terça-feira, 31 de maio de 2016

Enquanto Future Quest acerta no tradicional, Scooby-Doo não convence em sua nova fórmula


Nas últimas semanas, tivemos nos Estados Unidos a estreia de dois lançamentos da nova linha de quadrinhos da DC Comics, que focará exclusivamente em franquias criadas pelo clássico estúdio Hanna-Barbera, a famosa produtora que dominou as animações norte-americanas entre os anos 50 e 90 do século passado.

E dos títulos escolhidos para iniciar esta empreitada, temos duas propostas distintas que acabaram se mostrando não só diferentes na abordagem como também na qualidade do material publicado.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que essa primeira impressão tem como base apenas a edição #1 de cada fascículo, o que na atual forma das HQs norte-americanas não nos consegue criar uma opinião concreta sobre o todo da trama ou pelo menos do primeiro arco destas séries em quadrinhos.

Com os devidos parenteses explicados, posso iniciar falando de uma grata surpresa não só para os fãs dos desenhos de aventura do estúdio como também para aqueles que se entusiasmam com um quadrinho de leitura dinâmica e condensada na medida certa: o primeiro número da série Future Quest, revista que promete trazer todos os grandes super-heróis da Hanna-Barbera.

Na sua primeira edição, já temos uma história que se entrelaça em diversos pontos distintos para unificar personagens como Johnny Quest, Herculóides, Space Ghost e Homem-Pássaro em um conto com boas doses de mistério e toda a ficção científica necessária que estas distintas franquias necessitam.

Mesmo ainda sendo o número de estreia do título, o roteirista Jeff Parker (Agentes de Atlas, Thunderbolts) consegue "soltar a mão" em uma narrativa que preserva o status quo dos personagens sem deixar de moderniza-los para os novos tempos.

Dessa maneira, temos apenas uma pincelada de atualidade, conservando tudo aquilo que fizeram estas animações serem lembradas por diversas gerações. Na arte, Evan Shaner e Steve Rude trazem um mix entre o retrô e o moderno que complementa a trama e consegue dar veracidade a história.

Enquanto Future Quest impressiona, Scooby-Doo Apocalypse não conseguiu trazer reação maior que um bocejo desinteressado. Temos aqui uma interpretação bem distinta dos membros da Misterio S/A, com origens e dinâmicas bem diferentes das animações que perduraram por mais de 30 anos nos televisores de todo o mundo.


Quando a cientista Velma convoca a apresentadora Daphne e o seu cameraman Fred para revelar o segredo do suposto fim do mundo, o adestrador Salsicha e o cão "inteligente" Scooby-Doo também são adicionados a trama que revelará um futuro sombrio para toda a humanidade.

Em bem verdade, o grande problema sentido na primeira edição não condiz com estas novas encarnações modernas dos personagens. O principal incômodo na verdade é em relação a história, que se arrasta entre diálogos explicativos para encerrar o capitulo do mesmo que iniciou: cheio de mistérios e com nenhuma resolução mínima que seja do que verdadeiramente vai acontecer na revista.

A impressão que se fica é que a HQ segue o mesmo ritmo das histórias criadas nos Novos 52 dos heróis DC, onde se emula algumas características bem típicas dos quadrinhos de massa dos anos 90: valorização de uma arte impactante e nenhum tipo de densidade no roteiro para dar corpo ao que se vê. Dessa forma, não é de se surpreender que a base da história venha de uma ideia da dupla Jim Lee, um dos maiores nomes da "década perdida" e Keith Giffen, que não anda muito inspirado nos últimos anos. No roteiro, DeMatteis se junta a Giffen para escrever a trama, mas não consegue produzir nada além de algumas gags que algumas vezes divertem e outras nem tanto.


O destaque positivo fica por conta da dupla Scooby/Salsicha, que rapidamente rouba a atenção tanto na trama principal quanto na segunda história da revista, um conto que nos mostra o primeiro encontro dos dois personagens.

Em um resumo rápido, as duas revistas ainda tem muito o que mostrar e valem a pena ser acompanhadas por um tempo. Entretanto, em uma primeira análise, fica nítido que enquanto um quadrinho tenta lhe trazer uma boa história com base em um material rico e com grande potencial, a outra história se preocupa muito mais em lhe dar uma nova embalagem para um produto que tem o mesmo gosto de muitos outros que temos no mercado.

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