quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Sonhos que se tornam realidade encantam e assombram em O Sono da Morte


Sonhos e pesadelos já são, há vários anos, temas recorrentes em filmes de suspense e terror. É vasta a área a ser explorada em meio a esses temas, sendo inúmeros os caminhos que podem ser adotados diante desses aspectos. Ao mesmo tempo que cresce o leque de opções, há também uma evidente dificuldade em se construir um caminho correto, com uma narrativa coesa e que atraia o público de uma maneira inteligente, o que O Sono da Morte (Before I Wake) consegue realizar com simplicidade e sem grandes clichês.

Afora a temática dos sonhos, já é, da mesma forma, muito utilizada a presença de crianças em papéis chaves em trabalhos do gênero. A curiosa e indecifrável mente infantil vira um fácil artifício de ser manuseado para incrementar o suspense e até mesmo um sentimento de desconforto. A questão é que, por ser tão utilizado, esse elemento acaba, na maioria dos casos, perdendo seu efeito e diminuindo o impacto que deveria causar.

Em O Sono da Morte, Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) formam um casal que recentemente perderam seu filho Sean em um acidente, resolvendo seguir em frente ao adotar Cody (Jacob Tremblay), um garoto de idade similar a seu falecido filho. Em pouco tempo de convivência, o casal passa a vivenciar estranhos acontecimentos durante a noite, com a repentina aparição de borboletas e até mesmo da imagem de Sean. Mark e Jessie logo descobrem que esses fantásticos eventos vem de Cody, que tem seus sonhos transformados em realidade enquanto dorme, mas o que não percebem inicialmente é que o mesmo ocorre com seus pesadelos.

O que o filme consegue fazer com sucesso é retratar de Cody como uma criança normal, mas que obviamente já passou por duros momentos em sua vida, como perder a mãe e já ter passado por outros lares. Por mais que os dilemas do jovem sejam evidentes, ele ainda demonstra atitudes comuns de uma criança, ainda que sofrendo com sua incomum habilidade, mas não parecendo um robô colocado em cena para causar espanto ao espectador.

A medida que a história se desenvolve, é possível perceber como o garoto está ciente de sua situação e como as dores por ele sofridas o marcaram e o ensinaram a lidar com a vida. Sua conduta também se torna clara para seus novos pais adotivos, que aos poucos se adaptam a suas necessidades.

Foto: Cortesia da Relativity Studios Copyright: © 2014 QNO, LLC

É, ainda, interessante ver como o casal é trabalhado, sendo tanto o pai, quanto a mãe bem envolvidos com a trama e os problemas do filho. Há, contudo, um destaque maior para Jessie, que passa por uma verdadeira montanha russa de emoções e se vê em conflito diante da possibilidade de rever seu falecido filho através das habilidades de Cody, mas acabar utilizando-o como uma ferramenta para alcançar suas próprias vontades.

O curioso a respeito da história é que, em grande parte, não chega a parecer um filme de terror, focando em diversos momentos na relação da família e em uma visão mais lúdica sobre os poderes de Cody, puxando para o gênero psicológico e de certo modo para ficção. Ainda assim, há uma crescente ambientação de suspense a medida que começam a surgir os malefícios dos pesadelos, assim como poucos, mas efetivos "jump scares" que mantém o foco na narrativa.

A situação passa, então, a se agravar, ao ponto em que o cenário se torna crítico para a família, levando a um clímax tenso. Por sorte, o final acaba sendo satisfatório, apresentando explicações consoantes com o que o filme apresenta e sem deixar muitas pontas soltas, de modo que, ao apagar da tela, o espectador consegue compreender os detalhes que são apresentados.

O Sono da Morte consegue, assim, passar uma história envolvente e compreensível, onde os sonhos e pesadelos não são elementos soltos, mas sim pontos justificados que vêm a contribuir com a narrativa, juntamente com boas participações dos personagens e uma dose certa de suspense.

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Um comentário:

  1. Muito boa a forma como é escrito o texto, sua estrutura, organização e de uma certa forma, simplicidade, que mantem o leitor lendo até o final.

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