sábado, 25 de junho de 2016

Atelier revela o universo da criação de lingeries e sua intima relação com pessoas


Em busca de algo para assistir? Tem Netflix e fica rolando os milhares de filmes e séries sem conseguir se decidir? Vem comigo que eu tenho uma super indicação que terminei de assistir hoje de madrugada! Quem curte O Diabo Veste Prada e Paradise Kiss é uma boa pedida.

Para quem quer fugir das séries clichês com histórias batidas, recomendo um dorama, original da Netflix, que basicamente fala sobre lingerie. Isso mesmo, dorama, Netflix e lingerie, mas não pensem besteira não! Atelier (ou Underwear) é uma série japonesa muito boa e sua história é subestimada.

Nos primeiros minutos da série conhecemos a personagem principal, Mayuko Tokita (Mirei Kiritani), uma aficionada por tecidos que consegue um emprego em uma loja que vende lingeries de luxo feitas sob medida, a Emotion, localizada no distrito de Ginza, Tókio.

Quando adentramos pela primeira vez na loja da Emotion juntamente com Tokita, também somos envolvidos pela elegância do lugar, das peças de lingerie e de sua criadora e presidente, Mayumi Nanjo (Mao Daichi), que a primeira vista lembra muito Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada.

Tokita e Nanjo entendem beleza de uma forma muito diferente. Enquanto a recém empregada acredita em peças funcionais, sejam elas roupas ou lingeries, a presidente Nanjo acredita que a estética clássica é bela e elegante.

Tokita expressando seu amor pelas malhas e beleza do trabalho da Emotion. Foto: Reprodução/internet

Assim, Tokita primeiramente entra na Emotion buscando fazer com que a presidente e todos os funcionários entendam sua paixão pelos seus preciosos tecidos e como a praticidade é a melhor opção. Mas a convivência com o conceito da Emotion e, principalmente, com a presidente, fazem com que Tokita entenda que existe mais do que suas convicções, e passa a enxergar beleza nos ornamentos e designs da Emotion. Isso faz com que ela inclusive se vista melhor e cuide mais da aparência.

Enquanto a história de Tokita se desenrola, a presidente Nanjo, que demonstrava ser apenas uma chefe fria e sem coração, nos presenteia com uma trama bastante dramática e apaixonada. Não estou falando de romances e amores do passado, Mayumi Nanjo é uma mulher forte e independente que lutou para conquistar seu espaço como designer de lingerie, algo que não era bem visto na indústria de vestimenta do Japão, sacrificando tudo que tinha de mais precioso para alcançar sua posição dentro da indústria.

Acreditem, é uma história cheia de altos e baixos e derramei alguns baldes de lágrimas enquanto descobria capítulo a capítulo sobre os rumos da criadora da Emotion. Atelier mostra a trajetória, triunfo e a necessidade da constante aprendizagem retratados na personagem da presidente Nanjo e sua loja de lingeries sob medida, seu apreço por suas clientes e a relação que suas peças causam nas pessoas.

Presidente Nanjo trabalhando em uma de suas peças. Foto: Reprodução/internet

Além disso, alguns outros personagem também são explorados, não tão profundamente como Nanjo, que tem sua vida inteira explorada durante a série, mas sim sua relação de trabalho e devoção à marca da Emotion. Temos Mizuki Nishizawa (Wakana Sakai), designer da Emotion, que se envolve em um esquema contra a própria empresa, mas depois se redime; Fumikaoru Iida (Maiko) que acaba saindo da Emotion e indo trabalhar na empresa concorrente; Reiko Tanaka (Masako Chiba) funcionária de confiança e de muitos anos da Nanjo, sendo inclusive sua confidente; Jin Saruhashi (Ken Kaito) o gerente da loja que é apaixonado pela maneira que a presidente Nanjo faz negócios. E outros personagens que ajudam a compor a trama.

Atelier fala sobre vencer desafios, trabalho em equipe, trabalhar seus defeitos, entender o próximo, relacionamento entre pessoas, superação e auto-descobrimento. É uma história sobre pessoas que descobrem seus propósitos na vida e trabalham duro para conseguir o que querem. Claro que o foco permanece e transita muito bem entre a presidente Nanjo e Tokita, a primeira buscando entender os sentimentos e atmosfera dos empregados da Emotion, principalmente de Tokita, de quem aprende muito, e tentando aceitar seu envelhecimento para adaptar suas criações após um momento de crise criativa.

A segunda buscando seu caminho através do seu trabalho na Emotion, aprendendo grandes lições de vida com sua chefe e descobrindo sobre suas verdadeiras paixões até descobrir-se como uma criadora de lingerie muito diferente da presidente. Lingerie não é o foco real da série, mas também é o que sustenta toda a história que se utiliza das peças para falar sobre muitos valores preciosos na vida das pessoas. Tokita e Nanjo aprendem muito uma com a outra e é um crescimento bom de acompanhar.

Presidente Nanjo ensinando uma valiosa lição sobre envelhecer para Tokita. Foto: Reprodução/internet

No fim é muito mais sobre pessoas do que lingerie em si. O mundo da moda, das revistas, das modelos, de quem trabalha nos bastidores desse universo caótico e criativo, misturado com histórias de vida relacionadas com lingeries, personagens fortes e bem resolvidos, que envolvem o espectador até o fim da série.

Atelier
Produção: Fuji Television para a Netflix
Gênero: Drama
Número de Episódios: 13
Temporadas: 1
Censura: 12 anos
Ano: 2015
País: Japão

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