quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Assassinato no Expresso Oriente é um filme inteligente e mantém a essência dos romances de Agatha Christie


Uma das obras-primas da celebrada romancista Agatha Christie, O Assassinato no Expresso Oriente, é recontado na super produção cinematográfica dirigida por Kenneth Branagh, também no papel do novo mais famoso detetive que você irá conhecer, Hercule Poirot.

Ao ter de retornar a Londres para a resolução de outro caso ainda em andamento e após solucionar um caso bastante excêntrico em Jerusalém, Poirot consegue uma disputada vaga no famoso Expresso Oriente, trem que ligava Istambul a Paris reservado àqueles de maior poder aquisitivo. Como o crime parece persegui-lo, após sua primeira parada e um acidente descarrilhando a locomotiva por causa da neve, um passageiro é assassinado dentro de sua própria cabine, mas felizmente Hercule Poirot está a bordo para encontrar o assassino em um crime tão tenso e complexo.

A ambiência da história mantê-se bastante fiel ao romance e preserva o trem, locação principal onde a maior parte da trama irá se passar, com aparência antiga e luxuosa percorrendo sua rota original. O Expresso Oriente era uma locomotiva que possuía leitos, bares e restaurantes para acomodar seus exigentes passageiros que passavam um tempo considerável dentro do trem se quisessem percorrer seu trajeto completo.
Kenneth Branagh como Hercule Poirot e Daisy Ridley como Mary Debenham. Foto: 20th Century Fox

Presos por uma grande quantidade de neve e impossibilitados de sair do trem, a única opção dos presentes passageiros é serem interrogados por Poirot, que decide aceitar o caso para não manchar a reputação do Expresso Oriente e não atrasar seu retorno para casa. Mas nada é tão simples, pois suas investigações com os passageiros o jogam em uma rede de informações deturpadas e acontecimentos que não se encaixam com o crime cometido, assim como uma peça de quebra-cabeça em local errado.

A vitima é Edward Ratchett (Johnny Depp), um homem de negócios corrupto que já estava recebendo cartas ameaçando sua segurança. Ao lado de sua cabine, se encontra Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer), uma socialite barulhenta e dramática que jura que um homem invadiu seu quarto na noite do assassinato. Ratchett possuía dois empregados, um secretário e um mordomo que o serviam em todas as situações e que rapidamente viraram suspeitos do detetive.

Ainda estão envolvidos como suspeitos na trama a Princesa Dragomiroff (Judi Dench), sua dama de companhia Hildegarde Schmidt (Olivia Colman), o estudioso Gerhard Hardman (Willem Dafoe), a missionária Pilar Estravados (Penélope Cruz), o médico Dr. Arbuthnot (Leslie Odom Jr.) a governanta Miss Mary Debenham (Daisy Ridley), Biniamino Marquez trabalhador dos EUA e o Conde e Condessa Andrenyi.

Hercule Poirot precisa reunir os fragmentos de informações dados por cada passageiro atordoado com o caso e usar suas celulas cinzentas para encontrar uma verdade diferente da que está sendo contada pelos suspeitos. Ao encontrar uma pista sobre um antigo caso, o detetive belga começa a fazer ligações até finalmente ser colocado frente a frente com um difícil decisão.

Kenneth Branagh como Hercule Poirot. Foto: 20th Century Fox

Kenneth Branagh encarna uma nova versão de Hercule Poirot com um bigode bem mais excêntrico que suas últimas representações, mas faz jus à essência do personagem mantendo muitos de seus trejeitos característicos como sotaque, inteligência, sarcasmo, tendência de organização e simetria exageradas. Apesar de ser possível observar algumas diferenças sutis comparando-o com o personagem do livro é indiscutível que o ator estudou Poirot e o retratou de uma maneira muito verdadeira e ativa nos cinemas.

O livro, publicado em 1934, é um dos mais famosos casos do detetive belga (e não francês, por favor) Hercule Poirot, o melhor detetive do mundo, segundo ele próprio. Considerada a Rainha do Crime, Agatha Cristie escreveu mais de 70 romances. Suas sobras são vendidas há mais de 100 anos e várias editoras já publicaram e republicaram as icônicas histórias. Mesmo depois de tanto tempo, Christie continua seduzindo milhões de leitores por seus crimes excentricos e quase perfeitos.

O Assassinato no Expresso Oriente é um filme inteligente e intrigante de assistir ao misturar horrores do passado com um caso atual de Poirot testando suas capacidades e levando o expectador a segui-lo em seu raciocínio. Para quem gosta de um bom romance policial e foge de tramas rasas, Agatha Christe é a distração perfeita para mentes atentas que gostam de um bom mistério.

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