quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Longe de um horror, Mãe! expressa uma viagem surrealista carregada de simbologia


Do diretor Darren Aronofsky (Cisne Negro), Mãe! traz uma proposta única aos cinemas com grandes nomes e uma ousada direção.

A história segue um casal (Jennifer Lawrence e Javier Bardem) que vive em uma pacífica e remota casa, até que em uma noite os dois recebem um convidado inesperado (Ed Harris). Contra a vontade da personagem de Lawrence, a presença do convidado se estende, levando a chegada de inúmeras outras pessoas à casa, assim como uma série de invasões que passam a deteriorar a sua integridade.

A medida que a história segue, a atuação do mundo externo passa a afetar cada vez mais Lawrence e a casa, ficando exponencialmente mais exageradas e significativas. Com extrema carga surrealista, o filme segue, então, um ritmo muito mais agitado e intenso que não só dificultam o aproveitamento do longa, como jogam o espectador em um redemoinho de simbolismos e sentimentos sem qualquer filtro.

Os protagonistas também não chegam a ser um ponto de apoio, a medida que a personagem de Jennifer Lawrence sofre e se atormenta com os incessantes ataques ao seu lar desde o começo da trama. O personagem de Javier Bardem, representado em um egocêntrico marido, não convence com o seu ar distante e bizarro, aparecendo como uma peça substituível na trama.

A trama segue a vida de um casal interpretado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem

Em meio a todo esse espetáculo, o diretor dá óbvias dicas do que está ali sendo representado [spoiler] ficando evidente que a personagem de Lawrence e a casa representam a Terra, enquanto o personagem de Bardem é uma alegoria para Deus [fim do spoiler], até mesmo porque essas alegorias são literalmente explicadas pelos personagens ao final da história, assim como uma série de referências bíblicas perpassam o longa.

Contudo, ainda para aqueles que conseguiram identificar as analogias propostas pelo diretor e apreciá-las, o filme passa a seguir um ritmo tão frenético e opressor que não sobra nada a ser desfrutado no momento do encerramento.

Carregada de mensagens e simbolismo, o filme poderia ter sido muito melhor aproveitado, fazendo uma leitura mais sutil dos seus elementos, sem cansar e atacar o público com a violência apresentada por Aronofsky.

Outro problema do filme está na sua divulgação, que se deu em grande parte focando em um viés de horror e suspense. Enquanto há de fato alguns pontos de suspense em Mãe!, o filme passa longe de ser qualquer um dos dois e se constrói muito mais como um drama surrealista.

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