A Possessão de Mary é um trágico naufrágio causado pelos seus inúmeros problemas


Em qualquer produção, há o comum e o ruim. Ambos são muitas vezes confundidos, pois vivemos em uma era onde o ''original'' quase que não existe mais. A verdade é que a vasta maioria das histórias atuais tem influência, até certo ponto, de algum trabalho ou ideia anterior, o que não é algo ruim. O problema é quando se confunde algo comum, o que é usual, habitual, ou seja, algo que já vimos, com algo mal produzido e sem qualquer senso de comprometimento.

Filmes de terror tem inúmeros elementos que caem na categoria do ''comum''. As críticas costumam ser severas e muitos são desconsiderados como produções ruins, quando na maioria dos casos são apenas mais uma dentre várias outras produções similares. Dito isso, há produções que pecam excessivamente na qualidade, se apoiando demais em muletas como jumpscares e outros. Como se a quantidade de sustos definisse a qualidade de um filme de terror.

A Possessão de Mary navega com toda velocidade para essa categoria. Quando uma família marcada por traumas recentes tenta reconstruir a sua relação ao adquirir um barco com antecedentes duvidosos, eles logo descobrem que a sua primeira viagem nessa nem um pouco suspeita embarcação pode ser a sua última.

A premissa é simples e direta. Ainda que limitadora, funcionaria bem mantendo o terror no lado psicológico, pois com o pequeno espaço que se tem no barco, não há tanto que se possa fazer em um filme de assombração (o que já elimina sereias, o Kraken e outras criaturas marinhas que poderiam deixar essa viagem mais assustadora).

Diante disso, a trama segue um caminho fraco, se apoiando fortemente nos muitos jumpscares e na subtrama de uma traição que dividiu a família. Ainda que relevante, o tema se repete várias vezes, consumindo tempo que poderia ser usado para desenvolver qualquer um dos 5 outros tripulantes, que não a mãe (Emily Mortimer). É impressionante ver como é mal utilizado Gary Oldman, que fica solto e irrelevante no longa, da mesma forma que os demais.

Dentre os muitos problemas que A Possessão de Mary possui alguns deles são: Não criar uma ambiência apropriada, não explicar mais e nem saber trabalhar a entidade, o uso repetitivo de sonhos e a falta de um fim para história, pois o filme literalmente termina sem um desfecho próprio.

São problemas de roteiro e direção que ficam mais evidentes a medida que a trama progride e, diferente de filmes comuns, que podem ser considerados chatos e entediantes, este passa claramente a imagem de uma produção má planejada, executada e não acabada.

Se a ideia é trabalhar com o espírito vingativo de uma bruxa secular, por que não explorar mais do passado dela? No fim das contas a entidade é mais um fantasma genérico, com motivações genéricas e toda a obra tem tantos problemas que acabam ofuscando quaisquer vantagens que estariam presentes em A Possessão de Mary.

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