm (Patrick Wilson) inicie uma guerra contra o mundo da superfície. Para isso, Arthur vai em busca do tridente perdido de Atlan, o primeiro rei de Atlantis, com a ajuda de Mera (Amber Heard).

Sim, Aquaman é mais uma história de origem. Mas diferente de personagens como o Homem-Aranha e o Batman, que tiveram diferentes encarnações nas telonas apenas nos últimos 10 anos, o herói não tem suas raízes tão familiarizadas pelo grande público.

A direção de James Wan fica bastante evidente ao longo do filme, o que ajuda a trazer vida a esse novo mundo - Foto por: © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. and Ratpac-Dune Entertainment LLC. All Rights Reserved.

E aqui há uma proposta inovadora para um projeto que não estava sendo tão bem aceito por todos. Ainda que Zack Snyder tenha construído uma fiel base de fãs com o que havia sido feito até Batman vs Superman, seu olhar quase que unidimensional sobre o multidimensional universo dos quadrinhos da DC acabou criando filmes e personagens no mesmo tom pesado e sombrio, causando uma fadiga com as poucas adaptações feitas.

Em Aquaman, o diretor James Wan traz um foco bem mais jovial imerso em uma temática de aventura e ação, quebrando com muito do que vinha sendo feito, mas ainda assim se mantendo coeso com o que já foi construído. Da mesma forma, o longa é bem mais fluido que seus predecessores, dando a impressão que Wan foi capaz de transmitir sua visão com bem menos interferência, mesmo que o núcleo do elenco tenha sido contratado por Snyder.

A relação entre Arthur e Mera é essencial para a trama - Foto por: © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. and Ratpac-Dune Entertainment LLC. All Rights Reserved.

Há uma excelente integração entre roteiro e os atores e ainda que Momoa não seja a representação mais fiel para um Aquaman clássico, ele funciona muito bem no papel, enquanto o elenco de apoio se encaixa bem à sua representação do herói. É justo que a química entre Jason Momoa e Amber Heard não é a melhor já vista, mas o romance dos dois acontece, assim como Willem Dafoe cria o suporte necessário como Vulko e Nicole Kidman faz uma excelente Rainha Atlanna e abre a trama de forma espontânea.

O antagonista Orm, traz uma dualidade contra o seu mais despreocupado meio irmão, e apresenta motivações facilmente compreensíveis e coesas, mesmo que não haja tanta profundidade para o personagem. Enquanto isso, o Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II) é bem mais real e ainda que não seja o vilão principal do longa, também cria uma ligação próxima com Arthur. Ainda, a adaptação fiel do seu uniforme clássico das HQs ajuda a encaixá-lo melhor na produção.

O Arraia Negra é motivado por sua vingança contra o Aquaman - Foto por: © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. and Ratpac-Dune Entertainment LLC. All Rights Reserved.

Fidelidade não define se o projeto será bom ou não, claramente, mas o fato da direção e roteiro terem se inspirado em tantos momentos e visuais retirados diretamente dos quadrinhos deixa evidente a sua familiaridade com o trabalho e quanto alguns dos principais nomes da DC como Geoff Johns tiveram participação na sua concepção.

E isso ajudou bastante para que James Wan criasse todo esse incrível mundo subaquático que nos é revelado no filme. Tanto a cinematografia e paisagem de tirar o fôlego, quanto os detalhes que estão por todos os lados, seja pelo uniforme clássico do Aquaman ou das inúmeras referências feitas, dão vida ao longa.

Existem também alguns problemas, como a presença de clichês de filme de ação, a necessidade de se construir um romance em meio a uma guerra e Wan abusa de explosões em diversos momentos. Mas isso não retira o épico da narrativa que fica bem claro por toda a trama.




quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Robin Hood: A Origem reinventa o conto clássico sob uma ótica voltada para a ação e o entretenimento


Com o anúncio de mais um filme contando a história do famoso ladrão Robin Hood, é de se imaginar que mais uma vez uma narrativa carregada em elementos históricos, com longos diálogos e cenas de ação pontuais suficientes para não caracterizar a produção como um Drama estivessem presentes. Já é costume tratar antigos contos e fantasias como meras reproduções históricas, o que acaba ficando repetitivo.

No caso de Robin Hood: A Origem, a trama carregada de ação e elementos de filmes de assalto a banco segue o lorde inglês Robin de Loxley (Taron Egerton), que logo após encontrar o amor de sua vida é convocado a ir às Cruzadas à serviço do Rei inglês. Sobrevivendo 4 longos anos de guerra, Robin retorna à sua terra natal, apenas para descobrir que teve tudo tomado de si pelo Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn).

O que Robin não esperava é que no mesmo barco que o trouxe para casa, vem o seu antigo adversário de guerra, o mouro John (Jamie Foxx). A partir daí surge uma trama que coloca Robin em uma jornada em busca de vingança e justiça ao povo de Nottingham.

A relação entre Robin (Taron Egerton) e John (Jamie Foxx) é essencial na trama, assim como o papel paterno que John representa em diversas formas - Foto por: Attila Szvacsek.

A primeira coisa para se deixar bem clara é que esse filme não tem qualquer fidelidade histórica, então, para os amantes do gênero, esse pode ser um grande alerta. É discrepante a divergência histórica em diversos aspectos como roupas, costumes, aparência física e outros, mas a própria abertura da narrativa faz questão de dizer que esse conto não se passa em um ano ou momento específico.

Fica bastante evidente que foi uma escolha do roteiro e da direção deixar os pormenores de fora e focar mais na ação e no entretenimento. São inúmeras as cenas em câmera lenta que enaltecem os momentos mais calorosos das batalhas, assim como toda a trama tem um ritmo acelerado que mantém a história progredindo.

Sim, o longa tem uma série de defeitos e reutiliza muitos elementos de outras grandes produções, mas ainda assim consegue trazer uma releitura única para a batida história do ladrão que rouba dos ricos para dar aos pobres. Mais importante ainda, consegue dar uma ótica jovial, como uma verdadeira fantasia onde Robin é o seu herói, que certamente atrai as massas que buscam diversão, mais do que fidelidade histórica.

O diretor Otto Bathurst cria cenas agitadas e dá uma vivacidade ao filme, que lembra muito mais um jogo de Assassin's Creed do que o próprio filme dedicado à franquia.

O tempo que Robin passa nas Cruzadas ajuda a construir as habilidades e a determinação necessárias para que ele se torne a conhecida lenda - Foto por: Attila Szvacsek.

Talvez um dos mais importantes pontos é que a trama não se contém a apenas recontar como Robin rouba dos ricos para dar aos pobres. Com elementos de O Conde de Monte Cristo, vemos muito mais uma jornada de redescobrimento do protagonista, que tem como seu principal foco derrubar o Xerife de Nottingham e trazer justiça à população que está esgotada após anos financiando cruzadas.

Além disso, os atores estão todos muito bem em seus papeís que sim, são bastante superficiais e até combinam com os inúmeros clichês, mas isso não tira o mérito de que Robin Hood: A Origem é divertido e, como muitos filmes dos anos 90, está mais dirigido para entreter do que impressionar.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Novos Titãs: O Contrato de Judas é um marco para a história do grupo


Aproveitando a estreia e sucesso de Titans, primeira série original do streaming DC Universe, resolvi fazer o review do quadrinho Novos Titãs: O Contrato de Judas, uma das mais aclamadas histórias do grupo, criada pela dupla Marv Wolfman e Goerge Pérez, e que possivelmente será adaptada para a série no futuro.

A história foi lançada em formato de encadernado pela Eaglemoss, e faz parte da sua coleção de graphic novels da DC Comics. O valor da edição é de R$ 45,00 e pode ser encontrada em livrarias ou em lojas especializadas em quadrinhos.

Muitos se perguntam o que faz de O Contrato de Judas uma ótima história, e eu respondo de forma simples: a equipe que está por trás dela. Muitos fãs da DC Comics já conhecem os nomes de Marv Wolfman e Goerge Pérez. Eles são os responsáveis pelo primeiro grande crossover dos quadrinhos, Crise nas Infinitas Terras. Wolfman é o responsável pelo roteiro da história, com Pérez ajudando como co-roteirista e desenhista e Dick Giordano sendo o responsável pela arte final. Esse time conseguiu criar uma das melhores e mais emblemáticas histórias que eu tive o prazer de ler, e imagino que é o que muitos outros fãs pensam também.

A edição contra com a história principal; três edições anteriores ao arco central, que serve para ajudar a entender o contexto em que os heróis estão inseridos; além da história que mostra o primeiro encontro entre os ajudantes dos principais heróis da editora, que viria a se tornar a primeira formação dos Titãs.

Edição da Eaglemoss - Foto: Mega Hero
Agora sem mais delongas, vamos ao que interessa que é a história principal.

Novos Titãs: O Contrato de Judas é uma história em quatro edições que foi originalmente publicada em The New Teen Titans #41-44 e Tales of the Teen Titans Annual #3, entre fevereiro e julho de 1984.

A história começa mostrando como a personagem Terra, que se passa por amiga dos Titãs, coleta informações para o Exterminador, afim de que o vilão consiga capturar os heróis e cumprir um contrato que tem com a C.O.L.M.E.I.A.

Um dos pontos altos da história, e que é bem apresentada pelos roteiristas, é mostrar a vida dos Titãs fora da torre. Mostrar como eles lidam com suas vidas pessoais, seus dilemas e o mais importante, como é dura a transição entre a adolescência e a vida adulta.

Os diálogos apresentados por Wolfman são uma peça fundamental para entender a relação entre os membros da equipe, pois ele faz questão de mostrar o quanto cada um se preocupado com o outro, e que além de amigos, eles são uma grande família.

Além da história envolvendo Terra ser magnífica e ao mesmo tempo pesada, não é apenas isso que faz de O Contrato de Judas umas das melhores histórias do time. O arco também marca grandes mudanças para equipe.

A primeira delas é à saída de Wally West da equipe, que estava tendo problemas com seus poderes e por isso resolve se afastar da vida de herói. O personagem retorna no final de Crise nas Infinitas Terras e assume o manto do segundo Flash, que pertencia a seu mentor e amigo, Barry Allen.

Titãs atacando uma instalação inimiga - Foto: Reprodução da Internet
Outra mudança, e uma das mais drásticas não só para os Titãs, como também para as histórias do Batman, é que Dick Grayson abandona o uniforme do Robin e assume uma nova identidade como Asa Noturna. Essa é a primeira aparição do personagem com o novo nome.

Além disso, ainda temos a história de Slade Wilson, mostrando como ele se tornou o temido Exterminador e como perdeu um dos olhos. Juntamente a essa história, temos a estreia de seu filho mais novo, Joseph Wilson, que possui poderes e mais tarde entraria para os Titãs usando o nome de Jericó.

Todo o arco é muito bem construído, além de ser um prato cheio para os fãs da DC Comics de todas as idades. É bem interessante ver a interação dos heróis, e como eles lidam com seus problemas, especialmente com a Terra, que se revela uma traidora e abala de vez a estrutura da equipe, pois ela é uma jovem mentalmente e emocionalmente instável, que perde o controle de seus poderes muito rápido e pode causar grandes desastres.

O Contrato de Judas serve também para reafirmar o tom mais adulto que a série do DC Universe resolveu seguir, claramente baseada no período em que Wolfman e Pérez assumiram o título.

A história é essencial para todos os fãs da DC terem em sua coleção, já que é um dos marcos dos Titãs dentro da editora.

Ficha Técnica
Título: New Teen Titans: The Judas Contract
Editora: Eaglemoss
Roteiro: Marv Wolfman
Arte: Goerge Pérez
Capa: Goerge Pérez
Número de páginas: 200

sábado, 10 de novembro de 2018

Alita luta como uma garota no mangá Battle Angel Alita: Gunnm Hyper Future Vision


Ultimamente tenho revisitado textos clássicos de Cyberpunk. Alguns contos de Philip K. Dick, outros tantos de William Gibison, textos de Bruce Sterling, etc. Em contato com a escrita criativa desses autores, surge o impulso de escrever algo sobre essa temática, o problema é alcançar certa originalidade, no entanto tal tarefa não foi um problema para Yukito Kishiro.

Lançado em 1990 no Japão como Gunnm, nos Estados Unidos como Battle Angel Alita e no Brasil em 2003, pela JBC, como Gunnm - Hyper Future Vision. Outras versões foram publicadas anteriormente no Brasil, mas sem o devido licenciamento. No final de 2017 a JBC relançou o mangá como Battle Angel Alita: Gunnm Hyper Future Vision em 4 volumes, reunindo as 9 histórias originais.


O primeiro volume contém duas histórias importantes para estabelecer os personagens principais e o universo onde a trama se desenvolve. Em um passeio pelo lixão da Cidade da Sucata, o engenheiro cibernético Daisuke Ido encontra os restos de um corpo cibernético feminino, parte do tronco e cabeça. Ao reativá-la percebe que a cyborg está sem memória, imediatamente ele à batiza de Alita.

Acompanhamos a jornada de Alita em um futuro distópico de uma sociedade dividida entre Zalem: uma cidade flutuante onde aparentemente tudo é perfeito, e a Cidade da Sucata: lugar que serve de fabricação de todos suprimentos para as necessidade de Zalem e depósito de tudo que é indesejado. Nesse cenário Ido e Alita desenvolvem uma forte relação. Ido reconstruindo o corpo cibernético de sua nova amiga e preocupado com seu desenvolvimento.


Alita está em busca de encontrar seu lugar naquele mundo, tentando reconstruir sua vida com a apoio dos seus novos amigos, tentando forjar a identidade de uma humana em um corpo artificial. Experienciando conflitos morais e relações humanas complexas. Mesmo com mais de 200 anos de idade, sua percepção do mundo ainda é praticamente de uma adolescente. Nesse sentido, o autor nos coloca para viver uma contradição latente, porém com a devida dose de aceitação das regras daquele mundo.

Criando uma narrativa ágil e divertida, nós somos conduzidos a vivenciar na jornada de Alita nossas próprias contradições. As mudanças sofridas em seu corpo também são as mudanças que adolescentes do nosso tempo sofrem. Mudanças bruscas que são difíceis de serem elaboradas. Momentos de aceitação com o corpo em plena transformação.


Além disso, todas as incertezas que fazem parte desse momento específico do desenvolvimento da personagem nos fazem pensar sobre o caminho da descoberta de nossas fraquezas e potências. Em certo momento presenciamos a mudança importante de nossa protagonista em um ser forte e eficiente, superando os obstáculos que estão em seu caminho, conduzindo um processo de mudança no mundo, mostrando como se luta como uma garota.

Fiquei surpreso com a habilidade de Kishiro em criar uma história envolvente com personagens interessantes se utilizando de diversos símbolos e temas recorrentes no “gênero”. Talvez seja nessa habilidade de remixar os elementos com outras abordagens que repouse a sagacidade do autor.


Atualmente estão desenvolvendo um longa metragem baseado na obra de Kishiro, produzido por James Cameron e dirigido por Robert Rodriguez, dois nomes de peso que contam com uma produção de alto orçamento. A estreia está marcada para o início do primeiro semestre de 2019, a data até o momento é 14 de fevereiro, porém pode haver alteração.

Ao ver o trailer fiquei empolgado para conferir o resultado final nos cinemas, o jeito como fizeram a Alita e alguns personagens chave desse universo me surpreendeu, principalmente as animações e efeitos. Espero que as atuações sejam entregues no mesmo nível.

Ficha Técnica:
Título: Battle Angel Alita: Gunnm Hyper Future Vision
Editora: JBC
Autor: Yukito Kishiro
Número de páginas:447

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald apresenta o início de um dos maiores conflitos bruxos da história


A mitologia do mundo bruxo de J.K. Rowling continua em expansão com Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald, filme que dá o enfoque no vilão da saga e vai mostrar sua inteligente persuasão para dominação e ascensão dos bruxos perante à humanidade.

Neste segundo filme, Newt Scamander está de volta a Londres cuidando de suas criaturas em sua casa, que se parece muito com uma versão ainda maior e mais complexa de sua maleta, quando é convocado por Alvo Dumbledore para encontrar Credence já que o rapaz está na mira dos planos de Grindelwald e precisa ser protegido.

Tina (Katherine Waterston) ao lado de Newt Scamander (Eddie Redmayne) - Foto: Warner Bros.

Os acontecimentos convergem para que todos os personagens do núcleo principal se encontrem em Paris, onde supostamente estaria o perturbado garoto, que apenas busca suas origens e o amor de sua família perdida.

Grindelwald não deve ser subestimado, disse a Presidente Picquery. E ela estava certa. Pela primeira vez, vemos um bruxo não só extremamente habilidoso com seus poderes, mas também com seu carisma pronto para seduzir multidões ao mesmo tempo que convence bruxos influentes a juntarem-se a sua causa. Pelo bem maior!

A missão do filme para nosso jovem zoologista é encontrar e proteger Credence, ao mesmo tempo que tenta lidar com seus laços de relacionamentos presentes e passados que estão intrinsecamente ligados com a trama principal não só do filme, como de toda a saga de Animais Fantásticos.

O filme também não deixa a desejar ao mexer com os corações dos fãs da saga original de Harry Potter ao revisitar a querida Hogwarts muitos anos antes do Menino que Sobreviveu pensar em estudar lá. As lembranças e encontros na escola são importantes para o desenvolvimento dos personagens e explica suas essências e futuras ações apresentadas no longa.

Johnny Depp como Grindelwald - Foto: Warner Bros.

O diretor David Yates consegue trazer de volta o impacto da trilha sonora sobre a história, muito presente na saga bruxa, que deixou a desejar no primeiro filme, gerando momentos marcantes em cenas importantes para a construção da trama. Juntamente a isto, a direção de arte e figurinos demonstram a polarização que começa a se intensificar na sociedade europeia entre os que são contra e a favor das ideias de Gridelwald, trazendo cores mais sóbrias e ambientes sombrios para mostrar essa mudança.

Quanto às criaturas, além do desbunde inicial na residencia de Newt, temos o uso dos animais para verdadeiramente auxiliarem nos acontecimentos que se desenrolam na presença de Newt. A computação gráfica volta com ainda mais força com grandes momentos visuais de feitiços e principalmente das diferentes e interessantes criaturas que aparecem. Nagini ganha algum destaque na trama, mas neste primeiro momento ela funciona mais como um apoio moral para Credence do que como uma criatura.

Para aqueles não familiarizados com o universo bruxo ou que estão apenas afastados, o longa consegue trazer elementos explicativos que vão guiando o espectador pela história sem que seja preciso revisitar intensamente a mitologia da magia. E para aqueles que, como a Srta. Granger, querem consumir cada gota de um conteúdo, existem diversas referências e adições ao lore da franquia.

Jude Law é Dumbledore - Foto: Warner Bros.

Bruxos e trouxas, estejam preparados para Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald! O filme realmente muda o tom inicial apresentado em 2016 e envereda para o desencadeamento de uma das mais famosas batalhas do mundo bruxo, que impactou até mesmo o mundo não mágico. A presença intensa do vilão e a revelação de seu verdadeiro plano vão mexer com tudo que sabemos.

O Mundo Sombrio de Sabrina apresenta um tom mais sombrio a famosa personagem


Depois de muita espera, a Netflix finalmente lançou a primeira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina, e acreditem quando eu digo: vocês vão querer muito assistir a série.

Muita gente conhece a personagem por causa da série dos Anos 90, Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, onde o tom da produção era mais de comédia e Salem falava. O Mundo Sombrio de Sabrina não é nem de longe parecido com a primeira série, muito pelo contrário. Como foi baseado nos novos quadrinhos de Sabrina da Archie Comics, a produção é muito mais voltada para o terror e sobrenatural, até as piadas presentes na série são mais pesadas e sombrias.

Inicialmente a série era para ter sido lançada pela CW, já que seria um spin-off de Riverdale, porém, depois de um acordo, a Netflix comprou os direitos de produção. Esse detalhe não impede que um possível crossover aconteça, já que, durante toda a temporada, temos várias referências a Riverdale, que fica próxima a Greendale, a cidade onde se passa a história de Sabrina.

A história da série é bem simples. Sabrina Spellman é uma jovem metade-bruxa e metade-mortal, que deve tentar conciliar sua dupla natureza, enquanto tenta lutar contra forças que ameaçam aqueles que ela mais ama, seus amigos, o mundo humano e sua família.

Existe um ponto que talvez algumas pessoas possam se sentir um pouco incomodadas. Como a série parte da ideia de que as bruxas são seres das trevas, durante toda a temporada elas citam o nome do Lorde das Trevas, conhecido também como Satã ou Satanás. Para elas, o senhor do inferno é o deus supremo. Apesar de tudo, acaba sendo engraçado a forma como as bruxas da série usam e revelam sua adoração a Satã.
Sabrina se preparando para assinar o Livro da Besta - Foto: Reprodução da Internet
Além do ótimo roteiro, que vai se desenvolvendo ao longo dos 10 episódios, outro ponto forte de Sabrina são seus personagens, que vão cativando o público aos poucos, até que se torne difícil ter apenas um favorito. A Família Spellman é a principal da série, e também a responsável por causa alguns problemas no mundo da magia.

Sabrina e interpretada pela atriz Kiernan Shipka, consegue entregar uma atuação muito boa, mostrando que a personagem não é apenas uma menina indefesa, muito pelo contrário. Sabrina sabe o que quer, e é capaz de chegar até as últimas consequências para fazer aquilo que acredita ser o certo.

Ambrose Spellman, vivido pelo ator Chance Perdomo, é o primeiro bruxo e pansexual de Sabrina. Ambrose é britânico e serve como uma espécie de conselheiro e parceiro da prima, porém, ele não pode deixar a residência dos Spellman, já que foi colocado sob prisão domiciliar pelo Conselho das Bruxas.

Hilda Spellman, vivida por Lucy Davis, é uma das tias bruxas de Sabrina, e a que possui uma natureza mais maternal em relação a sobrinha, além de um grande senso de humor e de ser especializada em poções. Hilda é um dos pontos descontraídos e cômicos da série, entrando em contraste com sua irmã, Zelda.

Zelda Spellman, vivida por Miranda Otto, é a tia mais autoritária de Sabrina, diferente de sua irmã, Hilda. Ela é membro da Igreja da Noite, devota do Lorde das Trevas, e muito protetora de Sabrina, apesar da menina não saber disso, já que as atitudes de Zelda parecem bem severas aos olhos da jovem.

Sabrina, Hilda e Zelda - Foto: Reprodução da Internet
Por ser metade-mortal, Sabrina também possui amigos mortais, já que frequenta o colégio Baxter High. Seus amigos são: Harvey Kinkle (Ross Lynch), um jovem sonhador e que também é o namorado de Sabrina; Rosalind "Roz" Walker (Jaz Sinclair) a filha imprudente, sincera e autoritária do ministro de Greendale, que também é a melhor amiga de Sabrina; e Susie Putnam (Lachlan Watson), uma outra estudante da Baxter Hight e que se torna muito próxima a Sabrina.

Os amigos mortais de Sabrina não sabem sobre seu lado bruxa, o que torna a situação muito mais complicada para a jovem, já que ela fica em constante conflito em relação a isso, e se deve ou não contar a seus amigos seu grande segredo.

Porém nem tudo será fácil para Sabrina, já que ela terá que enfrentar as Irmãs Estranhas, um trio de jovens bruxas que guarda rancor de Sabrina e que são lideradas por Prudence Night (Tati Gabrielle); o Padre Faustus Blackwood, Sumo Sacerdote da Igreja da Noite e diretor da Academia das Artes Ocultas, que entrará em conflito com Sabrina também e fará tudo para dificultar a vida da jovem.

Sabrina e as Irmãs Estranhas - Foto: Reprodução da Internet
O famoso gato Salem também participa da série, porém, desta vez ele não fala, não até o momento. Ele é o familiar de Sabrina e está ali para proteger a garota de diversas ameaças. É possível que em futuras temporadas  seu personagem seja mais desenvolvido.

Como um todo a série é muito boa e entrega aquilo que promete. Uma temporada com 10 episódios funciona perfeitamente, já que consegue desenvolver bem os personagens e a história em um ritmo que não fica cansativo.

É possível que a 2ª temporada seja lançada pela Netflix entre fevereiro e março de 2019, já que um dos acordos foi que o streaming deveria pelo menos lançar duas temporadas para a série, a partir daí, é esperar e rezar para que ela seja renovada.

Quem ainda não acompanhou a série vale muito a pena reservar algumas horas por dia para conferir, acreditem, vocês ficarão viciados e vão querer terminar tudo de uma só vez.