Bloodshot é a tentativa da Sony de emplacar seu próprio universo de super heróis


Em tempos onde Marvel e DC ditam o cinema que envolve super heróis, uma outra editora busca abocanhar uma parcela desse mercado, mas será que ela tem poder e vontade pra isso?

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A Valiant Comics ainda é uma "recém-nascida" se compararmos com as outras citadas anteriormente, mas tem um potencial tremendo. Apesar de ter pouco mais de três décadas, a Valiant criada por Jim Shooter (ex-editor da Marvel) já tem uma fã-base considerável e um prestígio dentro da comunidade de consumidores desse tipo de mídia. Personagens como Ninja, X-O Manowar e o próprio Bloodshot, já são amplamente conhecidos e seus quadrinhos já se popularizaram.

Entre 2015 e 2019 a SONY adquiriu os direitos para produzir cinco longas baseados nos quadrinhos de Bloodshot e Harbinger. E a primeira etapa chega aos cinemas agora em 2020 com a adaptação de Bloodshot com Vin Diesel no papel principal.

Vin Diesel é o imparável Ray - Foto: Reprodução internet

David S. F. Wilson (Love, Death and Robots) dirige a adaptação que traz elementos de ficção científica e longas de ação dos anos 90. Na trama, Ray Garrison (Vin Diesel), um soldado americano é morto em uma missão e ressuscitado como super-humano pela empresa RST, comandada pelo misterioso Dr. Emil Harting (Guy Pearce). O corpo de Ray agora conta com um exército de nanorobôs que lhe concede força sobre-humana e uma capacidade de regeneração inimaginável. Mas, ao controlar o seu corpo, a empresa controla também a sua mente e memórias. Agora, Ray não sabe o que é real e o que não é, mas está decidido a descobrir a verdade.

Nos primeiros minutos de filme acreditamos que "Bloodshot" se encaixa no que chamamos de filme de "vingança" e surpreendentemente se desenrola em uma trama que envolve conspiração onde o telespectador fica em um limiar para tentar descobrir o que é real e o que não é real. Com certeza esse é o elemento que faz com que a obra não se perca no "filme genérico de ação" e traga algo minimamente interessante de se acompanhar.

Ray ganha uma segunda graças à tecnologia da RST comandada por
Emil Harting - Foto: Reprodução internet 

Apesar de ser baseado no personagem da Valiant, David S.F. Wilson faz uma adaptação palatável para todos os tipos de público. Não é necessário um conhecimento prévio de Bloodshot para se aventurar no universo. Obviamente os fãs de longa data vão encontrar easter-eggs e outras referências espalhadas pelo filme, mas nada que comprometa o enredo para quem não consome os quadrinhos.

Vin Diesel consegue captar o amargurado e implacável Ray Garrison, enquanto todo o elenco de apoio encabeçado pela atriz Eiza González que faz a personagem KT, circunda o personagem principal criando uma história de origem consistente e de fácil compreensão.

Ray ganha um poder sobre-humano graças aos nano robôs - Foto: Reprodução internet 

A falta de uma trilha sonora marcante deixa o filme sem uma identidade. Momentos onde era necessário uma música para dar enfase a uma situação especifica, acaba ficando apático e esquecível. O teor violento da obra original também foi amenizado para que o filme atingisse um público maior e é até entendível caso a Sony planeje criar uma série de longas dentro do universo da Valliant com o intuito de alcançar os mais jovens.

Bloodshot pode ser a porta de entrada para quem não conhece os personagens da Valliant e também um entretenimento para quem quer apenas um filme de ação com uma pitada de ficção científica.

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