HÁ UM HERÓI EM TODOS NÓS Cinco amigos produzindo conteúdo juntos


Não tem pouco tempo que escrevi uma matéria aqui no Mega Hero onde falava que a Tsuburaya tinha planos de expandir a marca de Ultraman por todo o globo. E agora vem mais um passo ousado.

Após o lançamento do anime de Ultraman na Netflix no ano passado e a websérie Ultra Galaxy Fight que está sendo transmitida pelo mundo no inteiro no YouTube, a Tsuburaya da mais um passo ousado no licenciamento dos guerreiros da Estrela de Ultra, um movimento que pode mudar como o grande público enxerga a marca.

Ultraman na arte de Alex Ross - Imagem: Reprodução Marvel

Em um comunicado oficial a Marvel Entertainment anunciou uma parceria com a Tsuburaya para produzir quadrinhos e graphic novels de Ultraman. O anúncio foi feito durante a Tokyo Comic Con e o novo material irá chegar às loja no ano que vem. Este novo "achievement" atesta de uma vez por todas como a visão de mercado da gigante do Tokusatsu mudou sua forma de vender conteúdo e atingir novos públicos.

Trabalhar com quadrinhos é um recurso interessante e outras mídias já se beneficiaram com isso. Star Wars tem um gigantesco universo expandido vindo das páginas dos gibis e recentemente Power Rangers ganhou uma vasta mitologia graças às HQ's da BOOM! Studios. Com um gigante multiverso, Ultraman também deve seguir nessa linha e cativar novos fãs.

Ultraman é um clássico da cultura pop desde sua introdução na década de 1960, resultando em mais de 50 anos de histórias contadas na tela e nas páginas de mangá e quadrinhos. Hoje, Ultraman continua sendo um fenômeno mundial, mas os fãs sempre se lembram da emoção e maravilha inovadoras da primeira geração do Ultraman que começou tudo. A partir do próximo ano, a Marvel expandirá essa era icônica dos Ultras através das lentes da arte e da narrativa da Marvel.

Cebulski, o editor chefe da Marvel deixou algumas empolgantes palavras sobre a nova parceria.

"Como uma das franquias mais populares do mundo, Ultraman reuniu alguns dos fandoms mais apaixonados da cultura pop atualmente e mal podemos esperar para levar sua história para ainda mais fãs ao redor do mundo", e continuou. "Como a Marvel, Ultraman cativou gerações ao contar histórias espetaculares baseadas no mundo real e continua a ser um clássico amado por meio de programas de televisão, filmes, brinquedos, jogos, quadrinhos e muito mais. Estamos muito empolgados em apresentar novos capítulos para o Ultraman Multiverse no próximo ano".

Do outro lado do globo a Tsuburaya também mostra animação e confia na mídia. "Temos o prazer de anunciar a parceria com a Marvel, uma das principais empresas de entretenimento que produz personagens e histórias fascinantes amadas por fãs em todo o mundo há mais de 80 anos", disse Takayuki Tsukagoshi, CEO da Tsuburaya Production. "Não podemos estar mais animados para explorar e criar novas histórias para a franquia Ultraman com a Marvel e trazê-las para os fãs da Marvel e Ultraman em todo o mundo".

Ambas as empresas pediram para os fãs ficarem atentos em 2020, outras informações só serão reveladas no próximo ano. Essa nova parceria pode inclusive abrir portas para os cinemas, mas isso é conversa para outro momento.

Filmes de ataque de tubarão são praticamente um gênero em si. Já são tantos e são constantes as novas produções, mas há, sem dúvidas, um público que sabe o que esperar de cada uma delas. Mesmo diante desse oceano de produções, há certos padrões de qualidade que podem ser alcançados, assim como maneiras de deixar as tramas mais interessantes para que o espectador não sinta que está diante de apenas mais um festival de jumpscares.

Em Medo Profundo - O Segundo Ataque, existem alguns bons momentos que misturam 3 importantes medos. O primeiro, estar no meio do desconhecido, basicamente na escuridão total, sem saber o que espera os personagens. O que leva diretamente ao segundo medo, a impotência e insegurança por ter um tubarão que pode acabar com sua vida em instantes. O terceiro e final ponto é o fato das protagonistas se verem em espaços apertados por grande parte do tempo, criando um ambiente claustrofóbico e contribuindo em muito para construir tensão.

A escuridão e o cenário claustrofóbico das ruínas são bem utilizados - Foto: Reprodução Internet.

No longa, Mia (Sophie Nélisse) é uma estudante com problemas para se enturmar na sua nova escola, enquanto seu pai (John Corbett) explora ruínas maia subaquáticas recém descobertas. Quando sua meia-irmã Sasha (Corinne Foxx), é convidada pelas amigas Alexa (Brianne Tju) e Nicole (Sistine Rose Stallone) para passar o dia em um local secreto ao invés de ir em um passeio de barco, Mia resolve ir junto até descobrir que o local é na verdade uma das entradas para as ruínas submersas.

Obviamente, as jovens decidem explorar as ruínas e um acidente causa um colapso que as aprisiona em um labirinto protegido por tubarões que lá vivem. Toda a trama se sustenta no grupo tentando escapar desse pesadelo, mas por acontecimentos extremamente sádicos e oportunos, o grupo vai diminuindo até o ponto que parece não haver esperanças de ninguém sobreviver.

Para um filme de ataques de tubarão, isso funciona até bem e não são tantos os jumpscares. Ainda assim, a trama é bem previsível e por estarem no escuro em boa parte da história, não se vê muito das mortes, mas sim do sangue de de toda a poeira das ruínas.

Os tubarões são implacáveis e tão determinados que parecem ter vindo direto de O Exterminador do Futoro - Foto: Reprodução Internet.

Há sim, como já disse anteriormente, bons momentos de tensão, havendo uma mescla bem pensada entre todos os elementos que cercam o grupo. O problema é que em meio a tanta coisa acontecendo, não se sabe exatamente quem é quem em certos pontos e a previsibilidade enfraquece a trama.

Mia, que deveria ser o ponto central da narrativa, acaba ficando de lado e a personagem até tem certo desenvolvimento, mas sua falta de carisma não ajuda a sustentar a trama. Sasha e Alexa acabam sendo mais interessantes que a protagonista principal, mas não ganham tanto destaque, o que é um mal da produção, não saber usar bem os seus atores e ao final contar com atuações fracas.

Medo Profundo - O Segundo Ataque tem seus pontos fortes e é um filme do gênero que pode ser aproveitado em alguns momentos, mas não tem elementos memoráveis e nada que justifique ser visto novamente.

Bom dia, Panteras!

Expandindo o universo das espiãs mais famosas do cinema, Charlie's Angels, ou Panteras, retornam em um novo filme de ação e com uma nova equipe para resolver crimes no melhor estilo.

Sabina (Kristen Stewart) e Jane (Ella Balinska) são as novas Panteras e já conhecemos suas habilidades nos primeiros minutos do filme em uma missão. Ao finalizarem o trabalho, somos apresentados ao mais importante dos Stan Bosley (Patrick Stewart) e somos apresentados a nova Agência Townsend que agora se expandiu internacionalmente com equipes de Panteras por todo o mundo.

Jane e Sabina na clássica missão da festa. Foto: Sony


Para quem não está familiarizado com As Panteras, Bosley é o cargo do responsável por cada equipe de espiãs, como o Jerry de Três Espiãs Demais. Mas Patrick Stewart é um dos mais antigos e presentes Bosley que infelizmente está se aposentando. Em seu lugar, a nova responsável é, pela primeira vez na história, uma ex-Pantera Sue Bosley (Elizabeth Banks).

As Panteras são acionadas para uma nova missão quando cientista Elena Houghlin (Naomi Scott) decide fazer uma denúncia sobre o seu próprio projeto, uma tecnologia sustentável que pode ser transformada em arma letal. Sabina e Jane terão que proteger Elena, que foi jogada dentro da missão e terá que enfrentar todos os perigos e traições como parte da equipe.

No Brasil, foi decidido que seria usado o título original da franquia, Charlie's Angels, e durante o filme são feitas referências sobre o universo das Panteras que muitos fãs reconhecerão, mas ao mesmo tempo o longa foi construído para um público abrangente e que pode não ter tido nenhum contato com as personagens.

Jane, Bosley e Sabina pensam em seu novo plano. Foto: Sony


Adaptado para as novas gerações com espiãs mais novas, enredo sobre tecnologia e muitas piadas sobre choque geracional, Charlie's Angels tem um potencial grandioso de tornar-se uma longa franquia nos cinemas.

Ao mesmo tempo, o filme consegue trabalhar bem clichês de filmes de espionagem e das próprias Panteras, tornando as cenas engraçadas ao mesmo tempo que mostram as habilidades das agentes em resolver situações. Além disso ainda é explorada a rede de conexões da Townsend e como funciona esse mundo das espiãs.

Naomi Scott é extremamente carismática e conquista com seu papel de novata no ramo, Ella Balinska é a agente mais experiente da equipe e durona, acredita que não precisa de ninguém para completar sua missão. Já Kristen Stewart, em minha opinião, demora quase metade do filme para engatar na personagem.

As novas Panteras. Foto: Sony

Sem fazer grandes comparações, mas só para situar os fãs da última adaptação com Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore: Sabine seria Cameron Diaz com as brincadeiras, piadas, falta de noção e distrações cheias de vergonha alheia, Jane seria Lucy Liu, a mais experiente da equipe e a mais centrada, e Elena seria Drew Barrymore, a mais perdida que tenta sempre ajudar como pode.

As releituras ficaram ótimas e o filme flui muito bem mesmo com muitas viagens internacionais para o desenvolvimento da trama e a trilha sonora é contagiante e combina com a ação do filme. Misturando o novo com a tradição das Panteras, Charlie's Angels é uma boa aposta da Sony como produção jovem e que se bem trabalhada pode render boas sequências.


Poucas adaptações de Stephen King conseguem ser lembradas depois de muitos anos, O Iluminado de Stanley Kubrick é uma delas.

Criador de grandes obras literárias, Stephen King é um recordista em adaptações de seus livros para cinema e televisão. Em meados dos anos 80 e 90, diversas produções do escritor ganharam vida nas mãos de renomados diretores como Brian De Palma, John Carpenter e Kubrick. Claro que nesse período também colecionamos adaptações esquecíveis para não dizer lastimáveis.

Encabeçando o "panteão" de filmes bem sucedidos com o público e crítica, apesar de não ter agradado Stephen King, está O Iluminado (The Shinning no original), adaptação do homônimo livro centrado no personagem Jack Torrance que começa a ser perturbado mentalmente por seres do outro mundo.

O livro ganhou uma sequência em 2013 intitulado "Doctor Sleep" e agora seis anos depois chegou a vez de Mike Flanagan (Absentia e Ouija: A Origem do Mal) trazer sua visão da sequência de O Iluminado.

Danny precisa encarar os fantasmas do passado e enfrentar um novo inimigo - Foto: Warner Bros.

Um grande trabalho pela frente

Doutor Sono teve dois grandes desafios: Se manter fiel à obra original ao mesmo tempo que é uma sequência do longa de Kubrick, visto que boa parte do público está fielmente agarrada ao filme dos anos 80. Flanagan consegue passar nessa prova e entrega um filme de terror autêntico e enraizado à narrativa do livro.

Na trama somos apresentados a Danny Torrance (Ewan McGregor), que depois de ter lidado com os fantasmas do seu passado, precisa lidar agora com seus vícios no alcoolismo. Danny parte para uma cidade isolada onde recomeça a sua vida, porém começa a receber visitas paranormais da jovem Abra (Kyliegh Curran) uma iluminada assim como ele que acaba se envolvendo com o grupo Nó, uma gangue que se alimenta dos poderes dos iluminados liderada por Rose (Rebecca Ferguson).

O longa consegue prender a atenção do espectador com suas grandes sequências de suspense somadas a uma atmosfera de incertezas. As ligações com a primeira parte são bem sutis e ajudam a situar quem está em uma "primeira viagem". Vale ressaltar que a direção de Flanagan consegue fazer com que Doutor Sono funcione como um filme solo.

Um terror diferente

O teor de Doutor Sono difere bastante de filmes que abordam temas que envolve "Espiritos". O diretor optou por menos jumps scares e apostou em sequências com tensões (como dito acima). O grande destaque fica por conta das cenas com Abra, Rose e Danny usando seus poderes. Momentos que realmente chamam a atenção devido aos efeitos práticos e especiais que conseguem trazer o que seria inexplicável, para os olhos humanos.

Rose (Rebecca Ferguson) lidera a gangue Nó, que está atrás dos Iluminados - Foto: Warner Bros.

Algo que merece ser destacado também é a sutileza em abordar temas como morte e mediunidade, que comumente são retratados nessas obras de forma efêmera e sem aprofundamento. Os momentos de Danny com os pacientes terminais são extremamente profundos e podem emocionar de formas diferentes.

No fim Doutor Sono surpreende com uma fantástica jornada ao desconhecido e intrigante universo dos Iluminados, ao mesmo tempo que abre portas para infinitas possibilidades e homenageia a obra original sem se pautar na nostalgia. Provavelmente mais uma adaptação de Stephen King que ficará marcada para sempre.


Depois de uma adaptação muito boa para o cinema em 2007, chegou o momento de retornarmos ao universo criado por Philip Pullman em His Dark Materials (Fronteiras do Universo em tradução para o português), a mais nova série da BBC em parceria com a HBO.

A história se passa em um universo muito semelhante ao nosso, porém com algumas mudanças. O primeiro episódio serve como uma introdução e apresentação de alguns conceitos, como o Pó, uma partícula existente na história e que vai ser bastante importância no decorrer da temporada. Não irei falar mais sobre isso pois posso dar spoiler e acabar com a diversão.

Somos também apresentados brevemente ao Magisterium, a instituição que governa esse mundo. Eles são uma instituição religiosa, formada por outras instituições, e tem um interesse próprio a respeito do Pó. Ciência e religião se misturam a medida que a história vai avançando e tudo é abordado de uma maneira bastante prática e autoexplicativa, apesar do episódio levantar mais perguntas do que apresenta respostas.

Lyra (Dafne Keen) e seu deamon, Pantalaimon - Foto: BBC 

É onde conhecemos a jovem Lyra, vivida aqui pela atriz Dafne Keen (Logan), uma menina que vive na Faculdade Jordan em uma versão fictícia de Oxford. Lyra e acompanhada por seu deamons, Pantalaimon. Os deamons são nada mais do que as almas das pessoas em forma de animais e que caminham ao seu lado, como companheiros. O que os deamons sentem, seu dono também sente, e o contrário também acontece.

A atuação de Dafne é bem divertida e natural, retratando bastante a personagem dos livros e sua empolgação em relação ao local onde vive, já que Lyra costa de pular em telhados, escalar torres, correr pelas galerias subterrâneas da Faculdade Jordan. Tudo isso é entregue ao telespectador da maneira mais agitada e destemida possível

O elenco conta também com a participação de James McAvoy (Fragmentado, X-Men: Primeira Classe) no papel de Lorde Asriel, o tio de Lyra e também um explorador, que tem um papel um tanto quanto significativo na história; Ruth Wilson (The Affair) no papel de Marisa Coulter, uma mulher misteriosa e que possui um interesse particular em Lyra. Lin-Manuel Miranda (Hamilton) também completa o elenco de estrelas, porém, seu personagem ainda não apareceu, então, não podemos falar.

Lyra (Dafne Keen) e Miranda Coulter (Ruth Wilson) - Foto: BBC

Tanto a fotografia da série, quanto a trilha sonora estão simplesmente impecáveis. Os efeitos especiais utilizados no deamons podem incomodar algumas pessoas no início, porém, é bem fácil de acostumar. Vamos lembrar que estamos falando de uma produção para a televisão e não algo nível cinema.

O episódio consegue criar uma boa linha de condução, apresentando bons e divertidos momentos, a medida em que vai abrindo terreno para uma história muito maior. Para os fãs de fantasia, His Dark Materials é uma série que vai render bastante, e a 1ª temporada deverá adaptar totalmente o primeiro livro da trilogia, A Bússola de Ouro. A série já foi renovada, então, quem quiser começar, pode ver sem medo, pois teremos mais em breve.

Assim que a temporada for encerrada eu irei fazer um review completo, falando sobre toda a história e de forma bem mais completa. Nos vemos na próxima!

Todo fã de quadrinho já ouviu falar de Watchmen, obra escrita por Alan Moore e desenha por Dave Gibbons e que foi lançada entre 1986 e 1987 pelo selo VERTIGO da DC Comics. A história se tornou um marco nos quadrinhos e até hoje é consagrada com uma das melhores produções da editora, seja pelo rico e complexo texto de Moore, ou pela arte de Gibbons.

Depois de passar pelo cinema, com uma adaptação de Zack Snyder em 2009, finalmente chegou a hora do título ganhar continuidade, e isso ficou a cargo de uma emissora a altura, a HBO, porém, a série Watchmen não é exatamente uma adaptação do quadrinho como irei explicar daqui a pouco.

Personagens do quadrinho original de Watchmen - Imagem: DC Comics

A partir de agora irei dizer o que eu achei do episódio de estreia da nova aposta da HBO e tentarei ao máximo não dar spoilers,  já que é meio difícil falar do episódio e não revelar nada comprometedor, já que tudo que é apresentado é relevante.

Antes de entrar na história da série, tenho que apresentar a mente por trás desta adaptação: Damon Lindelof, que foi o responsável pelas séries de sucesso Lost e The Leftovers, também da HBO. Lindelof, como eu já havia mencionado, não adaptou o quadrinho para a série, ele fez algo mais interessante.

O roteirista pegou o universo criado por Moore e Gibbons e desenvolveu uma nova história usando o quadrinho como base e tornando-o canônico na história da série, como a própria sinopse já mostra: situada em uma realidade alternativa onde super-heróis são tratados como bandidos, Watchmen abraça a nostalgia da graphic novel original inovadora e segue em busca de abrir novos caminhos próprios.

Damon Lindelof e Regina King nas gravações da série - Foto: HBO

A história da série se passa 34 anos após os acontecimentos do quadrinho (situado em 1986) e mostra como o mundo conseguiu seguir em frente. Da mesma forma que na história de 86 o tema da Guerra Fria foi o palco, aqui Lindelof trás algo muito mais atual e que se mostra presente na sociedade atual, que é a questão do preconceito racial e do retorno dos grupos de supremacia brancos.

Este será o plano de fundo para a temporada, e logo na cena de abertura já temos essa confirmação, pois somos apresentados a uma reprodução do que foi o Massacre Racial de Tulsa, ocorrido em 1921 no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos.

Nessa realidade, os policiais usam máscaras para esconder seus rostos, não irei dizer o porque disso, pois o próprio episódio revela, porém, existe um motivo e ele é bem forte e condizente com a situação apresentada.

A medida que a história vai avançando, passamos a conhecer mais deste mundo e como as coisas funcionam, e claro, vemos referências a história clássicas dos quadrinhos, seja por situações ou por brincadeiras que Lindelof faz com programas reais. Tudo muito bem tratado e encaixado.

A Sétima Kavalaria - Foto: HBO

Como eu já havia mencionado, a questão dos grupos de supremacista branca será o foco principal da temporada e, até o momento, um desses grupos (fictício diga-se de passagem) será o principal antagonista da temporada.

O grupo chama-se Sétima Kavalaria e seus membros usam a máscara de Rorschach para esconder seu rosto. A troca da letra C pela K foi proposital, justamente para se fazer referência a Klu Klux Klan, um dos mais famosos grupos supremacistas dos Estados Unidos, e que aparecem na cena de abertura do massacre de Tulsa. Terei que parar de falar sobre o enredo por aqui, pois posso acabar dando mais spoilers do que deveria e estragar a experiência de quem ainda for ver.

Agora eu preciso falar sobre a estrela da série, Regina King (The Leftovers, Se a Rua Beale Falasse), que rouba a série no papel da protagonista Angela Abar, que também pode ser conhecida por seu nome de vigilante como Sister Knight. Falar da personagem de Regina é complicado, pois acaba dando muito spoiler, porém, digo apenas que como sempre, a atriz está arrasando no papel e novamente já caiu no gosto dos fãs, que mal podem esperar para vâ-la batendo novamente em alguém e usando seu uniforme.

Regina King no papel de Sister Knight - Foto: HBO

Um outro ator que marca presente é ninguém menos do que Jeremy Irons (O Rei Leão, Batman vs. Superman, Liga da Justiça), que agora vive Adrian Veidt, o Ozymandias do quadrinho original. Ainda não da para saber o que Adrian está planejando, porém, se tratando do personagem podemos esperar algo bem mirabolante e bem pensado, que vai desencadear em uma grande reviravolta no final.

O resto do elenco passaremos a conhecer a medida que os episódios forem sendo exibidos, e eu digo isso com toda a certeza do mundo: vocês não vão querer perder um episódio que seja dessa série, pois ela te faz perder o fôlego a todo momento e promete ser uma das melhores séries do ano.

Ah! Antes que eu esqueça, se você está achando que a frase “Quem vigia os vigilantes? (Quis custodiet ipsos custodes?)” não vai aparecer na série, te digo que ela aparece, e com uma resposta: “Nos vigiamos (Nos Costodimos)”.

Jeremy Irons no papel de Ozymandias  - Foto: HBO

A fotografia da série e a trilha sonora estão simplesmente deslumbrantes, mostrando que Lindelof e toda a sua equipe não pouparam esforos para produzir uma série de alto nível e honrar a história de Moore (mesmo que ele não tenha gostado). Veja na maior tela que puder, pois não irão se arrepender.

Espero que tenham gostado do review e eu tentei ao máximo não dar spoiler de nada, pois essa série é tipicamente a produção da HBO que se você tomar qualquer spoiler, vai acabar estragando sua experiência.

''I'll be back''. A icônica frase de Arnold Schwarzenegger na franquia Exterminador do Futuro já virou quase que uma maldição. Com tantas continuações, o ator volta mais uma vez ao papel como o T-800 em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio.

Seguindo como continuação direta de O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final, Destino Sombrio começa sua história em 1998, onde Sarah Connor e seu filho John aproveitam sua vitória em impedir a ascensão da Skynet. Após alguns - spoilers -, a trama pula para 2020, quando Grace (Mackenzie Davis), uma soldado aprimorada, é enviada do futuro para proteger a jovem Dani Ramos (Natalia Reyes), ao mesmo tempo que um novo modelo de Exterminador, o Rev-9 (Gabriel Luna), é enviado para matá-la.

Grace e Dani fazem a única coisa que podem contra o Rev-9, fugir. - Foto por: Kerry Brown- © 2018 SKYDANCE PRODUCTIONS e PARAMOUNT PICTURES

A partir daí, o filme toca basicamente como seus predecessores, com perseguições insanas e lutas quase que intermináveis devido a indestrutibilidade do modelo Rev-9. Vemos, também, o retorno de Sarah Connor (Linda Hamilton), agora envelhecida e com décadas de experiência lutando contra exterminadores, assim como o T-800, que após a queda da Skynet perdeu seus propósitos e passou a viver como um humano em nosso tempo.

A trama funciona muito bem com o elenco misto entre as novas protagonistas, especialmente Mackenzie Davis, trazendo certa vitalidade, assim como Gabriel Luna como o novo Exterminador, mesmo que o papel não exija tanto dele. Do outro lado, Linda Hamilton faz o link com os primeiros filmes, não sendo uma mera menção e certamente não funcionando um peso morto na trama. Schwarzenegger também tem um importante papel na história e por mais que seu rosto esteja saturado na franquia, sua presença liga bem os eventos do longa.

Ainda assim, é importante que a marca comece a se desvencilhar desses personagens, pois, por mais que seja nostálgico vê-los novamente em tela, acaba existindo uma dependência para vender o ''produto'' com o rosto de Schwarzenegger estampado bem na frente. É preciso que a franquia se sustente mesmo sem ele.

O T-800 e o Rev-9 se encaram em uma batalha incansável. - Foto por: Kerry Brown - © 2018 SKYDANCE PRODUCTIONS e PARAMOUNT PICTURES

O longa é dirigido por James Cameron, que expressou sua intenção em considerá-lo como O Exterminador do Futuro 3, logo desconsiderando os eventos de O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas, A Salvação e Gênesis, e acabam existindo em uma linha temporal alternativa. Na linha temporal atual, apesar de não existir mais a Skynet, temos agora a Legião, que, no final das contas, acaba sendo o mesmo inimigo. Então temos a repetição de vários elementos, apenas com uma nova roupagem.

Destino Sombrio, ainda que funcione dentro da sua proposta, tem a trama extremamente similar ao que já vimos no passado. Mesmo assim, dentro do que se espera de um filme da franquia Exterminador do Futuro, ele entrega o prometido e se sustenta com efeitos especiais bem produzidos e cenas de ação de alto nível.

Também cria espaço para continuações, que dependerão muito mais do sucesso na bilheteria do que da opinião do público. O fato é que já tivemos muitas encarnações do Exterminador e provavelmente ainda teremos mais.



Dias chuvosos, tristeza, mau humor, assombrações, sarcasmo e auto-estima? Parece perfeito se você for um Addams!

Em 2019, A Família Addams retorna para os cinemas em formato de animação e com roteiro mais sutil reapresentando-se para as novas gerações. Para quem não tem familiaridade com Família Addams, o que eu achava impossível de acontecer, os Addams são uma família em que tudo funciona ao contrário das famílias normais.

Mortícia e Gomes Addams formam o casal e são os pais de Vandinha e Feioso, mas a mansão Addams também abriga a bruxa e avó, Vovó; Tropeço, o mordomo; Tio Fester, o irmão de Gomes e claro, Mãozinha, literalmente uma mão que é a faz tudo da casa. Todos vivem numa completa desarmonia harmoniosa em uma mansão assombrada e isolados da sociedade.

No filme, somos apresentados ao passado dos Addams e o início da vida de Gomes e Mortícia, uma breve introdução para contextualizar, já que a estranha família não aparece como produto para o público desde 1998, há mais de duas décadas! Quando paro para pensar assim entendo porque os jovens nunca ouviram falar desses icônicos personagens.

Logo somos levados para o presente com a família já estabelecida e com filhos. Vandinha, a mais velha, começa a se questionar sobre o mundo fora da propriedade dos Addams, já que eles não saem para nada. Ao mesmo tempo, no vale logo abaixo de onde se localiza a assustadora mansão, Margaux Needler, uma estrela de reality shows de obras e reformas se prepara para entregar seu mais ambicioso projeto, uma cidade inteira, pronta e perfeita para morar.

Claro que o cenário é o mais polarizado possível. De um lado os Addams com seu estilo de vida invertido e do outro uma cidade de plástico pensada para pessoas perfeitas que claramente não existem. O que acontece quando esses dois mundos se encontram? Muitas aberrações e desconfortos sociais, mas também muitos momentos engraçados.

A chegada do primo It - Imagem: Universal

Os Addams são uma forte crítica social ao perfeito jeito americano de viver, tudo em suas vidas funciona de forma anormal para "nós" pessoas normais que seguem a maioria dos padrões sociais. Mas o mais interessante sobre este grupo particular é que eles raramente se afetam com o desconforto e até ataque alheio, os Addams são diferentes, sabem disto e possuem uma auto-estima inabalável que os permite levar um estilo de vida totalmente fora do padrão e sem se preocupar com a opinião de absolutamente ninguém.

É interessante notar que por mais estranhos que eles sejam, os Addams demonstram carinho e preocupação um com os outros, do jeito deles. Um dos temas mais trabalhados na obra é justamente a importância da família e suas tradições e como fazer parte dos Addams é libertador.

Vóvo e Feioso - Imagem: Universal

E é por isso que eu sou apaixonada por estes personagens! Como fã de Família Addams é um prazer tê-los novamente como marca sendo trabalhada no mercado e apresentada para novos públicos infantis e infanto-juvenis.

Como já mencionei acima, o filme é uma reintrodução, portanto, todas as principais características dos Addams e suas histórias foram comprimidas em um único filme para que o público tivesse uma visão geral sobre a obra. Várias cenas são claras homenagens à produções antigas de Família Addams e vemos até os mesmos frames e falas.

O visual do filme é claramente inspirado nas produções de Tim Burton com dualidade entre o diferente e o perfeito como em Edward Mãos de Tesoura (1990), também traz elementos de Mulheres Perfeitas (2004) e dos próprios filmes e animações de Família Addams. O visual dos personagens foi totalmente inspirado nos críticos cartoons originais do criador Charles Addams, o que deixa tudo ainda mais macabro!

A dublagem brasileira é impecável e não deixa a essência dos personagens se perderem de forma alguma. Já a trilha é bastante divertida assim como o filme e traz uma surpresinha no fim para os amantes dos Addams!

A Família Addams é uma interessante escolha para assistir em família e fugir dos clichês das produções infantis atuais. Apesar de ser uma obra básica para quem já conhece os Addams, é uma excelente história para introduzir novos públicos seu bizarro mundo. Levem suas crianças e tenham coragem para os questionamentos morais que o filme desperta!

Os Addams vem aí! SNAP SNAP!

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