sexta-feira, 6 de junho de 2014

Captain Earth | Review do Anime (Parte I)


Captain Earth é uma produção original do estúdio Bones, muito conhecido por famosas produções como Star Driver e Eureka Seven. O anime é escrito por Youji Enokido e dirigido por Takuya Igarashi.

Atenção, o Review à seguir é referente aos episódios 01 a 09 e contém Spoilers
Eduardo Bélico

A história segue Daichi Manatsu, um estudante de 17 anos, que perdeu seu pai em um acidente espacial anos antes, fazendo com que deixasse seu lar na ilha de Tanegashima. Após ver um estranho fenômeno circular de arco-íris sobre a ilha pela TV, ele resolve retornar. Ao explorar a base militar local, onde estivera em sua infância, Daichi relembra as memórias da misteriosa morte de seu pai e de ter encontrado um estranho garoto na época, Teppei Arashi.

Uma série de acontecimentos levam Daichi a possuir um artefato em forma de arma, chamado “Livlaster”, que permite a ele pilotar o “Earth Engine”, um enorme mecha e a única arma da humanidade contra a raça alienígena que ameaça destruir toda a vida humana, os “Kiltgangs”.

Com mais um Mecha para essa temporada de animes, o estúdio Bones traz uma aventura com um vasto potencial e uma excelente equipe de escritores e animadores, tendo em sua mão todas as ferramentas para que esse projeto dê certo.

No primeiro episódio já é possível perceber o ótimo trabalho da equipe em estabelecer Daichi como personagem central da trama, assim como a relação formulada em sua infância com o enigmático Teppei, e é a partir dessa relação que são possibilitados vários dos acontecimentos do presente. Com seu conteúdo bem definido e um regular desenvolver do enredo, Captain Earth já abre várias portas em seu primeiro episódio, construindo as bases para se tornar uma das surpresas da temporada.

Com o desenvolver da série fica claro o foco da equipe em estabelecer a relação de Daichi e seus recém adquiridos companheiros na Globe, a organização responsável por defender a Terra dos ataques dos “Kiltgangs”. Dentre eles, conhecemos Hana Mutou, uma misteriosa garota que foi encontrada por Daichi no subsolo da base de Tanegashima na mesma época em que conheceu Teppei, sem quaisquer memórias de seu passado; e Akari Yomatsuri, uma super hacker e coincidentemente filha do chefe da base da Globe de Tanegashima e da chefe da Tenkaido, a Estação Espacial da Globe (Haja coincidência!).

Também ocorre um desenvolvimento gradual de Daichi, onde aprende a pilotar melhor o “Earth Engine” a medida que combate os Kiltgangs, o que vai contribuindo para se tornar um verdadeiro “Captain”, termo utilizado para o piloto do Earth Engine. Nessa jornada Daichi descobre que seu pai também foi um “Captain” e aprende mais sobre Teppei, sendo revelado posteriormente que ele é a forma humana de um “Kiltgang”.

Daichi no "Earth Engine" protegendo a Terra de um "Kiltgang"
Apesar de conter ótimos momentos de ação, Captain Earth pode, em alguns momentos, ser uma decepção para os fãs do gênero Mecha, pois pouco se vê dos grandes robôs e vários episódios seguem principalmente pelo desenvolvimento da trama e pelo diálogo. Mesmo sob esse aspecto, a série não deixa de ser muito bem construída, mostrando habilmente como se formam os relacionamentos entre os personagens, além criar uma atmosfera de mistério no meio de uma história de aventura.

O enredo passa a ganhar maiores possibilidades quando, percebendo que seus ataques têm se mostrado ineficientes, os únicos “Kiltgangs” inimigos apresentados até então, Amara e Moco, resolvem despertar os outros membros de sua raça espalhados pela Terra. Diante dessa nova ameaça, a equipe de Daichi deve impedi-los, sob risco de ameaça à vida humana no planeta.

A partir desse momento a história passa a ganhar um pouco mais de profundidade e senso de propósito, pois em várias ocasiões durante os episódios iniciais é possível sentir uma falta de direcionamento da trama, sendo esse problema corrigido, para mim, a partir do oitavo episódio. Outra questão que esse episódio traz, é a introdução de novos inimigos, o que pode implicar na futura aparição de mais mechas na série (Mais um pouco não mata...).

Mais à frente é também revelado que o próprio presidente da Globe tem envolvimento com os “Kiltgangs” e, apesar de isso ainda não ter sido muito explorado, traz o elemento da conspiração para a história, o que pode trazer maior riqueza e desenvolvimento para a trama. Esse seria um bom ponto de aprofundamento dos escritores para os próximos episódios, apenas resta ver no que vai dar.

Daichi observa Teppei e sua habilidade singular
Por fim, uma pequena crítica a ser feita é em relação à falta de explicação em algumas etapas da animação. A série passa em diversos momentos por questões que deveriam ser melhor tratadas, como por exemplo, a origem dos “Kiltgangs” e dos “Livlasters” e a falta de maiores esclarecimentos a respeito deles. O espectador pode ficar um pouco desorientado em alguns instantes, mas por ainda não estar nem na metade dos 25 episódios encomendados, a série pode facilmente solucionar essa questão em episódios futuros.

Captain Earth apresenta uma trama envolvente e personagens bem estabelecidos e, apesar de não ser um dos grandes hits da temporada, tem bastante potencial para crescer e trazer boas surpresas. Agora nos resta aguardar e ver o que os produtores farão com a série a seguir.

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