quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A Freira e seus assustadores visuais mostram porque nunca visitar um convento


Construir um universo compartilhado nos cinemas parece ser um objetivo comum das grandes produtoras. O sucesso e lucro que podem surgir desse investimento certamente valem a pena, fazendo com que outros gêneros, como o Terror, também ganhem as suas próprias versões. E é exatamente isso que acontece com A Freira (The Nun), que surge no mesmo universo de Invocação do Mal e Annabelle.

O longa segue o Padre Burke (Demián Bichir), que após ser convocado pelo Vaticano para investigar o suicídio de uma freira, segue para um isolado convento no interior da Romênia ao lado da Irmã Irene (Taissa Farmiga). Lá eles encontram um cenário sombrio e forças demoníacas muito mais perigosas do que imaginavam.

Talvez o ponto mais notável do filme seja a ambiência densa que o marca. Isso não apenas pelo fato de ser um filme de terror com longas cenas de tensão e jumpscares simplesmente esperando para pegar o espectador desatento, como também pela própria locação. A trama se passa principalmente no interior de um convento ou no terreno ao seu redor e a clausura que freiras se submetem em um espaço como esse acaba sendo passada no filme.

Se você já visitou alguns daqueles antigos mosteiros ou conventos, deve estar familiarizado com os longos corredores e frias paredes. Há uma natural sensação de aprisionamento lá, mas A Freira leva isso além com um inteligente jogo de sombras (muitas delas!) e claro, um demônio vestido de freira pronto para te matar em cada canto escuro.

A Irmã Irene (Taissa Farmiga) reza junto às freiras do convento para repelir o Mal - Foto por: Martin Maguire - © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc.

E não há como negar que o diretor Corin Hardy se utiliza muito bem desse clima único trazendo momentos extremamente cinematográficos com a aparição do demônio Valak. O longa acaba até mesmo perdendo um pouco de desenvolvimento da narrativa em troca dessas cenas e do aprofundamento do "sombrio" no arco central.

O Padre Burke e a Irmã Irene, que são rapidamente introduzidos, logo caem em na densidade da trama e de certo modo lá se perdem. Por sorte, são auxiliados pelo mais vivo e relacionável Frenchie (Jonas Bloquet), que ganha bastante tempo de tela e serve como mais uma ponte para Invocação do Mal.

E isso funciona bem, particularmente me fazendo lembrar de antigos filmes de terror onde o "herói", aqui o Padre Burke e Irene, chegam a uma isolada cidade com um assustador "castelo'' no topo da colina, o convento, sendo recebidos por um morador da região e levados até o covil do "monstro", a Freira.

O Padre Burke (Demián Bichir) é assombrado pela freira demoníaca a todo momento - Foto por: Cos Aelenei - © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc.

Ainda assim, ambos os personagens são interessantes e tem o necessário para serem protagonistas fortes em possíveis continuações. O Padre não é um religioso comum, tendo suas habilidades reconhecidas pelo Vaticano e agindo como um "Caçador de Milagres" que, como é explicado, vai em busca dos casos mais incomuns relacionados à Igreja. Já a Irene é uma poderosa médium que tem visões.

Os dois trazem várias similaridades em relação ao casal Warren, inclusive Taissa Farmiga - a Irmã Irene - é irmã na vida real da atriz Vera Farmiga que interpreta Lorraine Warren nas adaptações. Os trejeitos de Taissa e a sua aparência lembram bastante aos de Vera e até mesmo a maneira das personagens se vestirem em suas histórias são bem próximas.

O fato é que A Freira serve para não apenas trazer mais luz ao bizarro demônio Valak, como também para introduzir personagens dignos de encabeçarem uma expansão desse universo cinematográfico, sendo isso feito uma maneira assustadora e agoniante, típicas dos longas anteriores.

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