Star Wars: A Ascensão Skywalker entrega um filme com a essência da franquia sem grandes riscos


Mais de quatro décadas depois Star Wars (ou Guerra nas Estrelas para os mais saudosos), continua a cultivar uma gigantesca base de fãs ao redor do mundo.

Para muitos como um dos pilares da cultura pop mundial e um dos principais difusores da "cultura nerd", Star Wars tem uma trajetória de dar inveja para outras franquias cinematográficas. Com onze filmes ao todo (incluindo os spin-offs), várias animações e dezenas de quadrinhos, livros e jogos, a obra criada por George Lucas em 1977 é rica em universo e uma mina de ouro para quem quiser se aventurar.

Em 2012 a gigante Disney comprou a Lucas Films e com ela todos os direitos dos filmes de Star Wars com a promessa de criar novas obras para as futuras gerações. A primeira etapa nos cinemas se deu com "O Despertar da Força" em 2015, dirigido por J.J. Abrams, dois anos depois Ryan Johnson assumia o controverso "Os Últimos Jedi" e agora em 2019 J.J. retorna não só com a obrigação de encerrar a trilogia como também de uma saga que iniciou no final dos anos setenta.

Rey e Kylo se confrontam pela última vez - Foto: Disney

À partir daqui os spoilers estarão presentes no texto. Com a fã-base dividida após Os Últimos Jedi, J.J. Abrams optou por encerrar eventos apresentados por ele mesmo em O Despertar da Força, além de ressignificar elementos trazidos no episódio oito. A trama de Ascensão Skywalker acontece pouco tempo após os eventos de Os Últimos Jedi. A General Leia Organa, que agora está bastante debilitada, precisa reunir todos os rebeldes para um último ataque contra a Primeira Ordem. Paralelo a isso, a galáxia precisa lidar com o possível retorno do Imperador Palpatine enquanto Rey encerra seus treinamentos como uma Jedi com sua nova mestra.

O filme abre com uma grandiosa sequência mostrando Kylo Ren atrás de Palpatine nas bordas da galáxia para destruí-lo e assim torna-se de fato o Supremo Líder. Depois de uma incansável busca que contou com a ajuda dos seus Cavaleiros, Ren encontra Darth Sidious no sombrio planeta de Exegol. O vilão revela ter sido o arquiteto por trás de todos os passos de Kylo e como conseguiu enganar a morte até ali. Por fim entrega uma última missão para o filho de Han e Leia, matar Rey e reinar para sempre por toda galáxia.

Ritmo desenfreado marca o episódio 9 - Foto: Disney

Esse breve inicio configura todo o ritmo que Ascensão Skywalker vai seguir. O filme é recheado de reviravoltas e apresenta um ritmo acelerado que destoa significativamente dos seus antecessores. Além das reviravoltas, vários personagens ganham mais destaque como o trio Rey, Finn e Poe além do droide C3PO e Chewbacca. O espectador se sentirá mais confortável com a dinâmica do grupo que desta vez soa mais natural e convincente. Por outro lado, personagens secundários como Rose perdem destaque e atuam quase que imperceptíveis em tela.

É um bom filme ou não?

Não poderei mentir ou omitir que o episódio nove muda radicalmente alguns eventos do episódio oito, porém essas mudanças fazem sentido mesmo que totalmente inesperadas e até mesmo "exageradas" em alguns pontos. A direção optou por um caminho mais seguro e mais condizente com os materiais de Star Wars adjacentes ao cinema. Por outra via, isto pode causar um certo desconforto e a sensação de que falta uma outra parte da história, talvez seja o ponto negativo de maior destaque: A falta de mais material para sustentar as novidades que são apresentadas, o que convenhamos poderia ter sido resolvido com mais tempo de filme.

Resgatando elementos dos outros episódios, o filme opta por criar um ambiente familiar para os fãs de longa data e também presenteando o público que consome quadrinhos e animações de Star Wars, vários componentes são trazidos à tona de forma implícita e explicita. E como prometido desde o episódio 7, J.J. coloca um ponto final na história dos Skywalker sem muitos rodeios encerrando um ciclo de quatro décadas.

A sensação no final é que poderiam ter tido mais um filme entre o oitavo e o nono, muitas informações deverão ser contadas apenas em outras mídias que na maioria das vezes não são tão atrativas para o grande público. Mas, apesar do ritmo abrupto, Ascensão Skywalker cumpre com o seu papel e entrega um filme totalmente Star Wars, batalhas épicas no espaço, lutas com sabre de luz, a presença do lado negro e diversos momentos emocionantes, característica essa que está enraizada no âmago da franquia.

Embora o marketing diga que tudo termina neste filme, sabemos que a franquia continuará firme e forte em outros lugares e formatos. Resta saber se até lá estaremos acompanhando e acreditando que novas histórias tão boas quanto as que vimos no passado surjam para abraçar as próximas gerações.

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