terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Como Treinar Seu Dragão 3 é um filme sobre as diversas formas de amar


Com seus dragões todos treinados e restando apenas incorporar novas criaturas resgatadas à sociedade de Berk, Como Treinar Seu Dragão 3 é uma história sobre coragem, desapego e amor.

Soluço é atual líder de Berk, mesmo que muitos não enxerguem a semelhança do garoto com seu pai na forma de conduzir seu povo. A cidade está apinhada de dragões e com certeza estes são mais numerosos que os próprios habitantes. Isto se torna um problema em um mundo que dragões não são bem aceitos. 

Chamando atenção para o fato de serem a favor de Dragões, a cidade se torna o alvo de contrabandistas e um caçador de dragões, Grimmel, mas não qualquer dragão, apenas Fúrias da Noite. Soluço se vê sem opção quando a segurança de seu lar, sua própria equipe e seus dragões não são o suficiente para manter esse perigoso inimigo longe do que mais ama.

Assim, o garoto vai em busca de uma lenda, a antiga história da cidade dos dragões no fim do mundo e digamos que ele não quer levar só os dragões para lá, mas toda a população da cidade. Claro que essa é uma ideia mais do que complicada e vários dilemas são mostrados no filme com relação a isto. 

Banguela encontra o grande inimigo, mas que ao tentar prejudicá-lo, também lhe dá um grande presente.  Uma fêmea completamente branca, mas de sua espécie, uma Fúria da Luz, como foi batizada. Há no filme uma grande complexidade de relações entre Soluço, Banguela e a fêmea envolvendo muitas emoções e decisões difíceis.

Astrid e Soluço descobrem a origem dos dragões. Foto: Dreamworks

Outro ponto interessante do filme é a relação de Astrid e Soluço, que formam o casal que no futuro irá liderar junto a tribo viking. Astrid continua sendo uma personagem forte e inteligente, ao mesmo tempo que apoia Soluço e suas decisões. Ela entende as motivações do parceiro e sabe que a prioridade no momento é salvar suas famílias e dragões ao invés de se casarem e liderarem juntos.

A trama do filme desenrola de maneira que os personagens são testados pelo inteligente vilão, forçando-os a enfrentarem o medo do desconhecido e da perda, além de mostrar o desenvolvimento das mais variadas formas de amor. Amor pelos companheiros, pelos interesse amorosos, família, animais, a natureza e principalmente o amor incondicional de amar sem estar necessariamente junto. Como de costume, o filme também apresenta vários momentos divertidos e emocionantes.

Como Treinar seu Dragão 3 dá uma ótima e plausível explicação para o desfecho da série, além de ampliar a mitologia dos dragões, fechando o arco da trilogia e deixando uma sensação de dever cumprido de uma maneira muito bonita como bônus. Claro, que continuações e spin-offs sempre podem acontecer por causa do desfecho, mas acredito que a história teve um encerramento digno e suficiente.

Amor também é saber a hora de dizer adeus. Foto: Dreamworks.

Quanto a parte visual, o filme dá um show na animação, chegando a assustar no realismo em alguns momentos. O cenário realista contrasta com a animação caricata dos dragões e personagens, funcionando muito bem, assim como nos filmes do mestre Hayao Miyazaki do Studio Ghibli, que também se utiliza da mesma técnica visual.

O filme ainda faz uma referência visual muito bonita a Avatar de James Cameron trazendo uma nova perspectiva para as criaturas do filme, que pareciam já ter explorado todos seus encantos visuais nas outras duas produções. 

Este é um bom filme que desperta todo tipo de emoções e ao mesmo tempo diverte o público. Com várias mensagens em camadas, Como Treinar Seu Dragão 3 funciona para uma audiência jovem e adulta que se envolve com a trama das mais diversas maneiras. 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Godzilla: O Devorador de Planetas conclui de forma frustrante saga animada do Rei dos Monstros


Após um segundo longa metragem sólido com bom desenvolvimento, Godzilla: O Devorador de Planetas peca no excesso e traz um dos filmes mais efêmeros do Rei dos Monstros.

Encerrando a trilogia animada da Toho, Godzilla: O Devorador de Planetas tem a grande missão de encerrar a complexa história criada por Hiroyuki Seshita e Kobun Shizuno e ainda re-apresentar o maior inimigo de Godzilla: King Ghidorah.

O capítulo final de Haruo e Metphies

O filme inicia logo após os eventos vistos em "Cidade no Limiar da Batalha", onde os humanos travaram uma intensa batalha contra Godzilla na cidade Meca-Godzilla. Haruo está abalado porque sua amiga Yuko está em estado de coma depois de ter entrado em contato com a nanotecnologia da cidade.

Paralelo a isso na nave Aratrum, os humanos e os Bilusaludos discutem qual será o destino de Haruo depois dele ter comprometido toda a operação para derrotar o Rei dos Monstros. Por baixo dos panos, Metphies está criando uma seita "sinistra" para trazer Ghidorah para derrotar Godzilla e devastar o planeta Terra junto com ele.

Godzilla luta contra o implacável Ghidorah - Foto: Reprodução internet

Chega King Ghidorah

"O Devorador de Planetas" como o título sugere é o longa que traz King Ghidorah pela primeira vez desde o filme "Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack" de 2002. Um personagem emblemático dentro da franquia e amplamente respeitado pelos fãs.

A direção de Seshita e Shizuno é certeira em criar o suspense até a revelação do Kaiju. A preparação já havia sido feita no filme anterior e continua até o segundo ato do terceiro longa. A nova história de Ghidorah é mais elaborada, mas acaba perdendo o charme quando o monstro aparece em tela. Talvez seja a versão menos aterradora de Ghidorah e mais preguiçosa. O lendário Dragão de três cabeças parece uma grande serpente dourada que pouco lembra o colossal Kaiju.

Como se não bastasse o visual ruim, a batalha de Ghidorah contra Godzilla praticamente não existe. Já que o monstro imobiliza o Rei dos Monstros em um momento especifico e fica desse jeito até o clímax final. A verdadeira batalha do filme é entre Haruou e Metphies, uma luta mental recheada de flashbacks e mostrando o verdadeiro propósito do Exif. Em um momento especifico desse transe mental, acontece uma cena (talvez a mais interessante desse filme) onde um outro personagem da franquia aparece brevemente.

Uma das cenas mais brilhantes do terceiro filme - Foto: Reprodução internet

Uma saga esquecível?

Apesar de bons efeitos especiais e uma trilha sonora muito bem elaborada, a trilogia da Polygon com a Toho é uma das obras mais complicadas de Godzilla. Apesar de ter uma ideia bem sólida e um universo muito interessante, tudo é mal executado e bagunçado. O Rei dos Monstros que era pra ser o protagonista, é apenas um coadjuvante no meio da batalha dos humanos com as raças alienígenas.

Tudo que é construído para o personagem Haruo é simplesmente descartado nessa terceira parte, apesar do final ter um significado plausível dentro dos acontecimentos mostrados no longa metragem. Godzilla continua sendo um ícone sólido dentro da cultura pop e um dos pilares do entretenimento nipônico, mas a trilogia animada distribuída internacionalmente pela Netflix não faz jus à história do monstro mais popular de todos os tempos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Máquinas Mortais é uma fantasia épica e caótica mal representada por um marketing pobre


O marketing é uma parte essencial para qualquer filme. É através dele que o público é apresentado a novos mundos, personagens e narrativas, sendo, em muitos casos, definitivo para formar opiniões em uma época em que há muita informação espalhada por ai e passar uma imagem clara que deve atrair as massas a consumir um trabalho é de extrema importância.

A divulgação feita sobre Máquinas Mortais criava a impressão de um longa voltado para um futuro distópico (que até aqui estava certo), com inúmeras perseguições no deserto a nível Mad Max, sem ter um objetivo definido e parecendo ter ai seu foco principal. A trama em si, por outro lado, apenas mantém esse tom nos seus primeiros quinze minutos, seguindo depois por um viés de fantasia e aventura, o que foi pouco divulgado e até cria uma impressão errada sobre o trabalho.

A cidade de Londres é uma verdadeira fortaleza ambulante - Imagem: Reprodução Internet.

O mundo apresentado é sim um futuro distópico, nele a sociedade da maneira em que a conhecemos foi dizimada pelo que ficou conhecida como a guerra dos 60 minutos. O que sobrou desse evento foi uma Terra infértil, o que forçou os sobreviventes a viverem em cidades móveis que precisam consumir outras cidades para sobreviver.

Sem ver uma saída para o fim que logo se aproxima, Thaddeus Valentine (Hugo Weaving) busca por uma alternativa para salvar a cidade de Londres. Para isso, tenta eliminar a jovem Hester Shaw (Hera Hilmar), que sabe de algo que pode implicar os planos de Thaddeus, e acaba envolvendo Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um historiador londrino que se envolve em problemas maiores do que inicialmente se imaginava.

A parte central da trama é a jornada de Hester para vingar sua mãe, assassinada por Thaddeus por razões que ao final do filme ficam claras. O problema é que inúmeras outras narrativas deixam a história caótica e desnecessariamente mudam o foco em diversos pontos. Até mesmo a presença de Tom é de certo modo desconcertante. O personagem é um péssimo protagonista ao lado de Hester, não apenas não sendo interessante, como também raso e entediante com seus diálogos previsíveis.

Tom (à esquerda) e Hester (à direita) buscam aliados improváveis para impedir os planos de Thaddeus. - Foto: Reprodução Internet.

Por baixo de tantas coisas acontecendo, a protagonista consegue um destaque e sua aventura é atrativa o suficiente. Por ela vemos um pouco mais desse mundo único onde estranhamente o fato de existirem cidades que literalmente se movem por ai funciona e as soluções encontradas combinam com o cenário apresentado.

O passado de Hester é interessante, mas sua relação com Shrike (Stephen Lang) também fica desencaixada, pois mesmo que justifique o caminho que a personagem teve que trilhar, o simples fato da existência de um ciborgue reanimado não funciona muito bem com a trama. Há várias inconsistências com a tecnologia que é apresentada, a qual em alguns momentos parece ser extremamente avançada e em outros atrasada. E não estou aqui questionando a situação pós-apocalíptica que de certa maneira justifica essa inconsistência, apenas que a sociedade parece já ter alcançado certo nível de desenvolvimento, mas ciborgues reanimados não funcionam.

Ainda sim, o visual de Shrike é assustador e convincente. Inclusive, os visuais do filme são seu grande destaque. As cenas são de tirar o fôlego e a qualidade da produção fica bastante evidente por todo o longa, o que é característico dos trabalhos de Peter Jackson.

Por mais que haja sim uma boa quantidade de problemas, o cenário fantástico de Máquinas Mortais funciona e impressiona. A narrativa é óbvia em grande parte, mas entretém e apresenta algo que muito provavelmente o grande público ainda não viu. Há uma harmonia com a ambientação steam punk que falta nos cinemas e o longa trabalha isso bem.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Dragon Ball Super: Broly é o filme definitivo da franquia


Dragon Ball retorna aos cinemas de todo o mundo resgatando um dos personagens mais populares da franquia.

Vai assistir Dragon Ball Super? Da uma passadinha na loja Toca dos Roedores para conferir produtos relacionados ao filme.

Em 2015 a Toei Animation ressuscitou a franquia Dragon Ball com a saga "Super". Um hiato de cerca de 19 anos desde o último episódio de Dragon Ball Z. O novo arco ignoraria tudo feito pela saga GT que foi lançada em 1996 e retomaria após os eventos do final da batalha contra Majin Boo. Em pouco tempo Dragon Ball Super caiu no gosto da nova geração e também trouxe os antigos fãs para acompanhar as novas aventuras de Goku contra inimigos ainda mais poderosos.

Voltando às origens da franquia

Dragon Ball Super: Broly começa no âmago de Dragon Ball. O longa abre recontando a história dos Saiyajins e sua relação com Freeza, uma passagem interessante que serve para situar novos fãs e trazer um enredo considerável para o filme que vai refletir no segundo e terceiro ato.

Filme marca o retorno do Rei Vegeta - Foto: Reprodução internet
Nesse momento somos re-apresentados a dois personagens que estavam fora do cânone de Dragon Ball, Paragas e Broly. Ambos Saiyajins foram introduzidos em 1993 no filme "Dragon Ball Z: Broly - O Lendário Super Saiyajin", que foi desconsiderado da cronologia original. Agora eles ganharam uma nova história de origem muito mais dramática e melhor escrita.

Vendo Broly como uma ameaça (ainda bebê), o Rei Vegeta envia a criança para um planeta desolado nos confins do universo. Paragas não aceita o que foi feito e vai em busca do seu filho que possui um poder de luta acima do normal. Em paralelo a esse acontecimento, Freeza realiza um dos seus feitos mais notórios e malignos na história de Dragon Ball, ele explode o planeta dos Saiyajins por conta da sua incansável busca atrás do Super Saiyajin Lendário.

Balanceando o filme

Depois de um longo ato com muita história e diálogo, seguimos para o planeta Terra onde uma grande batalha será travada. Freeza leva até o nosso planeta natal Broly, que foi resgatado por dois dos seus soldados, para que ele mostre o seu poder de luta contra Goku e Vegeta. Diferente da versão de 1993, Broly não é apenas uma máquina de combate sem consciência. Aqui ele é apresentado como um ser incompreendido que é manipulado pelo seu pai, talvez o grande vilão do filme.

Broly mostra todo o seu poder - Foto: Reprodução internet

De qualquer forma,  o gigantesco Saiyajin revela o seu potencial em uma luta épica com muito movimento, cores e uso de computação gráfica. Se em um primeiro momento nós tivemos muita história, o segundo e terceiro ato de Dragon Ball Super: Broly é um show de movimentos, transformações tudo embalado à voz de Akira Kushida que interpreta o tema "Ultimate Battle". A surpresa do combate vem na parte final onde uma nova (antiga) transformação aparece pela primeira vez no novo cânone mudando assim todo o ritmo da luta.

Goku precisa buscar uma forma de parar Broly - Foto: Reprodução internet

É o fim?

Dragon Ball Super: Broly encerra abrindo infinitas possibilidades para o que vem pela frente. O retorno de Dragon Ball às telinhas e telonas está longe de acabar e os fãs podem esperar mais batalhas épicas pela frente. Resta saber se até lá, Goku não irá ganhar uma nova e mais poderosa forma.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Temporada final de Voltron encerra de forma dramática e emocionante


A temporada final de Voltron: O Defensor Lendário encerra uma longa história que foi construída ao longo de 8 temporadas. É uma incrível obra de arte até sua conclusão. Linda, arrebatadora e deliciosamente empolgante. A temporada consegue explorar todos os pontos fortes da série, apesar de possuir algumas fraquezas, mesmo elas não atrapalhando o andamento da história.

O maior destaque fica por conta do retorno de alguns personagens para a conclusão da história, mesmo com os paladinos ainda sendo o foco. Alguns personagens de suporte ganham mais destaque, o que acaba balanceando a participação de todos no decorrer da temporada.

Ao contrário das temporadas anteriores, a 8ª não parece estar correndo para chegar a sua conclusão. Na verdade, leva tempo, com alguns episódios que servem para aliviar a carga dramática da temporada, e que serve também como uma divertida chance de preencher a mitologia da série, com alguns momentos brilhantes para os personagens.

O pouco do ritmo lento fica por conta da temporada ter que lidar com uma personagem que foi deixada em segundo plano nas temporadas anteriores, Haggar, que passa do status de coadjuvante para vilã principal. Apesar da mesma ser uma grande vilã, se sua trama tivesse sido melhor explorada anteriormente, a personagem poderia ter um desenvolvimento muito melhor.

A bruxa Haggar - Foto: Reprodução da Internet
Alguns episódios servem puramente como flashbacks para contextualizar os acontecimentos, e justificar as ações de alguns personagens, porém, ao fazer isso, a série acaba se perdendo e tornando confusa a utilização excessiva de flashbacks, pois, o telespectador às vezes poderá se questionar se os eventos estão acontecendo no passado distante, passado recente ou agora.

A verdadeira estrela desta temporada é Allura. Seu romance com Lance era bem esperado e, embora pudesse ter sido melhor construído, ainda funciona.. É o tipo de relacionamento saudável que deve ser mostrado em programas infantis.

No final, Allura acaba sendo a verdadeira defensora do universo. Sem entrar em spoilers, a personagem se destaca mais do que nas temporadas anteriores, mostrando-se essencial na derrota da vilã Haggar, e quebrando o ciclo de violência entre sua família e o Império Galra.

Pricesa Allura, uma das paladinas de Voltron - Foto: Reprodução da Internet
A temporada é repleta de informações, e todas elas acontecem ao mesmo tempo. Muitas ideias e enredos incríveis são mostradas, porém, os mesmos acabam não sendo totalmente explorados, ou são de uma forma bem superficial. Vários spin-offs poderiam ser desenvolvidos a partir daí. Um conceito que já foi apresentado previamente volta a surgir nesse final, que são as diferentes realidade, que agora estão ameaçadas.

A temporada termina com talvez o maior fan-service de todos, porém, não irei falar para não estragar a surpresa. Algumas pessoas vão gostar, outras nem tanto, porém, o importante é que aconteceu e que esse simples fato já torna a cena por si só importante.

Para os fãs da série original, acaba rolando uma homenagem no primeiro episódio da temporada, mesmo sendo bem rápido, acaba se tornando presente durante todo o episódio. Porém, o telespectador tem que prestar atenção para poder captar.

Os paladinos de Voltron festejando uma vitória de Shiro - Foto: Reprodução da Internet
Voltron termina entrando no grupo de animações que irá marcar gerações, não só pelo seu ótimo roteiro, como também pela qualidade da animação e pela paixão que todos tiveram em relação a série.

Estamos ansiosos para ver a próxima geração de defensores do universo, e claro, para, quem sabe, ver novamente os paladinos do Voltron, seja em um romance ou até em quadrinhos.

Dos tempos mais longínquos ...
De regiões inexploradas do universo ...
Uma lenda renasceu ...
A lenda de Voltron: O Defensor Lendário!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Homem-Aranha no Aranhaverso é espetacular em todos os sentidos


Em uma era onde os filmes de super heróis são interpretados por heróis de carne e osso, Homem Aranha: No Aranhaverso aposta em uma colorida animação para trazer uma história emocionante em todos os sentidos.

Quem vos fala aqui é um grande fã de Homem-Aranha. Um fã que desde pequeno acompanha as aventuras do teioso nos quadrinhos, telinhas e telonas. Um fã que assim como muitos, já presenciou várias versões do cabeça de teia nos cinemas e sempre torce que a cada novo filme o nível de produção aumente e claro faça muito mais sucesso. Esse é o pensamento de um fã.

Por ser um personagem que repetidas vezes foi apresentado de formas diferentes, é preciso muito cuidado em lançar uma nova obra. Acho que pensando dessa maneira, que a Sony junto com a Marvel sob a direção de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, decidiu trazer um novo personagem que até então nunca havia sido apresentado em um longa metragem.

O momento de Miles Morales

Apresentado pela primeira vez nos quadrinhos em 2011, Miles Morales dividiu opiniões durante sua estreia por substituir Peter Parker. Mas com o passar do tempo acabou tornando-se um personagem emblemático e com uma das melhores histórias de background do universo do Aranha.

Homem-Aranha: No Aranhaverso reconta a história do personagem com algumas mudanças sutis se traçarmos um comparativo com as histórias em quadrinho. Miles é um garoto que vivia no Brooklyn com seus pais Jeff (Brian Tyree Henry) e sua mãe Rio Morales (Luna Lauren Velez), após ganhar uma "bolsa" de estudos vai estudar em uma escola elitizada onde tenta fazer novos amigos.

A vez de Miles! - Foto: Reprodução internet

Miles tem uma grande proximidade com seu tio Aaron (Mahershala Ali), que entende seus problemas e o apoia enquanto seu pai dedica sua vida a combater o crime na região. Durante um dos passeios com seu tio, Miles é picado por uma Aranha radioativa que lhe concede poderes inimagináveis e sua vida muda completamente à partir daquele dia.

Formando um time poderoso

A história de Miles Morales no longa está atrelada a um acontecimento importante que acaba colidindo diversos universos e graças a esse evento, Aranhas de outras dimensões surgem para derrotar o inimigo que causou toda essa confusão: O Rei do Crime, que pela primeira vez participa de um filme do amigo da vizinhança.

Sentido Aranha! - Foto: Reprodução internet

A equipe é formada por Miles, Aranha-Gwen (Hailee Steinfeld), Homem-Aranha Noir (Nicolas Cage), Peni Parker (Kimiko Glenn), Porco-Aranha (John Mulaney) e uma versão mais velha de Peter Parker (Jake Johnson), esse último desempenha o papel de mentor para Miles e tem um impacto significativo na trama por conta de um acontecimento do primeiro arco da obra.

A interação entre todos os personagens é carismática e fluida durante todo o filme. Cada personagem vem de um universo diferente e a colorida e detalhada animação que mistura 3D e 2D faz questão de criar momentos únicos para apresentar cada herói, destacando o tom dos personagens e como suas obras são fora da tela.

Uma animação completamente diferente

"Aranhaverso" é um divisor de águas em animação de super herói. Como citado logo acima, diversas técnicas foram empregadas para apresentar esse novo mundo colorido e com muito neon. As cores vibrantes, onomatopeias colocadas em momentos certeiros e o traço firme criam um filme singular e que chama muita atenção.

Festival de cores! - Foto: Reprodução internet

Por mais que a tecnologia em filmes live-action consigam melhorar os fluidos movimentos do Aranha, dentro de uma animação tudo isso fica ainda mais marcante e natural. Claro que não podia deixar de comentar a trilha sonora que casa perfeitamente com a história do personagem e a estética do longa.

Um filme com coração

Mesmo sendo um filme de ação com pitadas de humor, Aranhaverso vai até o âmago do que é ser o  Homem-Aranha, o que é usar o manto do super herói para ajudar as pessoas. A obra tem diversas passagens que irão fazer com que o telespectador reflita e se emocione. É impossível não compreender os dramas de Miles e as dificuldades que ele encontra em mundo tão desigual.

Homem-Aranha: No Aranhaverso é o filme mais fiel notável do Aranha se compararmos com as outras encarnações do herói nos últimos anos. Cada cena, cada dialogo, é como se estivéssemos lendo um quadrinho e torcendo para que ele não acabasse nunca.