Em Cartaz

Não Olhe é um grande aviso para o público em seu próprio título


Uma dúvida que surge em minha mente ao assistir alguns filmes pela primeira vez é se realmente é o meu primeiro contato com aquele trabalho, seja pelo fato de parecer tanto com outros longa metragens ou por ser um remake. Em muitos casos, acabo descobrindo ser a primeira hipótese, assim como ocorreu com Não Olhe (Look Away).

No longa, Maria (India Eisley) é uma jovem tímida, perseguida pelos colegas, ignorada por sua melhor amiga (Penelope Mitchell) e por seu pai (Jason Isaacs) que apenas se importa com aparências e a percepção que terceiros tem sobre ele e sua família. Esgotada por todo o estresse que a circula, Maria vê uma oportunidade de virar o jogo quando o que aparece diante do espelho não é apenas o seu reflexo.

Maria encontra uma nova força dentro de si....ou do espelho? - Foto: Reprodução Internet

A premissa não é nada muito diferente de outros trabalhos que a antecedem, mas certamente havia espaço para produzir algo interessante e independente. Ao invés disso, cada novo acontecimento é extremamente previsível e a história nunca chega a dar um salto ou virada de eventos (que eram muito necessários).

Sei que não é justo, mas se tivesse que descrever o filme em uma palavra escolheria ''tedioso''. Ao invés de explorar um viés psicológico ou até sobrenatural, o grande foco da trama acaba sendo uma vingança adolescente. E por sinal, há vários apelos para o público adolescente que mais parecem uma tentativa de captar público do que elementos necessários para enriquecer a produção.

E o problema do longa não está no fato do cenário ser um ambiente adolescente, com problemas relacionados a escola e juventude, ao contrário, essa é a parte que minimamente funciona e dá algum espaço para India Eisley trabalhar e ser um dos poucos pontos positivos de toda a produção. Já alguns dos vários problemas são a sexualização exagerada, não desenvolvimento do próprio contexto criado e falhas na direção e roteiro que lembram trabalhos ruins dos anos 2000.

O cenário colegial funciona bem para tratar de assuntos como bullying, presentes ao longo de toda a trama - Foto: Reprodução Internet

Não Olhe lembra, em vários aspectos, uma tentativa mal executada de Carrie - A Estranha, usando a mesma ambientação, mas morrendo antes mesmo de chegar na formatura de graduação. Ao final, fica a sensação de se ter saído do nada para lugar nenhum em mais um filme de 'terror', se é que podemos chamá-lo assim, genérico.

Mesmo com toda a falta de explicações e um final não resolvido, a única dúvida que me restou foi: O que Jason Isaacs estava fazendo nesse filme?

Publicado por Eduardo Bélico

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