quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O Quarteto Fantástico do Mangaverso seria uma ótima ideia para um reboot nos cinemas


Existe uma opinião que particularmente defendo: Para fazer sucesso, uma história precisa ser bem contada. Muito antes do argumento de ser "fiel ao original", ter uma boa narrativa e um bom uso daquela mídia são fundamentais para firmar uma obra ao patamar de respeito e carinho com determinado público.

A nova encarnação do Quarteto Fantástico nos cinemas sofre muito mais de uma história coerente e instigante do que a fidelização com o grupo original. O que incomoda no filme não chega nem perto de termos um Tocha Humana de pele negra, o que se tornou uma polêmica desnecessária ao longo de toda a sua produção, e sim da forma mal explorada que tanto Johnny Storm quanto os outros membros da equipe são utilizados e valorizados na película. No final das contas, tivemos um filme que não entendeu para que veio e não teve coragem de ser fiel ou conceitual, se tornando um híbrido bizarro de muito mal gosto para os amantes de quadrinhos e da própria ficção científica que foi proposta pelo diretor Josh Trank.

Pensando nisso, pensei aqui em um exemplo que remonte uma história fora do eixo original, mas que tinha todo o potencial para ser bem utilizada como reboot de sci-fi do Quarteto Fantástico. Lembrei então de uma edição do selo Mangaverso da Marvel onde temos a apresentação da Força de Metatalentos para Reação Megaescala Quarteto Fantástico: uma alternativa interessante que foge dos preceitos originais da Primeira Família da Marvel.


Proposta da Casa das Ideias para reinterpretar os seus personagens no estilo mangá, o Mangaverso não se mostrou interessante em sua totalidade. Tentando emular os quadrinhos orientais, grande parte de suas histórias (principalmente a trama principal) se mostravam cheias de clichês e com pouca criatividade nas versões mostradas dos famosos heróis e vilôes da editora. As exceções ficaram por conta do Homem-Aranha, um garoto ninja que se torna último sobrevivente do Clã das Aranhas, e da revista solo do Quarteto que extrapola uma dinâmica digna da ficção cientifica encontrada em animes dos anos 80 e 90.

Na trama, somos apresentados a um grupo muito distante daquele criado por Stan Lee e Jack Kirby. Únicos sobreviventes de um malfadado projeto governamental, os quatro "metatalentosos" se tornam a base de uma frente de defesa contra xenoculturas alienígenas e extra-dimensionais, utilizando os seus dons para combater os invasores que ameaçam o planeta.


Liderados por um narcisista e inescrupuloso Reed Richards, que utiliza o seu dom de elasticidade para aprimorar a sua inteligência, a equipe formada pelo tímido Ben Grimm e pelas meia-irmãs Sioux e Jonathan Storm (isso mesmo, Tocha Humana é uma mulher!) utilizam da tecnologia de trajes potencializadores para se transformar em incríveis seres gigantes formados de Fogo, Ar e Rocha, efetuando lutas que lembram as consagradas batalhas entre mechas e monstros gigantes.

Entretanto, assim como acontece com a série original, o que também acaba se destacando nesta versão do mangaverso é a relação entre os personagens envolvidos na trama. Richards se mostra como um insensível e determinado líder, além de altamente mulherengo, enquanto que Benjamin é uma pessoa retraída que quando se torna "o Coisa" acaba extravasando e se tornando uma máquina de batalha.

 

Já as irmãs Sioux e Jonatha são o ponto forte na equipe, apresentando personalidades distintas uma da outra. A versão da Mulher-Invisível tem um grave problema em expressar sentimentos, enquanto que a Tocha é uma extrovertida e insensata garota que tem em suas chamas apenas uma extensão de sua forma de viver.

O engraçado é que além desta edição única, o mesmo grupo também aparece em outras histórias do Mangaverso. Entretanto, percebe-se que existem mudanças drásticas da proposta inicial e mesmo conservando os personagens e seus conceitos dessa versão oriental, o Quarteto apresentado se mostra mais infantilizado e sem muito do potencial de sua primeira história no selo.


Mesmo bem distante do que conhecemos do consagrado Quarteto Fantástico, a história contada nesta edição especial consegue transmitir um bom timming que não teria problemas para se adaptar em a outras mídias. Tudo bem que seria massacrado pelos fãs mais tradicionais do grupo, mas poderia também ser levado a uma forma conceitual de reinterpretação que fascinaria novos adeptos e até inaugurar uma nova forma de interpretar os filmes de super-heróis na telona.

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