sexta-feira, 9 de junho de 2017

A Múmia é uma aventura 'terrivelmente' divertida


Construir um universo coeso e que funcione de forma fluída e ainda assim tenha seus filmes independentes é um desafio arriscado, mas que se der muito certo, o retorno com certeza vale à pena.

Desde que a Marvel começou a construir seu mundo compartilhado nos cinemas em 2008, diversas produtoras tentam replicar a ideia de várias histórias sendo contadas separadamente que culminam em algo em comum, é assim também com a DC Comics e com o MonsterVerse da Legendary que traz Godzilla e outras criaturas gigantescas da sétima arte.

É fato dizer que a ideia de termos longa metragens conectados não é uma exclusividade de agora, os primeiros filmes de Godzilla da Toho já faziam isso, mas alguns anos antes a Universal Pictures tentava de forma tímida moldar o seu universo de monstros com Drácula, Frankstein, A Múmia e outros ícones do terror.

Tom Cruise (Nick) e Annabelle Wallis (Jenny)  - Foto: Universal Pictures

Depois de uma tentativa falha em 2014 com Drácula: A História Nunca Contada, filme estrelado por Luke Evans, e que dividiu muitas opiniões, a produtora que detém grandes franquias como Jurassic Park e Velozes e Furiosos, resolveu dar mais uma chance e começar o que iremos conhecer mais nos próximos anos como Dark Universe. Diferente da década de 30 onde começaram com Drácula, a aposta é em outro título talvez tão conhecido quanto o príncipe das trevas.

Dirigido por Alex Kurtzman (Star Trek, 2009 e O Espetacular Homem-Aranha 2, 2014), A Múmia abre as portas do universo sombrio com uma história que difere da obra clássica de 1932 e traz uma abordagem mais moderna que mescla ação e pitadas de terror.

Na trama, uma antiga rainha do Egito é mumificada viva depois de ter cometido um crime terrível. Nos tempos atuais esse mal desperta nos becos de Londres para causar destruição e completar a missão a qual foi encarregada há cinco mil anos atrás. No papel da criatura, Ahmanet, temos a novata Sofia Boutella que estrelou Kingsman (2014) e Tom Cruise (Nick) que volta a fazer um papel em filme de terror depois de vinte e três anos, sua última participação em um longa dessa categoria foi em Entrevista com o Vampiro (1994).

Ahmanet usa todos os seus poderes contra os humanos - Foto: Universal Pictures

A associação da imagem de Cruise com filmes de ação é imediata e o telespectador pode criar uma falsa impressão de que "A Múmia" será mais sobre "músculos" do que as investidas de Ahmanet contra a humanidade. A surpresa é que a obra entrega um enredo completamente diferente do esperado com várias reviravoltas e pitadas de terror clássico mas não deixando de ser um filme feito para o público atual que gosta de sustos e bons efeitos de computação gráfica.

Fechando o arco de personagens principais também conhecemos Jenny (Annabelle Wallis) uma estudiosa que busca proteger as relíquias do nosso mundo e Dr. Henry (Russel Crowe), chefe da organização Prodigium, especializada em conter monstros que ameacem a humanidade.

Dr. Henry tem ótimos métodos para rastrear e destruir as criaturas das trevas - Foto: Universal Pictures

A Múmia é competente em contar sua própria história e à medida que os minutos do filme avançam, várias pontas do Dark Universe são colocadas estrategicamente para instigar o espectador a querer saber um pouco mais sobre o que está por vir e claro criar uma base sólida coerente para os diversos filmes que já estão programados. A intenção da obra de Kurtzman não é replicar as diversas encarnações da criatura mumificada, é apresentar uma nova personagem autônoma, referenciando e prestando homenagens em algumas passagens.

Com um Tom Cruise não tão heroico e Sofia Boutella encarnando talvez uma das versões mais assustadoras do ser misterioso do Egito antigo, A Múmia é uma ótima diversão para quem busca uma história com aventura e terror e um assombroso" inicio para o Dark Universe.

Nota: 8,0

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