quarta-feira, 8 de março de 2017

A Ilha da Caveira eleva Kong a status de força e rei da natureza


Uma obra clássica do cinema retorna não só para um novo reboot da franquia, mas para adentrar um novo multiverso de poderosos monstros que já dominam o planeta muito antes da humanidade ser formada, com Kong: A Ilha da Caveira.

Para quem está considerando assistir ou não o filme, é preciso destacar logo de cara um dos principais pontos da trama, que pode motivar uma nova ida ao cinema para prestigiar o Rei. A história do longa não apresenta um macaco gigante que entreteria plateias em teatros nos Estados Unidos, ou que se diverte as custas da jovem loira do grupo da expedição. O novo filme coloca Kong em um novo patamar como mais do que o Rei de uma ilha cheia de mistérios, pois este Kong é quase um deus. E sua existência, ações e presença podem ser comparada ao original Rei dos Monstros, Godzilla.

Foto: Warner Bros. Enterta - © 2017 Warner Bros. Entertainment Inc.

Desta vez, ambientada nos anos 70, no fim da Guerra do Vietnã, a história conta com uma dupla de cientistas da empresa Monarch, Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins), que desesperadamente busca apoio financeiro e político para uma nova expedição, cujo objetivo é descobrir o que existe em uma das poucas áreas ainda não exploradas do mundo. As imagens de uma até então oculta ilha, apenas visível pela tecnologia dos satélites, são o suficiente para que os dois estudiosos questionem quais os preciosos segredos podem estar lá escondidos. Cura para o câncer? Cura para outras doenças? Novos ecossistemas?

Pelo menos foram estas poucas informações passadas para o Coronel Packard (Samuel L. Jackson), herói de guerra que deslocou uma parte de sua unidade para uma última missão após o Vietnã e dias antes de serem dispensados do dever para seus lares. A aparente tranquila missão de reconhecimento de um território não explorado em favor da ciência, tornou-se um encontro mortal e bastante antecipado com o soberano da ilha.

Photo by Vince Valitutti - © 2015 Warner Bros. Entertainment Inc.

É muito comum em filmes de monstros que o personagem principal demore para aparecer na tela, mantendo sua identidade secreta para com os personagens do filme e sua real forma um mistério por um tempo considerável. É possível observar claramente este fator nos filmes de Godzilla. Pelo contrário, Kong é um monstro nada tímido e não demora nada para se tornar presente para personagens e espectadores. O Rei da Ilha da Caveira aparece em sua total forma logo no início do filme para proteger sua casa dos ataques dos invasores que perturbam sua paz.

Um ponto interessante do filme é a relação dos nativos da ilha, personagens sempre presentes na mitologia de King Kong, com os personagens forasteiros e com a história em si. O grupo de expedição é acolhido por uma cultura muito mais branda e de origem oriental, diferentemente dos canibais ou outras civilizações violentas e excluídas da sociedade. Eles são muito espirituais e consideram Kong seu deus protetor dos perigos da ilha.


Foto: Chuck Zlotnick - © 2015 Warner Bros. Entertainment Inc.

Com um ecossistema modificado e repleto de criaturas fantásticas e impossíveis, os filmes de King Kong geralmente deixam os fãs de monstros ansiosos para as aparições de tais criaturas. Mas Kong (2017) traz pouca variedade aparente de animais, deixando maior tempo de cena para o verdadeiro astro do filme.

Kong aparece dominante e corresponde às expectativas dos nativos colocando-se como protetor da ilha, de seus moradores humanos ou animais, contra os estranhos e obscuros Skull Crawlers. Os animais parecem ser seres de outro planeta que se alojaram no subsolo da Ilha da Caveira. O único com forças para detê-los é o poderoso Kong. Os Crawlers acabaram por substituir os famosos T-Rex e dinossauros sempre presentes na trama. Talvez um efeito de termos as franquias de Kong e Jurassic Park ao mesmo tempo nos cinemas?

O grupo de exploração também conta com James Conrad (Tom Hiddleston), o essencial especialista em rastreamento em selva com habilidades que salvaram várias vidas; a fotojornalista Mason Weaver (Brie Larson), a mulher do grupo com o importante papel de representar a mídia, além de ser uma forte personagem com experiência como fotógrafa de guerra e Hank Marlow (John C. Reilly) uma adição inesperada e que contribui muito para a dinâmica que acontece entre os exploradores e os nativos da ilha, muitas vezes sendo o alívio cômico das cenas junto com a maravilhosa atuação do soldado Mills Jason Mitchell, parte da unidade do Cel Packard.

É interessante observar o clima de tensão que envolve os três principais personagens da trama, o Cel Packard, Conrad e Weaver, que com objetivos e pontos de vista diferentes enriquecem os diálogos e reflexões no filme. A fotojornalista, por exemplo tem um momento intenso com o Coronel ao discutirem brevemente sobre a importância da mídia nas guerras, para ela essencial para que os conflitos acabem e para ele muito realista e violento atrapalhando a atuação do exército, demonstrando uma situação real de um dos motivos do término da Guerra do Vietnã.

Foto: Cortesia Warner Bros. Picture - © 2016 Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved.

Já o Coronel, muito bem representado por Jackson, um militar envolto nos conflitos de guerra e psicológicos de estar sempre na posição de exterminador e em busca constante do inimigo, não percebe o real propósito de Kong na ilha, escolhendo-o erroneamente  como alvo. Por fim, o ex-militar e rastreador Conrad que apesar de viver em ambientes violentos consegue reconhecer Kong como uma força maior da natureza que merece respeito e tem sangue frio para tirar todos que conseguir da ilha.

Kong: A Ilha da Caveira é um bom recomeço para o gigante primata, agora alçado a um posto de rei não só de sua ilha, mas também da natureza. Kong agora já está identificado e mapeado pela empresa Monarch, assim como o Godzilla, o rei nipônico. Com esse filme podemos esperar grandes encontros com fã-services e, por que não, reforçar esse monsterverse iniciado pelo Rei dos Monstros, trazendo cada vez mais gigantes para as telas do cinema.

Ah! Fiquem até o final dos créditos! ;)

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