terça-feira, 31 de maio de 2016

Just Dance e a comunidade brasileira


Semana passada eu me peguei pensando: porque será que nunca fizeram uma matéria sobre a comunidade Just Dance como um todo? Não entrevistas, mas sim uma matéria completa, que falasse sobre como as pessoas conheceram o jogo, como é a interação entre os membros da comunidade, as relações que eles têm, os pontos negativos e positivos em relação ao jogo e até mesmo a própria interação.
Foi justamente pensando nisso, que resolvi escrever essa matéria, para mostrar um pouco do cenário Just Dance brasileiro, que apesar de todos os pesares, está crescendo cada vez mais. Antes de eu começar a escrever esse texto, resolvi realizar uma pesquisa dentro da comunidade, para pelo menos ter uma base do que falar, e ver também o que algumas pessoas pensam a respeito desse meio. Vocês ficariam espantados com algumas respostas, que acabaram mostrando a indignação de muita gente em alguns quesitos. Afinal de contas, nem tudo é um mar de rosas.

Nada mais justo do que começar esse texto falando sobre a forma como algumas pessoas conheceram o jogo. Eu por exemplo... O primeiro contato que tive com o foi em 2014, no evento ExpoGeek, realizado em Salvador. A versão era o Just Dance 2014 para o Nintendo Wii. Lembro que antes disso eu ficava perturbando um amigo pois ele era, e ainda é, um jogador viciado. Só voltei a jogar novamente, e de forma efetiva, a partir do Anime Friends de 2015, quando vi o espaço destinado ao jogo, que havia sido organizado pelo pessoal do Grupo Dance Party, de São Paulo. De lá para cá, não parei mais de jogar, e acabei me tornando um viciado igual a meu amigo.

Assim como eu, muitas pessoas também começaram a conhecer o jogo em eventos de anime (como Anime Friends, Anipólitan, SANA), ou viram algum comercial no YouTube, pelas apresentações do jogo na E3, ou até mesmo em eventos voltados a jogos e, como foi o caso de muitos, com o Museu do Videogame Itinerante. Ainda tem os que conheceram através de amigos ou até mesmo da internet. Eu poderia passar horas aqui citando as formas como as pessoas conheceram o jogo, porém, o importante é: independente de como, elas acabaram conhecendo e foi a partir daí que a popularidade foi se disseminando de crescendo cada vez mais.

Em 2014 ocorreu a primeira Just Dance World Cup, e arrisco a dizer que foi justamente a partir desse momento que a comunidade de fato teve um surto de crescimento, já que logo na primeira competição, dois brasileiros conseguiram ficar no pódio. O primeiro lugar foi para Diegho San, que atualmente é o bicampeão mundial, e o segundo ficou com Túlio, e o terceiro ficou com a francesa Dina Morisset, que mantém uma relação de amizade muito boa com a comunidade brasileira.

Muitos dos grupos de Just Dance que atualmente estão espalhados pelo Brasil foram criados após o primeiro campeonato mundial. O Grupo Dance Party, é o mais antigo da comunidade, já que foi criado e começou suas atividades em janeiro de 2011. Ele acabou se tornando um parâmetro e referência para os outros grupos que foram surgindo logo em seguida.

A comunidade é bem espalhada pelo país, tendo grupos em diversos estados, como a exemplo de Manaus, Rio Grande do Norte, Paraíba, Fortaleza e Bahia. No caso da Bahia, existe a comunidade Just DanceBA, voltado a internação de todos os jogadores baianos, e o grupo Start Dancing, que reúne algumas pessoas que gostam do jogo e treinam para competições, além de fazer apresentações.

O Just DanceBA foi criado a partir da ideia de três amigos, que usaram como base o Grupo Dance Party. O projeto teve início no Museu do Videogame que aconteceu em Salvador no ano passado. A partir daí o grupo começou a trabalhar e a focar no cenário baiano do jogo, incentivando as pessoas a participarem de evento e até mesmo realizando os próprios eventos e encontros do grupo.

O Start Dancing surgiu basicamente da mesma forma que o Just DanceBA. Seus integrantes estão inseridos na comunidade baiana, então, acabaram fazendo parte do Just DanceBA, porém, como já mencionei anteriormente, o grupo é mais focado em competições, apresentações e flashmobs, que realizam em um domingo de cada mês.

Em Fortaleza, temos o OMDTeam (Os Moleques Dançantes), que foram um grupo criado no SANA do ano passado, e que se consolidou de fato como time no Museu do Videogame que ocorreu em Fortaleza. Os membros do time, que possuem uma forte relação de amizade com a comunidade baiana, são extremamente competitivos, e estão sempre melhorando suas habilidades no jogo. Caso alguúm dia vocês resolvam ir a algum evento em Fortaleza, e passarem pelo espaço do Just Dance, tenham certeza de que eles estarão lá dançando. 

Porém Just Dance não é feito apenas de competições e pontuações (okay, é feito disso sim, e na verdade, isso acaba se tornando motivo de algumas discussões que falarei mais a frente), mas também é uma ótima oportunidade de se fazer novas amizades, até porque, essa foi a principal ideia utilizada pela Ubisoft para criar o jogo. É algo que dá para ser jogado com os amigos, a família, o namorado ou namorada... Só não dá para o cachorro, gato e papagaio ou calopsita jogar. Mas de resto, está tudo liberado.

Mas infelizmente nem tudo é um mar de rosas, como já havia falado no começo desse texto, e conflitos existem em todos os grupos e com o Just Dance não seria diferente. A única diferença é que nesse caso, as discussões acabam, como sempre, sendo por alguma questão muito fútil ou que poderia ser resolvida apenas conversando, e não com discussões como acabam ocorrendo várias vezes.

Normalmente as discussões e brigas acontecem por causa das competições e pontuações. Muitos jogadores acabaram esquecendo que o jogo não é apenas para ser algo competitivo, mas sim para ser a oportunidade de se reunir os amigos e se divertir. Com isso, a rivalidade entre os grupos acaba se formando e gerando ainda mais discussões, pois cada lado acha que sua opinião está correta, e quanto mais o tempo passa, mais o bom senso vai sendo perdido. Muitos jogadores simplesmente não se importam com nada, querendo apenas se tornar famosos, mesmo que tenha que passar por cima de outras pessoas, ou esquecer quem são os verdadeiros amigos.

Agora a pergunta que eu faço: do que vale você ser o melhor em algo, se não tem ninguém para comemorar junto? É justamente por esse caminho que a comunidade está seguindo. Os egos estão se tornando tão grandes, que as pessoas começam relações simplesmente por interesses, e quando não precisam mais de uma determinada pessoa, simplesmente a esquecem. Isso acaba sendo uma contradição, já que o cenário nacional de Just Dance está crescendo cada vez mais, porém, de uma forma não muito saudável. Estamos deixando de lado o motivo principal do jogo, para dar lugar a algo simplesmente competitivo. Será que tudo isso de fato vale a pena? É algo que todos os jogadores devem parar e refletir um pouco.

Mesmo com o reconhecimento que a comunidade já possui, tanto dentro quanto fora do Brasil, ainda falta mais incentivos ao jogo, principalmente por parte da Ubisoft, que parece se manter “distante” de seu público, ou restringindo sua área de atuação apenas a São Paulo. Apesar de sempre estarem dispostos a ouvir os jogadores, parece que de nada adianta, pois, as sugestões que são dadas não são levadas a sério, e o jogo vem recebendo cada vez mais críticas negativas.

Infelizmente a Ubisoft acabou se tornando conhecida por ser a empresa na qual os jogos têm mais bugs, Assassin’s Creed mesmo é o que mais sofre com isso, e infelizmente Just Dance está indo pelo mesmo caminho. O 2016 ainda é muito criticado pelos fãs devido a seus erros, principalmente em relação a algumas músicas. Hoje para você ter uma ótima pontuação em alguma música, você deve saber onde estão os bugs nela, pois só assim você conseguirá uma boa nota.

O Brasil é o país que possui a maior e mais ativa comunidade do jogo no mundo, porém, parece que aqui o descaso da companhia para com os fãs é também muito grande. Em todas as edições dos jogos, temos apenas uma música brasileira, que ficou retida apenas ao Just Dance 2014. Quando acontece algum evento oficial envolvendo o jogo, ele ficaretido a São Paulo, como já falei anteriormente, ignorando os jogadores dos outros estados. Vários são os motivos que acabaram deixando de forma delicada a relação entre a comunidade e a Ubisoft.

Se me perguntassem o que eu faria para reverter essa situação e aproximar a empresa da comunidade, eu diria o seguinte: apoiaria os espaços de Just Dance em eventos, dando material para divulgação. Faria eventos de lançamento do jogo em várias capitais do país, organizaria eventos e oficiais, fora os de lançamento, com a comunidade de cada estado. Essa é a melhor forma da empresa se aproximar de quem consome seu produto, além de que, é a melhor oportunidade de ouvir as insatisfações dos consumidores. Se somos a maior comunidade do jogo no mundo, porque não somos tratados de uma forma melhor, ou porque apenas poucos são tratados com destaque? Alguma coisa está errada na forma como a Ubisoft está “interagindo” com os fãs brasileiros.

Apesar de todos os pontos negativos que existe, e acreditem, eles são muitos, o jogo sempre é motivo de festa e alegria entre as pessoas que o consomem, em especial quando começam a sair as primeiras informações a respeito da próxima edição. É esperado que na E3 deste ano a Ubisoft divulgue as primeiras músicas do Just Dance 2017, que ainda não sabemos se de fato será feito, ou se a empresa seguirá utilizando o Just Dance Unlimited. É algo para se ficar de olho.

Caso você seja um leitor que ainda não tem muito contato com a comunidade e teve curiosidade de participar, pasta buscar em seu estado ou cidade para saber se existe algum grupo voltado ao jogo, ou até mesmo participar do Just Dance BR, que é um grupo nacional no Facebook, onde vários jogadores interagem e trocam ideias e experiências.

Se você já é membro, então digo que devemos continuar pressionando a Ubisoft por mais mudanças, pois isso só trará melhorias para o jogo e para aqueles que o consumem, no caso, nós. Até porque, o que os jogadores mais querem é músicas brasileiras no jogo. Uma representatividade maior, mostrando a forma que o cenário brasileiro tem.

Para finalizar essa matéria, eu volto a reafirmar. Just Dance não é apenas competição, pontuação e discussões. Just Dance é uma oportunidade de se fazer amigos, desenvolver laços. A comunidade é uma família e devemos tomar conta dessa família. Devemos ir atrás do que queremos e exigir melhores quando não estamos satisfeitos.

Então, se você gosta do jogo ou quiser citar sua opinião a respeito do texto, pode deixar seu comentário, seja ele positivo ou negativo.

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2 comentários:

  1. Parabéns, Alê! Belo texto. Expôs tudo aquilo que acontece realmente na comunidade brasileira. Principalmente a parte em que vc fala sobre a relação da Ubisoft e a comunidade. Sem falar também das restrições dos eventos oficiais da empresa, limitando-se apenas a SP. Aniquilando a chance de alguém com menor poder aquisitivo de participar dos campeonatos oficiais.
    No mais, o Just Dance é o melhor jogo interativo que já tive o prazer de conhecer. Por causa dele fiz muitos amigos e os mantenho até hoje.
    Beijos!

    www.sonhosempauta.com

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  2. Parabéns pelo texto! Reflete os sentimentos de quase toda comunidade.

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