terça-feira, 14 de junho de 2016

S.H.I.E.L.D., a incrível série em quadrinhos que vive um hiato sem fim


A humanidade sempre precisou de protetores. No Egito Antigo, na Renascença Italiana, no glorioso Império Chinês... sempre que a civilização esteve à beira da extinção, homens de inteligência inigualável e habilidades mentais extraordinárias foram a linha de frente para deter ameaças que estavam além da imaginação. E se eu lhe contasse que estes guardiões eram pessoas como Galileu, Michelangelo, Nostradamus e Isaac Newton? E se você descobrisse que todos eles têm em comum a ligação com um grupo, uma organização, chamada simplesmente de SHIELD?

Esta é a ideia principal de SHIELD, minissérie criada em 2010 que nos conta a existência da Irmandade do Escudo, um grupo formado pelos mais seletos homens da história e que protegem a humanidade desde tempos imemoriais. Desde Imhotep, que enfrentou as hordas da Ninhada no ano 2620 a.c., passando pelo erudito Zhang Heng, que meditou ao lado de um celestial em 114 d.c., até os agentes Nathaniel Richards e Howard Stark, na busca pelo jovem Leonid em 1953, temos uma história que exercita os limites do pensamento, eleva os mitos em relação aos grandes pensadores da raça humana e acrescenta mais mitologia ao Universo Marvel.

Imhotep e a fundação da Irmandade do Escudo (SHIELD)

Criado pelo escritor Jonathan Hickman e o desenhista Dustin Weaver, a série nos dá um novo entendimento sobre o heroísmo, tirando o protagonismo dos super-heróis e exaltando a capacidade humana de se desenvolver através de seus maiores gênios. Com isso, temos um conflito que transcende as simples batalhas físicas e coloca em discussão outra ancestral batalha: a capacidade da criação a partir do sonho ou a simples convicção da racionalidade e da lógica, levando a um futuro inevitável e sem capacidade de mudança.

SHIELD é um título audacioso e bastante complexo em relação ao seu papel não só como história em quadrinhos mas também dentro do próprio Universo Marvel. Entretanto, existe um grave problema com a obra: ela simplesmente não acabou! Inicialmente, em 2010, foi lançada como uma minissérie em sete edições e precisou de um ano inteiro para ser lançada. Com a trama precisando de uma conclusão, um segundo volume foi iniciado ainda em 2011 com a pretensão de finalizar a história em mais seis capítulos. Os números #1 a #3 chegaram em agosto, outubro e dezembro daquele ano, com o #4 aportando nas comic shops em fevereiro de 2012. E só.

De cima para baixo, da esquerda para a direita: Leonardo Da Vinci, Nostradamus, Isaac Newton, Zhang Heng, Howard Stark & Nathaniel Richards, Nikola Tesla (Night Machine), Michelangelo, Mina e Star Child

Já são quatro anos que Hickman e Weaver prometem finalizar o projeto, mas nada acontece. Alegando falta de tempo e dedicação em outras séries e tramas, ficamos sem saber o que aconteceu na batalha entre Newton e o Celestial bebê contra Stark, Richards, Leonid, Tesla e Michelangelo. O que ocorre nos futuros possíveis? Quem está certo em sua teoria? Como o protagonista da trama vai poder unir os ideais e levar a humanidade para um avanço do pensamento? Disso tudo temos apenas esboços e um grande desinteresse da Marvel, que parece pouco se importar se a trama será concluída algum dia ou não.

Durante esse tempo, tivemos pelo próprio Hickman um arco intrigante pela série Guerreiros Secretos, onde descobrimos que Da Vinci reuniu grandes mentes da espionagem mundial como Nick Fury, Barão Strucker, Dum Dum Dugan, Kraken e Orion em uma confraria chamada Zódiaco. Nela, acabou se segmentando a criação da moderna encarnação da Hidra, o surgimento do Leviatã e de uma tal “Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão”, o que podemos chamar de um reflexo da antiga Irmandade para os tempos modernos.

Arquimedes controla o Colosso de Rodes contra um sentinela Kree

Hoje, não dá para negar que SHIELD se tornou um grande exemplo de descaso dos seus autores e da própria editora com seu público consumidor e com o próprio tipo de trabalho que eles se propõem a vender. Um caso que entristece os amantes da nona arte por se mostrar promissor e intrigante aos amantes da ficção e de boas histórias, mas que morre lentamente em um emaranhado de descaso e prazos que nunca serão cumpridos. Um triste hiato que depõe justamente contra todo o vigor do pensamento humano que a própria obra defende. 

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