Capitã Marvel introduz a poderosa heroína em um momento crítico para o MCU


Vingadores: Guerra Infinita é um marco difícil de se superar. Uso ''superar'' aqui não como algo a ser ultrapassado, mas sim como um momento que criou altas expectativas e incertezas nos fãs virando ele um referencial que trouxe um peso nos trabalhos que o seguem. Assim ''superar'' aqui apenas quer dizer seguir em frente e deter sua própria identidade, ainda mantendo um nível de qualidade e aceitação.

Enquanto a primeira continuação de Guerra Infinita, Homem-Formiga e a Vespa, não conseguiu manter os padrões estabelecidos e trazer algo para saciar o público até a estreia de Vingadores: Ultimato, chega a vez de Capitã Marvel fazer a sua aparição.

Crítica em vídeo (Sem Spoilers)



Ambientado na década de 90, o longa segue Vers (Brie Larson), uma guerreira e membro da força estelar dos Kree, que após se separar da sua equipe em uma missão ligada à longa guerra entre a raça dos Kree e dos Skrulls, cai no planeta Terra. Vers precisa então parar o plano dos Skrulls se juntando ao terráqueo Fury (Samuel L. Jackson), o que não se mostra uma tarefa fácil uma vez que eles tem a habilidade de se transformar e simular a identidade de qualquer um. Para dificultar ainda mais a sua missão, a protagonista passa a recobrar suas memórias perdidas antes do seu treinamento Kree, assim como seu verdadeiro nome.

Todo o arco dos Kree é bem superficial e não ajuda muito para definir a protagonista - Foto: © Marvel Studios

Minha principal preocupação com Capitã Marvel era com a própria Brie Larson, a atriz que interpreta a heroína. Através da divulgação (trailers, teasers, posters), a inexpressividade da atriz era evidente e por mais que se falasse que a barreira que ela precisava enfrentar é o fato de representar o primeiro filme solo de uma super-heroína no MCU, em momento nenhum enxerguei isso como um problema. Ao contrário, a Marvel deveria ter investido em um filme com uma protagonista feminina desde a sua primeira fase com a Viúva Negra e o sucesso alcançado por Mulher Maravilha mostra como o público está preparado para ver outros gêneros encabeçando esses universos.

Mas, como na maioria dos casos, fui assistir o filme com a mente aberta (e é o que recomendo a todos. Sim, precisamos ter senso crítico e precisamos ter opiniões, mas devemos formar nossos argumentos APÓS termos todos os fatos). E para a minha surpresa, a inexpressividade não é um problema que necessariamente fere o longa. Sim, há momentos que eu gostaria de ver Carol Danvers (ou Vers) sendo um pouco mais relaxada, mas a personagem tem uma personalidade bem definida em seu humor sarcástico e contínuas brincadeiras que mantém o tom do filme.

Nick Fury é um dos grandes destaques e principal apoio da heroína em sua breve jornada - Foto: © Marvel Studios

Juntamente a Samuel L. Jackson, Brie desempenha bem o seu papel e os dois funcionam no estilo dupla de policiais dos anos 90. O humor entre os dois é bem balanceado e o ''fantasma da inexpressividade'' ficou para mim mais como uma falha na direção do que no desempenho da atriz.

E já que falei em Samuel L. Jackson, como é bom ver um jovem Nick Fury no MCU. A tecnologia de rejuvenescimento agora claramente dominada pela Disney não deixa a desejar e a jovialidade e inocência do personagem se contrapõem bem com a seriedade em cumprir a missão de Carol Danvers.

Muito bem explorados na trama, os Skrulls apresentam várias camadas que enriquecem o filme - Foto: © Marvel Studios

Mas, pelo menos para mim, o grande destaque do filme recai sobre os Skrulls. Enquanto não vemos muito dos Kree e praticamente nada da capital Hala, os Skrulls são muito bem aproveitados, assim como as interações com Talos (Ben Mendelsohn). Não posso entrar em muitos detalhes para não dar spoilers, mas me surpreendi bastante com o que foi feito, complementando muito bem a história que já vem sendo construída no MCU, assim como a trama do filme.

Apesar da narrativa ser confusa em determinados momentos e desordenada, principalmente no primeiro ato do filme, a história de Capitã Marvel é uma boa história de origem e relembra em vários aspectos os filmes da primeira fase desse universo nos cinemas. Alguns detalhes como a primeira cena pós créditos e a homenagem a Stan Lee são também importantes destaques do longa. Ao mesmo tempo, há também alguns excessos de humor como já virou praxe da Marvel nos cinemas e exageros como o gato ''Goose'', que é completamente desnecessário para a trama, mas compreensivelmente está lá para o alívio cômico.

A medida que a história se desenvolve Carol se torna mais interessante e seus poderes crescem exponencialmente - Foto: © Marvel Studios

Alguns erros de continuidade e meias explicações também afetam o filme, que ainda assim consegue ser um trabalho bem consistente e apresentar a Capitã Marvel, que tem alterados elementos da sua origem dos quadrinhos, assim como algumas significantes mudanças. Mas, mais importante do que isso, senti que o espírito da personagem foi bem retratado e mesmo que inicialmente possa não existir um vínculo entre ela e o público como ocorreu com o Thor, o Capitão América, o Homem de Ferro e o Hulk, há sem dúvidas espaço para isso no futuro.

Principalmente nesse momento ''pós Guerra Infinita'', Capitã Marvel consegue se segurar com uma estreia sólida, mas precisando de alguns ajustes para trazer todo o potencial da personagem e da atriz. Resta agora ver como ela vai se encaixar em Vingadores; Ultimato.

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