quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A chegada do Justiceiro é determinante para se entender mais sobre o Demolidor



Antes de mais nada, preciso confessar uma coisa. Desde que ouvi os primeiros rumores de uma provável entrada do personagem Justiceiro na segunda temporada da série Demolidor, do Netflix, não conseguir ver com bons olhos um desafio que se apresentava tão cedo em uma série que tem um crescimento lento e não se preocupa em impactar os seus espectadores apenas pelo simples quesito de segura-los a frente da TV.

Entretanto, depois do lançamento do trailer da temporada que enfatiza a chegada de Frank Castle a trama, não consegui deixar de lado uma opinião bem distante da primeira que tive sobre o caso: Essa realmente é a melhor hora para se definir Matt Murdock para os fãs desse formato de mídia.

Explico porque cheguei a esta conclusão. Para mim, que conheço os dois personagens de longa data e através de histórias que souberam definir muito bem os seus caráteres, posso dizer que tive um curso intensivo de como Castle e Murdock não podem ser vistos como iguais ou até "lados de uma mesma moeda".

Eles são inimigos, são verdadeiros antagonistas que não podem ser colocados em uma mesma classificação apenas por tratarem de combater os mesmos vilões e qualquer tipo de associação entre eles vai se provar tão errada quanto a ideia de que justiça e vingança sejam considerados sinônimos. E falando nisso, não estou querendo dizer que os fãs de quadrinhos conseguem ter uma interpretação melhor do que aqueles que apenas conhecem pela TV e Cinema. Na verdade, estou evidenciando que muitos podem ter essa confusão por conta de um erro grotesco que foi criado nas telonas e desconfigurou completamente o Homem Sem Medo para uma geração de fãs.


Em seu filme de 2003, o Demolidor nos é mostrado como um personagem que além de suas funções como advogado, se torna um vigilante que faz justiça com as próprias mãos e leva punição para aqueles que fogem de um sistema corrupto e falho. Não entrarei no mérito sobre a velha discussão se ele tem "direito de matar" ou se "já não fez isso em algum arco ou história contada nos quadrinhos". A questão que vem aqui é um pouco mais aprofundada e tem a ver com algo bem fundamental ao personagem: a sua crença na justiça não é simplesmente deturpada porque o sistema convencional não funciona. Ele na verdade tenta funcionar dentro destas falhas para complementar o que já foi definido pela sociedade como justiça.

O Demolidor, com exceção das fases onde estava realmente dominado por um espírito maligno das trevas ou talvez em alguma morte acidental não explicada, não teria uma livre concepção de ser juiz, júri e executor. O Homem Sem Medo em várias ocasiões viveu o drama em ultrapassar ou não essa linha e não existe dúvida que para demonstrar a diferença entre esses dois caminhos, o melhor representante do "outro lado" é realmente o Justiceiro.

Castle não é um herói e nem pensa em ser. O Justiceiro é um implacável vingador de toda a criminalidade e violência que assola o mundo, onde não mede esforços para poder definir o seu trabalho de eliminar tudo que acha de errado em relação a humanidade. Não existem leis, conceitos ou regras que consigam suplantar a sua fina definição de "o que é certo a fazer".

Mesmo que por ventura crie alianças errôneas ou até desleais com o seu próprio código, um dia este mesmo conjunto de regras próprio vai fazer com que as suas balas cheguem aqueles que o obrigaram a sair do seu caminho. Logicamente, se estes forem bandidos e merecerem a punição.


Os combates entre os dois personagens sempre foram épicos. Mesmo em meio a todo um mundo obscuro de criminalidade, as suas diferenças ideológicas sempre deixaram claros os caminhos distintos que cada um segue. Como se diz na resenha promocional do próximo crossover, que será lançado esse ano nos quadrinhos:


"Eles são alienígenas um para o outro. Cada um deles pensa que seu senso de moral é simples e óbvio, e se torna bizarro que a outra pessoa - que também é habilidosa e inteligente - não pense da mesma forma"

Essa mensagem já foi muito bem explicada na primeira temporada da série, que tem como maior trunfo o respeito não as "histórias originais" e sim ao conceito original do personagem. Entretanto, enquanto em um primeiro momento tivemos uma analogia entre o herói e o seu maior vilão, o Rei do Crime, dessa vez teremos a entrada de um anti-herói. Um personagem que em momentos de insatisfação da sociedade em relação as falhas do sistema acaba sendo confundido com um herói, mas é apenas outra pessoa que ultrapassa as leis para fazer o que acha "ser o certo".

Com retorno ao Netflix no dia 18 de março, a segunda temporada de Demolidor pode trazer um dos melhores embates dos quadrinhos de super-heróis:




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