Mesmo com excesso de humor, Thor: Amor e Trovão traz empolgante fábula sobre heroísmo e esperança


O que diferencia um super-herói de um deus? Talvez hoje, com figuras tão emblemáticas e poderosas em filmes e quadrinhos, seja difícil tecer uma diferença entre esses dois arquétipos e a tênue linha que os separa. E dentro disso, o que falar de um deus que se torna um herói? O que existe além de seus dons poderosos e feitos magníficos que o faça ser mais humano do que divino. É dentro desse conceito que o mais novo filme da Marvel Studios: Thor: Amor & Trovão chega aos cinemas e traz uma obra que se comporta como uma verdadeira fábula moderna, trazendo a melhor aventura do personagem em sua adaptação para as telas.

Na história, que se passa após os eventos de "Thor: Ragnarok", "Vingadores: Guerra Infinita"” e "Vingadores: Ultimato", Thor segue em sua curiosa e excêntrica busca por "autoconhecimento" quando se vê diante do pedido de ajuda de uma antiga aliada para deter o misterioso Gorr, um implacável ser que está executando divindades por toda a existência e vê os asgardianos como seu próximo alvo. Ao mesmo tempo, Jane Foster – cientista renomada e ex-namorada do Deus do Trovão – se vê em uma situação de vida ou morte e recebe uma dádiva para poder mudar a sua vida e das pessoas ao seu redor. 

Seguindo a mesma ideia de "Ragnarok", o diretor Taika Waititi segue distante da versão dos primeiros filmes do Deus do Trovão para nos trazer um Thor mais debochado, que nos parece totalmente alheio ao mundo a sua volta e sem levar nada a sério. Porém, "Amor e Trovão" é mais alinhado a esse aspecto do personagem, ainda que insista erradamente em alguns excessos, justificando o seu comportamento como parte de um processo de humanização que é apenas completado quando outros sentimentos são aceitos pelo personagem ao longo da película.

Dentro disso, temos em paralelo mais duas histórias que não só enriquecem o conteúdo do filme como também distanciam Thor de seu status divino e o levam a outra posição. Gorr, em sua trajetória de dor, negação e vingança, se distancia da mortalidade para ser tão cruel e alheio aos outros como os próprios deuses ao qual assassina. Enquanto isso, Jane Foster "veste" uma nova persona que inspira os outros com sua força e astúcia, escondendo a sua frágil mortalidade para fazer o melhor aos outros e encontrando suas próprias virtudes nesse processo. 

Com isso, o filme vai além do humor e se torna também uma tragédia clássica, com aventura, diversão e seus momentos dramáticos. Tudo isso ainda dentro da "fórmula Marvel" de cinema, logicamente, mas com muito mais criatividade visual que as últimas empreitadas da Casa das Ideias nas telonas. 

Nas atuações, Chris Hemsworth está mais afinado do que nunca a proposta de Waititi e consegue trazer um Thor carismático e difícil de nos irritar mesmo quando se perde em seu próprio mundo de piadas. Natalie Portman retorna ao papel com muito mais espaço de tela e se mostra muito à vontade para levar uma versão mais poderosa e emocional de Jane Foster, fazendo uma ótima dupla com Tessa Thompson e sua confiante Valquíria. Destaque também para Christian Bale, que encarna um visceral e convincente Gorr, e Russell Crowe com seu bonachão e caricato Zeus.

Com ritmo dinâmico e suas boas cenas de ação, "Thor: Amor e Trovão" tem a sensação de um gibi competente que vai te entreter por duas horas e te fazer sair com aquele bom sentimento de diversão. E não existe problema algum em ser só isso

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