sexta-feira, 14 de setembro de 2018

The Promised Neverland é uma dura batalha pela sobrevivência de um grupo de órfãos que só podem contar consigo mesmos


O mercado dos mangás está hoje, sem dúvidas, saturado. São tantos os títulos que não se sabe mais aonde encontrar uma história ao mesmo tempo diferente e que seja interessante o suficiente para prender a atenção. Mas é claro que grandes projetos vem a surgir e inclusive surpreender, como foi o caso, para mim, com The Promised Neverland.

A obra, que acabou de ser lançada no Brasil, conta a história de um grupo de crianças que vivem no Orfanato Gracefield, uma família para os órfãos que se consideram como irmãos junto a sua cuidadora, que para todos é considerada uma verdadeira mãe.

A história se abre em um ambiente familiar e aconchegante, onde as crianças realizam tarefas diárias, são submetidas a testes contínuos para avaliar e desenvolver sua inteligência e aproveitam seu tempo livre para brincar e correr pelos terrenos do orfanato. Mas logo ao final do primeiro capítulo há um reviravolta sombrio de eventos e os dias felizes que uma vez eram tudo que os protagonistas Emma, Norman e Ray conheciam ficam para trás, fazendo com que os órfãos precisem agora lutar pela sua sobrevivência.

Ray, Emma e Norman são as crianças mais velhas e são responsáveis pela segurança dos demais - Imagem: Reprodução Internet.

Para efeitos desse texto, vou comentar o que é essa "reviravolta sombria", então se você, leitor, que ainda não conhece a história e quer descobrir por si mesmo, não leia o que vem a seguir e pule para o último parágrafo. Spoilers a frente.

Por um acaso do destino, Emma, uma garota vivaz com um natural dom para liderar, e Norman, possivelmente o mais inteligente e sagaz do grupo, descobrem que na verdade o local que tanto amavam e consideravam a sua casa é, na verdade, uma fazenda de carne humana. Lá os órfãos são estimulados a desenvolver o seu intelecto para "melhorar a qualidade do produto", basicamente deixando-os mais saborosos para serem consumidos por demônios.

Por mais fantasiosa e esquisita que possa parecer essa premissa, a obra é bem centrada. No momento em que descobrem a sua qualidade de "gado", os órfãos podem apenas contar consigo mesmos e com a sua inteligência, que por sorte vem sido cultivada a anos. O que me atraiu em The Promised Neverland foi justamente a capacidade dos personagens de se adaptar a situação e o seu espírito para enfrentar essa impossível situação em que se encontram.

As crianças do Orfanato Gracefield precisam trabalhar juntas para se salvarem - Imagem: Reprodução Internet

Não apenas isso, após ver o mundo perfeito em que viviam e a esperança de um dia ter uma família serem jogados fora, eles precisam ainda enfrentar a Mama, sua cuidadora que sempre esteve lá como a sua mãe, mas agora se revela como o carcereiro/açougueiro e o inimigo que precisam superar para fugir de Gracefield com todas as crianças.

E a história vai mais além, junto a Ray, um jovem mais fechado, mas bastante culto, Emma e Norman descobrem pistas deixadas para ajudá-los a fugirem. Há também todo um mundo e mitologia fora dos muros do orfanato que vem a ser explorados.

Outro ponto que particularmente me chamou atenção foi a capacidade do autor Kaiu Shirai em trabalhar com diferentes tons e gêneros. Em certos momentos me sinto lendo uma aventura, em outros suspense, um terror ou terror psicológico e em outros em meio a um drama, mas é a naturalidade como eles integram a narrativa que destacam a obra.

A edição nacional de The Promised Neverland - Foto: Reprodução Internet

The Promised Neverland foi um dos mangás que mais me surpreendeu pela qualidade da história, desenvolvimento de personagens e aproveitamento nos últimos anos e com a sua chegada ao Brasil em lançamento bimestral pela Planet Mangás/Panini por R$21, 90 (Não está fácil para leitores de quadrinhos, eu sei) e o lançamento do anime previsto para o início de 2019, esse é pelo menos um título que acompanharei.

Ficha Técnica
Título: The Promised Neverland
Editora: Planet Mangás - Panini
Roteiro: Kaiu Shirai
Arte: Posuka Demizu
Número de páginas: 192

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