segunda-feira, 6 de julho de 2015

O tempo para a franquia Ultraman está acabando?


Amado por crianças e adultos do mundo inteiro, as aventuras os Ultraman se tornaram atemporais, entretendo geração após geração. Apesar de Kamen Rider estar em primeiro lugar nos últimos anos, Ultraman, assim como Godzilla, têm seu lugar reconhecido na cultura pop japonesa.

A franquia Ultraman ira entrar no ano do seu Jubileu de Ouro em aproximadamente seis meses, mas isso pode não ser um motivo de comemoração.

Fãs que acompanharam a cena por algum tempo, agora sabem que a luz da "Plasma Spark Tower" não está mais tão brilhante quanto antigamente. A Tsuburaya Productions está a quase duas décadas em uma disputa judicial pelos direitos de distribuição e propriedade da franquia Ultraman contra a Chaiyo Studios, uma companhia tailandesa produtora de filmes. Os direitos da franquia estariam em posse de Sompote Saenduenchai (fundador da Chaiyo) com base em um acordo alegadamente aprovado por Tsuburaya Noboru (o filho de Tsuburaya Eiji) em 1976.

A última reviravolta desse conto veio de um artigo publicado no final de Maio na Hollywood Reporter que dizia que a UM Corpotation, uma companhia japonesa que alega deter, desde 2008, a posse do acordo que Chaiyo fez em 1976, está agora processando a Tsuburaya Productions por infringir esses direitos ao publicar episódios de Ultraman no Youtube (que podem ser assistidos em 256 países ao redor do mundo). Nenhum progresso dessa situação foi divulgado desde então.

Muitos brasileiros assim como eu, possuem grandes lanços emocionais com a franquia, apesar de eu só ter conhecido efetivamente a "Estrela de Ultra" no ano 2000 com Ultraman Tiga, e hoje estou extremamente entristecido pelo estado em que a franquia se encontra.

Ultraman Tiga revolucionou o gênero e teve boa popularidade - Foto: Reprodução internet

Enquanto eu posso promover Ultraman escrevendo sobre a franquia e compartilhando coisas relacionadas nas redes sociais, como um dono de um negócio ou hobby, eu me pergunto sobre a viabilidade da franquia e se ela só se mantem atualmente apenas pela força da identidade cultural.

Houve um breve ressurgimento do gênero em meados de 2000 com o Ultra N Project que foi seguido por Ultraman Mebius e seus filmes depois de uma pequena vitória legal, mas a decisão foi rapidamente revertida mais uma vez, impedindo a Tsuburaya de aproveitar o momento. Como se tudo não pudesse piorar, a família Tsuburaya foi forçada a vender a companhia para a agência de publicidade TYO Inc, que foi em parte vendida a Bandai. A única ligação da Tsuburaya Productions e a família é o neto de Eiji, Kazuo, o único representante no quadro de diretores da companhia.

Nos últimos anos, a Tsuburaya Productions se limitou a produzir mini-séries dentro de Ultraman Retsuden, remasterizar séries antigas em Blu-Ray e um único lançamento cinematográfico nos últimos 3 anos. Considerando que a última série própria foi a série de 13 episódios de Neo Ultra Q em 2013 – Um show que não utilizou nenhum personagem de Ultraman.

Dito isso, a TYO e a Bandai têm feito um trabalho decente com a franquia, considerando o que eles têm disponível. A decisão de se desvincular de um Ultraman Zero mal administrado em direção a um novo Ultraman foi correta. Os personagens moderadamente populares do universo de Ultraman Ginga estão segurando as pontas por enquanto e irão dar lugar a Ultraman X em algumas semanas. Se a tradução oficial em Inglês para o Youtube de Ultra Fight Victory for o padrão, X deve receber o mesmo tratamento, o que abre as portas da audiência internacional, que a Tsuburaya têm ignorado desde então (o que não foi algo que eles fizeram de propósito).

Ultraman X é a nova série da franquia - Foto: Reprodução internet

Apesar de X se apresentar de forma promissória no trailer, ainda é uma questão difícil se a Tsuburuya Productions está gerando lucros com a sua programação atual. Mesmo a Ultraman Land, o parque temático da franquia em Kumamoto, teve que fechar devido a problemas financeiros e falta de popularidade.

Todo o dinheiro gasto em questões judiciais, multas e tributos legais pagos nessa guerra de direitos autorais nos faz questionar quanto tempo a TYO e a Bandai estarão dispostas a arriscar seus pescoços pela integridade da franquia. Apenas imagine se todo esse dinheiro fosse usado na produção de um material original de Ultraman, como uma nova série que os fãs esperam por tanto tempo. O quão desanimador isso é?

E, com Ultraman X e os 50 anos da franquia se aproximando, o que o futuro guarda para nosso herói gigante?

Só o tempo dirá. Certamente teremos mais que três minutos.

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