domingo, 15 de fevereiro de 2015

Baú do Hakaider | Capitão Power e os Soldados do Futuro


Por Jorge “Hakaider”

Olá amigos! Meu nome é Jorge Washington, mas sou conhecido por todos com o pseudônimo de Hakaider. Essa é a primeira matéria que escrevo para a sessão Baú do Hakaider. A cada semana pretendo trazer a vocês um pouco de nostalgia, escrevendo sobre séries, filmes, desenhos animados e programas que marcaram gerações, deixando muitos saudosistas. Para começar, selecionei uma série que tenho certeza que muitos que foram crianças no início dos anos 90 devem se lembrar: Capitão Power e Os Soldados do Futuro.


Os mocinhos - Foto: Reprodução internet

Em 1990, a TV Bandeirantes (atual BAND) decidiu investir pesado em séries infanto-juvenis, principalmente séries japonesas (ou Tokusatsus) que estavam em alta naquele momento na Rede Manchete. No pacote da emissora paulista, estavam Metalder – O Homem-Máquina, Sharivan – O Guardião do Espaço, Machine Man e Os Gigantes Guerreiros Goggle Five. Porém, além destes, a Bandeirantes resolveu investir em outra série, nos mesmos padrões das nipônicas, porém, totalmente ocidental. Essa série era Capitão Power e Os Soldados do Futuro, um seriado de ficção científica, com muita ação e efeitos especiais bastante avançados para a época.

A série, na verdade é uma co-produção dos Estados Unidos com o Canadá e estreou nas TVs americanas em 1987 pela empresa Landmark Entertainment Group. Foi criado por Gary Goddard, Tony Christopher e desenvolvido para TV por Marc Scott Zicree. Entre os seu roteiristas principais, destaca-se Michael J. Straczynski, muito conhecido na indústria dos quadrinhos, além de já ter escrito episódios para He-Man e Os Mestres do Universo, She-Ra – A Princesa do Poder e a animação dos Caça-Fantasmas. Anos mais tarde ele criaria, escreveria e produziria a série de TV Babylon 5 que chegou a ser exibida aqui no Brasil somente nas TVs por Assinatura.

A plataforma de transformação - Foto: Reprodução internet

Capitão Power se passa num futuro pós-apocalíptico, no ano de 2147, após a Guerra dos Metais. A humanidade é praticamente dizimada e os poucos seres vivos que restaram se tornaram escravos do Império Bio-Dred, liderado pelo Imperador Dred que de dentro da Fortaleza Volcania controla todo seu exército. Ao seu comando uma tropa de robôs liderados por Bio-Mechs, máquinas gigantes que persegue os humanos restantes e os “digitaliza”, armazenando-os dentro do grande computador central de Volcania, chamado de Overmind. No meio de toda esta destruição surge uma força rebelde que se levanta contra essa tirania, entre eles cinco soldados especialmente treinados para enfrentar a força do Império Bio-Dred. São liderados pelo Capitão Jonathan Power que ao vestir sua armadura adquire grandes poderes. Este tem ao seu dispor os seguintes soldados:

Na ordem: Capitão Jonathan Power, Tenente Michael "Tank" Ellis, Sargento Robert
"Scout" Baker, Major Matthew "Hawk" Masterson e Cabo Jennifer "Pilot" Chase - Foto: Reprodução internet

Major Matthew "Hawk" Masterson - Com sua armadura é capaz de voar e encurralar os oponentes do céu. Pode disparar pequenos mísseis dos braços.

Tenente Michael “Tank” Ellis - Sua armadura é dotada de grande força capaz de destruir grandes construções ou vários soldados Bio-Dreds de uma só vez.

Sargento Robert “Scout” Baker - O gênio da equipe. Com sua armadura pode assumir outras formas, além de invadir o sistema cibernético e comunicações de Volcania, causando grande estrago.

Cabo Jennifer “Pilot” Chase - Única mulher da equipe. Com sua armadura auxilia no sistema tático, além de ser a piloto.

Os cinco soldados tem um único lema: Defender a vida humana. Para isto, a cada episódio eles procuram a todo custo destruir o Império Bio-Dred e libertar a humanidade do domínio das máquinas.

Imperador DRED, o vilão da série - Foto: Reprodução internet

A série teve apenas uma temporada com 24 episódios. Apesar de ser focada para todos os públicos, foi alvo de muitas críticas dos pais que achavam a série violenta demais para as crianças. Somou-se o fato que cada episódio produzido custava cerca de 1 milhão de dólares, estourando o orçamento e tendo pouco lucro. Ainda assim, a série não foi interrompida do meio, chegando a ter um final. Todos os episódios foram exibidos na Bandeirantes sempre as terças, as 21:30 hs. Depois, foi levado durante as tardes, mas infelizmente, o seriado também não atingiu as metas da emissora – assim como os outros tokusatsus – sendo retirado da grade naquele mesmo ano. Teve uma linha de brinquedos nos EUA pela Mattel e até um game, mas por aqui nada foi lançado.

Bio-Mechs, um CG avançado para a época - Foto: Reprodução internet

A série possui um roteiro muito avançado para os programas da época, outro ponto em destaque é a utilização de efeitos inteiramente gerados em CG, no caso os Bio-Mechs, algo inédito na TV. Como foi descrito acima, a série não agradou o público nos Estados Unidos, acredito que muito se deve ao fato de que o clima tenso de boa parte dos episódios, aliado a uma fotografia mais sombria e ainda o tema, “futuro apocalíptico” causou uma repulsa da audiência americana. Alguns episódios eram complexos para as crianças, afinal haviam termos muito avançados que eram tratados com naturalidade. Aos olhos de hoje pode parecer algo simples, mas há 27 anos eram complicados de se entender. Os heróis usam armaduras com designer bonito, porém não são invencíveis e quase sempre eram danificadas durante as batalhas. O último episódio do seriado é dramático (com direito a uma baixa entre os personagens principais) e encerra com chave de ouro as aventuras dos Soldados do Futuro. Enfim, foi uma série que marcou bastante aqueles que a assistiram. Uma pena que nunca foi reprisado, nem mesmo em outras emissoras, caindo no esquecimento.

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