quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O Chamado 3 é o retorno ideal de Samara aos cinemas?

O Chamado se tornou referência no gênero terror durante os anos 2000 com sua adaptação do original japonês Ringu. A ideia de uma força sobrenatural que pode matar através de uma "simples" fita de vídeo foi rapidamente aceita e bem recepcionada pelo público, mas o que consagrou o título foi seu visual um tanto creepy e a atmosfera pesada que era sentida pelo espectador.

Em O Chamado 3 (Rings), a jovem Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) resolve ir atrás do seu namorado Holt (Alex Roe), após perder o contato com ele. É a partir daí que ela se envolve com um vídeo misterioso, o qual, uma vez assistido, leva a pessoa a morrer em sete dias. Com a vida de ambos em risco, Julia precisa ir a uma pequena cidade que pode conter as respostas para suas visões e o macabro vídeo.

Mais de uma década após o lançamento de O Chamado 2, o terceiro filme da franquia revive momentos dos seus antecessores, se utilizando de elementos já introduzidos, mas com novos personagens e avançando ainda mais a fundo na história de Samara e seu passado.

Um infeliz fato sobre o longa é que com 2 filmes que já exploram bem o poder de Samara, o vídeo e todo o processo dos sete dias para sobreviver, não resta muito para ser aproveitado, mas, ainda assim, cerca da primeira metade da continuação retorna a esses mesmos elementos, passando de uma maneira bastante superficial sobre o mito do vídeo e sem construir grande tensão.

O filme, por sua grande parte, não chega a ter um real suspense construído, se valendo principalmente de jumpscares baratos e sons em alto volume. A atmosfera também não se torna um fator predominante no filme, uma vez que fica fácil saber quando os sustos virão e Samara não configura uma ameaça tão presente quanto nos filmes anteriores.

Também não há muito envolvimento com os personagens Julia e Holt, uma vez que ambos apresentam personalidades um tanto unidimensionais e há pouco espaço para seu desenvolvimento na trama.

Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) busca descobrir mais sobre o passado de Samara - Foto: © 2016 Paramount Pictures

A segunda metade do longa, por sua vez, traz um pouco de luz para a continuação ao explorar as raízes de Samara e apresentar mais a fundo sua história. Apesar de funcionar como uma boa mudança de ritmo, a narrativa acaba sendo bastante direta e fica fácil enxergar qual será a conclusão.

O que fica claro com o terceiro título da franquia é que, apesar de uma evidente preocupação com sua produção e qualidade visual, há uma queda de qualidade no desenvolvimento da história e dos personagens. O filme não funciona bem para introduzir novos fãs ao mito de Samara, justamente por sua má construção e a falta de suspense, além de não ser uma boa continuação para uma trama já apresentada (uma continuação era realmente necessária?).

O Chamado 3 tem, assim, claras falhas, marcadas principalmente por uma ambientação fraca e um mal aproveitamento do ponto central da franquia, Samara. Talvez funcionasse melhor como um reboot completo ou, por outro lado, apenas utilizando o suspense original produzido pelo vídeo, mas construindo mais satisfatoriamente a atmosfera do terror com uma ambiência aterrorizante sem precisar inventar grandes desfechos para a história.

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