quinta-feira, 5 de abril de 2018

O menor som pode acabar com sua vida em Um Lugar Silencioso


Filmes dirigidos e estrelados pela mesma pessoa costumam me deixar apreensivo. A atuação não chega a ser um problema, mas a direção as vezes perde um pouco do olhar crítico sobre a produção e em vários casos vira um dos problemas que assombram um longa. Dito isso, dirigido e estrelado por John Krasinski, chega aos cinemas Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), um terror contido, mas surpreendente em diversos aspectos.

Nele é contada a história de uma família vivendo em uma fazenda nos Estados Unidos. Após alguma espécie de ataque, é criado um cenário pós apocalíptico dominado por assustadoras criaturas que caçam e exterminam qualquer um que produza os mais tímidos sons. É a partir desse conceito que aprendemos mais sobre a família e como eles se adaptaram para sobreviver nesse perigoso novo mundo.

Um ponto bastante interessante do longa é que em momento algum é feita uma introdução ou flashback de como se chegou a esse estado ou qual é a real situação do mundo. O filme se inicia com quase 3 meses do ocorrido e tudo que é revelado é que a cidade aonde essa família se encontra está desolada e que é preciso fazer o mais absoluto silêncio para evitar que essas desconhecidas criaturas os encontrem, sendo apenas mais a frente mostrado em jornais que houve alguma espécie de invasão e o pouco que se descobriu é que é preciso fazer silêncio para sobreviver.

Muito da trama é contar como essa família precisou se adaptar para sobreviver em face ao iminente perigo - Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures. All rights reserved.

E é essa premissa que permeia toda a narrativa. Realizando todos os tipos de tarefas com os menores ruídos possíveis e se comunicando por linguagem de sinais, a família vive em um ritmo muito específico, criando um ambiente quieto, mas que tem muito a mostrar com as personalidades dos protagonistas e com uma trilha sonora bastante presente que não deixa surgir uma monotonia, mas também não estraga a quietude que a história precisa para ser contada.

Muito da trama também trata das relações entre essas pessoas, que já passaram por muito juntas e são carregadas por remorso, arrependimento e uma espécie de aceitação sobre a situação em que se encontram, mas isso acaba sendo bem integrado com a constante tensão de que com o mais simplório som se pode atrair instantaneamente esses seres extremamente mortais.

O diretor John Krasinski consegue introduzir essas ameaças sem instantaneamente revelar como são e funcionam, mas também sem esconder aspectos importantes, deixando ao público descobrir mais sobre elas junto aos personagens. Isso contribui com a atmosfera agoniante que marca o longa, que mistura uma curiosidade sobre o que está acontecendo e um certo receio do próprio espectador em produzir sons (em vários momentos essa ambiência lembra aquela da franquia Cloverfield de constante tensão, mas que não extrapola ou incomoda).

E a parte boa é que esses "monstros" são bastante interessantes e possuem um visual atrativo para fãs do gênero.

Um dos grandes desafios é também ter certeza que as crianças não produzam altos sons - Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures. All rights reserved.

Por mais que a história seja simples por si só, é interessante ver como tudo ocorre nesse cenário contido da fazenda, que é principalmente construído pela família que é todo muito bem interpretada, desde o mais jovem ator ao próprio diretor e representando o pai da família John Krasisnki e a mãe Emily Blunt.

Outra questão importante da narrativa é que há uma progressão tanto dos personagens, quanto da trama em si, que evolui a medida que a ameaça se torna mais presente e cresce também em ritmo a medida que o longa se aproxima do seu fim.


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