sexta-feira, 29 de abril de 2016

Guerra Civil | Heróis divididos por um conflito entre amizades


Seria Capitão América: Guerra Civil o filme ideal para finalizar a Fase 2 da Marvel nos cinemas? Bem, a resposta é sim. Apesar de ser um bom filme, alguns espectadores ficaram com a sensação de que o apresentado nas telas não é o início da tão aguardada Fase 3 da produtora, mas sim, a conclusão de tudo que ocorreu antes, principalmente relacionado a Vingadores: Era de Ultron. Capitão América: Guerra Civil, querendo ou não, pode sim ser considerado um Era de Ultron - Parte 2 ou um epílogo do filme anterior.

Os Irmãos Russo conseguem realizar um trabalho formidável no filme. A direção, como sempre, está impecável, o que reflete nas excelentes cenas de luta que o filme apresenta. Em contrapartida, o roteiro sofre de alguns problemas, alguns furos, que, para os fãs mais atentos, acaba se tornando perceptível que aquilo não deveria estar ali, ou foi usado de forma equivocada.

Boas atuações estão presentes no filme, como já acompanhamos nas produções anteriores. Robert Downey Jr. fez um trabalho bastante sincero com seu personagem, durante a revelação de parte de sua história. Mas é notável que dois atores e seus personagens se destacaram entre os já conhecidos. O primeiro é Chadwick Boseman, o ator responsável por viver T’Challa, o Pantera Negra e o aguardado Peter Parker, o Homem Aranha.

A imponência do personagem somado a atuação de Chadwick, transforma T’Challa em um dos personagens mais singulares e atrativos em tela. O ator foi responsável por criar um sotaque único para o Rei de Wakanda, se utilizando de linguagens africanas em alguns momentos do filme. Aqui podemos pontuar um fator positivo e negativo quanto à aparição do personagem, o positivo em relação a sua movimentação e seu estilo de luta, que é único dentro do Universo Cinematográfico Marvel, bastante selvagem e aprimorado. O personagem mostrou a que veio e já conquistou seu espaço dentre os heróis já consagrados pelo cinema. Mas ao mesmo tempo, a excessiva veiculação das cenas do Pantera nos trailers e spots para TV acabaram mostrando praticamente toda sua atuação na luta, e sua aparição poderia ter sido mais arrebatadora se tivesse sido mantida em segredo ou menos explorada antes do filme.

O segundo destaque vai para o jovem Tom Holland, ou como conhecemos agora, Peter Parker, o Homem-Aranha. O personagem teve uma das participações mais esperadas entre os fãs da Marvel, já que, depois de anos, ele retornou para as mãos da produtora. Tom desempenhou um papel crucial durante o filme, e conseguiu trazer a essência do personagem para as telas, mesmo nos poucos (mas mais do que esperávamos) minutos do filme. Acrobacias fantásticas, sentido aranha afiado, um ótimo senso de humor típico do Aranha se mesclaram perfeitamente com cenas de lutas de encherem os olhos, e compuseram o cenário de estreia do Homem-Aranha nas mãos da Marvel.

Ousamos dizer que a participação do Homem-Aranha foi sim essencial para o sucesso do filme. Com um cast de personagem bem menor que o da história original dos quadrinhos de Guerra Civil, a Marvel contava com suas caras conhecidas e o Pantera Negra, que já havia sido revelado durante a promoção do filme. Dentro do conceito de Guerra Civil, o roteiro se desviou por alguns instantes para colocar todos os holofotes aos apenas seis meses que o Aranha atuava como amigo da vizinhança e introduziram o aguardado personagem ao universo da Marvel, com o melhor "introdutor de personagens" do elenco, Tony Stark.

Somos apresentados brevemente ao cotidiano de Peter e como o garoto se esforçava para virar o ícone que conhecemos. Temos uma Tia May com uma aparência bastante jovem, jovem o suficiente para Tony Stark se interessar, e pinceladas das características mais marcantes do personagem como o desenvolvimento do seus trajes primários, ter uma baixa renda, inteligência ao mexer com dispositivos eletrônicos e criatividade para... outros tipos de dispositivos teiosos. Temos uma homenagem bastante sutil ao Tio Ben para logo depois sermos jogados de volta no universo da guerra entre os Vingadores.

Guerra esta que apesar de satisfazer a maioria dos fãs por finalmente verem acontecer os clássicos dos quadrinhos nas telas do cinema, necessita ser analisada friamente em alguns aspectos apresentados no filme que enfraquecem a trama, mas não o empobrecem necessariamente. O primeiro deles seria uma das maiores motivações da Guerra Civil entre os heróis, os Acordos de Sokovia, que segundo o filme, são os termos que limitam e controlam a atuação dos Vingadores em assuntos de emergências internacionais, nos quadrinhos ainda entra o caso das identidades civis dos heróis, mas que no cinema não é mencionado já que todas as identidades já são públicas. O Acordo, apesar de ter um peso muito grande e tensionar a todos, acaba sendo deixado de lado e sendo substituído pelo drama de Bucky.

Bucky é a estrela central de Guerra Civil, pois tudo gira em torno do personagem. Como apresentado nos trailers, a preocupação do Capitão América em salvar seu amigo das garras da Hidra é mais do que evidente, é a motivação da briga entre Tony Stark e Steve Rogers. No fim, não importa se os Acordos estão sendo desrespeitados ou não, pois a briga acaba ganhando o foco na discordância dos dois sobre Bucky.

O Soldado Invernal está sendo perseguido por todos, mesmo por aqueles que querem ajudá-lo. Bucky até mesmo afeta a motivação do vilão, Barão Zemo, que irá utilizar-se dele para atingir o Homem de Ferro, e com isso atingir a todos os Vingadores. Falando no vilão, a participação de Zemo vai crescendo lentamente no decorrer da trama, mas não conseguimos entender qual a principal justificativa de seus atos até a conclusão do filme, quando acontece o plot twist. Se a história do Barão Zemo fosse mais aprofundada, teria acrescentado e muito no desenvolvimento do personagem e da própria trama do longa, fazendo com que ele fosse mais marcante.

Falando agora das partes visuais do filme, temos muitas coreografias elaboradas de lutas e efeitos especiais que trazem vida aos heróis, mas ao mesmo tempo a locação ampla do aeroporto não favoreceu visualmente a pouca quantidade de heróis nos dois times, que apesar de lutarem extraordinariamente, ficaram meio deslocados no espaço. Isso foi sanado com as cenas de luta com o Aranha em locais mais fechados e com a grande participação do Homem-Formiga, que teve seus poderes bem explorados no filme, convidando o espectador a conhecer melhor o personagem em seu filme solo.

Também aconteceram alguns cortes bruscos nas mudanças de cenas, fazendo com que nos questionássemos se não havia um conteúdo extra ali, mas apesar destes buracos, Guerra Civil entregou aquilo que vendeu nos trailers, a animosidade entre o Capitão América e o Homem de Ferro. Não houve um clima de guerra civil, apesar de eventos de destruição e caos, o Hulk conseguiu trazer mais desespero à população com sua agressividade excessiva do que os times lutando um contra o outro.

No fim temos um filme satisfatório quando se pensa na sequência cinematográfica que a Marvel vem construindo ao longo dos anos, ou seja, era algo esperado e não inédito. Guerra Civil é bom, porém, não é o melhor filme da Marvel, para nós Guardiões da Galáxia continua no topo da lista como o filme que ousou desafiar o espectador trazendo um produto inesperado e completo. Com os eventos de Guerra Civil concluídos, a Marvel entra em um caminho muito mais místico e inexplicável, que foi iniciado pelos complexos Wanda e Visão, que com seus poderes e conflitos de grande magnitude, dão as boas vindas ao Dr. Estanho.


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