sábado, 28 de abril de 2018

Starlight traz narrativa dinâmica e cativante


Um dos principais fenômenos para se apreciar uma história é a identificação com os personagens. Quando somos jovens, personagens mais velhos parecem distantes, comumente identificados nos arquétipos de mentor, pai, vilão, etc. Quando amadurecemos, ao ler histórias compatíveis com nossa idade, personagens jovens são costumeiramente identificados como aprendizes, filhos ou protegidos. As histórias são mais complexas e pautadas no absoluto realismo. No entanto, a lembrança do que líamos na juventude sempre retorna. A saudade de vivenciar aquelas aventuras maravilhosas, cheias de ação e energia, nos toma muitas vezes de surpresa. Talvez por isso Starlight tenha me conquistado tanto.


Lançado originalmente em 2014 pela Image Comics e final de 2017 no Brasil pela Panini, Starlight é escrito por Mark Millar, conhecido por Superman: entre a foice e o martelo e Kick-Ass, além de outros diversos trabalhos de alta qualidade na indústria. E Ilustrado por Goran Parlov, um dos responsáveis por Justiceiro: Max. Os dois formam uma excelente parceria nas seis histórias que contam a jornada de Duke McQueen: ex capitão e piloto da força aérea americana. Um senhor de sessenta e dois anos.


Após a morte prematura de sua esposa, Duke McQueen, acompanhado de seus filho e netos, dá o último adeus a única pessoa que acreditava que ele tinha sido um herói em outro planeta em uma galáxia distante. Seus filhos o achavam um mentiroso, jamais acreditaram que seu pai poderia ter vencido inúmeros alienígenas, além de salvar o povo de Tantalus das garras do terrível tirano e ditador Typhon.


Um ano depois, Duke se encontra desprezado e esquecido pelos filhos no aniversário da morte de sua amada, aquela por quem ele decidiu voltar quando foi oferecido o posto de rei em outro planeta. Em meio a lembranças do passado com sua esposa e dos grandes feitos que ninguém acreditava, Duke é surpreendido pela chegada de uma nave espacial e seu jovem piloto, Krish Moor. Mais uma vez Duke será necessário para o povo de Tantalus.


A ideia de revisitar o passado tanto em memória quanto em possibilidade real, cria estrutura narrativa dinâmica e cativante. Além disso, serve de artifício eficiente para nos identificarmos com os personagens de maneira mais profunda. É interessante apreciar a habilidade de Millar em escrever diálogos bem feitos aliados as belas ilustrações de Parlov, que sinalizam o tom dramático ou cômico de cada quadro. Inclusive, essa é uma característica marcante em todo o quadrinho, conseguindo um balanço satisfatório entre aventura e discussão temática.

O reconhecimento dos outros é um dos temas centrais da trama. Imagine você ser uma lenda em outro planeta, ter feito inúmeras realizações inimagináveis, porém ninguém acredita em uma palavra do que você diz. Não bastando o desprezo e a ridicularização perante a sociedade, a distância de seus próprios filhos se torna um preço alto a se pagar. O reconhecimento é tão importante quanto a realização? O quanto o reconhecimento do outro é estruturante?

Igualmente importantes, outros temas são levantados por Millar durante a história: Será um povo fadado a vivenciar governos tirânicos? É sempre necessário a figura de uma líder messias para a salvação do povo de Tantalus? De maneira periférica até mesmo o papel da mídia é tratado na subjugação de todo um povo. Todos o temas são abordados em formas de camadas, não prejudicando em nada a divertida aventura.


Em meio a personagens e visuais extravagantes, Millar e Parlov prestam uma grande homenagem as histórias pulp de ficção científica publicadas no início do século XX. Me arriscaria a dizer que John Carter of Mars de Edgar Rice Burroughs foi, de certa forma, uma das inspirações.

Sinceramente gostaria de ver mais aventuras de Duke McQueen, infelizmente não sei se está nos planos de Mark Millar fazer um outro arco, entretanto há rumores de uma possível adaptação do quadrinho para o cinema, com Sylvester Stallone. O que vocês acham?

Ficha Técnica:
Título: Starlight
Editora: Panini
Roteiro: Mark Millar
Arte: Goran Parlov
Cores: Ive Svorcina
Capa: John Cassaday
Número de páginas: 168

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