quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Suspense e o sobrenatural criam um conto aterrorizante em Annabelle 2: A Criação do Mal


Do mesmo universo de Invocação do Mal, Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation) retorna para o ano de 1955 para contar um história sombria a respeito da criação da boneca Annabelle.

Doze anos após um trágico acidente que levou à morte de sua filha, um casal recebe seis órfãs e uma freira para viver em sua casa. As recém chegadas garotas trazem nova energia para a residência, criando um ambiente saudável, até que estranhos acontecimentos passam a afetar a vida de todos, em especial da jovem Janice (Talitha Batema) que encontra uma assustadora boneca coberta de segredos.

Assim como Ouija: Origem do Mal, Annabelle 2 é uma história de origem, se passando anos antes do filme de 2014 (Annabelle). Dito isso, uma similaridade entre os dois é que ambos são melhores do que aqueles que os precederam. Annabelle 2 dá um grande salto em termos de desenvolvimento de história, construção de personagens e funciona melhor como uma produção no geral em relação ao longa de 2014.

Linda (Lulu Wilson) encontra a assustadora boneca Annabelle - © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. e RatPac-Dune Entertainment LLC All Rights Reserved

Além disso, a talentosa atriz mirim Lulu Wilson também está nos dois filmes. Após mostrar como pode ser creepy e se portar em um horror em Ouija, Lulu novamente contribui muito para a atmosfera insegura e gradualmente sombria de Annabelle 2.

O longa consegue passar muito da essência de Invocação do Mal, tendo até mesmo referências a ele, mostrando como a presença de James Wan foi maior dessa vez. Contudo, é o diretor David F. Sandberg de Lights Out que consegue dar vida ao trabalho com sua desenvoltura em produzir cenas de terror.

A iluminação, o jogo de luzes e uma trilha sonora pontualmente organizada são outros grandes fatores utilizados pelo diretor para criar o ambiente de suspense. Desde o começo, várias cenas indicam eventos que estão para ocorrer, contribuindo mais e mais para deixar a narrativa mais densa e o espectador com os nervos a flor da pele a todo momento.

E talvez seja esse o grande destaque de Annabelle 2. O filme consegue, com sucesso, criar uma atmosfera extremamente tensa que carrega a atenção do público por toda a trama.

O ambiente tenso é um dos pontos fortes de Annabelle 2: A Criação do Mal - © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc. e RatPac-Dune Entertainment LLC All Rights Reserved

Enquanto a primeira parte do longa é utilizada para desenvolver os personagens e fazer com que o espectador se importe minimamente com eles, o filme logo passa para um tom mais intenso e de certo modo desconfortante, o que é esperado de um horror.

Por outro lado, o filme tem sua parcela de jumpscares. Um jumpscare tem seu efeito e é muito bem-vindo em filmes do gênero, contudo ele não é necessário para se construir tensão. Infelizmente, o seu uso em excesso é um dos problemas do terror moderno, como ocorre até certo ponto em Annabelle 2.

Com sorte, isso não vem a atrapalhar no desenvolvimento da história, que possui sim alguns pontos lentos e as clássicas péssimas escolhas dos personagens, mas nada que prejudique em grandes escalas a qualidade do longa.

Annabelle 2: A Criação do Mal é, assim, um ótimo exemplo de como se produzir um filme de terror em nossos tempos, balançando bem o suspense, a utilização de crianças em uma narrativa séria e o elemento sobrenatural para atrair o público.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas traz novo universo aos cinemas com espetáculo visual


O diretor Luc Besson leva aos cinemas a adaptação dos quadrinhos franceses Valérian et Laureline contando um épico espacial cheio de aventura e grandes efeitos visuais em Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets).

A história se passa centenas de anos no futuro, após uma vasta expansão do contato entre a raça humana e diferentes formas de vidas extraterrestres. O avanço espacial da humanidade levou à criação da gigantesca estação espacial, Alpha, onde diferentes formas de vida vivem em conjunto como um sinal de cooperação entre raças.

Com o surgimento de uma possível ameaça à Alpha, os agentes Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) se envolvem em uma trama ligada à liderança da própria Alpha e a uma raça em risco com um passado desconhecido.

Logo de início, o filme trata em uma simples cena do processo de evolução da Alpha, que teve seu nascimento de uma estação espacial terrestre, aos poucos ganhando adições e novos integrantes. O interessante da cena é ver o passar dos anos com as diferentes lideranças e novas raças (bastante diversas e bem produzidas) se integrando ao complexo ao som de David Bowie em Space Oddity.

A raça humanoide que vive em paz com o seu planeta é um dos destaques visuais de Valerian - Foto: Reprodução Internet

Outra cena inicial que revela todo o potencial visual do longa expõe um novo planeta e sua espécie humanoide, que lembra os omaticaya de Avatar, com corpos alongados e um estilo de vida cooperativo com o seu planeta.  Com um foco nessa interação entre seres vivos e o ambiente, a cena é muito bem elaborada com incríveis efeitos.

Esse é, sem dúvidas, o grande destaque de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Ainda que seja composto por uma história envolvente e curiosos personagens, o impacto visual é o grande ponto positivo e chamariz do filme, que definitivamente se destaca entre o gênero.

Funciona ele, ainda, como uma mistura de Guardiões da Galáxia e Star Wars, mas de qualquer maneira é uma cópia de qualquer um desses grandes sucessos. As semelhanças carregadas existem apenas em relação à quão bem integrada ao filme é a trilha sonora e como os visuais e elementos de ficção científica compõem o trabalho de uma forma muito natural.

Assim como esses filmes, Valerian é uma obra muito bem ordenada e com uma essência única que a sustenta como um projeto independente e diferente de outros já vistos no cinema. Seja pelo bom humor que acompanha o desenvolvimento da trama, por uma história bem amarrada ou pelas interessantes ideias utilizadas, o título é definitivamente um projeto a ser apreciado.

Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são dois agentes espaço-temporais incomuns - Foto por © Vikram Gounassegarin

Os protagonistas Valérian e Laureline, por sua vez, tem uma participação pertinente na narrativa. Não há um foco específico em nenhum dos dois, mas sim na dupla como um todo. São eles uma ferramenta utilizada pelo diretor para contar a sua história, o que é feito com sucesso, mas, por outro lado, não cria uma grande conexão entre os personagens e o público.

Nesse processo, um fator que fica bastante evidente é o carinho e a atenção do diretor Luc Besson com a construção do longa. Como um verdadeiro fã do material original, Besson consegue levar à tela muito da magia dos quadrinhos e captar novos apreciadores desse vasto universo.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas se constrói, assim, como uma excelente produção visual, carregada de ação e focada em mostrar diferentes formas de vida alienígena com uma história bem coesa e amarrada.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Asian GO! | Evento celebra os heróis japoneses em Salvador



Encontro acontece no final de Agosto com a presença de Danilo do TokuDoc.

Os heróis japoneses sempre fizeram e ainda fazem parte do imaginário dos brasileiros. Sucesso absoluto entre os anos 80 e 90, personagens como Jaspion e Changeman se consagraram na televisão nacional e até hoje são lembrados pelos fãs.

No dia 20 de Agosto na Sala Walter da Silveira (Biblioteca dos Barris) acontece a primeira edição do evento “Asian GO!”. Segundo os idealizadores do evento, o projeto será um encontro que irá trazer em cada edição uma parte da cultura oriental para o público baiano. O primeiro encontro terá como tema os “Tokusatsu”, filmes e seriados japoneses com heróis e monstros gigantes.

Danilo Modolo irá lançar seu livro "Ultraman" no evento Asian GO! - Foto: Mega Hero

O evento ainda terá a presença do YouTuber e agora escritor Danilo Modolo, brasileiro que mora no exterior e tem o maior canal voltado ao gênero. Danilo participará de um bate-papo para promover o seu livro Ultraman (Editora Estronho, 2017), icônico personagem dos anos 60 e claro contar um pouco da sua experiência com o Tokusatsu e a criação do canal “TokuDoc”.

A entrada será um 1Kg de alimento não perecível e começará pontualmente às 14h00 com entrada livre para todos os públicos. O espaço está sujeito à lotação.

Serviço
Asian GO! - 1ª Ediçã: Tokusatsu
Data: 20 de Agosto de 2017
Horário: 14h00
Censura: Livre
Entrada: 1Kg de alimento não perecível

Obs: O livro "Ultraman" estará à venda por R$45,00 no dia do evento. O pagamento só será feito em dinheiro.

Mais informações, acesse a página oficial do evento.


sábado, 5 de agosto de 2017

Era Heisei está próxima de terminar?


Enquanto uma geração já presenciou a passagem de uma era para outra, chegou o momento dos novos fãs participarem dessa fase que promete causar um certo impacto nas séries de Tokusatsu.

Obs: Para ilustrar a matéria trouxe imagens da franquia Kamen Rider onde a mudança de eras foi mais evidente.

No Japão faz parte da tradição dividir os períodos por eras. Um meio de contagem que existe a séculos e está em vigência até hoje sendo até requerido em documentos oficiais do governo e causando forte impacto dentro da cultura dos japoneses. Este costume foi implantado no ano de 645 durante a Reforma Taika, onde foi estabelecido um sistema chamado Nengō (Nome da Era Japonesa), criado para marcar os anos que compreendem o início e o fim do reinado de um imperador.

A partir da Era Meiji (1868) determinou-se que a ‘era’ começaria no dia que um imperador sobe ao trono e terminaria no dia da sua morte. Por exemplo, “Showa” começou em 1926, quando o imperador Hirohito subiu ao trono e durou até sua morte, em 1989. Foi o período mais longo da história (62 anos e duas semanas).

Curioso ou não, essas transições de eras sempre trazem alterações significativas em produções japonesas e até mesmo no cotidiano dos seus habitantes. Mas o que isso muda pra eu e você que assistimos séries de Tokusatsu?

Kamen Riders da Era Showa, da esquerda para a direita: Super-1, Stronger, X, V3, Kamen Rider 1, Black RX
Kamen Rider 2, Riderman, Amazon, Skyrider e ZX - Foto: DeAgostini

Foi na Era Showa que o gênero Tokusatsu surgiu e se estabeleceu. Produções como Godzilla (1954), Ultraman (1966), Kamen Rider (1971) e Gorenger (1975) criaram uma sólida base para os anos seguintes e foram os principais propagadores do Tokusatsu. Até o fim da Era Showa, os filmes ou séries dessas franquias carregavam muitas semelhanças e modismos que repercutiram até o inicio da Era Heisei.

Um dos grandes "problemas" que acontece na maioria das comunidades de fãs de Tokusatsu é o estranhamento de produções de eras distintas. Boa parte dos fãs que acompanham os heróis japoneses hoje, tiveram o privilégio de presenciar a transição de uma era para a outra e notar uma forte mudança nos seus programas favoritos. E isso pode se repetir ou não.

A geração atual que está mais aberta às mudanças pode aceitar com mais facilidade a chegada da próxima Era que aparentemente está programada para 2019 com a abdicação do atual Imperador, Akihito. E aqueles que acompanharam as aventuras de Ultraman, Takeshi Hongo e até mesmo Kotaro Minami vão ver esse evento acontecer pela segunda vez. Será que também estão preparados?

Kamen Riders da primeira década da Heisei, da esquerda para a direita: Hibiki, Kabuto, Den-O, Kiva,
Decade, Kuuga, Agito, Ryuki, Faiz e Blade - Foto: Reprodução internet

Apesar de eu achar que a mudança para a próxima era já está acontecendo dentro das séries de Tokusatsu (basta comparar uma série atual com outra de 2002 por exemplo), o Japão sempre surpreende e é bem capaz de experienciarmos uma repaginada no Tokusatsu para os próximos anos. Sendo pro bem ou pro mal, a curiosidade para ver tudo isso acontecer está enorme.

Apelidados pelos fãs de "Neo-Heisei" (nomenclatura não oficial), os Riders à partir de 2010. Imagem superior
da esquerda para a direita: Fourze, W e OOO. Imagem inferior da esquerda para a direita: Wizard, Ghost, Ex-Aid,
Drive e Gaim - Foto: Reprodução internet

E você, qual das Eras é a sua favorita? Showa ou Heisei?

Informações em itálico são provenientes do site Japão em Foco.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra é o melhor exemplo do que um blockbuster deve ser

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes) traz um fim à mais recente trilogia da franquia tratando, mais do que conflitos físicos, sobre conflitos morais e existenciais, enquanto segue uma árdua jornada para a salvação de uma espécie.

A história segue, novamente, o macaco César  (Andy Serkis), ainda lutando pela sobrevivência de sua família e dos símios que escolheram segui-lo. Agora sob uma nova ameaça, César parte em uma jornada que dará início a uma nova era na Terra.

Enquanto em Planeta dos Macacos: A Origem, o foco da história ocorre sobre a evolução dos símios para uma nova fase, O Confronto, o segundo filme da trilogia, conta como esses seres chegaram a um ponto em que a humanidade não pode mais reinar soberana, uma vez que macacos já começam a alcançar seu estágio evolutivo, trazendo os primeiros grandes conflitos entre as espécies. Em A Guerra, por sua vez, há uma inversão de papéis, quando a desenvoltura social e moral dos símios é mostrada superior à dos próprios humanos, que são uma espécie em extinção.

Diferente do que a maior parte da divulgação do longa revelou, o foco dessa vez não está em uma batalha antagônica entre humanos e macacos. Mais do que um simples conflito entre espécies, o filme aborda uma série de questões morais, silenciosamente discutindo a definição do que vem a ser humanidade e fazendo o espectador se questionar se os macacos são mais humanos que os próprios humanos.

A posição dos humanos é colocada em cheque em Planeta dos Macacos: A Guerra - Foto por Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

Como parte de um trabalho feito pela trilogia, A Guerra mostra evidentes sinais da bestificação humana, que, em outras palavras, nada mais é uma demonstração de uma espécie que deixou de evoluir e deu espaço para que outra tomasse seu lugar. Ainda que os macacos não tenham alcançado grande desenvolvimento tecnológico, o objetivo do filme é justamente mostrar o crescimento moral e o cuidado entre os símios através de evidentes sentimentos e expressões vindos dos macacos.

Muitas dessas expressões são mais naturalmente recebidas pelo espectador em virtude do incrível CG e impressionantes efeitos especiais. O nível de detalhamento é tamanho, que certas partes facilmente podem enganar os olhos e aumentar a imersão. Junto a isso, a trilha sonora do compositor Michael Giacchino é outro fator basilar que ajuda na construção do filme e do seu aproveitamento no total.

Mas talvez um dos mais notáveis destaques do longa seja a atuação. Mesmo diante de camadas de efeitos especiais, as expressões dos macacos são extremamente bem transparecidas, principalmente através dos seus olhares. A participação do símio César, que é interpretado pelo ator Andy Serkis, é bastante marcante e envolvente, dando um aprofundamento significante para a trama. Ver uma criatura feita de 99% de CG pode certamente dificultar a imersão, mas Andy Serkis não abre espaço para isso com uma contribuição impecável.

Andy Serkis faz um excelente trabalho ao dar vida ao símio César - Foto por Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

No mais, o filme conta com uma narrativa bem distribuída, deixando pontas bem atadas, assim como algumas referências aos filmes originais da franquia. Conta ele também com novos personagens como o "Bad Ape" (Steve Zahn), que auxilia com certo humor em meio a uma narrativa tensa, e a jovem Nova (Amiah Miller), com um papel similar à personagem Laura em Logan. Ainda que inicialmente a garota não aparente ter grande relevância para a trama, tem ela um importante papel para representar a inocência que ainda existe no ser humano, assim como para ampliar o debate sobre o termo "humanidade".

Woody Harrelson, por outro lado, vive o Coronel, sem dúvidas a principal força antagônica do longa, que serve para mostrar o lado oposto do que seria bondade nesse mundo. Por meio da sua força militar, o lunático vilão em muito contribui para que o espectador fique do lado dos macacos nesse sofrido conflito.

Com um encerramento digno para a trilogia, o filme sucede em concluir uma história timidamente iniciada em um laboratório com a evolução de toda uma espécie.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Em Ritmo de Fuga mistura a velocidade e música de demônio sobre quatro rodas


As pistas ficam quentes quando Baby (Ansel Elgort) coloca suas habilidades como motorista à disposição de um grande criminoso. Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) conta a história de Baby, um jovem apaixonado por música e com uma enorme habilidade no volante, que faz parte de uma quadrilha de roubos milionários como piloto de fuga. E acredite, ele pode dirigir qualquer tipo de carro que puser as mãos.

O que dá significado a vida de Baby são suas músicas e uma infinidade de Ipods que possuem seleções especiais para cada tipo de situação. Apesar de fazer parte de um grupo de criminosos, Baby não é uma pessoa ruim. Ele é um jovem calado e extremamente concentrado, seus dias se resumem aos trabalhos sujos que precisa participar, sua relação com um senhor paraplégico e mudo, que foi seu pai adotivo, além da música.

Baby foi engolido por um sistema corrupto ao roubar o carro de um chefe do crime e contrair uma dívida a ser paga em troca de tirar capangas dos diversos locais assaltados. O filme possui uma boa rotatividade de personagens e, apesar de apresentar um único núcleo, consegue dinamizar suas relações com a entrada e saída de figuras que vão complementando a história de Baby. Mesmo com o foco no jovem motorista, seu elenco de apoio com atores como Kevin Spacey, Jamie Foxx e Jon Hamm, dá vida à história e traz diferentes facetas para a trama.

O diretor Edgar Wright (terceiro, da direita para a esquerda) dá vida a uma história relativamente simples com personagens interessantes - Foto por Wilson Webb - © 2016 CTMG, Inc. All Rights Reserved.

A produção de Edgar Wright trabalha bem o equilíbrio entre as emocionantes cenas de perseguição e ação, com inserções de uma narrativa mais leve e até mesmo romântica, ou partes sofridas e dolorosas como as lembranças de Baby. É com muito sucesso que Wright transforma um clássico conto de sonho norte-americano de sair dirigindo sem rumo com uma boa trilha sonora, em um filme interessante, dinâmico e com um visual bastante diferenciado.

Com um ritmo confortavelmente transitório entre pura adrenalina e emoções, o diretor cria uma estética muito própria do filme, uma identidade visual forte que traz cores, ângulos e sons bem definidos e escolhidos, mostrando um trabalho belíssimo de edição casado diretamente com a visão do diretor de integração entre cenas e músicas com grande sincronismo.

Nas partes em que os carros e os picos de ação estão envolvidos, há uma evidente tensão que poderia agoniar o expectador pelas muitas manobras perigosas e direção agressiva, mas que de tão bem distribuídas pelo filme entre os crimes, não causam desconforto, mas sim uma explosão de adrenalina.

Em Ritmo de Fuga é um filme que tinha tudo para apresentar uma trama óbvia, já que possui uma história simples e bem direta, mas as escolhas do diretor e o rumo tomado pela história, apresentam soluções surpreendentes que vão prendendo a atenção do público até o último momento com cenas na tela. É um filme para assistir mais de uma vez, pois valoriza seus próprios atributos, usando imagem, atuação e uma excelente seleção de músicas para trilha sonora da melhor maneira possível.