Coringa é uma brilhante e perturbadora história de origem


A origem do emblemático vilão do Batman sempre foi cercada de mistério e controversas. Fato é que desde sua criação em 1940, o Coringa sofreu diversas repaginações, seja nos quadrinhos, desenhos ou nas telonas. Mas ainda assim sua essência foi mantida de "certa forma" para que a identidade do personagem não se perdesse.

Arthur tem um distúrbio que o faz rir de forma incontrolável quando passa por momentos de ansiedade
- Foto: Warner Bros.
Construindo o Coringa

Lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham está Arthur Fleck. Trabalhando como palhaço durante o dia, ele tenta a sorte como comediante de stand-up à noite. Depois de diversas tentativas para emplacar sua carreira, Arthur descobre que a piada é ele mesmo e após isso acaba preso em uma existência intermitente, oscilando entre a realidade e a loucura. Paralelo a isso, ele precisa cuidar da sua mãe adoentada, a única pessoa que o mantém dentro da sanidade.

Todd Phillips é cuidadoso em retratar os distúrbios psicológicos do personagem que somados com a atuação performática e eficaz de Phoenix deixa tudo mais sutil e natural. Em poucos minutos de filme o público se sentirá imerso na trama do personagem, buscando entender porque ele age daquela maneira e como a sociedade que o cerca simplesmente ignora sua existência. Gotham também exerce um papel importante na construção do Coringa sendo um reflexo da personalidade de Arthur e vice-versa.

Após tomar uma decisão equivocada, Arthur causa uma reação em cadeia com graves e letais consequências que por fim irão transforma-lo no criminoso mais conhecido da cidade.

Quem é o Coringa? O que é o Coringa? - Foto: Mega Hero

Ainda é um filme da DC?

Apesar de Coringa não integrar o DC Universe, o longa é recheado de referências que servem para contextualizar onde o personagem se encontra, mas não usa esses elementos como muletas para a trama. Um dos pontos certeiros da obra é justamente ser um filme que não precisa de um universo compartilhado para contar sua história. Além de Gotham e da família Wayne, Todd não faz nenhuma outra grande ligação com os quadrinhos.

O papel da família Wayne funciona como o fio condutor para alguns acontecimentos importantes na "quebra" da personalidade de Arthur. Acompanhamos também a degradação de Gotham City, como a cidade se tornou tão desigual e porque a violência virou algo tão presente no cotidiano daquelas pessoas.

A liberdade de roteiro fez com que o diretor explorasse outras nuances do personagem além de usar a sua loucura como um recurso do enredo evocando a sensação de que nem tudo que é mostrado em tela é exatamente o que parece ser. Outro artificio narrativo do diretor é um caminho de incertezas que faz com que o telespectador duvide do que irá acontecer em seguida.

Um filme acima da média

Coringa tem grandes atuações, uma trilha sonora marcante que conta a história e também funciona para entendermos os pensamentos de Arthur, além de uma belíssima montagem que em tela grande transporta você para a sombria Gotham City.

Coringa levanta uma série questionamentos, quem é o Coringa de verdade? Ou o que é o Coringa? Questionamentos esses que possuem múltiplas interpretações e talvez nenhuma delas esteja errada no final. A Warner foi certeira em trazer uma nova divisão de filmes com temáticas mais adultas e que agora poderá engrenar com o sucesso de Coringa.

Muito mais complexo e ousado que suas encarnações anteriores nos cinemas, Coringa dirigido por Todd Phillips já é clássico por si só.



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