terça-feira, 17 de abril de 2018

Godzilla vs Biollante dita o estilo dos filmes de Godzilla dos anos 90


O final dos anos oitenta marcou uma importante transição nos filmes de Godzilla. Depois de um longo período com filmes voltados para um público mais jovem, o Rei dos Monstros faz seu verdadeiro retorno em duelo com Biollante.

Godzilla sofreu diversas mudanças desde a sua estreia em 1954. O monstro foi repaginado durante as décadas de 60 e 70 perdendo seu ar ameaçador o que acabou deixando os longa metragens mais caricatos e cômicos. A mudança veio em 1984 "O Retorno de Godzilla" de Koji Hashimoto que ignorava todos os filmes anteriores com exceção do primeiro de 54. Godzilla vs Biollante (1989) segue essa linha temporal e inicia de fato uma nova era para o monstro gigante.

O inicio da nova era

Godzilla vs Biollante começa em 1984, mostrando os eventos do filme anterior. Uma equipe de cientistas está vasculhando os escombros de Tóquio em busca de uma amostra do tecido de Godzilla. Vale ressaltar que após toda a batalha, Godzilla acabou sendo aprisionado na Montanha Mihara onde um vulcão o selou para "sempre".

Nessa busca pelo DNA de Godzilla conhecemos o brilhante cientista Dr. Shiragami que perdeu sua filha durante um atendado contra o seu laboratório. Ele está desenvolvendo um experimento que promete cruzar o DNA do monstro com uma planta criada em seu laboratório que contém a essência da sua filha. O problema fica maior quando "Biollante" (a planta) se desenvolve e Godzilla desperta do vulcão para mais um combate no Japão.

Godzilla ataca o Japão novamente - Foto: Reprodução internet

Muitas tramas e ritmo diferente

A primeira vez que assisti Godzilla vs Biollante foi no SBT a muitos anos atrás. Foi meu primeiro contato com Godzilla e por isso o filme tem um carinho enorme para mim. Naquela época meu único objetivo era chegar no momento do encontro dos dois Kaijus e ver Godzilla ganhando a batalha.

Re-assistindo muitos anos depois descobri a complexidade de Godzilla vs Biollante. O longa foge bastante dos seus antecessores e traz uma trama muito mais pautada em ficção científica e também em conspirações entre governos e organizações. É muito importante que o telespectador preste bastante atenção nos momentos de diálogos porque eles rimam com diversos pontos do desfecho da história provando a competência do diretor Kazuki Ōmori em apresentar uma obra redonda.

Por conta dessa mudança no modelo dos filmes de Godzilla, o filme tem um ritmo um pouco mais lento que o habitual. A batalha entre Biollante e o Rei dos Monstros dessa vez não é o destaque, mas sim o porque dela acontecer, esse é o grande trunfo.

Biollante vs Godzilla - Foto: Reprodução internet

O Veredito

A despedida de Godzilla da década de 80 é uma peça fundamental para o que vem a seguir. Os próximos filmes que se sucederam de alguma forma bebem do conceito apresentado em Godzilla vs Biollante, melhorando a fórmula em diversos aspectos e criando uma nova identidade para o Rei dos Monstros que acabou se tornando uma referência para os fãs que surgiram nesse período.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ed & Lorraine Warren: Lugar Sombrio retrata um dos mais famosos e aterrorizantes casos do casal de investigadores paranormais


No mundo das investigações paranormais os nomes Ed Warren e Lorraine Warren são bastante conhecidos por sua grande participação em inúmeros casos que foram atingidos pelas lentes da mídia, como o da boneca Annabelle e o de Amityville. Apesar de muito se discutir sobre a veracidade dos casos envolvendo o casal, é incontestável que os dois passaram a maior parte de suas vidas buscando compreender mais a respeito do sobrenatural, o que os levou à macabros encontros como aquele descrito no livro Ed & Lorraine Warren: Lugar Sombrio.

A obra é um relato dos fenômenos que aterrorizaram uma família norte-americana que, se encontrando em uma situação sem saídas, precisou se mudar para uma casa em que havia funcionado uma funerária anos antes. Cada capítulo detalha o avanço da atividade paranormal que assolou a família, chegando a extremos e que os levou a procurar auxílio com Ed e Lorraine e a realizar múltiplos exorcismos antes que fosse tarde demais para o bem de todos os moradores da assustadora casa. O caso que exigiu muito dosWarren e teve diversas ramificações, ficando conhecido como o exorcismo de Connecticut.

Um primeiro ponto a se notar é que são coautores do livro Carmen Reed e Al Snedeker, o casal que viveu na casa com os seus quatro filhos. Então é bastante possível que muitos dos fatos lá descritos tenham sido alterados por escolhas de quaisquer dos dois, sendo mais prudente encarar esses relatos mais como ficção do que como uma descrição da realidade. Outro ponto é que uma grande porção do texto é mais dedicada a descrever a evolução dos fenômenos paranormais sobre a ótica da família do que uma efetiva participação de Ed e Lorraine na resolução da situação.

Lorraine e Ed Warren - Foto: Reprodução Internet

Com isso em mente, inicialmente o leitor é apresentado à família Snedeker, com o pai Al trabalhando fora de casa e a mãe Carmen cuidando de 4 filhos em casa até que Stephen, o filho de quatorze anos desenvolve uma doença que os força e encontrar um novo lar mais próximo do hospital onde o seu tratamento passou a acontecer. Com a urgência, a família acaba se instalando em uma residência que antes havia sido uma funerária e ainda carregava alguns dos cômodos da sua antiga ocupação.

Desde a chegada, Stephen avisa que o mal se encontra naquele local, mas obviamente sua mãe não o dá ouvidos e concluindo assim a mudança. A partir daí, Stephen começa rapidamente a ser assombrado por vozes e estranhas sensações que, combinadas com a sua doença, acabam deteriorando o seu estado de espírito. De visões a contatos físicos, o jovem começa a se desesperar por não conseguir fugir da terrível energia que o ronda e, pior ainda, da falta de apoio e credibilidade de seus pais, levando o garoto a se isolar de sua família e eventualmente sucumbir a seja lá o que o persegue.

É bastante angustiante ler todo esse processo de isolamento pelo qual Stephen passa, pois não são poucas as experiências que o atingiram e não é o fato que ele tenha sido o único alvo em um primeiro momento, mas principalmente o ceticismo da família que mais o prejudicou e levou aos acontecimentos que se deram.

Mais da metade da obra é dedicada a mostrar a quase que perseguição que Stephen sofreu em sua própria casa, mantendo mais um ar de suspense sobre o que realmente se encontra no escuro, enquanto a outra metade já é mais dedicada à severa expansão dos fenômenos que passaram a atingir toda a família e chegando até mesmo a agressões e violações.

E todos esses acontecimentos são descritos em detalhes, o que dá uma ar extremamente pesado à leitura e de modo algum é uma história que traz uma tranquilidade ao leitor. Em especial, após essa intensificação de tom, a narrativa, por mais que seja intrigante, é bastante difícil de se prosseguir, até mesmo quando os Warren entram em cena.

A história serviu de inspiração para o filme Evocando Espíritos, de Peter Cornwell, que tem um desdobramento diferente da obra original - Imagem: Reprodução Internet

Por sinal, Ed e Lorraine só vão efetivamente aparecer no quarto final do livro, quando a assombração tomou proporções inimagináveis. Pouco da investigação e do processo de exorcismo é realmente mostrado através da narrativa, mas fica claro que não durou pouco tempo e não foi um trabalho fácil. Ainda assim, a participação dos Warren acaba sendo mínima, sendo mais marcante a presença dos seus assistentes e dos padres que frequentaram a residência.

E ao final, após inúmeras tentativas, fica a dúvida se o mal que dominou os Snedeker realmente foi expurgado, pois mesmo com o consolo de que a família (ou o que sobrou dela) seguiu sua vida após os eventos relatados, o dano causado foi tanto que se questiona o quanto é possível recuperar após tamanha experiência.

Ed & Lorraine Warren: Lugar Sombrio é uma leitura rápida que varia principalmente pela avidez de cada leitor em saber sobre o desfecho do terrível caso e que tem como contribuição ainda a excelente qualidade que a editora DarkSide sempre tem com os seus projetos.

Ficha Técnica
Título: Ed & Lorraine Warren: Lugar Sombrio – Arquivos Sobrenaturais
Autores: Ed & Lorraine Warren, Carmen Reed e Al Snedeker com Ray Garton
Editora: DarkSide
Número de páginas: 272 páginas, capa dura

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Godzilla enfrenta exército mongol na primeira edição de Rage Across the Time


Em 1954, Ishiro Honda lançou nos cinemas japonesas a sua alegoria sobre a bomba atômica, Godzilla. Nas mais de seis décadas que se passaram a sua criação se reinventou tornando-se um símbolo da cultura pop.

O Rei dos Monstros, como é comumente conhecido é detentor de 32 longa metragens produzidos no Japão e duas produções norte-americanas. Além disso já apareceu em animações, quadrinhos e foi homenageado diversas vezes na literatura, cinema e programas de televisão. O fato é que Godzilla se consagrou como um ícone e até hoje perpetua sucesso.

Em 2016 a IDW lançou uma mini-série intitulada "Godzilla: Rage Across the Time". Uma coleção dividida em cinco edições que coloca Godzilla em vários períodos históricos. A primeira edição tem como escritor Jeremy Robinson e ilustrada por Matt Frank, esse volume mostra o surgimento do Rei dos Monstros durante a primeira invasão mongol em 1274.

Foto: Mega Hero

A trama se desenrola com a chegada da horda de Kublai Khan que controla dois Kaijus clássicos, Gigan e Megalon na Baía de Hakata. Os monstros estão sendo controlados pelo "Mestre Dragão" Zhenjin Khan. Os personagens principais dessa edição são os rivais Gorou Suda (Samurai) e Akio (Ninja) que ouvem o chamado do seu mestre para derrotar os invasores despertando um poderoso ser.

Grande parte da trama retrata este evento histórico que foi real, mas que recebe pitadas fantásticas com a presença de Godzilla e os outros seres. Os acontecimentos do passado dividem as páginas com os tempos atuais, no caso 2016 para dar contexto à edição e talvez servir para o que vem nos próximos volumes. O enredo é bem contido e tem boas doses de ação para os amantes de monstros gigantes. Um dos problemas que me incomodou durante à leitura são os cortes de uma cena para outra, sobretudo do passado para o presente e os balões de diálogo que não são muito bem organizados.

As ilustrações do artista Matt Frank é feita no estilo tradicional de pintura japonesa datada desse período. Os detalhes são espetaculares e o leitor fica imerso em um grande quadro dividido em páginas. Intercalando é claro com as cenas nos tempos atuais onde temos traços mais semelhantes aos modelos de quadrinhos da nossa época.

Facilmente "Godzilla Rage Across the Time" #1 pode ser lido sem nenhum conhecimento prévio de Godzilla e também serve como uma leitura rápida, visto que a história tem inicio, meio e fim bem definidos. Por se tratar de uma primeira edição, chama bastante atenção e mantém um ritmo muito bom. Teremos que ler as próximas para saber se a qualidade se mantém.

Ficha Técnica:
Título: Godzilla Rage Across the Time #1 (2016)
Editora: IDW
Roteiro: Jeremy Robinson
Arte: Matt Frank
Cores: Mostafa Moussa
Capa: Bob Eggleton
Número de páginas: 29

terça-feira, 10 de abril de 2018

Gamera, o Bravo um inocente e divertido filme de monstros gigantes


O que aconteceria se Hayao Miyazaki fizesse um filme com Kaijus em Live Action? Gamera, o Bravo é uma mistura de estilos em uma obra que com certeza vai marcar você de alguma forma.

Lançado em 2006 pela Kadokawa Pictures, Gamera, O Bravo (Gamera, The Brave no original) é o último longa metragem da Tartaruga Gigante. É o primeiro e único filme da "Era Millenium". Depois da trilogia "Heisei" onde o público adulto era o foco, "The Brave" retoma a inocência dos primeiros filmes e traz uma abordagem que vai cativar fãs e apreciadores de todas as idades por conta do seu ritmo leve e gostoso de assistir.

Do passado para o presente

A trama inicia em 1973 quando Gamera derrota Gyaos, o Kaiju voador. Para derrotar o bando de Gyaos, Gamera se sacrifica em uma grande explosão e acaba se tornando um símbolo para os japoneses. Um dos sobreviventes desse grande combate é um garotinho que trinta e três anos depois abre um restaurante na cidade costeira japonesa de Iseshima.

Em 2006 conhecemos o filho desse "garoto". Toru é uma criança que adora brincar com seus amigos na praia. É o seu primeiro verão sem sua mãe, que morreu recentemente em um acidente de carro. Em uma das visitas à praia, ele vê um estranho brilho vermelho emanando de uma formação rochosa próxima. O garoto decide investigar e encontra um ovo em cima de uma rocha vermelha. Quando ele pega esse ovo, uma tartaruga filhote choca. Ele passa a chama-lo de "Toto" que era como sua mãe o chamava.

Toru precisa esconder o novo amigo do seu pai, que não aceita animais de estimação por conta do restaurante (que é localizado em baixo da sua casa). Ao mesmo tempo que apresenta "Toto" para seus dois amigos e a garota Mai, que é a sua melhor amiga. Paralelo a essa história, um monstro chamado Zedus se aproxima da cidade e Toto acaba sendo a única esperança para salvar o Japão.

A tartaruga Toto e o jovem Toru - Foto: Reprodução internet

Um filme de Kaiju inocente e diferente

Os que procuram um longa com muito combate e cidades destruídas, pode se decepcionar com o filme. Mas é justamente por ser diferente da maioria dos filmes do gênero que "Gamera, O Bravo" ganha pontos e se sobressai dentro desse universo.

O foco nas crianças traz um ar leve e divertido no filme. Os mais velhos poderão sentir um grande fator nostalgia, sobretudo por conta da atmosfera que remete aos clássicos dos anos 80 e 90. Uma aventura inocente que carrega uma forte mensagem sobre amizade e prioridades. O ritmo não é tão acelerado se usarmos os longas anteriores de Gamera como parâmetro. Os momentos de luta apesar de serem muito bem feitos, aparecem pouco na tela, ficando apenas os minutos finais como o grande clímax da obra. Em Gamera, O Bravo você irá acompanhar o crescimento de Toto e Toru.

Gamera vs Zedus - Foto: Reprodução internet

Um clássico do século 21?

Gamera, O Bravo carrega uma série de elementos de séries antigas de Tokusatsu, seu teor mais leve e o enfoque nas crianças irá lembrar imediatamente do herói prateado da Tsuburaya, Ultraman. O uso de efeitos práticos e animatrônicos indica que você está assistindo de fato um Tokusatsu legítimo que respeita os amantes do estilo. A última passagem de Gamera nas telonas não é tão gigante quanto os seus antecessores, mas merece uma atenção maior por conta da sua ousadia em contar uma história de uma forma que agrada os fãs e não fãs de monstros gigantes.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Agente do Caos traz um dos primeiros casos de Fox Mulder e o faz começar a Acreditar


A Verdade está lá fora. Desde quando? Desde sempre e também desde muito cedo na vida de Fox Mulder. Este é o principal argumento do romance Agente do Caos da série The X Files Origens de Kami Garcia, que apresenta o personagem em uma diferente época de sua vida, em sua juventude, antes mesmo de ir para a faculdade ou se juntar ao FBI.

Agente do Caos é um romance policial em que Fox Mulder se vê envolvido em um caso de assassinatos em série de crianças em condições muito similares ao desaparecimento de Samantha, sua irmã mais nova, foco do desenvolvimento da história de Mulder na série de TV. O jovem se sente na obrigação de dar um fim nos desaparecimentos e mortes das crianças mesmo que isso não traga sua irmã de volta.

No desenrolar da trama, além de seguirmos o curso do mistério apresentado, começamos a receber algumas informações e reconhecer algumas atitudes sobre a formação do caráter de Fox, assim como quando ele começou a ser tratado apenas por Mulder por seu próprio pai. Além disso, acompanhamos o nascimento da chama do Acreditar que tanto o move e o desenvolvimento de sua saga.

Livro Agente do Caos, Editora Harper Collins. Foto: Mega Hero
É interessante perceber não só o intelecto de Mulder, mas também seu desenvolvimento psicológico e o eterno "luto" por Samantha que estava muito vivo no período da história contada no livro. O caso é uma tentativa de cura pessoal, uma busca pela paz interior, que sabemos que ele não vai chegar nem perto de alcançar.

O livro conta apenas um episódio de um dos primeiros casos que Mulder resolve antes de se tornar um Agente Federal, e consegue explorar muito bem suas características mesmo neste acontecimento isolado em sua juventude. Apesar de não ser um conto longo, é possível se envolver com a história e reconhecer o Fox Mulder que os fãs de Arquivo X têm tanto apreço nas descrições de Kami Garcia.

Como uma fã de romances policiais e em especial histórias de assassinatos de Sir Arthur Conan Doyle em Sherlock Holmes, Agatha Christie e Miss Fisher, aprecio um bom mistério que envolve o leitor e o transporta para dentro do livro, o que acontece sim em Agente do Caos. Mas mesmo com um assassino interessante e um bom início de trama nos levando a conhecer diferentes personagens presentes na vida de Mulder, o caso não possui complexidade em sua resolução.

Kami Garcia faz um ótimo trabalho de imersão nos crimes, perfil do assassino e até mesmo em despertar em Mulder essa vontade de solucionar o que parece ser um complexo caso, mas quando o personagem começa a chegar na suas primeiras conclusões sobre o crime, ele está praticamente certo e o assassino é descoberto com uma incrível facilidade.

Livro Agente do Caos, Editora Harper Collins. Foto: Mega Hero
Se o caso teve o objetivo de mostrar a capacidade intelectual de Mulder, que até mesmo ajudou o FBI nas investigações com seu metódico processo para encontrar o assassino criando seu perfil, uma de suas especialidades vistas na série de TV, ou se teve uma proposital simplicidade por ser um dos primeiros casos resolvidos pelo jovem investigador, não sei dizer.

Mas como disse acima, por consumir casos mais complexos escritos pelos autores citados, com personagens de incrível capacidade de dedução para se equipararem aos crimes quase perfeitos, a expectativa pela resolução dos crimes foi alta, mas não foi atingida.

Talvez esta experiência não tenha incomodado outros leitores, já que nem todos têm fascínio por leituras desta natureza, ou até porque o objetivo não era mesmo ser uma obra complexa. De todo modo, mesmo que as expectativas não tenham sido atingidas por completo, é importante ressaltar que o livro me causou uma sensação de ansiedade e medo, que embora incômoda durante a leitura, sendo um ponto positivo para a obra.

Isto porque a subtrama que acompanha o seriado também está presente no livro, sendo intensificada pela presença de um velho conhecido do universo, o Canceroso e seus planos sem piedade para silenciar aqueles que chegam muito perto da verdade. Além disso, sua presença na vida de Mulder desde sua infância é tanto quanto perturbadora e nos faz pensar muito sobre essa relação dos dois personagens.

Agente do Caos é um livro que eu indicaria para qualquer pessoa que gosta de romances policiais de rápida resolução e que não apreciam tanta complexidade criminal e, ao mesmo tempo, para fãs de Arquivo X que gostariam de conhecer mais detalhes sobre a mitologia da série e sua formação. Para aqueles que precisam Acreditar, acompanhem o nascimento de Fox Mulder, e voltem para me dizer o que acharam e se eu sou exigente demais com meus crimes.

Ficha Técnica

Título: The X Files Origens: Agente do Caos
Autora: Kami Garcia
Editora: Harper Collins
Ilustração da Capa: Ellen Duda
Número de páginas: 309

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O menor som pode acabar com sua vida em Um Lugar Silencioso


Filmes dirigidos e estrelados pela mesma pessoa costumam me deixar apreensivo. A atuação não chega a ser um problema, mas a direção as vezes perde um pouco do olhar crítico sobre a produção e em vários casos vira um dos problemas que assombram um longa. Dito isso, dirigido e estrelado por John Krasinski, chega aos cinemas Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), um terror contido, mas surpreendente em diversos aspectos.

Nele é contada a história de uma família vivendo em uma fazenda nos Estados Unidos. Após alguma espécie de ataque, é criado um cenário pós apocalíptico dominado por assustadoras criaturas que caçam e exterminam qualquer um que produza os mais tímidos sons. É a partir desse conceito que aprendemos mais sobre a família e como eles se adaptaram para sobreviver nesse perigoso novo mundo.

Um ponto bastante interessante do longa é que em momento algum é feita uma introdução ou flashback de como se chegou a esse estado ou qual é a real situação do mundo. O filme se inicia com quase 3 meses do ocorrido e tudo que é revelado é que a cidade aonde essa família se encontra está desolada e que é preciso fazer o mais absoluto silêncio para evitar que essas desconhecidas criaturas os encontrem, sendo apenas mais a frente mostrado em jornais que houve alguma espécie de invasão e o pouco que se descobriu é que é preciso fazer silêncio para sobreviver.

Muito da trama é contar como essa família precisou se adaptar para sobreviver em face ao iminente perigo - Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures. All rights reserved.

E é essa premissa que permeia toda a narrativa. Realizando todos os tipos de tarefas com os menores ruídos possíveis e se comunicando por linguagem de sinais, a família vive em um ritmo muito específico, criando um ambiente quieto, mas que tem muito a mostrar com as personalidades dos protagonistas e com uma trilha sonora bastante presente que não deixa surgir uma monotonia, mas também não estraga a quietude que a história precisa para ser contada.

Muito da trama também trata das relações entre essas pessoas, que já passaram por muito juntas e são carregadas por remorso, arrependimento e uma espécie de aceitação sobre a situação em que se encontram, mas isso acaba sendo bem integrado com a constante tensão de que com o mais simplório som se pode atrair instantaneamente esses seres extremamente mortais.

O diretor John Krasinski consegue introduzir essas ameaças sem instantaneamente revelar como são e funcionam, mas também sem esconder aspectos importantes, deixando ao público descobrir mais sobre elas junto aos personagens. Isso contribui com a atmosfera agoniante que marca o longa, que mistura uma curiosidade sobre o que está acontecendo e um certo receio do próprio espectador em produzir sons (em vários momentos essa ambiência lembra aquela da franquia Cloverfield de constante tensão, mas que não extrapola ou incomoda).

E a parte boa é que esses "monstros" são bastante interessantes e possuem um visual atrativo para fãs do gênero.

Um dos grandes desafios é também ter certeza que as crianças não produzam altos sons - Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures. All rights reserved.

Por mais que a história seja simples por si só, é interessante ver como tudo ocorre nesse cenário contido da fazenda, que é principalmente construído pela família que é todo muito bem interpretada, desde o mais jovem ator ao próprio diretor e representando o pai da família John Krasisnki e a mãe Emily Blunt.

Outra questão importante da narrativa é que há uma progressão tanto dos personagens, quanto da trama em si, que evolui a medida que a ameaça se torna mais presente e cresce também em ritmo a medida que o longa se aproxima do seu fim.