sexta-feira, 14 de março de 2014

Kamen Rider Gaim | Crítica da série


"Frutas?" - foi a pergunta que surgiu na minha mente desde que começaram a surgir as primeiras informações de Kamen Rider Gaim e esse simples questionamento foi certamente o mesmo de muitos fãs de Tokusatsu que acompanharam as sucessivas revelações posteriores a estreia da série.

Por Leonardo Cruz
Alerta de SPOILERS!

Episódio 01 ao 08

É uma obrigação minha trazer a paz para aqueles que talvez se absteram da série com receio de que tal tem tomasse conta da série, tornando-a ruim. Sinceramente, o fato dos poderes dos Riders serem baseados em frutas é mais um elemento de estilo do que um fator determinante no enredo - as Lock Seeds poderiam ser Gaia Memories, cartas, Ranger Keys, etc. O enredo não seria fortemente alterado por isso e eu acredito que seja um ponto positivo para aqueles que temiam a estranha decisão da Toei.

Outra preocupação válida que surgiu em relação a série foi a quantidade de personagens e como eles seriam desenvolvidos, já que vários Kamen Riders foram anunciados além do tema contar com o confronto de times/facções abrir ainda mais espaço para mais e mais personagens aparecerem na série.

Até então, a estratégia de desenvolvimento de personagens é inteligente - dificilmente personagens estão evoluindo separadamente, eles estão sempre interagindo e se revelando de formas interessantes uns através dos outros, por conflitos e contrastes. Essa estratégia é muito apropriada para a ideia da série de se aproximar de alguma forma dos conflitos da era Sengoku e para o clima constante de batalhas por território através do Invess Game.

Na minha opinião essa estratégia é algo recente no repertório da Toei, pelo menos nessa escala. A pouco tempo não era incomum se deparar com personagens que eram apresentados ao público de forma introspectiva, com a tradução de pensamentos ou simplesmente ocasiões onde o personagem se encontrava falando sozinho. Isso foi comum em Kamen Rider Wizard e ainda ocorre um pouco em Kamen Rider Gaim, especialmente com Pierre Alfonzo aka Kamen Rider Bravo.

Esse modo alternativo de desenvolver os personagens predominantemente através de interações tomou um pouco mais de força a partir de Fourze e estou feliz de ver que Gaim está sendo feito dessa maneira. Isso permitiu que personagens que dificilmente teriam uma chance de serem explorados até o meio da série tivessem uma chance de se mostrarem ao público.

A salada de frutas que deu certo
Um dos exemplos desses personagens que provavelmente ficariam escondidos é o Lock Dealer Sid, um personagem que teria pouquíssimas oportunidades de aparecer uma vez que ele distribuísse todos os Sengoku Drivers. Sid viraria um mero entregados de Lock seeds se não fosse a recém criada relação dele com Mitchi aka Kamen Rider Ryugen - o que também permitiu que o novo Rider tomasse uma posição mais interessante e ativa na história além de se tornar um personagem que eu acredito ser mais interessante do que os demais no momento.

Outro personagem que se beneficiou dessa filosofia de colocar os diversos elementos da série em conflito foi Takatora aka Kamen Rider Zangetsu. O fato de estar tão intimamente ligado a Yggdrasil significaria que ele estaria fadado a aparecer somente quando essa organização poderosíssima se tornasse o foco de Kota (KR Gaim) e Kaito (KR Baron), o que, apesar de inevitável, provavelmente só acontecerá no meio da série. A relação entre Takatora e seu irmão mais novo, Mitchi, torna a presença dele na série menos forçada e o breve confronto dele com Kamen Rider Gaim muito mais significativo.

Apesar desses pontos positivos em relação ao desenvolvimento dos personagens, a posição de Kamen Rider Bravo me preocupa. Ele é um personagem que até então não tem qualquer ligação com nenhum dos lados da história e cujo episódios não deixaram nenhum motivo muito claro para ele aparecer posteriormente além de dar um "show". Só o fato de terem tirado ele de cena para "tirar uma torta do forno" me deixou decepcionado com o personagem que, apesar de ser agradavelmente excêntrico, está completamente solto na trama até então.

Até que Kamen Rider Bravo se una a um dos lados, seja a Yggdrasill, seja um dos times ou seja ele mesmo criando um próprio time, eu não vejo nenhuma forma interessante de ele contribuir com a série e não ser como alívio cômico em uma série que, na minha opinião, possui humor suficiente sem ele. Espero que não desperdicem esse personagem, pois ele tem potencial, mas irá exigir muito trabalho e criatividade para se tornar relevante.

Um último ponto que eu gostaria de compartilhar minha opinião é em relação aos poderes dos Kamen Riders. Eu fiquei feliz em ver que claramente diferentes frutas são melhores ou piores dependendo do inimigo. Isso foi algo que ficou bem claro no episódio 08, quando os Riders enfrentaram um Invess encouraçado.

Isso, esperançosamente, significa que não veremos power up atrás de power up, e sim uma evolução mais horizontal dos Kamen Riders e possivelmente lutas que dependem mais do trabalho em equipe do que pura e simplesmente poder de fogo - afinal, o que adianta ter vários Riders se eles não lutarem juntos?

A verdade é que o excesso de power ups nesse cenário foi uma das coisas que me decepcionou em séries como Kamen Rider Kabuto. Eu realmente prefiro esse padrão de evolução que é mais similar a Kamen Rider OOO, onde as formas não são necessariamente sobre poder, mas também sobre utilidade. O que foi um ponto fraco em Kamen Rider Wizard, já que a partir do episódio 12 eu não entendia o motivo para ele usar uma das formas originais e não tive uma boa resposta até hoje.

Episódio 09 ao 17

Acredito que todos nós já nos esquecemos dos preconceitos iniciais - frutas, vários Riders, grupos de dança, etc - e agora podemos todos apreciar a agradável série que Kamen Rider Gaim está se tornando.

O enredo da série finalmente começou a se mover, finalmente revelando informações que dão consistência a série e trazendo novas perguntas sobre os desafios que estão adiante para os personagens da série.

O cenário primariamente estabelecido - os grupos de dança e a guerra de popularidade - são agora algo do passado. Eu estou sinceramente satisfeito e aliviado por não ser esse o tema a persistir na série e estou ainda mais satisfeito pelo fato de que essa ideia inicial teve um papel interessante na série. Os grupos de dança estabeleceram rivalidades e colocaram um precedente para interligar os personagens da série com a toda poderosa Yggdrasil e, terminada essa fase, os grupos saíram gloriosamente de cena como o bode expiatório, culpados por tudo o que está acontecendo de errado na cidade de Zawame.

O foco da série se voltou agora para algo muito mais intrigante e complexo - os mistérios da floresta de Helheim e a organização que transformou a cidade de Zawame do dia para a noite, a Yggdrasil. E, no meio desse território desconhecido, estão os Riders, escolhendo lados e lutando entre si pelo que acreditam.

Kamen Rider Gaim, nesses últimos episódios conseguiu estabelecer de forma sólida a ameaça que os Lock Seeds representam com a transformação e destruição de Hase, ex-líder da equipe Raid Wild. O efeito das frutas, que transformam o DNA, foi uma explicação razoável para abarcar a série de infecções que começaram a afetar a cidade com as sucessivas aberturas conhecidas como "cracks". Um peso extra na balança do personagem principal e um bom uso de um personagem que já não tinha muito destaque na série.

Uma decisão feliz foi a revelação quase que imediata do que aconteceu com Yuyaa, o líder da equipe Gaim que estava até então desaparecido. O fato de Hase ter virado um Invess abriu o precedente para especulações em relação ao paradeiro de Yuyaa, o que felizmente, não se arrostou muito. A revelação de que Yuyaa sofreu um destino semelhante ao de Hase foi usada inteligentemente, evitando que a questão se tornasse completamente irrelevante e originando o evento que provocou Micchy a se infiltrar mais profundamente na Yggdrasil.

Os últimos episódios finalmente deram um propósito maior ao parentesco incomum entre Micchy aka Kamen Rider Ryugen e Takatora aka Kamen Rider Zangetsu. A entrada de Micchy na Yggdrasil foi bem arquitetada a partir das sucessivas atitudes duvidosas que fizeram parte da construção do personagem e sua disposição em dar um passo além da moral para atingir seus objetivos.

Riders acrescentados na trama, de forma coesa
Assim como ele, os demais personagens que estão no foco da série possuem coisas interessantes a serem reveladas e uma quantidade saudável de mistério por trás deles. O passado de Kaito, a obcessão de Ryoma por poder, a inimizade entre Takatora e Sid, o passado de Pierre. Muitas relações a serem aproveitadas e usadas como combustível para impulsionar o enredo.

Apesar de tudo isso, o personagem de Kamen Rider Bravo me preocupa. Eu esperava que ele fosse ter um papel um pouco mais sólido depois que a "personalidade mercenária" dele foi revelada, mas a inconsistência das ações dele indicam que ele não será uma parte importante na série e que, como muitos já devem ter percebido, ele foi introduzido como alívio cômico.

Um dos pontos positivos mais fortes de Kamen Rider Gaim até agora é fruto do sucesso de algo que era um dos maiores medos que eu tinha em relação a série - o fato de existirem múltiplos Riders. No início, essa foi a ideia que menos de agradou, pois eu tinha receio de que o desenvolvimentos dos personagens seria extremamente pobre por causa disso. Felizmente meus medos não se tornaram realidade e em sua maioria os personagens estão, em minha opinião, recebendo o tratamento adequado de acordo com a importância de cada um na série com algumas exceções - que incluem Kamen Rider Bravo, citado anteriormente.

Bravo! (Trocadilho horrível)
Além dos personagens se desenvolverem de uma forma aceitável, o fato da série ter múltiplos Riders trouxe uma qualidade surpreendente aos combates. O atrito constante dos Riders é claramente muito mais interessante do que a formula de "monstro da semana". As lutas são muito mais interessantes com dois personagens capazes de se moverem mais livremente e capazes de usar técnicas e poderes diversos - coisas que monstros dificilmente fazem. Mas a qualidade dos combates não é só uma questão cinematográfica - o constante movimento da balança de poder entre os dois lados e a tensão gerada que encaminha os personagens para um grande e decisivo confronto final são elementos positivos e um diferencial da série.

Se você ainda não se decidiu em assistir Kamen Rider Gaim, não tema e grude sua face no monitor pois essa série e ouro.

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5 comentários:

  1. Por incrível que pareça, Kamen Rider Bravo merece uma série Spin-Off

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  2. Estava muito receoso em assistir a esse novo KR, devido aos inúmeros elementos (por mim taxados de ruins) apresentados pela série. Mas depois de ler sua crítica, fiquei (no mínimo) curioso. Assistirei. =D

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  3. Kamen rider Gaim realmente me surpreendeu, principalmente por dois motivos, quebra de protocolo e o nível profundidade dos personagens. Até mesmo o Raider uva que eu achava ser apenas afeminado mostra um lado reflexivo e manipulador, to sendo surpreendido com essa serie. Pra min a melhor serie de Raider até agora foi o W, porém Gaim, tem chances de ultrapassar, se continuar a desenvolver mais o personagens e continuar quebrando protocolos.

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  4. Porra, cadê os Kamen Rider machos???
    É só viadagem agora... A partir do W, porra, que merda de frescura emo-delicada!!!
    Cadê os Black, RX, Kuuga, Agito, 555, Blade, Kabuto??
    Antes, Kamen Rider tinha que ser macho. Agora tem que ser fêmea. Só falta sair o Kamen Rider Barbie... argh

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  5. Eu assisti Gaim e gostaria de poder desver!!!! Fala sério como a tokunet brasileira força demais a barra

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