segunda-feira, 21 de maio de 2018

DC Universe inova com serviço de streaming exclusivo para fãs da DC com séries e HQs


Os serviços de streaming vêm se tornando cada vez mais populares, especialmente relacionado a produção e exibição de séries originais. Vários canais e empresas já aderiram a isso, e não é nenhuma surpresa saber que tantas outras vão seguir pelo mesmo caminho.

Netflix, Hulu, Amazon Prime, HBO GO, CW Seed, e tantos outros fazem parte da gama de novos serviços online voltado ao público que consome séries, filmes e animações. E se aproveitando desse sucesso dos streamings, a DC Comics resolveu lançar seu próprio serviço, porém, com algumas diferenças.

O DC Universe, nome oficial do streaming da DC, será uma plataforma totalmente imersiva exclusivamente para os fãs da editora. Além das séries originais, sejam elas em live action ou em animações, os fãs que assinarem ainda terão a chance de acessar uma vasta coleção de quadrinhos da DC, que também fará parte do serviço.

Logo da séries dos Jovens Titãs - Foto: DC Universe
Muitas pessoas, fãs e não fãs, já ficaram interessados com a proposta, pois, dificilmente vemos no mercado um serviço assim. Algo que englobe diferentes tipos de mídia em um único serviço. A chance de você poder consumir uma vasta biblioteca de quadrinhos, pagando uma taxa mensal, que ainda não foi divulgada, além de usufruir de materiais inéditos, é de encher os olhos.

O serviço foi anunciado quase no final de 2017, e por algum tempo não se teve nenhuma notícia ou novidade, a não ser o fato de que a série em live action dos Jovens Titãs, que originalmente seria da TNT, passou para o DC Universe. O serviço também confirmou que iria lançar a aguardada 3ª temporada de Justiça Jovem, uma das séries animadas da DC que mais fez sucesso, e Harley Quinn, uma outra série animada e inédita, porém, voltada ao publico mais adulto.

Além dessas três novidades, nada mais havia sido divulgado, e justamente por causa disto, os fãs não estavam colocando muita esperança no serviço, já que ele era focado exclusivamente no conteúdo de uma única editora. A grande pergunta e questão era como a DC iria fazer para o seu mais novo serviço vingar e também atrair os olhares dos fãs, já que existem tanto outros serviços pagos no mercado que já estão consolidados.

Logos das séries do DC Universe - Foto: DC Universe
Juntamente com o anúncio do nome do serviço, a editora resolveu revelar novos projetos. Além de Jovens Titãs, Justiça Jovem e Harley Quinn, o DC Universe também vai lançar outras duas séries em live action: a primeira será uma adaptação de um dos personagens mais famosos da Vertigo, Monstro do Pântano. Essa série terá James Wan, diretor de Aquaman e Invocação do Mal, como o produtor e responsável. Wan já prometeu vários monstros e um clima de terror para o programa.

Outra série é o primeiro derivado de Jovens Titãs, Patrulha do Destino. O grupo fará sua estréia na série dos já conhecidos heróis, e depois seguirá para seu próprio programa. Ainda foi revelado que Ciborgue fará uma participação no piloto da série.

É visível que a DC está tentando criar um novo universo para suas séries, totalmente desvinculado com o criado pela The CW. Ao que tudo indica, nenhuma relação entre os dois universos será feita, o que possibilita ao DC Universe uma chance de usar personagens mais conhecidos, e que a Warner/DC não deixa a CW usar. Como Ciborgue irá aparecer em Patrulha do Destino, é bem possível que outros membros da Liga da Justiça, como o próprio Batman, apareçam nas séries.

Pôster da 3ª temporada de Justiça Jovem - Foto: DC Universe
A DC está seguindo um caminho totalmente natural, que é focar em suas próprias produções, e lançar um produto exclusivamente seu. Vários canais já fazem e vão fazer isso, como é o exemplo da Disney, que também pretende lançar seu serviço de streaming, que contará com uma série em live action de Star Wars, além de uma nova série da Marvel.

Por enquanto ainda não foi revelado nem a data de lançamento do serviço ou seu valor. Infelizmente, no início, o DC Universe estará disponível apenas para o público norte-americano, então teremos que esperar e rezar para que ele venha para o Brasil, pois assim teremos ainda mais material para poder consumir da DC Comics.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Deadpool viaja no tempo para alterar a história e Cable é o único capaz de pará-lo em Deadpool Vs. X-Force


Com a estreia de Deadpool 2 nos cinemas, nada mais justo do que conhecer algumas das histórias do anti-herói nos quadrinhos, em especial aquelas que envolvam o Cable ou alguma participação da equipe X-Force. Obviamente não farei comentários diretos sobre a trama do filme ou darei spoilers, mas farei breves comparações, tendo em mente que o longa alterou alguns dos elementos do quadrinhos para melhor trabalhar com os personagens e sua história.

Escolhi trazer o arco Deadpool Vs. X-Force, originalmente publicado em 2014 e lançado no Brasil pela Panini no segundo volume da revista "Deadpool Extra" com o título Tempo de Morrer. Dividida em quatro partes, a história conta como Deadpool tem seus serviços de mercenário contratados para reescrever momentos chave da história americana. Quando um ponto de divergência é criado no fluxo cronológico, Cable resolve encontrar a fonte do problema e viajar no tempo até ela junto a um grupo de mutantes formando a X-Force.

Nessa edição a X-Force é composta por Cable, Apache, Dinamite, Míssil e Dominó - Foto: Mega Hero

Uma das razões particulares para cobrir essa HQ em particular, foi em razão do diferente tom dos personagens em relação ao filme. Aqui, Deadpool figura muito mais no papel de vilão (como ocorre em outras histórias), tendo Cable como o verdadeiro herói tentando proteger a história da humanidade. Outro ponto é poder ver uma outra configuração da equipe, que aqui se apresenta muito mais como uma equipe paramilitar e muito bem treinada.

Além disso, como esse arco foi publicado em 2017 no Brasil, ele é relativamente fácil de ser encontrado, em comparação a alguns arcos mais relevantes do mercenário.

Mas, ainda assim, é bom ver como alguns dos elementos que também estão na adaptação cinematográfica se apresentam nos quadrinhos, como a viagem no tempo, que aparentemente é baseada nos mesmo conceitos em ambas as mídias.

A edição nacional Deadpool Extra n° 2 que contém o arco Deadpool Vs. X-Force - Foto: Mega Hero

É importante notar, contudo, que essa história se passa antes do Deadpool conhecer Cable nas HQs, o que ocorreu na edição 98 de Novos Mutantes. Então é interessante ver os dois em pontos antagônicos, ainda que exista uma certa "forçação de barra" nesse arco específico, mas ao mesmo tempo é gratificante ver algumas referências às histórias clássicas do Deadpool.

Por mais que não adicione muito à mitologia do herói, Deadpool Vs. X-Force vale a pena como uma leitura rápida e para aproveitar a onda de Deadpool 2 e ver um outro lado do anti-herói.

Ficha Técnica:
Título: Deadpool Extra n° 2 - Tempo de Morrer (2017)
Editora: Panini
Roteiro: Duane Swierczynski
Arte: Pepe Laeeaz
Cores: Nolan Woodard
Letrista: Donizeti Amorim - ‘Don Dutch’
Tradutor: Mario Luiz C. Barroso
Editor original: Axel Alonso, Jordan D. White
Publicada originalmente em: Deadpool Vs. X-Force (2014) n° 1, n° 2, n° 3 e n° 4/2014 - Marvel Comics
Número de páginas: 81

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Deadpool 2 é a continuação que precisávamos


Quando a primeira adaptação cinematográfica do Deadpool foi oficialmente anunciada para 2016, as expectativas não eram muito altas, especialmente pelos inúmeros projetos anteriores que deram errado (e alguns muito), o que colocou o futuro do anti-herói nos cinemas em posição certamente duvidosa. Mas um roteiro bem bolado, uma dedicação e fidelidade ao personagem singulares e participação ativa de Ryan Reynolds no papel foram marcantes para estourar a popularidade do longa, assim como o seu sucesso, o que abriu as portas para sua merecida continuação, Deadpool 2.

Na sequência, o mercenário Wade Wilson (Ryan Reynolds) já tem a sua persona como Deadpool bem incorporada em sua vida, realizando trabalhos ao longo de todo o globo, até que uma mudança de eventos coloca em seu caminho o jovem mutante Russel (Julian Dennison), que precisa de proteção do implacável Cable (Josh Brolin), um viajante no tempo que veio do futuro para assassiná-lo. Para isso, Deadpool receberá auxílio dos X-Men e do seu próprio grupo, X-Force, em sua jornada para salvar o garoto e a si mesmo.

O novo grupo, X-Force, entra em ação - Foto por: Courtesy Twentieth - © TM & © 2018 Twentieth Century Fox Film Corporation.  All Rights Reserved.

E é basicamente essa ideia que os trailers passam, mas o filme em si segue um caminho um pouco diferente. Sim, todos os personagens e a grande maioria das cenas dos trailers estão no filme, mas a maneira em que o X-Force, por exemplo, é tratado, não é exatamente aquilo que se esperaria, apesar de ainda ser bastante divertida. O interessante é que a substância do filme não é entregue nos trailers, o que, pelo menos para mim, não ocorreu da mesma maneira como em Guerra Infinita, que deu muito mais dicas da trama em sua divulgação.

Tocando no tema divulgação, não se pode comentar sobre Deadpool 2, sem falar um pouco dela. Com divulgação massiva e bastante não convencional, ela é uma das maiores razões pelo sucesso da franquia, principalmente pelo apelo ao público e a expectativa construída com base no humor.

Dentre os X-Men, Colossus tem um dos mais importantes momentos em Deadpool 2 - Foto por: Courtesy Twentieth - © TM & © 2018 Twentieth Century Fox Film Corporation.  All Rights Reserved.

Por mais que referências e elementos dos quadrinhos sejam bem utilizados, o humor é, sem dúvidas o carro chefe. Piadas bem colocadas e a atuação de Reynolds no ponto certo deixam toda a violência e linguajar forte naturais na trama, produzindo divertimento certo para qualquer pessoa que tenha ido ao cinema sabendo o que esperar.

Não apenas isso, é feito um excelente trabalho em se introduzir piadas inteligentes, assim como em aproveitar piadas do mesmo e do filme anterior, mas refinando-as e sem deixar de referenciar e ridicularizar grandes estúdios e filmes como o mal comentado Lanterna Verde e até o sucesso do mais novo Vingadores, com o qual o filme concorre em bilheteria nos cinemas.

É também visível como os X-Men são melhor utilizados dessa vez, mas são os membros do X-Force que brilham. Domino (Zazie Beetz) funciona muito bem na narrativa. Com seu jeito descontraído em contraposição a energia excessiva de Wade e ambos formam uma excelente equipe, criando ainda mais expectativas para o que será feito com esses personagens no futuro.

Josh Brolin entrega um Cable a altura do filme - Foto por: Courtesy Twentieth - © TM & © 2018 Twentieth Century Fox Film Corporation.  All Rights Reserved.

Josh Brolin como Cable também está fantástico. Por experiência pessoal, aquilo que se vê do personagem na divulgação não me empolgou muito para vê-lo em tela, mas tenho que confessar que os trailers não fazem justiça ao seu desempenho no longa. Sua personalidade séria e participação à la Exterminador do Futuro dão uma boa quebra nos personagens que algumas vezes são sufocados pelo humor, além do que ele Brolin é um excelente ator, o que fica evidente.

Além de uma história bem amarrada e bons personagens, também fica claro que o estúdio gastou mais com efeitos especiais e cenas de luta melhor elaboradas. O que se percebe é que a equipe se preocupou e elevou a qualidade da produção em um geral, o que deixa o filme bastante aproveitável e uma continuação necessária.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Digimon Tri peca em história e aposta no fanservice


Em 2014, durante o 15º aniversário da franquia de Digimon, a TOEI Animation anunciou que um novo projeto de comemoração seria lançado. Esse projeto nada mais era do que Digimon Adventure Tri, uma sequência direta das duas primeiras temporadas, Digimon Adventure e Digimon Adventure 02. Porém, o que se mostrou como um promissor projeto no início, se revelou como sendo, em partes, uma grande frustração para os fãs.

O primeiro fator, que de início incomodou os fãs, foi a animação, pois como não estamos mais nos anos 1990, é compreensível que o traço mude. E com o lançamento dos OVAs, formato que foi escolhido para o lançamento do projeto, os fãs foram se acostumando com os novos designs dos personagens e dos digimons.

O formato OVA (Original Video Animation) não agradou aos fãs, pois, com a soma dos seis filmes lançados, teríamos uma temporada de exatamente 26 episódios, que atualmente é o padrão para grande parte dos animes. O tempo de lançamento entre cada OVA foi de em média, seis meses, começando em 2014 e terminando em 2018.

Apesar de no Japão cada OVA ser lançado como um filme, no Brasil, o anime foi distribuído simultaneamente pelo streaming do Crunchyroll, que transmitia já com a legenda, porém, em formato episódico. Às vezes, um OVA era dividido em quatro ou cinco episódios lançados juntos, e isso incomodou muitos fãs, que estão acostumados em ter lançamentos semanais para os animes que acompanham.

Pôster de anúncio de Digimon Tri - Foto: TOEI Animation
Cada OVA se propôs a focar em um ou mais personagens, e foi justamente aí que ocorreu o grande problema. Usando como exemplo o formato de exibição de episódios no Brasil, sempre o último episódio de cada OVA era focado "mais" ação ação, enquanto todos os outros focavam nos personagens destaque do OVA. Porém, o que poderia ser resolvido em 1 ou 2 episódios, se estendia mais do que o necessário, por ser originalmente um filme e, com isso, se tornava cansativo.

É compreensível que o primeiro OVA, que recebeu o título de Reunião, fosse mais arrastado, justamente para contextualizar como os personagens estavam depois dos anos que se passaram, mostrando um pouco de seus dilemas e lutas diárias.

Porém, a fórmula se repetiu de uma maneira que era totalmente dispensável, tornando-se massante. Entre os fãs, é quase um consenso que o melhor dos seis OVAs lançados, é o terceiro, Confissão, que têm uma das melhores, se não a melhor, cena de todos os filmes.

Para tentar compensar a história cansativa e às vezes confusa, a TOEI optou pelo bom e velho fanservice, dando aos fãs o que eles tanto queriam, as mega digievoluções. Em cada pôster dos OVAs, eram apresentadas uma ou duas mega digievoluções, salvo duas que não foram mostradas.

Apesar das expectativas de ver estas megas em um bom tempo de tela, elas apenas apareciam quando faltava em média 15 minutos para o filme acabar, e ainda sim, era mostrado muito pouco, salvo por Omegamon, que serve basicamente como um Deus ex machina para Digimon.

Algumas mega digievoluções em Digimon Tri - Foto: Reprodução internet
De todas as reclamações que os fãs possuíam, uma era basicamente unânime entre eles: onde estavam os personagens de Digimon Adventure 02? Já que o Tri era a continuação direta da história? A única explicação que deram no começo foi que eles foram derrotados, e nunca mais apareceram, isso mesmo com o último OVA tentando dar uma explicação, o paradeiro dos personagens ainda permanece desconhecido.

Após e exibição do 6º OVA, Nosso Futuro, foi divulgado no perfil oficial de Digimon Tri no Twitter, que um novo projeto seria lançado, o que leva a crer que Tri terá uma 2ª temporada, já que pontas foram deixadas após o final. Muitos fãs estão esperando que finalmente os personagens do 02 apareceram nessa possível continuação.

Digimon Adventure Tri promete mais do que cumpre, porém, ainda sim, é um bom entretenimento, especialmente para quem já é fã da franquia, pois tem aí a oportunidade de ver os já conhecidos e amados personagens. E claro, mesmo optando pelo puro fanservice, ainda sim é muito divertido e legal ver as cenas de luta.

Vamos esperar o anúncio do novo projeto, e rezar para que, se for de fato uma continuação do Tri, eles corrijam todos os erros do antecessor, e que mostre o verdadeiro potencial que Digimon ainda possui.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Herdeiro do Império é a chave para conhecer o Universo Expandido


A Tirania chegou ao fim, mas o que tomará em seu lugar? Em Herdeiro do Império você embarcará em uma das aventuras mais populares do antigo universo expandido de Star Wars.

Desconsiderado desde 2015, o Universo Expandido de Star Wars carrega dezenas de história no vasto mundo criado por George Lucas. Suas histórias apesar de não serem mais cânones com a obra atual, continuam influenciando diversas produções como a animação Star Wars: Rebels e os mais recentes longas lançados pela Disney.

Uma das publicações mais populares da época do "UE" com certeza é a "Trilogia Thraw", livro lançado em trilogia escrito pelo Timothy Zhan. Como sugere o nome, essa nova saga insere o emblemático e inteligente Almirante Thraw que recentemente foi reinserido no universo no seriado Star Wars: Rebels. O quadrinho que trago hoje é uma adaptação do primeiro livro, "Herdeiro do Império", lançado em 1995 pela editora Dark Horse em seis volumes. A edição apresentada aqui é um encadernado lançado pela Panini no ano passado que compila todas as edições.

Thrawn em "Herdeiro do Império" - Foto: Reprodução internet

Cinco anos após a Batalha de Endor (Star Wars - Episódio VI), Leia e Han estão casados e carregam pesados fardos como integrantes do governo da Nova República. Enquanto isso, Luke Skywalker é o primeiro de uma esperada linhagem de Cavaleiros Jedi. Milhares de anos-luz dali, o último comandante do Império, o Grande-Almirante Thraw, faz duas descobertas vitais que poderiam destruir a Nova República da Aliança Rebelde.

Herdeiro do Império é conhecido por apresentar conceitos e personagens que seriam recorrentes durante todo o universo expandido que vinha à seguir. O Grande-Almirante Thraw aparece pela primeira vez se revelando um grande estrategista que à qualquer custo quer por um fim nos Jedi, o que inclui Luke Skywalker, Leia Solo e os dois filhos gêmeos que ela está esperando. Thraw possui um ar autoritário, mas que diferente dos outros generais que passaram pelo Império, é muito mais perspicaz e está quase sempre à frente dos seus inimigos. Abro um parêntese para comentar o quanto o seriado Rebels conseguiu transpor essas características do personagem com fidelidade para o programa.

As seis capas originais de Herdeiro do Império da Dark Horse - Foto: Reprodução internet

Thraw forma uma aliança com o poderoso mestre Jedi, Jorus C'baoth, o qual ainda não sabemos de fato o que quer, exceto encontrar Luke Skywalker a qualquer custo. Para ter o Jedi "sob seu controle" o Grande-Almirante possui as Salamandras Ysalamir, seres capazes de bloquear a Força de alguma forma e que são de suma importância para a trama do quadrinho.

O trio está muito bem retratado no quesito personalidade, os traços fogem bastante da aparência física dos atores, mas depois de algumas páginas o leitor consegue acreditar que tudo que está vendo ali, é uma continuidade dos eventos de "O Retorno de Jedi". Luke está perdido depois que seus mestres se foram, mas continua com um grande espirito aventureiro e heroico. Leia funciona como a mente da equipe enquanto Han Solo bola planos mirabolantes ao lado de Chewbacca para resolver problemas apresentados no quadrinho.

Foto: Mega Hero

Uma outra grande aparição na história é a personagem Mara Jade, uma antiga guerreira que trabalhou ao lado do Imperador durante toda a saga clássica e que guarda um grande rancor de Luke Skywalker. Outros personagens secundários também estão presentes para sustentar todo o universo da franquia e criar uma ponte entre o que foi feito anteriormente para de fato apresentar o que vem à seguir. Herdeiro do Império é a chave para quem está buscando conhecer o Universo Expandido.

Os mais acostumados com as publicações recentes da Marvel, pode estranhar um pouco o antigo traço de Herdeiro do Império, o estranhamento não significa que a obra é ruim, longe disso. As cenas de combate são espetaculares e as páginas duplas muito bem desenhadas e coloridas. Apesar de não encerrar com um gancho para prender o leitor, o quadrinho em vários momentos convida você a entrar mais na história e querer saber como termina todo esse combate.

Ficha Técnica:
Título: Star Wars: Herdeiro do Império
Editora: Panini Books
Roteiro: Mike Baron
Arte: Olivier Vatine e Fred Blanchard
Cores: Isabelle Rabarot
Capa: Mathieu Lauffray
Número de páginas: 164

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Porque você deve assistir Star Wars Rebels


Após a aquisição da Lucasfilm pela Disney, o futuro de Star Wars era incerto. Por mais que se soubesse que a Disney exploraria (e muito) esse universo, não se tinha base de como isso seria realizado e qual a qualidade dos seus produtos finais. Star Wars Rebels foi a primeira grande produção da era Disney e obviamente muitos olhares se voltaram para essa nova animação.

A história de Rebels se passa no período entre o Episódio III: A Vingança dos Sith e o Episódio IV: Uma Nova Esperança e segue um grupo de rebeldes que realizam uma série de missões para enfraquecer o Império Galático. A bordo da nave Ghost, a equipe composta por sua capitã da raça Twi'lek, Hera Syndulla, um jedi sobrevivente, Kanan Jarrus, uma engenhosa mandaloriana, Sabine Wren, o lasat Garazeb "Zeb" Orrelios e o droid Chopper vão ao planeta Lothal, o planeta onde muito dos acontecimentos da série se passam, e lá encontram o jovem Ezra Bridger, que vem a se juntar a equipe e aprende a usar a Força.

Sabine, Chopper, Kanan, Ezra, Zeb e Hera são os protagonistas de Rebels - Imagem: © Lucasfilm Ltd. & TM. All Rights Reserved.

Em sua primeira temporada, Rebels tem um ritmo bastante lento e pelo fato de precisar ainda introduzir os personagens e o cenário em que se encontram, acaba sendo principalmente focada na equipe da Ghost e em problemas superficiais mais relacionados a eles.

Em especial, tive dificuldade em me envolver com os protagonistas nesse primeiro momento. Seus movimentos mecânicos talvez influenciados pelo estilo da animação e personalidades não tão desenvolvidas foram uma barreira para que aproveitasse inteiramente a série, mas algumas inteligentes sacadas e pequenos sinais da direção que o futuro da história me mantiveram firmes até o encerramento desse primeiro arco.

Com a segunda temporada vieram episódios mais centrados nos personagens, mas, ao mesmo tempo, se passou a explorar mais do folclore do universo de Star Wars, assim como se aproveitar alguns personagens clássicos como Darth Vader, a Princesa Leia e Ahsoka Tano, se encerrando com um season finale fantástico não apenas sobre o que nele ocorreu, como também para as portas que ele abriu para a série.

Ahsoka e Kanan enfrentam os Inquisidores - Imagem: © Disney XD e Lucasfilm Ltd.

Dito isso, a terceira temporada Rebels foi bem mais focada em trabalhar elementos desse universo, indo até mais a fundo em diversas questões do que os filmes. A partir daí Ezra também passa a ficar mais interessante, assim como Kanan, que antes ficavam para trás comparados a seus companheiros de equipe.

Construída toda essa fundação, a quarta temporada possui todos os elementos à sua disposição para encerrar a história em um alto desempenho, e é exatamente isso que acontece. A temporada final da série foi, para mim, sem dúvidas a melhor, tanto para concluir arcos dos protagonistas, em especial de Ezra e Sabine, além de trazer algumas noções interessantes para o cânone.

O painel que aparece ao final da série representando a equipe da Ghost - Imagem: © Disney XD e Lucasfilm Ltd.

E sim, Star Wars Rebels faz parte do atual cânone de Star Wars, o que quer dizer que, assim como os filmes, os fatos lá ocorridos se deram todos no mesmo universo e são considerados para efeito de melhor compreensão desse universo. O interessante é que Rebels faz isso muito bem, até mesmo melhor que alguns dos filmes ao apresentar concepções da Força, da ordem Jedi e dos Sith não tão bem explorados nos cinemas.

Os personagens são outro ponto forte da animação, que mesmo em um início de certo modo arrastado, acabam conquistando seu espaço e se tornando cada vez mais envolventes e interessantes. Particularmente, Ezra não era mais do que um incômodo no início da história, mas com o tempo o jovem jedi cresceu muito e se tornou um dos destaques ao fim dessa narrativa.

E não apenas os protagonistas, mas a animação consegue trabalhar bem outros personagens do cânone, como Maul, Obi-Wan Kenobi, o Imperador e o Grão-Almirante Thrawn, além dos outros já citados. Thrawn, especificamente, é o principal e mais perigoso vilão da equipe, sendo muito bem explorado e dando bastante peso à série e um verdadeiro risco para os protagonistas.

O Grão-Almirante Thrawn foi o principal empecilho no caminho dos rebeldes nessa história - Imagem: © Disney XD and Lucasfilm Ltd.


Com todo o desenvolvimento da trama ao longo das quatro temporadas, muitas das premissas trazidas mais cedo acabam sendo recompensadas até o final do seriado. Além disso, momentos importantes da trama dos filmes como os acontecimentos de Rogue One e a batalha de Endor são de algum modo mencionados ou influenciam a história de alguma forma, assim como há o cuidado de se criar links entre acontecimentos anteriores de Rebels que podem ser notados nos filmes até certo ponto.

Os arcos dos personagens principais certamente são bem fechados ao final da quarta temporada, mas algumas pontas permanecem soltas para serem exploradas e o season finale cria ainda mais perguntas e abre espaço para uma continuação que, até agora não se tem notícia, uma vez que a nova animação anunciada (Star Wars Resistance) se passará em uma época anterior ao Episódio VII: O Despertar da Força.

Star Wars Rebels, com alguns pequenos problemas e desafios nos seus primeiros passos, cresce em tom e qualidade, trabalhando seus diversos personagens nos menores detalhes e se aprofundando na mitologia do vasto e pouco explorado universo de Star Wars no atual cânone, se tornando um destaque dentre todas as produções atuais e definitivamente valendo o tempo de assisti-la.