sexta-feira, 16 de junho de 2017

Luta entre monstros gigantes tem significado profundo e humano em Colossal


Com um mercado de filmes de monstro gigantes marcado por Godzilla, Kong e Círculo de Fogo, que apesar de muito bons, são conhecidos pelo foco na criatura e na destruição causada por ele e pela humanidade, o longa Colossal chega aos cinemas brasileiros trazendo uma nova proposta de interação dentre monstro e ser humano que foge à fórmula conhecida pelo ocidente.

Digo ocidente, pois no oriente várias obras contam sobre relações íntimas entre uma criatura e uma pessoa que chegam a se fundir para salvar o mundo. Esta é a grande premissa de Colossal que segue a vida fracassada de Gloria (Anne Hathaway) que desistiu dos seus sonhos e vive festejando em Nova York até ser expulsa da casa de seu namorado e ser forçada a voltar para a casa de seus pais e viver sozinha no interior.

Ao chegar na sua antiga casa sem nada, Gloria se reconecta com antigos conhecidos e conhece novas pessoas conseguindo até um trabalho no bar local. Mas coincidindo com seu retorno, ataques de monstros gigantes em Seoul, na Coreia do Sul começam a acontecer matando milhares de pessoas. Enfrentando suas tendências alcoólicas e frustrações, Glória percebe de alguma maneira um local específico por onde passa todos os dias está diretamente conectado com os ataques do monstro.

Aliás, ela e o monstro estão tão conectados que quaisquer atitudes que ela toma dentro daquela específica área da cidade, materializa kaiju (monstro gigante) na Coreia e seus movimentos acabam destruindo a cidade e as pessoas. Gloria fica com um sentimento enorme de culpa e quer resolver a situação, mas seu amigo de infância que reencontrou na cidade, que atualmente é seu chefe e dono do bar descobre que ao pisar na mesma área também consegue materializar outro monstro.

Enquanto Gloria quer acabar com a situação da melhor maneira possível, Oscar (Jason Sudeikis) sente-se bem ao destruir tudo e acaba por se mostrar uma pessoa totalmente diferente que Gloria pensava que ele fosse. Ele possui vários problemas e apesar de parecer solícito com sua nova vizinha trazendo móveis e dando presentes, escondia seu distúrbio de acumulador e violência. Oscar também possuía sentimentos com relação a Gloria e ao ser rejeitado começa a chantagear e perturbá-la destruindo a cidade caso ela não faça o que ele manda.

O filme mostra a situação bastante debilitada de dois indivíduos, Gloria com seu vício da bebida e falta de perspectivas na vida e Oscar com seus distúrbios e violências mascarados. A única forma que Gloria enxerga de proteger a cidade de Seoul e seus habitantes quando Oscar está fora de si é se materializar junto com ele e lutar monstro contra monstro.

O kaiju de Gloria acaba se transformando de vilão que destrói cidades a esmo, para herói que salva a todos do robô gigante e mau de Oscar. Todas as lutas são acompanhadas por companheiros dos dois através da internet em dispositivos móveis ou pelos telejornais que, no mundo inteiro, estão conectados aos eventos na Coreia.

Após várias brigas intensas entre os dois, com cenas dramáticas e fortes onde Gloria e Oscar se agridem diretamente batendo um no outro sem precisar de monstros, Gloria percebe que não é assim que irá vencer seu novo inimigo. Para Oscar aquilo é só uma brincadeira, pois ele não enxerga ou sente a perda das vidas que ele está tirando na Coreia ou o medo que causa quando se materializa como robô gigante.

Assim Gloria, após lembrar-se de um evento do passado e entender o porquê deste grande absurdo envolvendo monstros, consegue mostrar para Oscar o medo e o poder do seu monstro cara a cara, naquela pequena cidade do interior e vence a grande batalha entre kaijus e problemas pessoais.

O interessante do filme é observar um outro lado da luta dos monstros. Muitas vezes essas batalhas parecem sem sentido e apenas buscam a destruição, mas quando Gloria e Oscar estavam materializados brigando um com o outro, cada um lutava contra suas batalhas internas e diferentes morais. Ela buscando acabar com os ataques e horrores causados e ele buscando poder, controle e descontando sua frustração. A luta então tinha sim um significado por trás do caos.

O design dos monstros é bem diferente do hiper realismo de como são apresentados hoje nos cinemas e suas aparências são bem caricatas. Isso tudo tem uma explicação no filme, mas é visualmente instigante. Para os fãs de filmes de monstro gigantes, existem vários momentos engraçados e que são prestadas homenagens aos fãs de tokusatsu.

Em suma, Colossal é um filme que mostra as brigas entre monstros gigantes e monstros internos de cada um, com um drama e comédia sob medida e que traz aquele algo mais para um filme de kaiju. E, para quem gosta, é bom ter mais filmes de tokusatsu nos cinemas celebrando o gênero!

Nota: 8,0

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