quinta-feira, 20 de julho de 2017

Trama desordenada e caótica faz de Transformers: O Último Cavaleiro um pesadelo dirigido por Michael Bay


Transformers: O Último Cavaleiro traz, pela quinta vez, a interminável luta pela sobrevivência dos Transformers na Terra, expandindo o folclore da franquia para a Idade Média, com a história do Rei Arthur, e mostrando o conflito entre dois mundos.

Em O Último Cavaleiro, Cade Yeager (Mark Wahlberg) vive em um ferro velho entre autobots e decepticons. Como os Transformes foram declarados inimigos da Terra, Cade encontra e ajuda aqueles que pode, até que, durante um resgate, se depara com um artefato milenar ligado à própria origem dos Transformers. Com o surgimento desse artefato, uma série de eventos é desencadeada, fazendo com que o misterioso Sir Edmund Burton (Anthony Hopkins) leve Cade até a Inglaterra, onde o destino da humanidade será decidido.

Uma franquia do tamanho de Transformers, naturalmente pode ser chamada de uma máquina de fazer dinheiro. Seus filmes possuem grandes orçamentos e suas bilheterias são ainda maiores. É, assim, incontestável que Transformers é um grande sucesso cinematográfico, arrebatando públicos, independente de críticas positivas ou negativas.
Mark Wahlberg revive Cade Yeager no quinto longa da franquia - Foto por: Paramount Pictures/Bay F - © 2017 Paramount Pictures. All Rights Reserved. HASBRO, TRANSFORMERS, and all related characters are trademarks of Hasbro.

Dito isso, o fato de ser uma franquia milionária, não leva a implicação de que suas sequências podem ser feitas de qualquer maneira, deixando completamente de lado qualquer preocupação em se construir um trabalho de qualidade com histórias coesas e uma trama minimamente aproveitável, porque Transformers: O Último Cavaleiro falha exatamente em fazer isso.

Em primeiro lugar, falando-se de coesão, não existe nenhuma nesse quinto longa. A trama é simplesmente aberta em um prólogo na Idade Média, aonde o mago Merlin (Stanley Tucci) mais lembra um personagem de Monty Python do que qualquer coisa que se possa levar a sério. E, surpreendentemente, essa não é a parte com problemas do filme. A partir daí, surge uma confusão de narrativas que faz o espectador se perguntar se está assistindo realmente um único filme, ou oito filmes compilados em um só.

Do conto do Rei Arthur, a história é jogada para um confronto moderno entre uma organização que caça Transformers e estes que se escondem em um mundo que não mais os quer. Lá, Cade Yeager recebe um artefato de um antigo transformer cavaleiro, também conhecendo a jovem Izabella (Isabela Moner), uma garota sem lar que ajuda os robôs alienígenas e é acompanhada de um engraçado robô azul à lá R2-D2. Daí, voltamos para Optimus Prime, que está a caminho de seu planeta natal para confrontar Quintessa, a criadora de todos os Transformers.

Logo em seguida, um transformer mordomo muito similar ao C-3PO (inclusive, o próprio filme brinca com a similaridade) que trabalha para o personagem de Anthony Hopkins encontra Cade e o leva para a Inglaterra, deixando para traz a garota Izabella que aparentemente teria mais impacto na trama. Lá, Cade aprende sobre uma sociedade secreta que protege a história dos Transformers e também encontrando a irmã gêmea inglesa de Megan Fox, só que não tão bonita e popular, Vivian Wembley (Laura Haddock). Juntos, eles precisarão impedir que Quintessa, que está se dirigindo à Terra no antigo planeta dos Transformers, Cybertron, obtenha uma antiga arma e destrua o planeta.

De um lado, surge a impressão de se estar vendo diferentes filmes de Transformers dentro de um só, com histórias que poderiam render 3 ou 4 filmes, mas foram todas amarradas em um único projeto, parecendo uma colagem malfeita com cortes grotescos e problemas de continuidade. De outro, as diferentes facetas do filme criam a impressão de serem partes de outros filmes já existentes, por exemplo, em um momento surge uma busca MUITO similar a Código da Vinci, enquanto em momento posterior o filme poderia ser Indiana Jones, logo em seguida, Esquadrão Suicida e depois um filme genérico de guerra.

Anthony Hopkins vive um misterioso lorde que pode ter a solução para a crise enfrentada no longa - Foto por: Paramount Pictures/Bay F - © 2017 Paramount Pictures. All Rights Reserved. HASBRO, TRANSFORMERS, and all related characters are trademarks of Hasbro.

O ponto é que não há uma linha contínua, havendo, em diversos momentos, uma dificuldade de se acompanhar o desenvolvimento da trama e criando questões como "por que a organização que odeia transformers está se aliando aos decepticons?" ou "por que aquele submarino não está falando?", "por que Anthony Hopkins está nesse filme?" e, ainda "o que está acontecendo? Será que eu dormi e perdi uma parte da história?".

Além disso, atuação medíocre e um péssimo humor só desfavorecem a qualidade do longa, variando de piadas de mau gosto, humor sexista e a presença do personagem negro estereotipado que está lá apenas para trazer alívio cômico. Outro ponto negativo é a constante necessidade de se colocar uma "mulher objeto" em um filme de ação, que dessa vez é vivida pela atriz Laura Haddock.

Para ser justo, há sim pontos positivos no longa, que conta com um CG impecável e impressionantes visuais. Ainda, a sequência tem menos cenas de luta entre Transformers que as anteriores, ficando mais fácil de acompanhar as batalhas em si.

Transformers: O Último Cavaleiro acaba desabando sobre si mesmo com uma história má estruturada e uma falta de preocupação com o avanço da franquia, levantando a questão se o diretor Michael Bay realmente se preocupa com os fãs ou se o seu real interesse está em suas carteiras.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Inverno chegou e Westeros ficará em chamas na Sétima Temporada de Game of Thrones


Após uma longa espera, Game of Thrones finalmente retornou com uma grande abertura para a sua sétima temporada. Prometendo ser a mais cinemática e ambiciosa até agora, a temporada teve sua estreia em um tom contido, revelando o paradeiro da maioria dos seus protagonistas e preparando o terreno para as grandes batalhas e eventos que vem por ai.

Atenção! Essa matéria contém spoilers do episódio 7x01!

O episódio teve seu início em possivelmente uma das mais brutais, mas muito desejada por boa parte da fanbase, cenas das últimas temporadas. A Casa Stark, desde o começo da série, conquistou muitos com o carisma, lealdade e honestidade dos seus membros, assim como criou muito sofrimento para os fãs que tiveram que suportar todas as traições e perdas por eles sofridas, em especial no infame Casamento Vermelho. Desde então, os Frey se tornaram uma das mais odiadas casas de Westeros, até que finalmente os Stark tiveram sua vingança ao final da sexta temporada, quando Arya assassinou Walder Frey.

A entrada da nova temporada ocorreu com um banquete na Casa Frey, Nas Gêmeas, com o falecido Walder Frey parabenizando seus filhos e demais membros da Casa. Dada a sua morte, a cena poderia ter sido um flashback, mas após uma breve mudança no seu discurso, qualquer espectador atento pôde perceber que muitas mortes estavam prestes a ocorrer. Em um momento muito gratificante, todos os Frey começam a cair envenenados enquanto eram lembrados do que fizeram contra os Stark e Arya se revela do disfarce de Walter, terminando a cena com a icônica frase "O Norte se lembra".

Arya (Maisie Williams) e o soldado Lannister representado pelo cantor Ed Sheeran - Foto por HBO

Seguidamente a essa fria cena, vem a abertura e começa a sétima temporada. Se uma coisa pode ser tirada desse prólogo, é que a penúltima temporada de Game of Thrones, como não foi diferente no restante da série, terá sua boa quota de mortes e histórias a muito iniciadas terão suas recompensas nesse novo ano.

O episódio, no geral, faz um bom trabalho nisso. Várias pontas deixadas e subtramas anteriores são relembradas e exploradas na estreia, sendo bastante tempo utilizado para relembrar o espectador dos rápidos acontecimentos da temporada passada e revelar um pouco do caminho que cada personagem principal seguirá dessa vez.

Há, então, uma breve cena de Bran chegando a Castelo Negro, onde é recebido por Edd. Apesar de sua participação terminar por ai, como o novo Corvo de Três Olhos, Bran possui muita informação que será crucial para a vitória contra o Rei da Noite, com certeza aparecendo mais no futuro.

Em Winterfell, Jon Snow, agora liderando o Norte, precisa lidar com as consequências da Batalha dos Bastardos. Como mostrado no episódio, há certa divergência de opiniões sobre como governar as casas do Norte entre Jon e Sansa. Após aguentar todo o abuso de Joffrey e Ramsay, Sansa certamente quer sua independência, por isso entrando em conflito com Jon. Muito provavelmente, essa disputa de poder sobre a liderança do Norte será um dos temas abordados ao longo da temporada, em especial com a presença de Mindinho como um especial causador de problemas.

A relação entre o Mindinho (Aidan Gillen) e Sansa (Sophie Turner) será um dos temas da temporada - Foto por HBO

Passando para Porto Real, Cersei está sobre o seu quase pronto mapa de guerra, quando Jaime a encontra. Com o incontestável fato de que eles estão cercados por inimigos (Os Stark ao norte, Daenerys ao leste, Dorne ao sul e os Tyrell ao oeste), Cersei busca novos aliados marcando um encontro com Euron Greyjoy e sua incrível armada. Com o crescente espaço dado aos Greyjoy na série, a sétima temporada finalmente é o momento em que sua participação será vital. O conflito de Euron como principal apoiador de Cersei contra Theon e Yara ao lado de Daenerys será outro ponto que provavelmente terá uma conclusão ainda nessa temporada, uma vez que os trailers mostram uma grande batalha de navios que acontecerá.

Já Cersei, ainda que pareça encurralada, certamente não será facilmente vencida. Ainda que a ameaça dos Caminhantes Brancos seja muito real, grande parte das batalhas da temporada provavelmente focaram o confronto entre o exército de Daenerys e de Cersei, então há muito para se esperar. Além disso, outra grande batalha deve ocorrer em Rochedo Casterly, onde Jaime defenderá a última fortaleza dos Lannister.

Cersei (Lena Headey) e Jaime (Nikolaj Coster Waldau) encaram ainda mais inimigos - Foto por HBO

Ao longo do episódio é revelado, ainda, que Arya está se dirigindo para Porto Real, havendo um cômico encontro com soldados dos Lannister, estando, entre eles, o participante convidado e cantor Ed Sheeran. Esse breve momento serve como bom ponto de descontração, em especial quando Arya conta aos soldados que planeja matar a Rainha e todos caem na risada. Afinal, como uma garotinha conseguiria fazer isso?

Outro instante usado para aliviar a tensão do episódio é a vida de Sam como aprendiz na Cidadela. Apesar de estar lá para adquirir conhecimento necessário para derrotar o exército dos mortos, Sam passa seus dias lavando latrinas e preparando comida para os idosos Meistres. Em um tom diferente das demais cenas, a nojenta e exaustiva rotina de Sam é rapidamente mostrada ao espectador de um modo engraçado em um ambiente bastante similar a Hogwarts, mas como apontou o produtor Bryan Cogman “Sam aparece nesse lugar incrível, onde ele acha que conseguirá todas as respostas e todos os seus talentos serão colocados em bom uso. Mas isso não é Hogwarts e o meitre não é Dumbledore.

Na Cidadela, Sam descobre que Pedra do Dragão, onde Daenerys está, tem jazidas do Vidro do Dragão, uma das poucas coisas que pode matar um Caminhante Branco. Ele encaminha a mensagem para Jon, sendo este provavelmente o elo que fará Jon ir até Daenerys.

Também vemos mais do Cão de Caça, Sandor Clegane, que viaja junto a Thoros de Myr e Beric Dondarrion. Clegane tem uma visão nas chamas da chegada do exército dos mortos na Muralha, confirmando a jornada do grupo para sua direção. Muito possivelmente, eles se encontraram com Jon antes de cruzar a Muralha e em algum momento estarão cercados de caminhantes, como mostram os trailers da temporada.

Ao final do episódio, Daenerys e seu exército finalmente chegam à Westeros, tomando a Pedra do Dragão para si. Em silenciosas, mas poderosas cenas, Daenerys caminha pelas paredes do castelo, chegando ao trono e à mesa de guerra antes usados por Stannis. O curto momento é bastante significativo para qualquer fã, uma vez que, desde o início de Game of Thrones, a chegada de Daenerys a Westeros é premeditada.

A estreia da sétima temporada se encerra, assim, com um simples "Vamos começar?" vindo da Mãe dos Dragões, que provavelmente foi respondido por sonoros "SIM" vindos dos espectadores.

sábado, 8 de julho de 2017

Castlevania surpreende com animação fantástica em um mundo prestes a sucumbir às forças do mal


A recém lançada Castlevania é a nova série da Netflix baseada na clássica franquia de games de mesmo nome, adaptando especificamente a história de Castlevania III: Dracula’s Uprising, que conta acontecimentos anteriores ao game original de 1986.

Em formato animado, a série teve sua primeira temporada dividida em quatro episódios marcados por bastante ação, violência e uma surpreendente animação para contar a história do caçador de vampiros e outras criaturas da noite, Trevor Belmont.

No primeiro episódio, em forma de prólogo, a série conta como o vampiro Vlad Drácula Tepes se apaixona por Lisa da aldeia de Lupu, se casando com ela e passando a viver junto aos humanos, até que, anos depois, ela é queimada na fogueira como uma bruxa. Isso faz com que Drácula perca as esperanças na humanidade, invocando um exército de demônios para acabar com toda a vida na Wallachia.

A trama passa a seguir, então, Trevor Belmont, o último filho da Casa dos Belmont, um clã conhecido por suas habilidades para lutar contra monstros. Deparando-se com a tragédia que assola a Wallachia, Trevor se une a inesperados companheiros para enfrentar Drácula e suas hordas de demônios como a última esperança do país.

O caçador de vampiros Trevor Belmont inicia sua batalha contra as forças de Drácula - Imagem: Reprodução Netflix

Com uma breve história, a primeira temporada de Castlevania aborda apenas o início da cruzada de Trevor contra Drácula, dando maior foco na introdução do universo e de seus personagens principais. Dito isso, ainda que seja baseada no game Castlevania III,  não é necessário que o espectador tenha jogado o game ou até mesmo conheça a franquia Castlevania, uma vez que a história é muito bem contada e também é autoexplicativa.

E não apenas isso, do jeito que os acontecimentos são narrados é criada a impressão de que a temporada é um filme de quase duas horas dividido em quatro partes, com eventos envolventes e cenas de ação brilhantemente construídas, o que torna Castlevania um seriado fácil para se assistir de uma só vez.

Animada pela Powerhouse Animation Studios e pela Frederator Studios a série guarda um alto nível técnico similar à aquele usado nos animes, possibilitando batalhas intensas e altamente detalhadas com momentos memoráveis. Além disso, o estilo da animação combina perfeitamente com a tonalidade da narrativa, que é carregada por uma ambiência gótica em um mundo cheio de criaturas e com pouca esperança.

Da mesma maneira, esse estilo é caracterizado por uma brutalidade que certamente é mais voltada para um público mais adulto, com uma boa quantidade de vísceras, desmembramentos e sangue. Ainda que os confrontos não variem muito daquilo visto em animes, o visual visceral explícito em Castlevania traz uma nova visão para adaptações ocidentais animadas apresentando características únicas.

E de modo algum a animação é apenas uma representação do macabro ou uma desculpa para mostrar sangue e mortes violentas, pois, apesar de possuir uma essência nesse sentido, a série também dedica esforços para explorar a luz da humanidade, que lá é representada principalmente por Trevor Belmont como a última esperança em meio a tanto caos.

Um enfurecido Vlad Drácula Tepes busca vingança contra toda a Wallachia - Imagem: Reprodução Netflix

Juntamente a Trevor, que demonstra um ar desinteressado, mas que, no fim, possui um grande senso de justiça, há um relevante rol de personagens que mantém a narrativa interessante. Dentre eles, é curioso ver como a Igreja é retratada, em sua maioria, como uma força antagônica mais presente até mesmo do que o próprio Drácula e suas forças.

Além da história, Castlevania possui outros grandes acertos que contribuem para a formação de uma excelente primeira temporada. Um deles é a equipe de dublagem, que integra muito bem a expressão dos personagens com vozes bastante adequadas às suas personalidades. A trilha sonora complementa o cenário devastado da Wallachia e a abertura exibida no primeiro episódio é um presente para amantes da animação.

A primeira temporada de Castlevania da Netflix, portanto, representa um extraordinário começo para uma possivelmente extraordinária aventura, uma vez que com apenas quatro episódios muito pouco da mitologia dos games e da própria trama de Castlevania III: Dracula’s Uprising é explorado, o que, por sorte, pode ser resolvido com a segunda temporada que já foi confirmada para 2018.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar marca retorno do icônico amigo da vizinhança para a Marvel



Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) é um grande marco não apenas para o universo cinematográfico da Marvel, como também para todo o gênero dos super-heróis nos cinemas. Sem dúvidas um dos mais icônicos heróis de todos os tempos, o Homem-Aranha encara uma nova encarnação nas telonas, dessa vez interpretado pelo promissor Tom Holland e finalmente sob a supervisão e produção da Marvel Studios.

Mas qual o porquê da relevância desse filme, considerando que já existem adaptações anteriores do personagem? A primeira questão é que diferente das franquias mais recentes (tanto a trilogia de Sam Raimi interpretada pelo ator Tobey Maguire, quanto a recente franquia do Espetacular Homem-Aranha dirigida por Marc Webb e interpretada por Andrew Garfield), De Volta ao Lar surgiu de um acordo entre a Marvel Studios e a Sony que permite o compartilhamento do herói e o integra no MCU. Isso é extremamente importante para a Marvel, pois com o envelhecimento dos seus principais atores no cinemas, ter um jovem Peter Parker para encabeçar o seu universo cinematográfico é essencial para a continuação do sucesso da marca.

Outro ponto é que, agora "sob a asa" da Marvel, mais histórias e personagens do aracnídeo podem ser adaptados, o que, juntamente com os recursos que a empresa tem a oferecer, dá maior perspectiva para o sucesso dessa nova fase do Aranha, que tem algumas das melhores histórias dos quadrinhos para oferecer.

De Volta ao Lar conta a história de um jovem Homem-Aranha - Foto por Chuck Zlotnick - © 2017 CTMG, Inc. All rights reserved.

Dito isso, o longa segue a história de Peter Parker (Tom Holland), um jovem nos seus 15 anos que tenta balancear as responsabilidades na escola com sua iniciante carreira como super-herói. Após ter suas habilidades reconhecidas pelo bilionário Tony Stark (Robert Downey Jr.) em Capitão América: Guerra Civil, Peter busca provar que faz jus ao uniforme, enquanto lida com seus problemas diários no Queens, até que uma nova ameaça surge na pele do assustador Abutre (Michael Keaton).

Aproveitando diretamente os acontecimentos de Guerra Civil, De Volta ao Lar rapidamente conta como Peter foi recrutado por Tony Stark através de seu motorista Happy Hogan (Jon Favreau) e relembra alguns dos eventos da batalha do aeroporto na visão de Peter. A partir daí, o Peter volta para sua vida cotidiana, mantendo Happy como seu contato em caso de quaisquer eventualidades.

Ainda que a divulgação do longa tenha sido quase que inteiramente realizada se utilizando o rosto do Robert Downey Jr. em trailers e posters (o que até mesmo criou uma brincadeira na internet sobre o filme ser uma continuação não-oficial de Homem de Ferro), Homem-Aranha: De Volta ao Lar, por sorte, não conta com tamanha presença do veterano do MCU como indicado na divulgação. A maior parte da interação de Peter acaba sendo com Happy, mesmo que este o ignore na grande maioria do tempo, cabendo a Tony Stark intervenções pontuais que acabam sendo bastante construtivas para a trama.

Tom Holland interpreta o mais novo Peter Parker com jovialidade e dedicação - Foto: Reprodução Internet

O valor disso é que sobra mais espaço para que Peter Parker se desenvolva enquanto pessoa e para que sua persona do Homem-Aranha ganhe sua identidade enquanto um herói independente. Assim, os poucos momentos em que Tony efetivamente aparece na história servem para solidificar sua figura de mentor, uma vez que, no longa, Peter ainda é muito jovem e inexperiente, o que se revela como um dos elementos centrais da narrativa.

Uma grande parte do filme é dedicada para trabalhar a vida colegial do jovem, mostrando suas relações e a dificuldade de esconder suas atividades secretas enquanto aprende a ser um herói. Nesse caminho, ele é apoiado por um bem explorado grupo de personagens interpretado por um excelente elenco, em especial o cômico Nes Leeds, interpretado por Jacob Batalon, e a jovem e atraente Tia May interpretada por Marisa Tomei (Com uma beleza que rende boas risadas).

Mais um acerto do roteiro e da direção foi optar por não recontar a história do Tio Ben e como Peter ganhou seus poderes. Depois das adaptações anteriores, é seguro dizer que esses eventos são de senso comum, existindo apenas pequenas referências para ambos acontecimentos nesse novo trabalho.

Além disso, há um bom aproveitamento de elementos já conhecidos do universo cinematográfico da Marvel, inclusive com uma similar trilha sonora às outras obras da franquia, que auxiliam na estruturação da história, mas não intervém a ponto de Homem-Aranha: De Volta ao Lar ser apenas mais um filme da Marvel. Pelo contrário, funciona ele como obra individual muito bem amarrada que serve como ponto de partida para uma promissora desenvoltura do aracnídeo.

Michael Keaton vive o perigoso e intenso Abutre - Foto: Reprodução Internet

Um dos aspectos que o caracteriza como tal, é o surpreendentemente bem trabalhado Adrian Toomes, o Abutre. Tem se popularizado que os vilões da Marvel nos cinemas nem sempre tem sido o melhor que poderiam ser, seja diante de fracas atuações ou motivações irrelevantes, o que não se repete com o Abutre. Com motivações bastante plausíveis, um vínculo direto criado com o herói e uma intensidade singular, o icônico vilão foi personificado com maestria por Michael Keaton, que se revela como uma ameaça real para Peter, se solidificando como um dos melhores vilões de filmes de super-heróis da história recente.

O filme conta, ainda, com positivas participações de Zendaya, Tony Revolori e Donald Glover, mas é Tom Holland que acaba sendo o grande destaque da trama, dando um novo sopro de vida para o popular, mas recentemente colocado de lado, Homem-Aranha. A dedicação do ator na divulgação e preparação do longa foram exemplares para mostrar seu nível de comprometimento com o papel, que ficam evidentes na tela e criam uma carismática nova encarnação de Peter Parker nos cinemas.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar se constrói, assim, como um início sólido para o aracnídeo com história e personagens envolventes.

domingo, 2 de julho de 2017

Gavan vs Dekaranger traz o melhor que existe no Tokusatsu


Depois de uma sólida introdução do novo universo em "Girls in Trouble", "Gavan vs Dekaranger" dita como serão os próximos filmes dirigidos por Sakamoto dentro da Toei.

A audaciosa missão de criar um universo compartilhado com heróis do panteão de Tokusatsu da Toei é real, Koichi Sakamoto, um dos diretores mais populares do gênero começa a moldar as próximas histórias com um longa metragem honesto e que exalta o melhor dos heróis de spandex e armaduras brilhantes.

Geki (Gavan Type-G) ao lado dos Dekaranger - Foto: Reprodução internet

Gavan vs Dekaranger (2017) começa pouco tempo depois dos eventos de Girls in Trouble (2017) e traz novamente Geki (Gavan Type-G) o substituto do Gavan original em uma missão ao lado de sua parceira Shelly. O herói desafia o terrível MacGaren (popular vilão de Jaspion) para um combate onde sai bastante machucado e a Detetive é raptada pelo inimigo. De volta à base o herói pede para sua superior uma chance de se vingar do misterioso vilão mas não é autorizado por causa dos danos sofridos em combate. Geki, sem ninguém para ajudá-lo, vai até a Terra encontrar o esquadrão Dekaranger para descobrir quais são os planos de MacGaren.

O crossover que foi um dos mais esperados dentro da comunidade de fãs e que tinha planos para ser lançado somente em home-video, mais tarde acabou indo para as telonas é uma verdadeira aula de como fazer um bom longa metragem de Tokusatsu.

Sakamoto, junto com o roteirista Naruhisa Arakawa (Gokaiger, 2011) traz um filme sólido com uma história muito bem desenvolvida e que aprofunda os personagens de ambas as sagas (Gavan e Dekaranger) de forma que até mesmo aqueles que não acompanharam os mesmos em suas primeiras aventuras se encanta por eles e entende suas personalidades e dramas.

As lutas são bem coreografadas e ousadas e, em diversos momentos, remetem aos seriados dos anos oitenta e noventa onde boa parte dos combates eram com os personagens destransformados e mostrava que para ser um herói não era preciso trajar uma armadura especial. Outro detalhe que não pode passar despercebido é o salto de qualidade no uso de computação gráfica, é notável um investimento muito maior nas cenas com locações fora do planeta terra e na nave do Detetive Espacial Gavan.

MacGaren está de volta! - Foto: Reprodução internet

Como já comentado em outra matéria aqui no Mega Hero, a proposta dos filmes Space Squad é construir um universo compartilhado com heróis pouco explorados pela Toei atualmente. Gavan vs Dekaranger é recheado de easter-eggs e referências a seriados do passado e personagens que cativaram não só os japoneses como também os brasileiros que vivenciaram o "boom" do Tokusatsu na extinta Rede Manchete. O filme deixa o final em aberto dando múltiplas opções para que sejam contadas outras histórias e resgatados heróis populares das duas franquias, Super Sentai e Metal Heroes apresentadas no início do longa.

Um dos momentos mais interessantes da história é um diálogo entre o novo e velho Gavan que de forma definitiva faz a passagem de tocha entre o clássico herói dos anos 80 para Geki, um substituto à altura. E se você gostou de Girls in Trouble, o longa metragem anterior, Gavan vs Dekaranger abre uma brecha para outras aventuras com as protagonistas femininas.

Fã de Tokusatsu ou não Gavan vs Dekaranger é uma divertida e emocionante aventura para ver e rever quantas vezes quiser. E não se desespere, o futuro do planeta Terra e da galáxia está em boas mãos.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Girls in Trouble: Poder feminino no universo Tokusatsu


O prelúdio de Gavan vs Dekaranger tem identidade própria e apresenta velhos personagens sobre outra ótica entregando uma emocionante e sombria aventura.

A primeira parte da "saga" Space Squad foge bastante do padrão dos últimos não só da Toei como também de boa pate das produções de Tokusatsu quando traz um longa metragem focado somente em personagens femininas. Girls in Trouble é uma ótima adição ao imaginário dos heróis de spandex tanto em formato quanto em história.

O filme começa com as personagens Jasmine (Deka Yellow) e Umeko (Deka Pink) aprisionadas em um local com uma terrível criatura. Não demora muito tempo para descobrirem que não estão sozinhas e também no lugar obscuro estão as detetives Shelly e Tammy, além de uma outra misteriosa personagem que ajuda as garotas a lutarem contra a terrível criatura. Rapidamente descobrimos que tudo isso é um teste em realidade virtual para lutar com esse monstro que existe no mundo real. A missão é liderada pela bizarra Birdie que coloca as duas integrantes de Dekaranger de lado por conta das suas fraquezas.

As protagonistas de Girls in Trouble - Foto: Reprodução internet

Se você está familiarizado com a atmosfera dos Super Sentai terá um grande choque quando assistir Girls in Trouble, Koichi Sakamoto consegue transportar personagens de um seriado infanto-juvenil dentro de um filme mais adulto com direito a muito sangue e cenas de luta diferenciadas do que vimos em 2004 quando a série original foi transmitida. O mesmo vale para as duas detetives, principalmente a Shelly, que nesse longa ganha muito mais destaque e Tammy, a parceira de Shaider que mostra os seus poderes anteriormente vistos em Shaider: Next Generation (2014).

A trama apesar de simples é bem convincente e serve como piloto para o universo expandido que Sakamoto está planejando (leia mais sobre ele aqui), inclusive trazendo personagens clássicos dos Metal Heroes dos anos 80 agora repaginados mas que trazem as características das suas versões originais incluindo um cameo de um grande vilão que só veremos na continuação dessa história.

O diretor é conhecido pelas suas ótimas tomadas de luta e com Girls in Trouble o mesmo tem uma liberdade em mostrar as protagonistas lutando em forma civil fazendo você inclusive esquecer que elas podem se transformar ou ter poderes especiais, talvez uma homenagem também às séries originais onde as lutas com os atores eram muito presentes deixando a parte de transformação para o climax do combate. A trilha sonora não é um forte no filme e pode passar despercebida em vários momentos, o que inclui a música tema do longa que é colocada sem coerência em um momento especifico da história.

Jasmine e Umeko em suas poses de transformação - Foto: Reprodução internet

Girls in Trouble é um filme que foge da fórmula vista nos últimos anos dentro das produções de Tokusatsu e é ousado em vários momentos sem medo de criar uma identidade própria. É super recomendado que assista ele antes de Gavan vs Dekaranger para você entender um pouco mais as heroínas que na maioria das vezes não ganham tanto destaque em grandes produções.