Em Cartaz

Scream: Ressurection é uma tímida porém, interessante temporada


Depois de um longo hiato, o seriado Scream retornou para uma curta e interessante temporada no VH1.

O Slasher noventista de Wes Craven é considerado por muitos como uma das grandes obras do gênero, esse mérito vem por conta da reinvenção do estilo que havia se desgastado no final dos anos 80 com as incansáveis sequências de Sexta-Feira 13 e a A Hora do Pesadelo. O personagem Ghostface tornou-se um ícone da cultura pop e como de costume também ganhou continuações e até mesmo um seriado em 2015.

A primeira interação da franquia na televisão aconteceu em 2015 com a série Scream no canal MTV. Entre 2015 e 2016 acompanhamos um núcleo de jovens adolescentes que tinham como objetivo desvendar uma misteriosa (e interessante) história envolvendo assassinatos na "pacata" cidade de Lakewood. Apesar de carregar o nome da franquia, a icônica máscara do Ghostface não apareceu em tela. O que não tirou o brilho da série e me divertiu bastante na época.

Scream: Ressurection marca o retorno da máscara original de Ghostface - Foto: Reprodução internet

Em 2016 correram rumores que a série iria ser cancelada e nunca mais teríamos a chance de ver "Pânico" na televisão. Três anos se passaram e de surpresa (literalmente) a VH1 lançou uma terceira temporada, com um novo elenco, nova atmosfera e o retorno do Ghostface que conhecemos.

Dividida em 6 seis episódios, cada um com mais ou menos 43 minutos de duração, a terceira temporada de Scream acompanha o jovem Deion Elliot (RJ Cyler / Saban's Power Rangers) um grande astro do futebol americano cujo passado trágico volta a assombrá-lo no momento mais tenso de sua vida, ameaçando seus planos e colocando-o ao lado de um improvável grupo de amigos enquanto eles tentam sobreviver a um assassino mascarado.

Clube dos Cinco ou dos Seis?

A terceira temporada intitulada Scream: Ressurection é carregada de referências que se misturam com a narrativa, dando um ar diferente e ao mesmo tempo familiar. Wes Craven trabalhou como produtor executivo em cinco episódios antes de falecer, o que garante a estética da franquia preservada no seu âmago.

O grupo de jovens aqui é bem diverso e tenta quebrar o padrão dos filmes slasher, mesmo caindo no nos clichês que conhecemos. Apesar de cada um deles ter uma personalidade distinta, são pouco aproveitados por conta do número reduzido de episódios, o que faz com que a trama fique corrida e engessada até o terceiro episódio, onde temos uma mudança de ritmo e o diretor encontra o tom que a série deve seguir.

Quando o passado de Deion volta à tona, todos os amigos e conhecidos ao seu redor vão se envolvendo de alguma forma, diretamente ou indiretamente e um a um, eles caem nas mãos do Ghostface que agora usa a máscara original e teve sua voz dublada pelo ator dos filmes clássicos, Roger L. Jackson. Uma outra grande adição ao elenco é o veterano Tonny Tod (O Mistério de Candyman e Premonição) que protagoniza um dos momentos mais emblemáticos e apavorantes da temporada.

O novo grupo de jovens que precisa escapar de Ghostface - Foto: Reprodução internet

Contagem de corpos

Um dos elementos cruciais para que uma obra slasher funcione, é como as mortes são feitas. Apesar do número reduzido de corpos nessa terceira temporada, os roteiristas conseguiram trazer situações diferentes e até criativas. O fã mais hardcore irá sentir falta de uma presença maior do assassino nas cenas, Ghostface aparece e desaparece muito rápido.

O último episódio "Endgame" se assemelha bastante com a quadrilogia original e tem uma das reviravoltas mais divertidas da franquia. Qualquer spoiler pode estragar toda a investigação para descobrir quem é o assassino.

Foi uma volta triunfal?

Talvez um dos maiores problemas de Scream foi a tímida divulgação da emissora. Com a abrupta mudança de elenco, muitos telespectadores ficaram perdidos com o que estava acontecendo e quando se situaram, a temporada já estava no fim.

Claro que tudo isso foi um reflexo da baixa audiência da temporada anterior, mas a equipe de produção poderia ter tido um cuidado maior e sobretudo respeitar o que já foi feito antes. Scream: Ressurection se destaca por seguir um tom mais sombrio e com uma história mais contida, mas sente dificuldade em querer mostrar quem são os jovens que estão em perigo. Apesar de tudo, tem um saldo positivo e um "gancho" para uma quarta parte.

Publicado por Raphael Maiffre

Apaixonado por cultura pop oriental, especificamente o gênero Tokusatsu e aficionado por filmes de terror e ficção científica.

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