segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Episódio Zer0 - Death Parade


[Spoiler Warning!]: Esse artigo contém alguns detalhes do enredo do anime e, apesar de tentar manter esses detalhes ao mínimo, eles são importantes para expressar minha opinião em relação à obra. Considere-se avisado.

Death Parade é um anime criado, escrito e dirigido por Yuzuru Tachikawa e produzido pelo estúdio Madhouse. O anime teve origem a partir do curta Death Billiards, lançado em 2 de Março de 2013. O curta foi produzido pela Madhouse para a Anime Mirai 2013.

Em Death Parade, quando duas pessoas morrem ao mesmo tempo no mundo humano, elas são enviadas a um bar, onde são recebidas por Decim, um misterioso homem que os convida a jogar um jogo apostando suas vidas – um jogo que fará essas pessoas revelarem seus segredos mais íntimos e é onde elas encontrarão seu destino.
Death Billiards, com sua premissa simples, criou uma experiência agradável e conquistou uma boa quantidade de pessoas. Mas o que acontece quanto se transforma a ideia por trás de Death Billiards em um anime? Isso preocupou vários fãs do curta metragem que, apesar da empolgação de poder ver uma produção completa baseada nesse mundo, se perguntavam desde as primeiras semanas se existia ou não o risco do anime se tornar muito repetitivo.

Felizmente, o anime provou até agora que existe muito a ser explorado, o suficiente para que uma boa parte dos episódios não precisem seguir uma fórmula. Isso é possível devido a generosa quantidade de personagem fora aos visitantes semanais do Quindecim e dos outros andares desse lugar misterioso.

Os jogos apresentados em Death Parade são bem simples e, mesmo possuindo alguma característica excêntrica, não são realmente interessantes. Mas isso não é deve ser considerado algo ruim, já que os jogos não são muito relevantes na estrutura do episódio e nem no contexto do enredo. O que torna as coisas interessantes são os jogadores. Cada um deles possuem características próprias, reagem de formas diferentes e escondem seus próprios segredos. Em conjunto com o desenrolar caótico gerado pela pressão psicológica causada pelos jogos, esses personagens se transformam em um espetáculo digno de aplausos – ou lágrimas se você tiver um pouco mais de compaixão.


Além disso, outra coisa muito importante a respeito dos jogadores é como eles interagem com Decim – que está de certa forma acorrentado as suas responsabilidades e se recusa a compartilha qualquer informação que coloque em risco os julgamentos. É incrível ver como o medo e a frustração do desconhecido influencia esses personagens tanto quanto os próprios jogos. Tanto o que eles sabem quanto o que eles não sabem coloca esses personagens em uma situação de desespero. Situação que Decim e os demais funcionários desse “purgatório” consideram essencial para julgar o destino dessas pessoas - mas Ginti só quer ver o circo pegar fogo!

Esse anime de certa forma cutuca um pouco o nosso ideal de justiça. Se consideramos que a melhor justiça seria feita por alguém totalmente imparcial, a reação dos personagens demonstra que isso pode ser a coisa mais assustadora que existe. O que surge na face dos jogadores quanto eles tentam se comunicar com Decim, apelando para ele como um ser humano, é algo entre o desespero e a confusão. Pelo menos, na minha percepção, eles sentem que se quer conseguem se comunicar com um ser que aparentemente não possui emoções e que se quer entende o que significa viver. E, enquanto isso é em parte verdade, Decim surpreende tanto aos telespectadores quanto aos jogadores ao protagonizar momentos de grande empatia uma vez que ele termina seu julgamento não está mais desimpedido pelas restrições de seu ofício. Decim, através disso, expressa sua dúvida sobre os métodos usados para julgar essas pessoas, tanto em relação aos jogos quanto a postura dos juízes.

Entretanto, eu não posso garantir a vocês se o anime realmente apresenta isso ou isso foi só um pensamento que surgiu depois de eu assistir muito Psycho-Pass!


Agora eu gostaria de falar dos julgamentos em si, das sentenças. Primeiro uma detalhe complicado é que o destino dos jogadores não é o céu ou o inferno, apesar de Decim assumir que usa esses termos como uma espécie de auxílio a suas explicações. O destino dos jogadores são o Vazio e a Reencarnação, o que pode exigir um pouco mais de consideração para tentar não fazer uma correlação direta com punição e absolvição. Apesar de que, fazer essa correlação direta torna as coisas mais fáceis em uma abordagem superficial, mas a ideia de dar ao Vazio e a Reencarnação um significado pessoal é interessante.

Segundo, o anime é muito bom em apresentar sentenças que contradizem ou geram controvérsia, pelo menos quando vistas sob um olhar ocidental – o que é o meu caso e o das discussões sobre o anime que eu presenciei. Sem falar que, o anime omite algumas informações para atingir esse objetivo. E, se a primeira vista isso parece ruim, após uma segunda consideração, eu achei divertida a ideia de poder me questionar como Decim.

Assim como Decim, os telespectadores não possuem toda a informação sobre os jogadores por causa desses pequenas omissões. E é engraçado me perguntar se eu daria um julgamento melhor naquela situação, não só como um juiz, mas como um ser humano. É mais divertido ainda ver as discussões questionando a decisão de Decim junto com as teorias que eles usam para tentar explicar tal decisão. Isso é muito interessante pois demonstra que, como eu disse acime, nem o que representa nosso ideal de justiça consegue ser perfeito – e isso é incrível ter isso em um anime.

Por fim, eu queria só dizer que a abertura é maravilhosa e que eu fiquei muito animado quando a Bradio divulgou o vídeo oficial da música de abertura, “Flyers”, que você pode assistir aqui. É raro que bandas que fazem aberturas de animes disponibilizem esse tipo de conteúdo em um tempo hábil. É mais um plus para os fãs.

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