quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O Doutrinador retrata clima de ódio no Brasil com justiceiro mascarado


Seguindo na esteira dos notórios vigilantes norte-americanas, chega aos cinemas um justiceiro brasileiro, o Doutrinador.

Criado em 2008 mas apenas apresentado aos quadrinhos cinco anos mais tarde, o Doutrinador é uma obra do designer gráfico Luciano Cunha. A ideia de um exército de um homem só que combate a corrupção e os malfeitores do Brasil fez um notório sucesso e agora chega às telonas pela direção de Gustavo Bonafé (Legalize Já - Amizade Nunca Morre) com Kiko Pissolato (Duelo) no papel principal.

Um anti-herói criado pelo cansaço da população - Foto: Reprodução internet

Um herói criado à partir da dor

É um Brasil com estética Cyber-Punk, Miguel (Kiko Pissolato) vê sua filha ser subitamente assassinada durante um engarrafamento perto de um estádio de futebol. O policial militar vê sua vida se despedaçar e durante um ato de manifestação contra o governador Sandro Correa (Eduardo Moscovis) canaliza toda a indignação contra o sistema e assume o manto do Doutrinador. Um justiceiro mascarado que deve punir todos os políticos corruptos que fazem parte de um grande esquema.

Miguel e Edu - Foto: Reprodução internet

Miguel se alia a cyber-ativista Nina (Tainá Medina), a única que sabe sua identidade secreta, para invadir as redes do governo e encontrar cada individuo sem que seja descoberto. Miguel precisa "limpar" uma lista enquanto se esconde da sua ex-esposa Isabela (Natalia Lage) e seu parceiro na polícia Edu (Samuel de Assis).

Correndo contra o tempo

O Doutrinador tenta ao máximo adentrar na jornada do justiceiro, a transformação do personagem Miguel para o anti-herói é muito rápida e pode desapontar aquele que está procurando um personagem multifacetado e com muitas camadas. As soluções são rasas na maioria das vezes mas a atuação de Kiko compensa essas lacunas no roteiro e entregam o Doutrinador que vimos no trailer: Com muitas cenas de ação e belíssimos planos sequência.

O longa faz críticas sutis ao sistema governamental do Brasil ao mesmo tempo que satiriza e exagera nos estereótipos de personagens para que a história se assemelhe a uma obra de quadrinhos. Os fãs que consomem esse tipo de material com certeza irão aproveitar toda essa narrativa e embarcar na aventura desse Brasil Cyber-Punk.

Um passo para o cinema nacional

Gustavo Bonafé assume uma grande responsabilidade dentro do cinema nacional. É o nosso primeiro herói de quadrinhos na grande telona com um bom orçamento e uma história original. O Doutrinador que representa uma ideia, agora pode extrapolar as telas e influenciar outros produtores a enveredarem por esse caminho e adaptar outras produções brasileiras no mesmo estilo nos próximos anos.

Existe uma riqueza de detalhes que podem ser explorados no Doutrinador. O filme como uma película de herói de quadrinhos funciona, mas o roteiro falha em alguns momentos dando a sensação de que poderiam entregar muito mais do que foi apresentado. Entretanto, é um longa metragem que merece ser apreciado pelo que ele representa e pelo que ele pode transformar daqui pra frente.

Fiquem até o final. Temos uma cena pós-créditos.

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