quarta-feira, 14 de março de 2018

Guerra do Velho apresenta o Sci-Fi de maneira cativante e humorada em escrita elegante


Há muito tempo não lia um livro de ficção científica tão bom quanto esse. Uma palavra me veio à mente antes do final da leitura: elegante.

É de fato, uma obra escrita de forma elegante. O autor tem ótimo domínio da apresentação dos personagens e elementos da trama. Consegue fazer uma ótima progressão, daquele tipo que você quer realmente ler o próximo capítulo e também, usa alguma dose de humor e quebra de expectativas, enquanto brinca com clichês do gênero.

A Netflix comprou os direitos do Sci-Fi militarista, Guerra do Velho, de John Scalzi e vai desenvolver um filme (Originais Netflix). O romance bestseller é o primeiro de uma série de seis e é considerado um dos melhores títulos das últimas décadas. Scalzi é ex-presidente da Science Fiction Writers of America já ganhou o prêmio Hugo por três vezes incluindo o romance Redshirts em 2013.

No Brasil, a Editora Aleph está lançado a série e temos até agora os dois primeiros livros: Guerra do Velho (2016, 368 páginas) e As Brigadas Fantasma.

Bem, mas vamos dar um passo atrás e falar um pouco sobre o assunto do livro. A Guerra do Velho é um romance de ficção científica militarista com a seguinte premissa: as pessoas que se alistam para as forças armadas, na Terra,  o fazem aos 75 anos de idade, com a promessa que seus corpos serão melhorados de alguma forma ter condições para servir as Forças de Coloniais de Defesa.

Neste contexto, conhecemos John Perry, um idoso, civil, que perdeu a esposa e se alista para ingressar nessa nova etapa de vida. John tem uma personalidade cativante e faz o papel daquela pessoa que não sabe nada sobre o que vem adiante, a ajuda o leitor a descobrir, aos poucos, a realidade deste universo fictício. Neste aspecto, o autor é quase didático em muitos pontos, mas acaba sendo uma ótima estratégia para fazer o leitor aprender e se envolver com o universo ficcional.

As pessoas da Terra sabem pouco sobre o que se passa no espaço distante, onde a humanidade vem estabelecendo colônias. Sabe-se que há conflitos com alienígenas, e não muito mais que isso. Velado sobre o cenário fantástico, estão algumas críticas sociais em relação às guerras e, em especial, quanto a como somos preconceituosos e as consequências ruins que o preconceito pode trazer.

Acho que não cabe falar muito mais, porque boa parte da graça do livro é o processo de descoberta e envolvimento com a trama. Não é nem longo e nem curto demais, outro excelente ponto a favor para um primeiro livro de uma série. É ótimo que tenha continuações, mas não é o tipo de livro que termina pela metade, conta uma história completa deixando espaço aberto para as sequências.

Guerra do Velho é uma ficção científica permeada por humor cativante e que poderá agradar até mesmo pessoas desacostumadas com o gênero. Fica minha recomendação deste excelente livro com cinco estrelinhas. Em outras palavras, se você nunca leu um livro do gênero, essa seria uma ótima opção para começar!

Bônus: E se você curte ficção científica militarista, uma boa opção são os livros Glória Sombria e Shiroma, Matadora Ciborgue de Roberto de Sousa Causo.

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