sexta-feira, 23 de junho de 2017

GLOW | Protagonistas são mais do que garotas lindas nos ringues de luta livre


Se você cresceu nos anos oitenta, provavelmente acompanhou o "boom" da Luta Livre na televisão encabeçados por astros da WWF como Hulk Hogan e Ric Flair.

Crítica por: Ana Luiza Bélico e Raphael Maiffre

Seguindo com mais um seriado adaptado na década de oitenta, a Netflix apresenta a série GLOW que retrata de forma ficcional o grupo original de garotas lutadoras de 1986 (G.L.O.W.) em uma trajetória com muitos obstáculos para terem sucesso nas suas carreiras.

O diretor Sam Sylvia (Marc Maron) e as futuras lutadoras do GLOW - Foto: Reprodução internet

A trama começa com Ruth Wilder (Alison Brie) uma atriz que mora em Los Angeles e recebe um telefonema para participar de uma seleção para um novo programa de televisão. Precisando pagar suas contas ela aceita o convite de Sam Sylvia (Marc Maron), um cineasta canastrão que quer a qualquer custo levar para as casas americanas um programa de luta livre protagonizado por mulheres, GLOW.

Buscando criar uma identidade em meio às críticas de Sylvia, Ruth começa a criar seu próprio personagem em uma busca para encarar seus próprios problemas e erros cometidos, que estão diretamente entrelaçados com a co-protagonista Debbie Eagan (Betty Gilpin) que é forçada a tomar decisões difíceis sobre a sua própria vida e protagonizar um dos núcleos mais profundos e emocionantes da história.

Compondo o roster de estrelas temos uma grande mistura de personagens que aparecem não só para compor o elenco mas para trazer passagens importantes que revelam uma parte não tão falada dentro do universo de entretenimento, o preconceito racial e sobretudo a participação das mulheres em um ramo que é praticamente dominado pelos homens.

As atrizes Ellen Wong, Sunita Mani, as cantora Kate Nash e Jackie Tohn e Kia Stevens (lutadora na vida real, Kharma) são representações fortíssimas de minorias estereotipadas que foram propositadamente colocada para mostrar como o mundo daquela época enxergava suas etnias, nacionalidades e gostos pessoais.

É importante a estréia de uma série com foco no universo feminino e as literais lutas que as mulheres precisam enfrentar para ocupar seu devido espaço. Em um território masculino como o da luta livre, no qual o sexo oposto é apenas visto como entretenimento visual, as meninas do GLOW vão além de Gorgeous Ladies of Wrestling (Garotas lindas do Wrestling) e trabalham dobrado para mostrar que são muito mais do que garotas em collants.

As críticas são tantas e partem de todo tipo de preconceito. Além de questões de gênero, raciais e sociais, o próprio wrestling, tema foco da série, sofre por ser considerado apenas um faz de conta, algo armado, mas que na verdade necessita de trabalho intenso e muita dedicação como a série faz questão de retratar de uma maneira bem real.

Ruth (Alison Brie) encontra na luta livre um lugar para encarar os seus problemas pessoais - Foto: Reprodução internet

Você não precisa ser fã de luta livre para gostar de GLOW, claro que se você já faz está familiarizado com pro-wrestling irá notar dezenas de referências escondidas (ou não) em cada episódio, fora as participações de astros como John Morrison (WWE / Lucha Underground) e Christopher Daniels (ROH). Morrison inclusive desempenha um ótimo papel no piloto de GLOW que faz mais verossímil o primeiro ato do seriado.

Somado a um elenco divertido e ótimos personagens, GLOW é outro seriado da Netflix que consegue retratar com bastante precisão os anos oitenta, indo desde o figurino marcante até as músicas que embalam grandes momentos da produção. Além disso, a série retrata dilemas e desafios do universo feminino, tratando com respeito as histórias de cada personagem, tornando até mesmo uma série sobre luta livre, fácil de se emocionar e se relacionar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gavan: O Filme é um recomeço promissor para os Metal Heroes


Em um período onde os filmes de Kamen Rider e Super Sentai dominavam os cinemas japoneses, a Toei apostou em uma antiga franquia tão popular quanto as duas outras citadas. Em 2012 o novo Gavan ganhava sua primeira aventura solo nos cinemas.

Crítica original postada em: 18 de Março de 2013
Revisada em: 22 de Junho de 2017

O longa conta a história de Geki Jumonji (Yuma Ishigaki) e Toya Okuma (Takuya Nagaoka) que se perdem em uma missão espacial para Marte, deixando sua outra amiga, Itsuki (Yukari Taki) sozinha na Terra, a única pessoa que acredita que os dois ainda estão vivos. Um ano depois, Itsuki é atacada por um monstro e é salva por um herói prateado, o lendário Detetive Espacial Gavan, que mais tarde revela sua identidade secreta, Geki. O novo Gavan explica que retornou à Terra para evitar que o misterioso Master Brighton reviva Don Horror e a Maku Space Mafia. Quando a sinistra trama toma uma direção inesperada e Itsuki é sequestrada, Geki precisa confiar na ajuda do Gavan original (Retsu Ichijouji) para derrotar a Maku e salvar o universo, ganhando o seu título como Detetive Espacial.

Passado e presente se encontram! Gavan e Gavan Type-G - Foto: Toei Company

Os Metal Heroes tiveram uma bela trajetória nos anos oitenta e noventa, e os Detetives Espaciais (três primeiras séries do gênero) criaram um universo à parte rico em história e aventura, felizmente não é preciso ter um conhecimento prévio sobre essas séries, o filme se preocupa mais em conquistar um novo público do que homenagear o original de 1982.

Temos personagens novos, com exceção de alguns veteranos que aparecem para contextualizar a franquia para a nova geração. A trama é focada no crescimento de Geki até ele de fato se tornar o Gavan Type-G e apesar de ser bastante corrido (oitenta e três minutos apenas), Gavan: The Movie entrega aquilo que propõe, apenas deslizando em algumas situações previsíveis (o arco final) e deixando de apresentar alguns personagens que serão importantes para o futuro. A imersão ao universo de Gavan fica ainda mais completa com a trilha sonora que remete à década de oitenta com a adição de músicas regravadas por Akira Kushida, cantor e compositor de Gavan (1982) e outras séries do gênero.

Apesar de ser um longa metragem que introduz um novo herói à gama de personagens da Toei, o Gavan original interpretado pelo lendário ator de Tokusatsu, Kenji Ohba aparece para passar a tocha ao novato, não roubando a cena do filme mas sim engradecendo a produção fazendo ser coerente a troca de gerações. Um momento brilhante e que provavelmente irá emocionar os veteranos que passavam seus dias assistindo o Detetive clássico na televisão.

Da esquerda para a direita: Shaider, Gavan Type-G e Sharivan - Foto: Toei Company

Os sucessores Sharivan e Shaider também fazem suas aparições nesta história, também interpretados por novatos. O ator Riki Miura interpreta o novo Sharivan e Hiroaki Iwanaga veste a armadura azul de Shaider. O momento da reunião dos heróis é bastante rápido já que o diretor Koichi Sakamoto decidiu introduzi-los de fato no final da história, mesmo aparecendo de relance no inicio do filme, mas não deixa a desejar e traz uma das sequências de luta mais interessantes de Gavan: The Movie.e

Enquanto Gavan the Movie é claramente um "piloto" para o retorno dos Metal Heroes, não deixa de ser um filme bem proveitoso. As pequenas falhas no desenvolvimento dos novos personagens não comprometem a trama que mistura ficção científica com a fórmula clássica do Tokusatsu, sendo uma divertida alternativa para quem buscar fugir dos usais Super Sentai, Kamen Rider e até mesmo Ultraman.

Em 2013, Super Hero Taisen Z ditava como seria os próximos filmes da franquia


Em 2012 a Toei Company iniciou uma franquia de filmes que se tornaria bastante popular dentro da comunidade de fãs de Tokusatsu, os Super Hero Taisen.

Com uma fórmula básica que consiste em reunir heróis de várias séries de sua autoria, os Super Hero Taisen caíram no gosto dos fãs e ano após ano uma nova versão é criada com outros heróis e melhores efeitos especiais, mas é só isso mesmo?

O primeiro longa intitulado Kamen Rider x Super Sentai: Super Hero Taisen estreou em 2012 nos cinemas japoneses e experimentou pela primeira vez a fórmula citada acima, o resultado foi um filme com enredo fraco e personagens mal desenvolvidos, o fã-service estava ali mas não era forte suficiente para suprir as falhas apresentadas. Um filme de Tokusatsu não precisa necessariamente ser simples e com pouco aprofundamento, temos bons exemplos como Movie War Ultimatum (2012) e Gokaiger vs Gavan (2012) que foram contemporâneos do Super Hero Taisen.

Kamen Rider #2 e Black RX lutando juntos - Foto: Toei Company

No ano seguinte estreava Super Hero Taisen Z (2013) que além de evocar ícones dos Super Sentai e Kamen Rider, apostava pela primeira vez em uma franquia que estava voltando aos poucos à mídia oriental, os Metal Heroes. A trama apresentava mais uma vez Geki (Gavan Type G) que vai até a Terra para descobrir estranhos acontecimentos que envolvem magia e podem destruir todo o universo, ele acaba encontrando Kamen Rider Wizard, o qual a polícia espacial acredita ser o responsável por tais atos. Depois de conhecer Haruto, alter ego de Wizard, Geki reluta em seguir as ordens de Takeshi Ichijoji (o Gavan original) e é demitido. Agora, ao lado de Wizard e outros heróis, ele precisa provar que existe um mal muito maior por trás disso tudo.

"Taisen Z" corrige alguns erros do seu antecessor. Temos poucos personagens realmente relevantes na trama, o que ajuda a desenvolver sub-enredos durante a história como a relação da Yellow Buster e um Buddy-Roid misterioso que cai na Terra. Gai, o Gokai Silver talvez é um dos melhores momentos do filme e traz uma boa dose de humor e seriedade quando contracena com Gavan e passa inclusive um ar de herói veterano ao novato Detetive Espacial. Os fãs de Kamen Rider Wizard podem se desapontar um pouco com o herói, ele pouco aparece em cena, mas nos momentos onde se transforma, é diversão garantida.

Shaider, Gavan e Sharivan da nova geração - Foto: Toei Company

O filme poderia ser ainda mais independente se aproveitasse o grande plot, a volta da Sociedade Secreta Mad (ou Maddou em japonês), principal antagonista de Sharivan (1983), que aliás aparece em Super Hero Taisen Z com um novo herói trajando a armadura vermelha. Os novatos podem ficar a "comer moscas" durante algumas partes do filme, visto que não fazem questão de explicar o que é a Sociedade e como Sharivan se relaciona com ela. Ficando evidente então que tal elemento só foi jogado como fã-service não tendo a obrigação de acrescentar algo mais significativo ao enredo.

Estou escrevendo essa crítica em 2017, quatro ano após o Super Hero Taisen Z e claro, pude acompanhar a evolução desse modelo de filme até o seu mais recente Ultra Super Hero Taisen (2017) e é notório a evolução das produções que agora não só melhoraram em efeitos especiais como também em história e bons diálogos para entregar um produto não só para os fãs mais fevorosos, mas para também aqueles que nunca conheceram os heróis dos Tokusatsu. Mas o primeiro passo com certeza foi dado lá em 2013 com Gavan Type G e Kamen Rider Wizard.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Luta entre monstros gigantes tem significado profundo e humano em Colossal


Com um mercado de filmes de monstro gigantes marcado por Godzilla, Kong e Círculo de Fogo, que apesar de muito bons, são conhecidos pelo foco na criatura e na destruição causada por ele e pela humanidade, o longa Colossal chega aos cinemas brasileiros trazendo uma nova proposta de interação dentre monstro e ser humano que foge à fórmula conhecida pelo ocidente.

Digo ocidente, pois no oriente várias obras contam sobre relações íntimas entre uma criatura e uma pessoa que chegam a se fundir para salvar o mundo. Esta é a grande premissa de Colossal que segue a vida fracassada de Gloria (Anne Hathaway) que desistiu dos seus sonhos e vive festejando em Nova York até ser expulsa da casa de seu namorado e ser forçada a voltar para a casa de seus pais e viver sozinha no interior.

Ao chegar na sua antiga casa sem nada, Gloria se reconecta com antigos conhecidos e conhece novas pessoas conseguindo até um trabalho no bar local. Mas coincidindo com seu retorno, ataques de monstros gigantes em Seoul, na Coreia do Sul começam a acontecer matando milhares de pessoas. Enfrentando suas tendências alcoólicas e frustrações, Glória percebe de alguma maneira um local específico por onde passa todos os dias está diretamente conectado com os ataques do monstro.

Aliás, ela e o monstro estão tão conectados que quaisquer atitudes que ela toma dentro daquela específica área da cidade, materializa kaiju (monstro gigante) na Coreia e seus movimentos acabam destruindo a cidade e as pessoas. Gloria fica com um sentimento enorme de culpa e quer resolver a situação, mas seu amigo de infância que reencontrou na cidade, que atualmente é seu chefe e dono do bar descobre que ao pisar na mesma área também consegue materializar outro monstro.

Enquanto Gloria quer acabar com a situação da melhor maneira possível, Oscar (Jason Sudeikis) sente-se bem ao destruir tudo e acaba por se mostrar uma pessoa totalmente diferente que Gloria pensava que ele fosse. Ele possui vários problemas e apesar de parecer solícito com sua nova vizinha trazendo móveis e dando presentes, escondia seu distúrbio de acumulador e violência. Oscar também possuía sentimentos com relação a Gloria e ao ser rejeitado começa a chantagear e perturbá-la destruindo a cidade caso ela não faça o que ele manda.

O filme mostra a situação bastante debilitada de dois indivíduos, Gloria com seu vício da bebida e falta de perspectivas na vida e Oscar com seus distúrbios e violências mascarados. A única forma que Gloria enxerga de proteger a cidade de Seoul e seus habitantes quando Oscar está fora de si é se materializar junto com ele e lutar monstro contra monstro.

O kaiju de Gloria acaba se transformando de vilão que destrói cidades a esmo, para herói que salva a todos do robô gigante e mau de Oscar. Todas as lutas são acompanhadas por companheiros dos dois através da internet em dispositivos móveis ou pelos telejornais que, no mundo inteiro, estão conectados aos eventos na Coreia.

Após várias brigas intensas entre os dois, com cenas dramáticas e fortes onde Gloria e Oscar se agridem diretamente batendo um no outro sem precisar de monstros, Gloria percebe que não é assim que irá vencer seu novo inimigo. Para Oscar aquilo é só uma brincadeira, pois ele não enxerga ou sente a perda das vidas que ele está tirando na Coreia ou o medo que causa quando se materializa como robô gigante.

Assim Gloria, após lembrar-se de um evento do passado e entender o porquê deste grande absurdo envolvendo monstros, consegue mostrar para Oscar o medo e o poder do seu monstro cara a cara, naquela pequena cidade do interior e vence a grande batalha entre kaijus e problemas pessoais.

O interessante do filme é observar um outro lado da luta dos monstros. Muitas vezes essas batalhas parecem sem sentido e apenas buscam a destruição, mas quando Gloria e Oscar estavam materializados brigando um com o outro, cada um lutava contra suas batalhas internas e diferentes morais. Ela buscando acabar com os ataques e horrores causados e ele buscando poder, controle e descontando sua frustração. A luta então tinha sim um significado por trás do caos.

O design dos monstros é bem diferente do hiper realismo de como são apresentados hoje nos cinemas e suas aparências são bem caricatas. Isso tudo tem uma explicação no filme, mas é visualmente instigante. Para os fãs de filmes de monstro gigantes, existem vários momentos engraçados e que são prestadas homenagens aos fãs de tokusatsu.

Em suma, Colossal é um filme que mostra as brigas entre monstros gigantes e monstros internos de cada um, com um drama e comédia sob medida e que traz aquele algo mais para um filme de kaiju. E, para quem gosta, é bom ter mais filmes de tokusatsu nos cinemas celebrando o gênero!

Nota: 8,0

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Baywatch: S.O.S Malibu diverte e relembra elementos clássicos com nova equipe


Dezesseis anos após o término de uma icônica série com salva-vidas extremamente atraentes e que se movem em super câmera lenta, a equipe de Baywatch retorna para mais patrulhas e nova aventura para proteger as praias em Bawatch: S.O.S Malibu.

Baywatch é um time elite de salva-vidas e apenas os melhores podem fazer parte desta equipe. Todo ano Mitch Buchannon (Dwayne Johnson) e sua equipe fazem testes para aceitar um novo e habilidoso membro, mas desta vez terão que suportar a entrada não esperada de um companheiro extra, Matt Brody (Zac Efron), medalhista olímpico, egoísta e problemático que surge no pior momento para a equipe.

Mesmo sob a constante e metódica vigilância de Mitch, a praia está sendo ameaçada por criminosos envolvidos com drogas e assassinatos. Agora, além de proteger sua área, os salva-vidas também terão que lidar com o enorme ego e desleixo de Matt Brody, que já começa com o pé esquerdo com seu superior.

Foto: Frank Masi, 2017. Paramount Pictures
Apesar de não ser de responsabilidade de salva-vidas desvendar crimes e caçar criminosos, a equipe de Mitch se diferencia exatamente por ir sempre além quando o assunto é a proteção da sua praia. Seus postos e membros do time estão sempre equipados e atentos para possíveis acidentes e, por isso, têm grande respeito na cidade. Mas o alcance do que Baywatch pode fazer tem limites, chegando a muitas vezes a interferir no trabalho da polícia.

Dwayne Johnson, ou The Rock, consegue, com seu carisma e físico avantajado, ser a imagem da responsabilidade e cuidado da equipe sendo sempre muito respeitado por seu recorde de salvamentos e cordialidade. Zac Efron funciona muito bem ao lado de The Rock, que não para de fazer piadas durante todo o filme para tentar abaixar o ego de Matt e fazê-lo entender como o trabalho em grupo é mais importante de medalhas e títulos.

As novas garotas da Baywtch fazem jus ao legado de Pamela Anderson, talvez com biquínis um
pouco menos decotados, mas com muita competência nos salvamentos e várias cenas em câmera lenta para que sejam devidamente apreciadas. Stephanie Holden (Ilfenesh Hadera) e CJ Parker (Kelly Rohrbach) são as segundas em comando em Baywatch e Mitch confia nelas cegamente.

Summer Quinn (Alexandra Daddario) junta-se à equipe como estagiária em treinamento e rapidamente chama a atenção do disperso e irresponsável Matt Brody, que, sem sucesso, tenta conquistá-la sem saber que o foco da garota é ser aceita definitivamente como membro efetivo de Baywatch. Fechando o time principal, está um dos personagens mais engraçados do filme, Ronnie Greenbaum (Jon Bass), que aparentemente não seria a melhor escolha para uma equipe de salva-vidas, mas que convence a todos pelo seu enorme esforço para estar ali.

Com uma trama já batida e que diverte tanto quando um filme de Sessão da Tarde, os heróis de Baywatch: S.O.S Malibu, precisam enfrentar a poderosa e rica Victoria Leeds (Priyanka Chopra) que pretende dominar a baía e controlar todo tipo crimes com suas influências e corrupções. Victoria é uma vilã independente e forte, que apesar de estar fazendo tudo de errado, defende o lugar da mulher em posições elevadas em empresas e que suas grandes capacidades são tão boas quanto (ou até melhores) que a dos homens.

Foto: Frank Masi, 2017. Paramount Pictures
Baywatch traz vários elementos clássicos da série e os insere de maneira moderna e divertida com a nova equipe de heróis, homenageando os fãs em várias cenas e com participações especiais para fechar os tributos em melhor estilo. A produção fala muito sobre a importância do trabalho em equipe e mostra as transformações dos personagens e suas batalhas para se tornarem pessoas melhores. Claro que em meio a uma abundância de piadas e cenas de ação absurdas.

Nota: 7,5

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A Múmia é uma aventura 'terrivelmente' divertida


Construir um universo coeso e que funcione de forma fluída e ainda assim tenha seus filmes independentes é um desafio arriscado, mas que se der muito certo, o retorno com certeza vale à pena.

Desde que a Marvel começou a construir seu mundo compartilhado nos cinemas em 2008, diversas produtoras tentam replicar a ideia de várias histórias sendo contadas separadamente que culminam em algo em comum, é assim também com a DC Comics e com o MonsterVerse da Legendary que traz Godzilla e outras criaturas gigantescas da sétima arte.

É fato dizer que a ideia de termos longa metragens conectados não é uma exclusividade de agora, os primeiros filmes de Godzilla da Toho já faziam isso, mas alguns anos antes a Universal Pictures tentava de forma tímida moldar o seu universo de monstros com Drácula, Frankstein, A Múmia e outros ícones do terror.

Tom Cruise (Nick) e Annabelle Wallis (Jenny)  - Foto: Universal Pictures

Depois de uma tentativa falha em 2014 com Drácula: A História Nunca Contada, filme estrelado por Luke Evans, e que dividiu muitas opiniões, a produtora que detém grandes franquias como Jurassic Park e Velozes e Furiosos, resolveu dar mais uma chance e começar o que iremos conhecer mais nos próximos anos como Dark Universe. Diferente da década de 30 onde começaram com Drácula, a aposta é em outro título talvez tão conhecido quanto o príncipe das trevas.

Dirigido por Alex Kurtzman (Star Trek, 2009 e O Espetacular Homem-Aranha 2, 2014), A Múmia abre as portas do universo sombrio com uma história que difere da obra clássica de 1932 e traz uma abordagem mais moderna que mescla ação e pitadas de terror.

Na trama, uma antiga rainha do Egito é mumificada viva depois de ter cometido um crime terrível. Nos tempos atuais esse mal desperta nos becos de Londres para causar destruição e completar a missão a qual foi encarregada há cinco mil anos atrás. No papel da criatura, Ahmanet, temos a novata Sofia Boutella que estrelou Kingsman (2014) e Tom Cruise (Nick) que volta a fazer um papel em filme de terror depois de vinte e três anos, sua última participação em um longa dessa categoria foi em Entrevista com o Vampiro (1994).

Ahmanet usa todos os seus poderes contra os humanos - Foto: Universal Pictures

A associação da imagem de Cruise com filmes de ação é imediata e o telespectador pode criar uma falsa impressão de que "A Múmia" será mais sobre "músculos" do que as investidas de Ahmanet contra a humanidade. A surpresa é que a obra entrega um enredo completamente diferente do esperado com várias reviravoltas e pitadas de terror clássico mas não deixando de ser um filme feito para o público atual que gosta de sustos e bons efeitos de computação gráfica.

Fechando o arco de personagens principais também conhecemos Jenny (Annabelle Wallis) uma estudiosa que busca proteger as relíquias do nosso mundo e Dr. Henry (Russel Crowe), chefe da organização Prodigium, especializada em conter monstros que ameacem a humanidade.

Dr. Henry tem ótimos métodos para rastrear e destruir as criaturas das trevas - Foto: Universal Pictures

A Múmia é competente em contar sua própria história e à medida que os minutos do filme avançam, várias pontas do Dark Universe são colocadas estrategicamente para instigar o espectador a querer saber um pouco mais sobre o que está por vir e claro criar uma base sólida coerente para os diversos filmes que já estão programados. A intenção da obra de Kurtzman não é replicar as diversas encarnações da criatura mumificada, é apresentar uma nova personagem autônoma, referenciando e prestando homenagens em algumas passagens.

Com um Tom Cruise não tão heroico e Sofia Boutella encarnando talvez uma das versões mais assustadoras do ser misterioso do Egito antigo, A Múmia é uma ótima diversão para quem busca uma história com aventura e terror e um assombroso" inicio para o Dark Universe.

Nota: 8,0