quarta-feira, 27 de março de 2013

Live Action #9 | Rurouni Kenshin

E ai pessoal! Estamos aqui mais uma vez e dessa vez com uma matéria especial. Tivemos a sorte de receber no final do ano um presente especial! Sim, finalmente saiu o live action mais esperado do ano! Rurouni Kenshin! Eu iria esperar para fazer essa matéria lá para o meio do ano, porém quando vi que o filme já estava disponível, resolvi adiantar, já que não estamos falando de qualquer adaptação. Então peguem suas katanas e vamos embarcar em uma ótima história ambientada na Era Meiji!


Rurouni Kenshin – Meiji Kenkaku Romantan (Kenshin, O Andarilho – Crônicas de um Espadachin da Era Meiji) ou simplesmente Samurai X, como ficou conhecido no Brasil, é um mangá criado por Nobuhiro Watsuki. O mangá foi lançado na revista Weekly Shonen Jump em 02 de setembro de 1994 e seu último capítulo foi lançado em 04 de novembro de 1999, totalizando uma série de 28 volumes. Devido ao grande sucesso que o mangá fez, em 10 de janeiro de 1996, foi ao ar pela emissora Fuji TV, o primeiro episódio do anime, que durou até 08 de setembro de 1998, totalizando uma série de 95 episódios. Além do anime, a adaptação ainda ganhou dois OVA’s, um longa metragem e posteriormente um Live Action. Os OVA’s da série são:

• Rurouni Kenshin – Tsuiokuhen:
Lançado em 1999, com um total de 4 episódios. Esse primeiro OVA conta a história da adolescência e infância de Kenshin e também de sua saga como retalhador.

• Rurouni Kenshin – Seisohen:
Lançado em 2001, com um total de 2 episódios. Esse segundo OVA é a continuação do primeiro. Conta o final da vida de Kenshin, e o nascimento de sue filho até sua adolescência. Além desses dois OVA’s, um longa metragem foi feito para a obra.

• Rurouni Kenshin – Ishin shishi no Requiem: lançado em 22 de maio 1997, tem 90 minutos de duração.

A história do mangá e do anime é muito envolvente. Fazendo com que o leitor se identifique com cada personagem:

A série, ambientada nos primeiros anos da Era Meiji no Japão, conta a história de Kenshin Himura um pacifico espadachim que prometeu nunca mais matar. Entretanto, seu passado como retalhador a serviço da Ishin Shishi fará o jovem Himura brandir novamente sua espada contra velhos e novos inimigos.
Existem algumas diferenças que são claras em relação ao anime a ao mangá. Diferença essas que não agradam muito aos fãs da obra.

• Mangá:
No mangá, a história de Kenshin é dividida em três grandes sagas, que são elas: Tóquio, Kyoto e Jinchuu (Justiça dos Homens). Dessas três sagas, apenas a última, Jinchuu, não foi animada.

• Anime:
No anime, também temos as sagas de Tóquio, que são os 27 primeiros episódios, seguidos por Kyoto (ou Shishio) que vai do episódio 28 até o 62. Do episódio 63 até o 94, é uma história que não tem no mangá. Uma criação original do próprio estúdio.


Aqui no Brasil, também tivemos a sorte de ter o mangá de Kenshin publicado, porém com outro nome, Samurai X. O mangá começou a ser publicado pela Editora JBC em maio de 2001 e teve um total de 56 mangás. O dobro de mangás do Japão. Já que a editora dividiu o mangá original, que era no formado tankobon em dois. No começo de sua publicação o mangá era mensal, porém a partir do volume 5 o mangá passou a ser quinzenal, e foi assim até sua conclusão em novembro de 2003. Porém os fãs não ficaram órfãos de Kenshin por muito tempo, em 10 de julho de 2004, durante o evento Anime Friends, a Editora JBC lançou um capítulo especial intitulado A Sakabatou de Yahiko e, alguns meses depois, em novembro desse mesmo ano, a editora lançou Kenshin Kaden, uma enciclopédia contendo tudo sobre a série. Depois de 9 anos, e de vários pedidos dos fãs, a Editora JBC finalmente resolveu relançar o mangá. Agora no formato original (tankobon) e usando também o nome original da série, Rurouni Kenshin – Crônicas da Era Meiji.

Porém não foi só o mangá que deu as caras em nossas terras. No final de 1999, o anime finalmente chegou a terras brasileiras. Trazido pela Columbia Pictures, ele foi exibido pela Rede Globo até meados de 2000, com várias cenas cortadas, episódios pulados e sem um final. Para salvação dos fãs que queriam acompanhar o anime, em setembro de 2000 o canal pago, Cartoon Network, passou a exibir o anime completo, sendo sua última exibição em maio de 2001. Para uma maior alegria dos fãs, em setembro do mesmo ano, o canal ainda fez questão de exibir o longa metragem da série, Rurouni Kenshin – Ishin Shishi no Requiem.


2012 foi o ano em que todos os fãs de Kenshin ficaram loucos! Em comemoração aos 15 anos da série, várias novidades foram publicadas. A revista Jump Square, junto com o autor Nobuhiro Watsuki, informou que iria começar a relançar o anime em formato de OVA. Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan - Shin Kyoto Hen foi a primeira parte do OVA lançado e que reconta a saga de Kyoto, presente no anime e no mangá.

Porém o que estava mais chamando a atenção dos fãs era uma data em especial, 25 de agosto de 2012. E não era para menos, essa foi à data de estreia do live action Rurouni Kenshin. Essa era a adaptação mais esperada do ano para os japoneses e para todos os amantes da série, e é sobre ela que iremos falar agora.


Quando falamos em adaptar um mangá ou anime para live action, os fãs ficam logo receosos, já que o diretor pode acabar mudando a história original. Porém isso não aconteceu com Rurouni Kenshin. Com uma história muito bem desenvolvida, o live action junta os dois primeiros arcos do anime e do mangá (Takeda Kanryuu e Jin’e Udo), além de acrescentar alguns flashbacks de batalhas antigas de Kenshin e de como ele conseguiu sua cicatriz. As locações foram muito bem montadas e figurinos bastante fiéis às vestimentas da época, parecendo que o filme realmente se passa na Era Meiji. Somando a isso temos um ótimo elenco, com uma interpretação de se tirar o chapéu.

Kenshin Himura/ Hitokiri Battousai
Kenshin foi um dos monarquistas que participaram da guerra que deu fim ao Xogunato e início a nova Era Meiji. Tornou-se retalhador logo aos 14 anos de idade, e foi nesse período que ficou conhecido como Hitokiri Battousai, pois possuía extrema habilidade na arte do battoujutsu (técnica de saque de espada). Logo depois de abandonar o nome de Battousai e sair dos campos de batalha, Kenshin recebe de um famoso forjador de espadas uma Sakabatou, que é uma katana que possui a lamina invertida. A partir desse momento, Kenshin começa a vagar pelo Japão como um rurouni (andarilho).

Quem interpreta Kenshin no cinema já é um velho conhecido no meio tokusatsu, Takeru Sato que participou de Kamen Rider Den-O. Além de participar do Live Action de Rurouni Kenshin e de ser o rider em Kamen Rider Den-O, Takeru também faz participou de outros projetos conhecidos do público, como por exemplo, Yukio “Koyuki” Tanaka no live action de BECK e também participou do dorama de Princess Princess D. A escolha do ator para o papel não poderia ter sido melhor. Ele ficou totalmente caracterizado e lembrou Kenshin em todos os momentos além de lutar muito bem.


Kaoru Kamiya
Kaoru é a líder do dojo Kamiya a mestra substituta do estilo Kamiya Kashin Ryuu. Aparenta ter uma personalidade calma, porém quando está treinando, se torna muito rígida e disciplinada. No ano 11 da Era Meiji passa a abrigar Kenshin, que logo depois revela ser o lendário retalhador Battousai. Algum tempo depois, acaba adotando Yahiko Miyoujin como seu discípulo.

Emi Takei é quem vive a meiga e rígida Kaoru nas telonas. A atriz lembra um pouco a jovem espadachim. Emi não participou de muitos filmes, porém é muito conhecida no meio dorama. Ela participou da adaptação para dorama de Otomen. Sua atuação foi realmente admirável.


Yahiko Miyoujin
Yahiko descende de uma família de samurais. Ele é descrito como um jovem mal educado e de boca suja. Depois que perdeu os pais, passou a trabalhar como trombadinha. Foi salvo por Kenshin e desde então se tornou discípulo de Kaoru em seu dojo.

Taketo Tanaka é quem vive Yahiko. Um jovem ator muito promissor. Taketo ainda não possui muitos trabalhos, porém sua atuação no papel de Yahiko foi muito boa. Ele ainda ira viver o personagem Ciel Phantomhive, na adaptação de Kuroshitsuji.


Sanosuke Sagara
É o melhor amigo de Kenshin, com quem teve uma luta e perdeu, de forma digna. Sanosuke possui o ideograma “Mau/Mal” escrito nas costas de sua camisa. Ele também usa uma Zambatou (espada própria para matar cavalos) como arma. Por um tempo foi lutador de aluguel, mas passou a fazer parte do grupo de Kenshin após ser derrotado pelo mesmo.

Munetaka Aoki é quem vive o Sanosuke. O ator tem uma grande lista de filmes em suas costas. Também participou do live action de Battle Royale. Munetaka conseguiu captar toda a essência de Sanosuke e vive-lo da forma mais fiel que pode. E conseguiu essa façanha muito bem.


Hajime Saito
Saito é um rival de longa data de Kenshin e também um ex-retalhador, chegando a ter uma luta mortal contra o retalhador. Em alguns momentos da obra ele se alia a Kenshin. Ele usa a técnica Gatotsu (perfuração da presa). Após o fim do xogunato e início da Era Meijin, Saito recebeu um posto na polícia.
Yosuke Eguchi é quem vive Saito. Esse grande ator, tem uma longa ficha de filmes e doramas em suas costas. Sua adaptação foi realmente memorável. Consegui captar tudo que Saito tinha a passar.


Megumi Takani
Megumi é uma jovem médica que começa a trabalhar para o traficante de ópio Kanryu Takeda. Após descobrir sobre o tráfico de ópio, Kenshin e seus amigos vão ao resgate de Megumi.
Yu Aoi é a atriz que interpreta Megumi. Ela já é conhecida do publico por ter participado da adaptação de Honey & Clover. Aoi conseguiu pegar todos os mínimos detalhes de sua personagem e desempenhou uma ótima interpretação.


Jin-E Udou/ Kurogasa (Chapéu Negro)
Foi o primeiro grande inimigo que Kenshin enfrentou na série. Jin-E usa uma técnica chama Shin no Ippou (Espírito Unilateral), uma técnica real, que consiste de uma energia disparada pelos olhos, paralisando o adversário. Ele sequestra Kaoru a fim de fazer Kenshin voltar a ser o sanguinário retalhador que era. Perde a luta para Kenshin, na qual usa seu estilo do Battojutsu.

O ator por detrás de Jin-E é ninguém menos que Koji Kikkawa. Conhecido no meio tokusatsu por interpretar o Kamen Rider Skull na série Kamen Rider W. O ator ficou simplesmente magnífico no papel do vilão. Uma interpretação excelente, para um excelente ator.


Comentário do autor:

Esse vai ser o único ou um dos únicos live actions que não terei muito que criticar. Em minha opinião, Rurouni Kenshin foi de longe o melhor live action feito em muitos anos. Uma ótima história, um ótimo elenco, uma fotografia maravilhosa, a ambientação e o figurino foram impecáveis. Não consigo enxergar um ponto negativo nele. Porém essa é minha opinião, cada pessoa que assistiu ao filme, deve ter formado a sua.
Conversei com a Ana Luiza, que é fã da série e acompanhou as sagas do mangá e anime, e ela deu o seu parecer sobre o live action de Rurouni Kenshin:

O live action de Rurouni Kenshin foi bastante esperado por todos, assim que o primeiro trailer da produção foi lançado sabíamos que poderíamos esperar grandes resultados. Assistir a uma adaptação de uma série tão querida, apesar de já ter visualizado algum material durante o trailer, ainda pode ser inquietante, ficamos sempre esperando que a equipe que produziu faça jus à história original e consiga passar sua essência combinando um bom roteiro, elenco, fotografia e trilha sonora. Para a satisfação da maioria dos fãs da série todos esses requisitos foram seguidos e o live action foi um sucesso.

Falando um pouco do roteiro, é fato que houve modificações na história para que coubesse em um filme de duas horas de duração. Não se colocam mínimos detalhes explicados em uma série de mangás em tão poucas horas, mas apesar do tempo o roteirista conseguiu captar o essencial para que a história se desenvolvesse e fez uma ótima adaptação. Os diálogos foram extremamente fiéis e muito bem interpretados por cada um dos representantes dos personagens.

Para quem não ficou satisfeito com a junção de pequenas histórias, peço para que reflitam e considerem que juntar acontecimentos para que se construa uma trama principal sólida às vezes é necessário em adaptações, por isso para o tempo que foi disposto a história decorreu com uma boa estrutura, conseguindo contar a trama principal para que fãs e novos espectadores conseguissem segui-la. Para os fãs detalhistas resta discutir o que foi adaptado e como foi passado para o filme, essas ponderações são sempre interessantes.
O elenco, muito bem escolhido, teve uma enorme ajuda do pessoal do figurino e maquiagem que os transformou nos tão queridos personagens de Rurouni Kenshin. A atenção sobre os detalhes foi absurda, cabelos, penteados, roupas feitas com tecidos plausíveis para época, modelos tradicionais japoneses feitos com perfeição adornaram os atores. Tudo isso somado a uma perfeita escolha de locação fez com que a magia acontecesse. A impressão que tive foi que estava vendo as mesmas locações do mangá. Mas nada disso funcionaria tão bem se a fotografia do filme não fosse tão bem feita, as cores escolhidas, as tomadas de lutas e diálogos completaram definitivamente a obra.

Pensemos que como teremos continuação do filme, que muita coisa ainda será contada e muitas partes da história sofrerão junções e pequenas modificações para dar o sentido da trama. Não vejo isso como um ponto negativo, até porque adaptações estão sujeitas a algumas mudanças. Agora só nos resta esperar que o nível seja mantido e que a qualidade da produção continue para que possamos ver mais dessa grande adaptação que foi Rurouni Kenshin.

Infelizmente tudo que é bom chega ao fim. E é com uma das várias frases marcantes de Kenshin que termino esse post. Espero todos aqui semana que vem! Até lá!

“Cada um de nós tem sua própria vida para viver. É uma jornada, não uma separação. É um começo, não um fim. Vai ser um pouco solitária, mas é assim que as coisas são.” – Kenshin Himura.

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