terça-feira, 20 de maio de 2014

Kamen Rider Gaim | Crítica da série (Parte III)


É tempo de revelações, meus companheiros amantes da franquia Kamen Rider. Esses últimos episódios chegaram para dar face ao que será o confronto final pelo destino da humanidade - algo que a abertura de Kamen Rider Gaim enfatiza veementemente.

O Mega Hero traz a terceira parte do Review de "Kamen Rider Gaim". Se você não leu a primeira e segunda parte, clique aqui. Atenção, o texto a seguir contem spoilers referentes aos capítulos 19 a 27.

Por Leonardo Souza
Alerta de SPOILERS!

Primeiramente, o que tornaram essas revelações interessantes foi que nós praticamente já sabíamos de muitas delas, mas, nenhum dos personagens sabia de toda a história - apenas parte dela. As reações que ocorreram ao longo dos episódios a cada momento ajudaram a definir quem está de cada lado e, o mais importante, quem não está em lado nenhum.

Felizmente, a Toei fez um bom trabalho em reintroduzir a floresta de Helheim como o foco da série - os conflitos entre os Riders e a Yggdrasil foram interessantes o suficiente para conseguir apagar um pouco o elemento principal, que são as Lock Seeds, os Inves e de onde eles vieram.

A ameaça de Helheim coloca todos em uma corrida contra o relógio, mas isso provavelmente não seria suficiente para os fãs, já que eu não acredito que ninguém estava animado para esperar dez anos até que a floresta consumisse a Terra. A introdução dos Overlords foi essencial para contornar esse pequeno problema.

Essas novas criaturas são o gatilho da bomba que é Helheim já que eles podem controlar todo o lugar e, esperançosamente, isso irá acontecer nos últimos episódios - o que tornaria eles uma batalha emocionante pelo futuro da humanidade. Os Overlords também são a personificação das ambições dos demais personagens - Seja o poder desejado por Kaito, Ryoma, Sid e Yoko, ou a esperança de salvar toda a humanidade de Kouta e Takatora.

Mas não foi só a floresta que recebeu atenção em termos de desenvolvimentos, a evolução dos personagens, em maior parte, foi muito interessante e diversificada. A preocupação com uma série com tantos Riders é constante, o risco de personalidades desnecessariamente simplificadas e estereótipos. Eu sinceramente acredito que isso, felizmente não aconteceu com a série com algumas exceções.

Kouta não é um protagonista convencional. É certo que a maioria dos Kamen Riders tiveram seus momentos de fraqueza retratados nas séries anteriores, mas durante a maioria da série eles pareciam estar a frente de tudo. Kouta é um pouco diferente, ele sempre parece estar por baixo e sempre procurando algo ao que se apegar para preservar sua esperança. Mas essa não é a parte mais importante, o que mais conta é a como os demais personagens usam isso para manipulá-lo.

Na matéria de manipular Kouta, o Dj Sagara é um mestre. Esse personagem misterioso foi gradualmente mostrando sinais de que ele tinha uma agenda diferente de todos na série, uma agenda que possivelmente inclui não ser humano. O interesse dele é fazer com que o show continue, para que a floresta faça sua escolha. Ele trata o processo de seleção da floresta quase como uma religião, o que é perfeitamente justificável se ele for um Overlord - tratar esse processo natural como um ritual sagrado.

Kachidoki Arms em sua primeira aparição no episódio 23
Uma ação do Dj Sagara que eu demorei um pouco para entender foi entregar o Kachidoki Arms para Kouta quando ele provavelmente sabia que a primeira coisa que ele faria seria destruir o Scalar System - a arma de destruição em massa da Yggdrasil. Mas então eu percebi que a arma era a maior ameaça a invasão da floresta e que fazia todo o sentido para o Dj Sagara querer que ela fosse destruída.

Ele se posiciona na história como uma espécie de árbitro, e esse é justamente o argumento que ele apresenta ao se revelar a Ryoma e seus companheiros como o motivo de ele estar "ajudando" Kouta e agora oferecer sua mão a Yggdrasil.

Se tratando de Ryoma e seus companheiros, é importante falar de Kaito. É bom ver ele de volta a cena e perceber que ele ganhou o papel crucial de rival de Kouta na luta pela floresta. A rivalidade entre eles foi revivida - a série fez o necessário para colocá-los em situações idênticas. Ambos buscam poder, ainda que por motivos e com objetivos diferentes, ambos estão sendo manipulados e, o que eu achei muito legal, foi ambos admitirem que sabem e que aceitam isso pelo bem de seus objetivos.

Kaito recebeu um novo upgrade e um "bônus moral" ao defender Kouta contra o ataque covarde de Mitchi, além de poder provar sua força em uma luta contra um Demushu, um dos Overlords. Eu diria que ele está pronto para entrar na disputa pela floresta exceto por uma questão em particular: Eu realmente queria que o passado dele fosse um pouco mais explorado - a série demonstrou o ódio dele pela Yggdrasil, pelo que aconteceu que seus país depois que a corporação tomou o controle da cidade. O personagem dele se tornaria muito mais interessante se tivéssemos uma dimensão maior do ódio que ele teve que superar para se juntar a Ryoma, isso daria mais valor a atitude e a determinação dele.

E, no meio dessa rivalidade, está Mitchi. O coitado pirou depois de levar uma bolacha de sua querida Mai. O que muitos podem ver como uma atitude infantil, eu adorei, já que eu enxerguei isso de uma forma diferente - Mitchi nunca foi um dos personagens bonzinhos da série e só usava Mai como uma desculpa para as suas atitudes. Agora que ele não pode mais se esconder atrás dessa mentira, já que ele não tem mais uma princesinha para proteger, ele finalmente resolveu mostrar sua verdadeira face.

Covarde, dissimulado e disposto a tudo por seu objetivo, nosso Mitchi maligno não irá mais hesitar em atirar nas costas de seu melhor amigo, ou passar a perna no seu irmão, Takatora, para conseguir o que ele quer - apesar de eu não achar que ele sabe o que quer nesse momento, provavelmente destruir o mundo depois de levar aquele tapa.

E, justamente Takatora, o até então grande líder e mentor da Yggdrasil, está indo na contramão de seu querido irmãozinho. Ele tem se mostrado um verdadeiro Gentleman, como diria Oren, e têm mostrado ter muito mais em comum com Kouta do que eu esperava. Isso de certa forma explica o fato de ele ficar testando a força de vontade de Kouta e hesitar diversas vezes em eliminá-lo - foi interessante perceber que ele estava na verdade em conflito com os seus próprios ideais, representados, em conjunto com a aparente ingenuidade, na nossa amada laranja.

O Flashback foi interessante e demonstrou como Takatora está disposto a se sacrificar pela humanidade e como logo após ele se comporta justamente igual a Kouta quando ele descobre sobre os Overlords e como ele passa a acreditar desesperadamente em outra possibilidade de salvar a humanidade sem eliminar cinco sextos dela. Infelizmente o flashback não revelou nada que não soubéssemos sobre Ryoma - a tentativa de mostrar que Ryoma não era um monstro sem coração não funcionou muito bem em mim.

Kamen Rider Bravo nos braços de Zangetsu
A duas semanas atrás eu estava preparado para falar como personagens simplesmente somem das séries de Kamen Riders e são mal aproveitados. Agora, eu sinceramente prefiro que isso tivesse acontecido. Eu ainda não sei por que eu criei alguma expectativa de que Oren aka Kamen Rider Bravo e Kamen Rider Griton ainda teriam seu lugar ao Sol na série. Mas eles foram jogados a lama nos últimos episódios.

Não que eu não aprove ou goste de humor nas séries de Kamen Rider. O que eu odeio é humor fora do contexto e eu acho que vou encontrar muitas pessoas que concordar comigo quando eu nomear a besta: Fillers. Exatamente, ninguém gosta de fillers, certo? Mas eu vou exercer o papel de advogado do diabo e colocar uma dúvida minha para que vocês possam discutir nos comentários:

Kamen Rider passa no Super Hero Time e crianças inevitavelmente assistem o show. Eu imagino que quando mais séria a série for, maior as chances dela perder o horário por causa da classificação. Indo direto ao ponto, eu quero acreditar que a Toei se vê obrigada a comprometer o conteúdo de Kamen Rider com esses fillers para manter a classificação etária da série.

É claro que a empresa pode se beneficiar em ter mais episódios, sem enredo, na série, mas ainda assim eu queria acreditar que esse não é o único motivo e que meu sofrimento em assistir episódios horríveis como o episódio 25 não foi em vão.

Bem, para finalizar eu acho que preciso mencionar que Kachidoki Arms é um dos upgrades mais legais que eu já vi em uma série de Kamen Rider e que estou excitado para ver como será o resto da série. Espero que vocês também estejam gostando.

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4 comentários:

  1. Sem duvidas essa série esta sendo um primor e será lembrada por muito tempo.

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  2. Concordo com tudo praticamente, inclusive também acho que a história do Kaito merecia ser melhor explorada.

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  3. simplesmente surpreendeu a todos o kamen rider gaim com ctz

    ass: trimundial

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