domingo, 19 de fevereiro de 2017

Motor Crush 3: Domino precisa pagar sua dívida através das corridas sem seu Crush


Estou de volta com o review da terceira edição de Motor Crush que saiu agora em fevereiro! Nós temos recebido as edições direto dos criadores, fresquinha e direto dos EUA para trazer novidades do mundo dos quadrinhos para vocês.

Se você não conhece Motor Crush e abriu essa postagem, por favor, NÃO deixe de ler meu review e se for possível as duas primeiras edições: Motor Crush vai te viciar em uma protagonista forte e poderosa sobre duas rodas.

Aqui está resumo tirado da minha própria review para fazer você correr lá para ler:

"Motor Crush é um quadrinho sobre esportes radicais, mas desta vez com uma personagem feminina no comando. Domino Swift é uma excelente piloto de corrida do circuito e vai competir no grande evento World Gran Prix na capital das corridas, Nova Honda. O que muitos não sabem é que além de correr nos circuitos oficiais, Domino também participa de competições proibidas chamadas Cannonball, pois é onde a garota consegue a droga do momento Crush, um poderoso narcótico ilegal para máquinas que acelera a velocidade de qualquer veículo."

Com uma aposta perigosa feita com a Máfia de Nova Honda para salvar a vida de Lola e a sua própria, Domino encontra-se ansiosa para o World Gran Prix, pois desta vez precisa vencer a todo custo.

Ao revelar sua identidade secreta usada na Cannonball, Domino é alvo da máfia que a observa enquanto se prepara para correr. A garota, para ter alguma chance de vitória, recorre para sua melhor mecânica e ex-namorada Lola (por quem eu já tenho um Crush ;) para ajudá-la nos preparativos da corrida com sua moto.

Ao mesmo tempo em que Dom se vê nesta caótica situação por si só, ainda tem que lidar com a crise de abstinência que seu corpo está sofrendo pela falta do Crush. Sim, a piloto realmente precisa da droga para sobreviver. Por isso, a destemida Domino precisa voltar para a Cannonball para conseguir mais frascos de Crush e ganhar condições para correr e vencer. Quando isso ficou improvável após brigar com uma gangue meio Mad Max, surge uma esperaça. Quem é o motoqueiro misterioso que ofereceu Crush para Dom?

Mais uma vez preciso comentar a parte estética do quadrinho que sempre acaba me surpreendendo. A maneira como as cenas noturnas são retratadas com aquela pitada de rosa para iluminar são realmente chamativas. A palesta de cores continua me instigando cada vez mais e abrindo minha mente para novas possibilidades visuais nos quadrinhos.

A presença mais constante de Lola também acrescenta mais rosa às páginas, tornando um tema que é visualmente pesado com motocicletas e corridas mais suave pela presença de cores quentes e pasteis. São cores que adicionam muita personalidade ao quadrinho e tornam tudo mais interessante.

Apesar de Domino se sentir bastante insegura e fisicamente doente nesta edição, mal posso esperar para ver como a personagem vai encarar os próximos acontecimentos nesta cibernética cidade das corridas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

John Wick: Um Novo Dia Para Matar garante o futuro da franquia com cinematografia e ação exemplares

O mercado do cinema tem, hoje, uma nítida carência na produção de bons filmes do gênero ação-violência, a estilo de clássicos como Duro de Matar e Máquina Mortífera, possuindo poucas franquias que ainda conseguem fazer jus a essa estética. Por sorte, com a sequência de De Volta ao Jogo (John Wick), há uma nova força que chega para dar novo fôlego à essa categoria de filmes.

Em John Wick: Um Novo Dia para Matar (John Wick: Chapter Two), John Wick (Keanu Reeves), um assassino aposentado, é obrigado a voltar ao submundo do crime, após vingar-se com sucesso daqueles que violaram o momento de aceitação após a morte de sua mulher. Dessa vez, John precisa ir a Roma, onde deve enfrentar ameaças ainda mais perigosas e se envolver em uma trama que arriscará sua própria segurança.

Assim como o primeiro filme, a continuação é marcada por bem coreografadas cenas de ação, com excelentes sequências de luta e trocas de tiros, fazendo um trabalho ainda melhor do que seu antecessor ao deixar essas cenas mais fluidas e ainda mais carregadas de adrenalina. Fica fácil perceber, assim, que o diretor Chad Stahelski definitivamente conseguiu pegar o que já havia dado certo e aprimorar no novo longa.

John Wick (Keanu Reeves) enfrenta inúmeros inimigos desde o início da trama - Foto por Niko Tavernise - © 2017 - Lionsgate

O segundo capítulo da franquia faz um ótimo trabalho em responder muitas das perguntas abertas com o primeiro filme, se aprofundando ainda mais na mitologia por trás do hotel Continental e do que ele representa nesse mundo. A medida que John passa por Nova Iorque ou Roma, é possível ver todos os recursos de que ele dispõe, não importando aonde esteja.

O longa, por outro lado, não chega a desenvolver muito daquilo que já se conhece de John Wick, dando pouco espaço para Keanu Reeves para expressar algo a mais do que alguns grunhidos e frases curtas. Contudo, isso não vem a ser um problema, uma vez que o personagem se aproxima de uma sátira dos típicos protagonistas de filmes de ação, os quais geralmente falam pouco e matam mais.

Dito isso, a violência é um dos elementos centrais de Um Novo Dia Para Matar, sendo, inúmeras vezes, bastante crua e certamente difícil de processar para algumas pessoas. Há um fantástico trabalho de coreografia e cinematografia que deixam a violência bastante real,  ainda mais pelo pouco uso de cortes.

John já é um personagem bastante interessante por si só, mesmo que não tenha grandes diálogos e uma personalidade atrativa. O seu silêncio e a destreza no combate trazem um certo humor para a trama, que acabam criando um carisma sobre ele e tornam-se características únicas que funcionam bem com a narrativa.

Santino D'Antonio (Riccardo Scamarcio) e Ares (Ruby Rose) tentam escapar de John - Foto por Lionsgate
Essa personalidade introvertida também vem a ser complementada por um ótimo elenco de apoio que conta com nomes como Ian McShane, Laurence Fishburne, Ruby Rose, Riccardo Scamarcio e John Leguizamo, que servem para intercalar os intensos momentos de ação e violência que se encontram pela grande parte do longa.

Há, sem dúvidas, um ritmo acelerado que leva a decorrência de muitos eventos ao longo do filme, assim como é possível ver John em seus melhores momentos das telonas, mas ainda há muito a ser explorado no universo de John Wick, seja do seu passado ou avançando ainda mais com a história em uma futura sequência.

John Wick: Um Novo Dia para Matar consegue aperfeiçoar a mitologia criada com o primeiro filme, integrando ainda mais o roteiro com bem produzidas cenas de ação e uma cinematografia singular. Em especial, define o que deve ser um bom filme de ação nesses novos tempos.

A Cura constrói suspense intrigante e macabro em busca da saúde perfeita


A Cura é o tipo de filme que você vai assistir pensando que será sobre um tema, mas acaba desenvolvendo uma trama bastante interessante e a cada minuto do filme mais intrigante.

Fui assistir achando que levaria sustos, pois muita gente tem construído uma atmosfera de terror em volta do filme. Para minha surpresa A Cura é um suspense bem construído e com uma fotografia bem pensada visualmente e sensitivamente, que traz uma história peculiar e um mistério para o espectador desvendar junto com o protagonista.

Com um começo bastante burocrático, A Cura inicia sua narrativa no mundo de negócios de Nova York com um ambicioso rapaz que parece fazer qualquer coisa para chegar ao poder. Lockhart (Dane DeHaan), para tentar salvar sua pele e de sua empresa após uma falcatrua, é enviado para a Suíça para trazer o dono da companhia de volta de um spa nos Alpes após o mesmo não retornar de suas férias.

Uma carta muito enigmática e sem juízo é enviada pelo CEO dizendo que ele não irá mais voltar, pois diz ter encontrado a cura para os seus problemas. Lockhart então viaja até os Alpes Suíços para resgatar seu chefe e acaba por descobrir que o spa não é um local tão idílico quanto parece ser a primeira vista.

Liderado pelo diretor e doutor Volmer (Jason Isaacs), o spa trata de pacientes idosos que buscam os benefícios das águas curativas das montanhas. Todos os tratamentos são a base d'água e recomenda-se - o tempo inteiro - que os pacientes bebam água. Por causa de um acidente Lockhart fica preso no castelo e agora também é tratado como um paciente.

O local é estranho, todos se encontram em um estado quase hipinótico e repetem coisas do tipo Estou aqui pela cura ou Por que alguém iria embora deste lugar perfeito. O jovem rapaz percebe que algo está errado, mas acaba se distraindo ao conhecer Hannah (Mia Goth) a única paciente jovem do local e que esconde um grande mistério.

A missão de levar seu chefe Pembroke (Harry Groener) mostra-se complicada já que nem ele nem a instituição parecem facilitar o encontro dos dois. Lockhart, em sua estadia, descobre uma macabra história do passado sobre a construção do local e começa a encontrar vários indícios de que coisas relacionadas a este passado estão acontecendo na instituição, enquanto os pacientes desesperadamente buscam a tão desejada cura.

O filme conta com vários momentos de silêncio, onde o espectador é deixado a sós com o personagem e os sons ambientes da cena, causando um desconforto e ansiedade. Quando a trilha sonora aparece é sutil e enfatiza o suspense.

A fotografia do longa, com uma enorme ajuda do deslumbrante cenário, é extremamente bonita e bem pensada para também causar sensações estranhas em quem assiste. Falo assim, mas tanto isto, quanto a trilha sonora ou silêncios são pontos positivos do filme que foi feito para mexer com a zona de conforto do espectador.

Como Lockhart passa por muitos momentos de confusão mental, possíveis alucinações e muito medo por descobrir aos poucos o macabro plano que, de uma maneira bastante bizarra, está encontrando a cura para uns e o fim da vida para outros, somos presenteados com cenas bastante interessantes que brincam com nossos sentidos e ajudam na sensação de confusão.

A instituição também é bastante peculiar, pois tenta ao máximo se afastar do mundo moderno, portanto não há sinal para celulares ou internet, toda sua estrutura e aparelhagem médica de tratamento é de um modelo antigo com feitas com grandes peças de metal. Algo como aparelhos médicos excêntricos que vemos em fotos antigas.

Para quem gosta e está acostumado com suspenses trazendo mistérios, o filme dá mais de uma chance para que o espectador compreenda o que de fato acontece dentro daquele spa dito perfeito na Suíça. Em vários momentos do filme a câmera foca em importantes fatos com as peças para resolver o quebra-cabeça final que, devo dizer, causa agonia de assistir.

A cura é um filme de narrativa de suspense, drama e mistério, portanto não possui grandes cenas de ação. Mas sua história, apesar de não indicar por onde irá percorrer no início do filme, é bem amarrada e consegue seguir seu curso até as revelações que são apresentadas do meio para o final do filme.

Com um tempo de filme relativamente longo, recomendo para os apreciadores do suspense que gostem de histórias diferentes, pois ao mesmo tempo que ansiava pelo fim do incomodo, também queria descobrir cada vez mais sobre sua trama.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Kyuranger, um recomeço nos Super Sentai


Kyuranger é a grande estreia da semana no Japão e claro que o Mega Hero não ia deixar de comentar essa novidade do universo Tokusatsu.

Com quarenta anos de produção, a franquia Super Sentai, uma das obras primas de Shotaro Ishinomori, cativa gerações a décadas e com muita criatividade a equipe de produção do seriado ano após ano precisa reinventar o formato sem demonstrar cansaço. Apesar de tentarem manter um padrão de qualidade, assim como qualquer seriado, os Super Sentai tiveram seus altos e baixos ao longo do tempo.

Tivemos fãs que abandonaram as histórias dos heróis coloridos mas por outro lado sempre novas pessoas acabam se encantando com os Sentai. Eu me encaixo no grupo de pessoas que até algum tempo não acreditava mais no potencial do programa. Desde 2011 as únicas séries que conseguiram realmente me chamar atenção foram os Go-Busters de 2012 e os Zyuohger de 2016. E ai entra uma parte interessante que eu costumo frisar: As vezes a estética e um bom episódio introdutório são suficientes para prender o telespectador. Claro que não estou descartando as séries Kyoryuger (2013), ToQger (2014) e Ninninger (2015), acredito que todas elas possuam seus pontos positivos, mas não me atraíram naquele momento.

Kyuranger estreia em um período onde o gênero de ficção cientifica e aventura está em alta nos cinemas e na televisão. Com a volta de Star Wars (que irei comentar um pouco mais abaixo) e séries como Westworld da HBO e o novo filme de Power Rangers que estreia esse ano, a Toei Company responsável pelos Super Sentai também precisou de alguma forma surfar nessa onda, ou melhor "pegar carona nessa cauda de cometa".

Chameleon Green, Kajiki Yellow e Oushi Black - Foto: Toei Company

O primeiro episódio intitulado "Space 1: The Greatest Superstar in the Universe", não apresenta uma trama profunda mas é o suficiente para despertar interesse em fãs e não fãs do gênero. A trama se passa em um futuro distante, onde o universo foi deixado em lágrimas. Os 88 sistemas estelares, uma vez separados sob seu próprio poder, foram conquistados e trazido sob uma nave ditadora, a Space Shogunate Jark Matter. Todas as esperanças parecem perdidas, contudo, uma lenda tinha sido transmitida através do universo. "Quando os habitantes do universo experimentam perda e são trazidos a lágrimas, nove Ultimate Saviors aparecerão e salvarão o universo!".

Somos transportados ao planeta Krotos, onde três guerreiros (Hammi, Champ e Spada) estão lutando contra o grande exército de Jark Matter. Como obra do acaso, um viajante do espaço determinado a ser herói aparece no meio do combate, o sempre otimista Lucky. Entendemos um pouco mais sobre a lenda dos guerreiros que irão salvar o universo, eventualmente ainda nesse episódio temos a transformação de Lucky no Ranger Vermelho, mas não foi essa que me chamou atenção. Antes de entrar no personagem que achei mais interessante no episódio, gostaria de destacar alguns pontos que fazem de "Space 1" uma ótima introdução.

Lucky será um grande herói no novo Super Sentai? - Foto: Toei Company

Os que não acompanham os Super Sentai podem ficar chocados com a grande quantidade de efeitos especiais e cenários bem bolados, mas essa evolução na estética já pôde ser vista na antecessora Zyuohger. Fico contente em ver que a Toei está disposta em investir mais na franquia assim como faz com a parceira Kamen Rider que divide o mesmo bloco de programação na TV Asahi. As comparações com Star Wars não poderão ser esquecidas, afinal a própria Bandai America comentou que a saga de George Lucas influenciou bastante no novo seriado. Temos um vilão que remete imediatamente a Palpatine (ou até mesmo Snoke) e é claro a "Aliança Rebelde" que precisa salvar os 88 sistemas solares.

Lucky pilota o Shishi Voyager no final do episódio - Foto: Toei Company

O mecha principal é muito bonito e a forma que ele é montado é bem coerente com tudo que foi mostrado de Kyuranger até o momento. Kyuren-Oh se assemelha mais aos antigos robôs da franquia e parece menos com um brinquedo, o que foi uma reclamação constante de boa parte da comunidade fãs. Por fim e não deixei por último por acaso, foi o personagem Garu. Eu sempre fui bastante relutante com o uso de fantasias em personagens, mas que bom que estamos sempre em evolução. A trama do personagem apesar de breve é bastante interessante e pra mim é um grande motivo para o mesmo fazer parte da equipe como Ranger Azul. Apesar de ser "uma fantasia", Garu é bem expressivo e se explorado com cuidado vai se tornar um grande personagem.

"Os Grandes Heróis do Universo", ainda que não revele muita história, é um chamariz para crianças com seus grandes efeitos visuais e também para os fãs mais velhos graças aos seus cenários e a imersão em uma tématica que pouco foi explorada dessa forma nos Super Sentai. Aguardemos agora o próximo episódio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Lego Batman traz aventuras do morcego para toda família


Para quem está aguardando os filmes de super-heróis de 2017 já pode conferir nos cinemas Lego Batman, uma história divertida e com muitas referências ao universo da DC Comics.

O Batman da animação da Lego é orgulhoso e gosta muito da atenção que recebe quando soluciona crises e derrota os vilões, fala com a mídia e faz até caridade presencial em orfanatos, bem diferente da imagem do vigilante da noite que estamos acostumados a ver. Posso dizer que ele é bem Bruce Wayne até mesmo quando está com a máscara, que ele parece não querer tirar nunca!

Mas uma coisa eles tem em comum, a sua dor e trauma que foi perder os pais, mais uma vez explorados na trama. Apesar de toda a fama e adoração pelo Batman, quando o homem morcego chega a sua BatCaverna, na realidade está sozinho cercado por todo seu equipamento e super computador. É nessa hora que contamos -sempre- com Alfred, o mordomo, para fazer com que Bruce reflita sobre sua solidão e a necessidade de construir uma nova família.

Sem querer, Bruce Wayne acaba adotando um órfão em uma festa para comemorar a aposentadoria de Jim Gordon, o comissário da Polícia de Gotham. Também somos apresentados a incrível e super poderosa Barbara Gordon a nova comissária da Polícia que tem como seu maior plano juntar as forças policiais de Gotham e o Batman.

Claro que não seria um filme do Batman sem a presença de seus super vilões. O Coringa aparece como vilão central da história, a maioria dos inimigos do Batman estão presentes e é muito engraçado poder ver todos eles como bonecos de Lego.

A história percorre dois caminhos, a aceitação do Batman em dividir os esforços para salvar Gotham com sua nova família formada pelo Robin, o órfão que adotou, a Batgirl, Barbara Gordon chefe da Polícia e Alfred que até se veste com uniformes mais antigos do justiceiro mascarado, provocando boas risadas. E uma relação muito intensa e verdadeira entre herói e vilão, que acaba desencadeando o plano do Coringa, depois do Batman dizer com todas as letras que o Príncipe do Crime não é o seu arqui-inimigo (e ele ficou chocado, é claro).

Para não contar tudo que acontece, basicamente o Coringa dá um jeito de conseguir uma arma que estava em posse do Super-Homem e, com ajuda da Arlequina e sua trupe de vilões, ser enviado para a Zona Fantasma,um lugar onde o tempo não passa e que aprisiona os mais perigosos vilões de todos os tempos. E no caso deste filme, todos mesmo até os que não fazem parte do universo da DC Comics.

É muito divertido encontrar as referências dos filmes que são homenageados através dos personagens perigosos de suas produções como Harry Potter, Jurassic Park, Doctor Who, Godzilla, King Kong, entre outros. Outra referência bem bacana de ver em formato de Lego ou imagens originais de época foram as homenagens feitas aos filmes e séries do Batman feitos ao longo dos anos. E teve referências até a Batman V Superman, à Trilogia de Nolan e toda a Liga da Justiça faz uma pontinha no filme!

No fim, o Batman entende que ser ajudado é muito importante principalmente por pessoas da família e que todo grande herói possui um arqui-inimigo, que quando as coisas ficam muito feias, pode acabar até se aliando ao lado do bem momentaneamente para ajudar a salvar o dia e a rivalidade que dá sentido a sua existência.

Para quem é fã da DC Comics ou quer um entretenimento para o final de semana com os amigos e/ou família, Lego Batman é uma boa opção já que tem diversão para as crianças com um visual incrível onde absolutamente tudo é construído com pecinhas de Lego, e também para os adultos que podem pegar várias referências ao universo da DC e outras produções cinematográficas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Por que o filme Jem and the Holograms não deu certo


Depois de muito tempo postergando a experiência de assistir o filme Jem and the Holograms de 2015, cá estou para compartilhar com vocês o que eu achei e porque acredito que o filme não foi bem aceito pela comunidade de fãs e nem pelo público, principalmente na internet.

Para você que está se perguntando o que é Jem and The Holograms e porquê eu estou fazendo uma matéria sobre um filme odiado de dois anos atrás, fique tranquilo que eu vou explicar tudo. Eu adoro analisar algumas coisas que capturam meu interesse e Jem and The Holograms é um deles, por isso assisti e vou compartilhar com vocês!

Jem and The Holograms é uma série de televisão animada sobre música produzida nos anos 80 que teve 65 episódios. É bem colorida, psicodélica e divertida de assistir. Ah! Atualmente a IDW está lançando um quadrinho de Jem nos EUA que parece interessante por tratar de temas atuais sobre sexualidade e mais visuais excentricos que combinam muito com o universo da série.

A história da série gira em torno de Jerrica Benton, herdeira de uma grande produtora musical, a Starlight Music, que acaba sendo colocada de lado após o falecimento de seu pai. Jerrica, agora orfã, vai morar em um orfanato sustentado pela Starlight com sua irmã Kimber e outras garotas e precisa dar um jeito de manter as despesas do local.



Jerrica e suas amigas acabam encontrando um antigo galpão de seu pai e nele a chance de se vingar do produtor Eric Raymond. Lá, as garotas conhecem Synergy, um poderoso computador deixado por seu pai que se manifesta em forma de holograma e que fará de tudo para ajudar Jerrica a pegar a companhia de volta. Assim nasce a banda que irá bater de frente com a Starlight Music, Jem and The Holograms. Suas aparências e roupas são hologramas providenciados pela própria Synergy, que se conecta com Jerrica, agora Jem, pelos seus fabulosos brincos de estrela.

O show tem muitas músicas, é bem mais saturado que um filme da Disney, já que qualquer momento é um bom momento para começar a cantar sobre qualquer coisa. Jem é a identidade secreta de Jerrica, e muitas vezes a vemos em apuros e conflitos por causa dessa dupla identidade, pois até mesmo seu interesse amoroso, Rio, não sabe que ela é Jem.

Apesar de possuir uma persona que se torna cada vez mais famosa por causa de shows e do estilo descolado da banda, e até mesmo seu próprio namorado se interessar visivelmente mais por Jem do que por Jerrica, a garota possui uma personalidade forte e um otimismo sem limites para conseguir cumprir seus objetivos e responsabilidades, além de defender-se dos ataques constantes das suas primeiras rivais, a banda The Mistifs.



Conseguiram captar a vibe na série? Não deixe de assistir a abertura que eu coloquei aqui em cima que acho que vai ficar mais fácil!

Certo, passando agora para o filme, que é o objeto do desagrado dos fãs. Acredito que não foi só o fato de muitas mudanças terem sido feitas na trama e na pegada diferente da série de deixaram os fãs chateados e até enraivados com a produção. Tudo começou bem antes do lançamento, logo que o filme foi anunciado nas redes sociais.

Acompanhei o desenrolar do anúncio através do Tumblr, onde os próprios produtores fizeram uma divulgação pesada sobre o lançamento do filme. E foi neste momento que cometeram o primeiro erro. Foi anunciado que os fãs poderiam mandar vídeos inspirados em Jem and The Holograms e que a equipe do filme selecionaria o melhor ou melhores para que as pessoas participassem do filme! Imagine você fã da produção, artista participando de uma grande produção?

Foram vários envios e produções criadas de um dia para o outro para ter a chance de participar. Eles não explicaram direito, mas deu a entender que as participações seriam importantes no filme, quase que para papéis principais. O Tumblr ficou parecendo pipoca de carnaval, e eu assisti vários dos vídeos enviados. Vou deixar o meu preferido para vocês conferirem o nível:



Muita gente se empenhou e ficou na expectativa do resultado, mas o feedback da equipe de produção foi um simples: obrigada por terem feitos os vídeos, adoramos a promoção que vocês fizeram do lançamento do filme, mas já escolhemos atrizes profissionais para os papeis. E que algumas pessoas seriam selecionadas para fazer aparições rápidas em algum momento do filme.

Olha...eu nunca vi o Tumblr tão em fúria! Os fãs realmente ficaram chateados com o ocorrido e muita gente neste momento já estava com um pé atrás com relação ao filme. As notícias que foram saindo em seguida foram virando uma bola de neve de desastres, atores e atrizes, história modificada, visual do filme e mudanças de etnias de personagens. A raiva ficou tão grande que começaram a surgir campanhas de boicote do filme, não só no Tumblr, como em várias outras redes sociais. O que era uma raiva contida dentro do fandom de Jem no Tumblr, acabou se espalhando pela internet.

O filme, é claro, foi um fracasso. Para quem se liga nessas coisas, recebeu apenas 13% no Rotten Tomatoes e muitas críticas negativas por toda a internet. Tinham planos para sair continuação e o filme termina com um cliffhanger, mas acredito que isso não vai acontecer. O filme chegou a ser retirado dos cinemas nos EUA por falta de bilheteria.

Mas o filme é tão ruim assim?

Se você está procurando um filme genérico de sessão da tarde para adolescentes apenas para distração, não. O filme é assistível e tem até uma quantidade grande de referências à série original. O grande problema foi o como o filme foi feito e as mudanças nos elementos essenciais da história.

Eu não sou contra adaptações e mudanças. O filme tinha que ser adaptado para uma nova geração, novas tecnologia, um novo mundo. Os anos 80 já passaram há algum tempo e seria, e é, muito difícil ter uma produção de cabelos coloridos, super colorida e escalafobética. Mas resolveram mudar coisas como:

Jerrica, como eu disse acima, é uma personagem forte, independente e destemida, mas no filme ela é uma adolescente insegura, super normal (normal demais estilo Bella Swan de Crepúsculo) e que não acredita em seu próprio potencial. Totalmente o contrário da personagem principal da história! Inclusive a atuação de Aubrey Peeples, que viveu Jem e Jerrica me lembrou muito da atuação forçada e mal dirigida de Kristen Stewart.

Mudaram o produtor da Starlight para uma produtora (Juliette Lewis) e Rio (Ryan Guzman), o interesse amoroso de Jem e Jerrica, foi transformado no herdeiro da Starlight e filho de Erica Raymond, misturando a história do personagem com outro personagem masculino que aparece mais para frente na trama da série, Riot.

A história tem semelhanças. Jerrica e Kimber perdem os pais só que vão morar com uma tia que é mãe das duas outras integrantes da banda Shana e Aja, então nada de orfanato. Jerrica ama cantar e tem uma ligação muito forte com seu pai que era inventor, ou mecânico, ou os dois, e não não tinha relação com a Starlight. A Synergy é um robô criado por seu pai que sempre esteve com Jerrica e serve como um projetor de hologramas para uma caça ao tesouro por pistas deixadas pelo pai de Jem. Para quê? Para formar a confiança da protagonista e ela tomar as rédeas de sua vida no final do filme...Rio, como disse acima, é filho de Erica Raymond, mas diferente da série sabe de Jerrica e Jem são a mesma pessoa.

A trama é raza, o roteiro bem simples sem nada de especial. As atuações são medianas e penso que se a Jem tivesse um pouco mais de força seria mais interessante. As referências da série são jogadas para o espectador e no filme em momentos tão evidentes que ficam deslocadas, como se fosse um roteiro genérico com referências de Jem and The Holograms espalhadas.

Resumindo, não existe toda uma trama por trás da história e nem batalha de bandas para recuperar uma grande empresa de música, é um filme sobre adolescentes que sonham em ser descobertos na internet, virarem famosos e viverem de música, mas que são enganados por uma produtora que se aproveita de sua falta de maturidade e inseguranças, terminando com um final óbvio e sem nenhuma emoção.



Tem alguma coisa positiva nesse filme?

Eu sempre procuro ver o lado positivo das coisas e esse filme tem algumas referências à série colocadas para os fãs (mesmo que não tenha agradado):

- Jem tem os icônicos brincos de estrela

- Em uma cena, por brincadeira, a banda se veste com roupas dos anos 80, perucas coloridas e vemos a Jem bem parecida com a da série.

- Mantiveram o romance de Jerrica/Jem e Rio.

- O filme tem músicas originais interessantes que complementam a trama da série.

- Existem referências aos visuais da série, mesmo que modernizados.

- A Synergy está no filme.

- E os Hologramas? Só pistas e imagens deixadas pelo pai da Jerrica e Kimber mesmo...nada de roupas fantásticas e cabelos coloridos...


Outros pontos positivos foram as músicas, que são até bonitinhas com uma pegada moderninha, alguns visuais bem à la Lady Gaga, que foi a inspiração visual da Jem, o fato das redes sociais terem grande importância na história e, minha cena preferida, que foi a pós-crédito com a The Mistifs, a banda rival que deveria aparecer no segundo filme, muito bem caracterizada visualmente, melhor até que as personagens principais!

Por fim, o veredito! Se você for fã da série e não guardou rancor ou não participou do pré-lançamento e todos seus problemas, assista sabendo que é uma adaptação com bastante modificações e é um filme sessão da tarde para adolescentes. Se você não conhecia Jem and The Holograms, procure, assista o filme! Quem sabe não desperta o interesse de procurar a série.

Eu não gostei muito do filme, mas dei risadas com as referências forçadas e curti as músicas. Só queria que o filme tivesse mais da essência divertida, das batalhas de bandas que tem na série e, quem sabe, de uma Jerrica/Jem com mais atitude. Show time Synergy!