quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vida mostra os perigos da busca e contato com espécies extraterrestres


Nunca se esteve tão perto das confirmações de vida em outros planetas. As avançadas pesquisas tem descoberto novos planetas e astros, assim como atmosferas propícias para o desenvolvimento da vida.

Em meio a este período de exploração espacial com reais avanços, chega aos cinemas o filme Vida, da Sony, dirigido por Daniel Espinosa, que vem tratar justamente de um cenário onde a ciência agora também se desenvolve no espaço com a ajuda de bases fora da Terra e sondas espaciais.

Marte continua sendo um planeta que fascina os estudos sobre a vida fora da Terra, até por sua proximidade. Assim, à bordo de uma Estação Espacial Internacional, um grupo de profissionais de diversas nações especializados e preparados para a viver no espaço, aguarda a chegada de uma sonda com amostras do solo marciano.

Viagens espaciais são abraçadas pela população e há até interação sobre as novidades e vida em órbita. Tudo vai bem e parece bastante promissor até que os primeiros estudos oriundos das amostras do solo de Marte começam a dar resultado ao encontrarem micro-organismos vivos, ou seja, prova da vida extraterrestre.

A notícia é recebida com empolgação e cautela pela tripulação, formada por Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), Rory Adams (Ryan Reynolds), Miranda North (Rebecca Ferguson), David Jordan (Jake Gyllenhaal), Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya), Hugh Derry (Ariyon Bakare), já que o contato precisa ser evitado por causa de possíveis riscos de contaminação.


O que a equipe não esperava é que organismo crescesse tão rápido e desenvolvesse uma inteligência instintiva em pouco tempo de vida, acabando com a calmaria e animação da descoberta e iniciando uma sequência de desespero e medo dentro da nave. Ao escapar de sua incubadora e assassinar o primeiro membro da tripulação, Calvin, como foi apelidado o primeiro Marciano, torna-se uma ameaça implacável não só para os tripulantes, como para todo o planeta Terra.

O alienígena não demonstra ter qualquer tipo de emoção, apenas um instinto de sobrevivência que requer oxigênio e a morte dos humanos. Seu visual é bastante diferente e é notável a preocupação com a semelhança e evolução de sua aparência ao longo do seu crescimento no filme. Começando como um micro-organismo para um ser independente, Calvin torna-se um perigo rapidamente percebido pela equipe.

O mais impressionante é a resistência do ser, que não parece morrer por nada. As tentativas frustradas só encurralam e fazem o número da equipe diminuir, colocando a importante decisão de eliminação do alienígena nas mãos de poucos. Calvin dizimou e destruiu a avançada instalação em uma velocidade tão grande que se chegasse à Terra poderia acabar com toda vida, ainda mais se conseguisse se reproduzir.

Em um último esforço duas capsulas de emergência são ejetadas da nave, uma em direção às profundezas do espaço e outra para a Terra para avisar e proteger o planeta. Mas será que Calvin vai ser exilado ou sua inteligência o levará para a maior e mais próxima fonte de oxigênio?

O filme divide as sensações do expectador, no primeiro momento um sentimento de orgulho e interesse pela descoberta e depois uma tensão e ansiedade ao acompanhar a saga da equipe ao tentar conter o ser que eles mesmos acordaram. Também é interessante acompanhar a rotina da tripulação na gravidade zero e as perseguições após o domínio de Calvin na nave.

A produção chega para plantar aquela semente de insegurança que cerca todas as explorações e descobertas relacionadas com o que há lá fora e com o desconhecido. Deixando o espectador se perguntando se é sábio procurar vida fora da Terra ou cultivar um alienígena retirado do solo de Marte, por exemplo.

Mas mesmo com o medo do desconhecido, a verdade só poderá ser encontrada e o conhecimento sobre o espaço alcançado, sendo perigoso ou não, se forem buscados e estudados cada vez mais. Até porque sabemos que a verdade está lá fora.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Meio Rei - Joe Abercrombie: uma jornada completa


Essa é a segunda série de romances que estou lendo do premiado e competente Joe Ambercrombie. A primeira foi a (ótima) trilogia da Primeira Lei. A trilogia, Mar Despedaçado, está sendo lançada aqui no Brasil, também pela editora Arqueiro. O primeiro livro da série, Meio Rei, 288 páginas, já mostra que o tom da série é um pouco mais leve alinhado ao público adolescente/jovem adulto, mas ainda com um toque de brutalidade e sarcasmo característico das outras obras do autor.

Há um certo desafio em escrever sobre um livro evitando gerar spoilers. Tentaremos...

Meio Rei conta a história de um jovem príncipe que nasceu com uma das mãos inúteis e deformada. Seu destino não era o trono e foi treinado para assumir um posto de conselheiro religioso/político, mas uma reviravolta o coloca como sucessor direto do trono, sendo que muitos em seu reino, onde os reis por tradição precisam mostrar a força de guerreiro, não vêem com bons olhos a ascensão de um rei fraco e aleijado.

É uma jornada de sofrimento, crescimento e busca pela vingança. O jovem príncipe vai então circular pelos reinos da região conhecida como Mar Despedaçado numa jornada pela sobrevivência e na conquista de aliados improváveis para tentar cumprir seu destino e as promessas que realizou.

“Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.”


A narrativa bem construída de Abercrombie revela personagens que conquistam o leitor. É um livro com algumas reviravoltas bem construídas em que o final não é exatamente aquele que poderíamos esperar. É uma jornada cheia de emoções, perigos e de transformações.

Uma das características interessantes na construção de personagens do autor é a presença de personagens ausentes, que trazem frases de efeito no diálogo interno. É o caso dos pais do protagonista e também sua mentora que, mesmo ausentes, se fazem presentes nos ensinamentos que deixaram gravados em sua mente.

Em relação aos coadjuvantes, o autor falha um pouco ao não se aprofundar e distinguir alguns deles, deixando uma sensação de confusão em relação a seus papéis, na medida em que outros ficam muito bem definidos e cativantes.

O livro tem um ritmo quase perfeito, considerando livros que fazem o leitor querer ler o próximo capítulo, mas perto do clímax, há uma quebra por cerca de três capítulos e não chega a atrapalhar demais. É totalmente compensada pelos capítulos finais, especialmente, o último.

A série, ao menos neste primeiro volume, pode ser caracterizada como de “baixa fantasia”, uma vez que há muitos poucos elementos fantásticos, além do fato de se passar num mundo imaginário. Não há presença de magia e outras raças, exceto elfos que são citados como uma raça já extinta. O aspecto religioso e as divindades muito citadas para construção da ambientação, também não dão sinais de que são capazes de produzir qualquer efeito divino/mágico, representando mais crenças, do que poderes divinos reais que podem ser vistos em outras obras de fantasia. Se comparado com Game of Thrones, por exemplo, há alguns exemplos de que a crença em divindades gera alguma influência mágica no mundo, como fica evidente nos efeitos evocados pelos sacerdotes ou sacerdotisas vermelhas, devotos do senhor do fogo.

Acredito que é um livro que vai cativar novos leitores, ou mesmo aqueles que já leram a série Primeira Lei, desde que estejam cientes do tom menos sombrio e linguagem “mais moderada” da obra. Talvez, mais leitores homens do que mulheres, visto que é uma aventura de conflitos centrado num protagonista masculino e o aspecto de romance é bem secundário. Ao menos uma das antagonistas, a capitã do navio Vento Sul, é uma forte e interessante personagem feminina. Ao que parece, o segundo livro da série, tem melhores chances com o público feminino, uma vez que uma das protagonistas é uma garota.

Fica a dica para essa obra de fantasia de um dos maiores expoentes contemporâneos do gênero.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Os bastidores dos heróis japoneses | Palestra com Toshihiko Egashira em São Paulo


Revisitar o passado às vezes é uma viagem gostosa de se fazer e ainda mais quando é algo que gostamos e queremos entender um pouco mais sobre aquilo.

O nome pode não soar conhecido, mas com certeza em algum momento o trabalho de Toshihiko Egashira fez parte da sua infância ou adolescência. O célebre empresário brasileiro foi responsável por licenciar diversas séries de Tokusatsu por aqui nos anos 80. Após uma viagem no Japão em 1980, Egashira ficou interessado em trabalhar com produtos nipônicos e cinco anos depois abriu uma locadora no Bairro da Liberdade em São Paulo. A popular Golden Fox, contava com um acervo de programas gravados diretamente da TV japonesa.

Bairro da Liberdade em São Paulo. Acima imagens da década de 1980 e abaixo foto mais atual
- Foto: Reprodução internet

Após um conselho de um amigo, ele resolveu trabalhar sozinho com o licenciamento de algumas séries e foi fechando um acordo com a Toei Company que acabou trazendo as séries Jaspion e Changeman para o nosso país. O resto da história você com certeza vai saber em uma palestra inédita com o empresário no final de Abril.

Egashira, que também foi proprietário das empresas Everest Video e Tikara Filmes, estará palestrando, pela primeira vez sobre como teve a ideia e como foram os negócios com as empresas japonesas, a tradução e adaptação ao mercado brasileiro e as negociações com as emissoras brasileiras, mercado de vídeos, além da indústria de brinquedos e do seu Circo do Jaspion, que viajou pelo Brasil com muito sucesso. São muitos assuntos para se aprender com esse empreendedor de sucesso.

A maior conquistada de Egashira no Brasil, o Fantástico Jaspion - Foto: Reprodução internet

No final da palestra, haverá um mini-show com o cantor Diogo Miyahara, conhecido pela sua participação em bandas de anime songs e que já se apresentou na TV japonesa. Ele interpretará os principais temas dessas séries de TV. Uma oportunidade para os fãs recordarem os bons momentos da Manchete.

Serviço:
Data: 30 de abril de 2017 – Domingo, das 14 às 17 horas – Grátis.
Local: Associação Cultural Mie Kenjin do Brasil – Av. Lins de Vasconcelos, 3352 – Vila Mariana, São Paulo. Saída do metrô Estação Vila Mariana.
Inscrições somente pelo Sympla, clique aqui para se inscrever.

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell respeita sua origem e expande o universo ciberpunk da obra


Em um futuro não mais tão distante, no ano de 2029, a tecnologia avançou a tal ponto que máquinas, androides, hologramas, inteligência artificial e implantes tecnológicos no homem são uma realidade. Mas os avanços não pretendem parar por aí, quando logo nos primeiros minutos do filme somos apresentados ao primeiro ser a ter um cérebro humano conectado a um corpo totalmente mecânico e melhorado.

Este invólucro chamado de shell (concha) pertence a Mira (Scarlett Johansson), uma ciborgue agente da Seção 9, especializada no combate de crimes cibernéticos. Desenhada para alcançar a perfeição, a Major é um super computador com um cérebro bem real e que consegue se conectar a rede espalhada agora por toda a cidade para expor e controlar situações de risco.


Em uma cidade com tecnologia exacerbada e um visual ciberpunk caótico, cérebros humanos também começam a ser hackeados e os diversos crimes chamam a atenção da seção contra crimes cibernéticos pelo incomum padrão e pelo fato de não serem máquinas, mas sim pessoas comuns sendo atacadas,

A Major, como elite do grupo, usa de seus artifícios bastante específicos e úteis para recuperar carcaças de maquinas adulteradas e encontrar o hacker por trás dos ataques aos cientistas da empresa a qual Mira pertence. Justamente por possuir um cérebro humano, a Major toma decisões por si só, muitas vezes não seguindo ordens diretas. Ela escolhe então escanear profundamente uma máquina hackeada, colocando em risco o seu Ghost, a mente que rege seu corpo e sua programação.


Pela total eficiência da agente, após muita perseguição e trabalho em equipe com os outros membros da Seção 9, a Major acaba por encontrar o inimigo. Mas este encontro vai mudar para sempre a mente da ciborgue, já que na verdade tudo que ela conhecia até aquele momento e sua missão foram mentiras e memórias falsas implantadas para controlá-la. Ela agora vai atrás de respostas para compreender exatamente o que e quem é, ao mesmo tempo que soluciona o mistério em que está envolvida.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um live-action adaptado de um mangá e filme ambos chamados Ghost in the Shell, além de possuir continuações com séries e OVA's. A animação de 1995 apresenta para o público a complexidade do universo do autor Shirow Masamune, que já na década de 90 imaginou um mundo inteiramente gerido através da tecnologia e redes de internet, com uma seção própria para combater os crimes cibernéticos - que já são uma realidade atual.


A animação de origem japonesa possui estética e linguagem próprias, que podem causar estranheza àqueles que não têm o costume de consumir obras do mercado oriental. Com zero comprometimento em elaborar uma explicação simples e trama linear, o filme animado percorre uma história similar ao do live-action, mas sem adentrar em detalhes sobre o passado ou motivações da protagonista Motoko Kusanagi.

É possível afirmar que o material original foi inteiramente aproveitado na nova adaptação, não só com relação ao visual e a história, mas também com uma linguagem bastante próxima à animação. A Vigilante do Amanhã consegue contar a história de Ghost in the Shell, ao mesmo tempo que organiza a trama e explica alguns fatos deixados subentendidos no conto original, além de transformar a personagem principal e uma protagonista mais palatável e vendável para o público dos cinemas ocidentais.

Para quem gosta de adaptações, é extremamente satisfatório observar o cuidado da equipe do diretor Rupert Sanders e do diretor de fotografia Jess Hall  ao preservarem essência do material, trazendo até algumas cenas bastante parecidas com as desenhadas no longa de 1995. Os elementos estão todos lá, só que desta vez com atores reais e um uso muito bem empregado dos efeitos especiais de ponta, que fazem toda a diferença na produção de um conto futurístico e tecnológico.


Ainda falando em semelhanças, os fãs podem observar toda a equipe principal da Seção 9 em ação, com um casting de elenco que se preocupou com as características físicas dos personagens, trazendo à vida ícones da mitologia como Batou, Aramaki e Togusa. Os elementos visuais como jogo de câmeras, enquadramentos e cores também foram preservados, ajudando a reproduzir o clima moderno e sombrio da animação, representando um futuro frio e conturbado por causa do uso excessivo da tecnologia.

Apesar de ser uma obra antiga, Ghost in the Shell consegue fazer uma crítica bastante pertinente e atual com relação ao uso e domínio da tecnologia no dia-a-dia da sociedade, ao mostrar as imensas possibilidades práticas de ter avanços tecnológicos ao alcance de muitos ao mesmo tempo que também marginaliza e controla uma parcela de pessoas através dela.

Para quem ficou ou está preocupado com a eficiência de Johansson no papel principal, ou pelo fato dela e parte do elenco não serem orientais, pode-se dizer duas coisas. Sobre seu desempenho, a atriz não deixa a desejar e coloca-se novamente em um papel onde consegue demostrar suas capacidades físicas e artísticas ao retratar uma ciborgue sem muita emoção, mas com muitos conflitos, e sua super habilidade. E a segunda sobre a falta de asiáticos, que para quem prestar atenção à trama conseguirá compreender a mensagem deixada no filme sobre capitalismo, comércio e exclusividade tecnológica para quem tem maiores condições financeiras.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é uma adição coesa e de qualidade ao universo Sci-fi cinematográfico, que consegue entregar sua proposta respeitando a obra original, ao mesmo tempo que apresenta sua mitologia para a nova geração de fãs, com uma nova história que abre possibilidades encorajadoras para possíveis continuações ou simplesmente para que surjam mais produções dentro da temática e estética ciberpunk nos cinemas.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Power Rangers honra início da franquia nos cinemas com referências e nova mitologia


Inspirado na nostálgica série de TV, Power Rangers O Filme cria um novo universo nos cinemas, reintroduzindo a equipe clássica de jovens com garra escolhidos para proteger a Terra. Sob a direção de Dean Israelite e produção da Saban Brands, a produtora da série original de Power Rangers, o longa aproveita elementos marcantes da franquia e abre caminho para futuras adaptações hollywoodianas.

A trama segue cinco adolescentes estranhos entre si que acabam se vendo em uma situação na qual devem se unir para salvar a si mesmos e a vida de todo o planeta. A história começa quando Jason Scott (Dacre Montgomery), o ex-quarterback do time de futebol americano e garoto de ouro da cidade Alameda dos Anjos, agora descreditado em meio a comunidade, conhece o entusiasmado e peculiar Billy Cranston (RJ Cyler) durante as aulas da detenção.

Após breves eventos, os dois seguem para a mina de ouro da cidade a pedido de Billy, que acaba envolvendo uma das garotas populares da escola, Kimberly Hart (Naomi Scott), o solitário Zack (Ludi Lin) e Trini (Becky G.), a garota nova na cidade, em uma batalha de milhões de anos que decidirá o destino da Terra.

O prólogo do filme é o primeiro ponto positivo que pode ser apontado, pois, diferente da série de televisão que já apresenta os rangers sem mostrar mais da mitologia do que é um Power Ranger, o longa vai por um caminho mais bem pensado. E essa mitologia já começa a ser desenvolvida com uma cena inicial que, apesar de parecer confusa a primeira vista, revela a magnitude dessa equipe de heróis, que está ligada a todo um dever muito maior do que cinco jovens lutando para proteger sua cidade, revelando a existência de diferentes raças e ameaças que vão além da Terra.

Jason (Dacre Montgomery), Billy (RJ Cyler), Zack (Ludi Lin), Kimberly (Naomi Scott) e Trini (Becky G.) encontram as moedas do poder pela primeira vez - Foto por: Kimberley French - © 2017 Lions Gate Ent. Inc.

O interessante dessa abordagem, é que, ainda que o filme seja centrado na batalha local desses cinco adolescentes que acabam virando a nova equipe dos Power Rangers, é criada a primeira faísca para desenvolver um universo que tem abrangente potencial e há muito a ser explorado. Dito isso, o filme acaba pecando em explicar algumas pontas soltas, mas não há dúvidas que várias delas foram propositalmente deixadas para serem trabalhadas no futuro da franquia.

Outra questão de extrema importância, e que talvez seja o grande ponto de salvação de Power Rangers O Filme, é o fato de que esse não é um filme de super-heróis. É verdade que essa é uma história de origem e que funciona como ponto de introdução para uma franquia sobre jovens com poderes, mas só isso o faz ser um trabalho de super-heróis? Certamente que não.

Para aqueles que já conhecem o trabalho do diretor Dean Israelite em Projeto Almanaque, algo muito parecido pode ser percebido no novo filme dos Power Rangers. Todo o enredo do filme é voltado sobre os jovens e suas personalidades, existindo uma ligação deles a elementos de ficção científica que definem a ambientação da trama. Mais do que exibir lutas e batalhas de zords (que são extremamente pontuais no filme), há um foco sobre o que é tomar o manto de um ranger e sobre a existência dessa força e da ameaça desconhecidos.

Além disso, a caracterização dos jovens é muito bem feita. Em Mighty Morphin Power Rangers Jason, Billy, Kimberly, Trini e Zack tem personalidades engessadas com pouco desenvolvimento e sem enfrentar problemas do mundo real, o que não chega a ser ruim, considerando a época em que a série estreou e as circunstâncias da sua produção. Na adaptação de 2017, por sua vez, cada jovem possui dilemas muito atuais e personalidades bem aprofundadas que tem repercussões na trama.

Também não se pode tirar o mérito dos atores que interpretam os novos rangers, que, apesar de não serem grandes nomes de Hollywood, desempenham seus papéis com bastante entusiasmo e personalidades cativantes, em especial RJ Cyler como Billy, que traz um tom cômico e descontraído para a história.

Elizabeth Banks vive a ameaçadora, louca e caricata Rita Repulsa no longa - Foto por: Kimberley French - © 2017 Lions Gate Ent. Inc.

Bryan Cranston no papel de Zordon é outro grande surpresa positiva, considerando sua participação na série de 93 ao dar voz a alguns dos vilões. Já Elizabeth Banks como Rita Repulsa traz bastante vida à personagem, mantendo seus trejeitos caricatos e uma personalidade um tanto esquisita e única que ajuda o filme a manter um tom mais leve.

Por mais que o longa seja construído com grandes acertos, ainda possui problemas pontuais. Em alguns momentos cruciais, é sensível a falta de sons ou uma música adequada para ajudar a dar intensidade às cenas de ação, assim como há músicas mal colocadas em situações que apenas uma boa edição de som resolveria. No mais, alguns fãs podem sentir faltas de mais lutas, já que há bastante desenvolvimento da história, o que não é um defeito de forma alguma.

Power Rangers O Filme consegue, assim, dar nova vida ao mundo já conhecido dos rangers, inserindo uma boa quantidade de referências para antigos fãs, além de criar um ambiente propício para que novos fãs conheçam a franquia, preparando, ainda, um leque de positivas possibilidades.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Ataque dos Monstros Gigantes! A versão assustadora de Godzilla


Em volta de todo esse "hype" em torno do MonsterVerse, o Mega Hero volta ao passado para falar um pouco sobre os filmes produzidos pela Toho.

É inegável que os longas com monstros gigantes cativam sempre novas gerações, com o ícone principal sendo Godzilla (1954), durante um bom tempo o circuito japonês foi invadido por diversos filmes estrelando o Rei dos Monstros e também teve espaço para outros personagens (que iremos comentar em outras resenhas). O primeiro filme que escolhi para esse especial de resenhas de filmes de "Kaiju" é o notório Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack de 2001.

Godzilla destrói o Japão novamente - Foto: Reprodução internet

O terceiro filme da popular "Era Millenium" de Godzilla tem um fator interessante para aqueles que não querem se aprofundar na mitologia da franquia, mesmo esse longa despertando o interesse ao apresentar criaturas clássicas do universo da Toho. "Giant Monsters All-Out Attack" não faz parte da linha cronológica original e respeita apenas os eventos acontecidos no filme de 1954. E assim como o clássico, Shusuke Kaneko quis trazer de volta o Rei dos Monstros de forma aterradora e violenta.

O filme começa mostrando um Japão que ignora o fato de cinquenta anos atrás ter sido atacada por Godzilla. Uma possível aparição do monstro em um mar próximo chamou a atenção do exército para investigar se de fato se tratava da criatura que assolou o país no passado. Longe desse núcleo temos a personagem Yuri Tachibana (Chiharu Niiyama) apresentadora de um programa local que faz filmes de baixo orçamento de ficção cientifica. Ela está à procura de uma grande história e é então que ela descobre a lenda dos antigos guardiões. No dia da gravação ela avista um velho estranho e à partir daquele momento uma série de acontecimentos bizarros no Japão.

A jornalista Yuri Tachibana - Foto: Reprodução internet

Com a iminente chegada de Godzilla à terra firme, três criaturas tratadas como guardiões aparecem, são elas os monstros clássicos Baragon, Mothra e Ghidorah que diferente dos filmes anteriores dessa vez é retratado como "mocinho". Dentro da trama também temos a forte presença do Taizo Tachibana (Ryudo Uzaki) pai da personagem principal que é comandante do exército e precisa acreditar na filha para destruir Godzilla de uma vez por todas.

O Godzilla de Shusuke Kaneko - Foto: Toho

Giant Monsters All-Out Attack tem um ritmo diferente dos anteriores e foca muito no drama vivido pela garota e seu sonho de ser jornalista ao mesmo tempo que ganha confiança do pai. Os monstros clássicos estão ali para mostrar o quão é poderoso o Godzilla nesse filme, que por sinal está muito mais inteligente e seu visual assusta diferente das encarnações passadas. A Toho fez um trabalho muito caprichado ao mesclar computação gráfica da época com efeitos práticos, o que gera ótimas cenas no confronto das criaturas e cria cenários ainda mais profundos.

O elenco de apoio funciona de forma coesa e natural e o exército que aparentemente seria o foco da história apenas fica de plano de fundo para dar destaque à história de Yuri. Apesar de ser um filme curto (1 hora e 49 minutos), poderia ter explorado um pouco mais a mitologia das criaturas o que seria um elemento muito interessante para justificar os acontecimentos do arco final.

Godzilla enfrenta King Ghidorah - Foto: Reprodução internet

Godzilla representa um lembrete simbiótico do passado do Japão. Um aviso de que ignorar a história tem repercussões sangrentas. Kaneko se baseou na Guerra do Pacífico para traçar a atmosfera de GMK e o filme é baseado no ditado George Santayana: Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo.

Os fãs mais atentos vão notar dezenas de easter-eggs espalhados nas cenas, alguns deles com muito destaque e outros mais ocultos, sendo a maioria fazendo referência aos acontecimentos de 1954. Embalado em uma ótima trilha sonora, Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack é um ótimo divertimento para quem quer conhecer um pouco mais sobre o Rei dos Kaijus que agora está voltando com tudo nos cinemas.