sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cosplay #27 | Cosplay em Curitiba (Toku Trip #2)

E ai galera!!! Gostaram da entrevista com os vencedores da Etapa JBC Brasil, nossos representantes do WCS lá no Japão? Espero que vocês tenham se inspirado para que cada vez mais competidores surjam e que tenhamos representantes cada vez mais empolgados participando das competições internacionais.
Essa semana viajei para Curitiba por motivos pessoais e decidi aproveitar a oportunidade de estar em uma cidade que tem uma colônia japonesa tão grande e escrever a matéria da semana sobre a comunidade cosplay paranaense.


Eu conversei com dois cosplayers locais e pedi que eles me esclarecessem vários pontos de como acontecem os eventos por aqui, os pontos positivos e negativos, quais são os eventos, quando eles acontecem e como acontecem para que possamos ter uma visão geral de como estão sendo realizados os eventos de cultura pop por todo o país.

Elaborei 20 perguntas que abrangem questões gerais sobre os eventos aqui realizados e algumas sobre a comunidade cosplay de Curitiba. A matéria será escrita em cima do que me foi contado pelos cosplayers Jully Ana e Caio Frankiu, que frequentam os eventos aqui realizados e também participam como cosplayers.


Primeiramente perguntei sobre a comunidade cosplay de Curitiba se eles a achavam grande e consistente. A resposta foi positiva, pelo o que me contaram os cosplayers curitibanos são bastante participativos, tanto que no último grande evento que eles tiveram aqui, o Shinobi Spirit, quase 140 pessoas se inscreveram para o desfile cosplay, e vamos combinar, isso é bastante gente! O nível dos cosplays e das apresentações também são bem altos, o que quer dizer que os cosplayers se dedicam e levam os eventos e as competições a sério e isso faz com que os eventos se animem e se dediquem para cada vez mais trazer melhoras para área cosplay, todos ganham.

Praça do Japão onde ocorrem os Matsuris e onde os cosplayers se encontram
Os eventos de anime acontecem durante todo o ano, muitas vezes com mais de uma edição por ano! São eles o Shinobi Spirit, Aniparaná e o Hypecon, e não pense que acabou, pois como eu disse acima Curitiba possui uma grande e forte colônia de descendentes de imigrantes japoneses e por causa disto são comemorados todos os festivais importantes que ocorrem no Japão, que geralmente acontecem na linda Praça do Japão na Av. Sete de Setembro. Esses eventos sempre contam com a participação de cosplayers, que marcam suas presenças nesses encontros.

Este ano irão acontecer três edições do Shinobi Spirit, sendo que uma delas será um “especial cosplay”, e também duas edições do Hypecon. Cinco eventos durante o ano fora os festivais e encontros promovidos pelos próprios cosplayers. A Jully e o Caio me contaram que os cosplayers estão sempre sempre se reunindo no MON, o Museu Oscar Niemeyer, ou como é mais conhecido, Museu do Olhão. E pelo que eu entendi neste domingo tem até um encontro por lá.

Museu onde ocorrem os encontros dos cosplayers
Quantos aos eventos não escutei muitas reclamações, o melhor deles o Shinobi Spirit acontece no Espaço Torres, que dizem ser um bom espaço, apesar de não muito grande. E dependendo dos eventos os locais variam de acordo como tamanho do mesmo. Mas me foi dito que os eventos são sempre realizados em bons lugares e que há sim certa preocupação na questão do conforto e de não superlotar o evento. Pelo que me pareceu são eventos de médio porte, feitos em locais apropriados, com exceção do Shinobi Spirit que parece ser médio-grande porte.

São muitas atrações que são chamadas para os eventos e que parecem satisfazer o público, e o interessante é que não precisam ser mega atrações, pois são eventos bem distribuídos durante todo ano, fazendo com que o público otaku de Curitiba tenha eventos constantemente. Somente atrações internacionais que não foram mencionadas durante a conversa.

As competições cosplay são bem elaboradas e bem concorridas. Foram mencionadas algumas apresentações cosplay que chamaram a atenção, entre elas a de um grupo de Mortal Kombat no ano passado que dizem ter tido um nível bem alto e que acabou conquistando o público. Nos eventos há a presença de cosplayers vindos de fora para competir, mas a grande maioria dos competidores é de Curitiba mesmo. O que deu para perceber é que os cosplayers daqui realmente se dedicam às competições e são bastante participativos, o que é muito bom pois movimenta a comunidade cosplay e estimula àqueles que estão querendo fazer cosplay ou que querem melhorar a qualidade das suas fantasias, que vendo esses cosplays que levam a brincadeira a sério, decidem também, assim como eles, elevar o nível de seus cosplays.

Foto da entrada do Espaço Torres onde acontece o Shinobi Spirit
Já o WCS (World Cosplay Summit) e o YCC (Yamato Cosplay Cup), duas das maiores competições cosplay do Brasil, não tiveram vez ainda em Curitiba, os dois cosplayers com que eu conversei nunca viram essas competições por aqui, e pelas minhas pesquisas também não encontrei notícia das seletivas, o que é estranho, pois Curitiba é uma cidade com tantos eventos, inclusive um evento dedicado ao cosplay, deveria receber essas duas seletivas tão importantes no circuito de competições cosplays. Esperamos que em breve essas seletivas venham para cá, para que os cosplayers paranaenses tenham suas próprias seletivas e se dediquem em dobro para levar lindos cosplays para as finais!

E como cosplayer eu não podia de deixar de perguntar os detalhes técnicos do “fazer”. Quis logo saber se eles dispunham de boas lojas de tecidos, armarinhos e costureiras para ajuda-los no processo do cosplay e para a minha felicidade todas as respostas foram positivas, com lojas de tecido variadas e com muitas opções, escolher os tecidos para suas fantasias fica bem mais agradável e fácil. Faz diferença morar em uma cidade que oferece os recursos para produzir o seu cosplay, tudo fica menos estressante e mais divertido. Com relação a acessórios para os cosplays, estes ainda têm que ou ser produzidos pelos próprios cosplayers, encomendados com cosmakers ou comprados fora, pois todos sabem que aqui no Brasil só temos bastante dificuldade com essa parte de acessórios, mas nem por isso deixamos de fazer!


Na parte de lojas de artigos como bottons, toquinhas e acessórios encontrados em eventos, fui informada que existem pelo menos três lojas pela cidade. Uma delas minha querida Itiban, velha conhecida dos tempos que eu morava em Curitiba, a Meruru e mais uma que ficaram de me conseguir o nome. Verei se até amanhã visito essas lojas para saber o que tem por lá. A Itiban que eu já conheço vende bonecos e jogos de carta como Magic e Yu-Gi-Oh, inclusive promovendo campeonatos, mas seu grande forte são os mangás e quadrinhos, é uma ótima revistaria.

Loja de comics e mangás de Curitiba, localizado na Av. Silva Jardim, nº 845


Se você acompanha a coluna cosplay do Toku Bahia deve ter percebido que eu sempre prezo pela união dos cosplayers e, se possível, amizades entre eles. Por isso perguntei como era a relação entre os cosplayers da cidade e pelo o que pude perceber os cosplayers curitibanos têm uma comunidade que se pode considerar unida, pois até encontros próprios eles promovem e a maioria se conhece, mas claro que como qualquer grupo existem intrigas e desentendimentos, então apesar de unida, nem tudo são flores.

Por fim não podia deixar de fazer a pergunta clichê que sempre fazemos aqui pelo sul do país. E como vocês lidam com o frio que faz em Curitiba? Porque alguns personagens usam o mínimo de roupa e o cosplayer acaba passando bastante frio. O Caio me disse que já sofreu bastante com o frio e que às vezes deixa de usar certas fantasias por causa do clima, é o mesmo problema de Salvador, só que ao contrário. Já a Jully, surpreendentemente me contou que o maior problema dela é com o calor! Como eu sou friorenta não entendi muito bem o que ela quis dizer com isso, mas ela me explicou que a sobreposição de roupas a deixa com calor e é o que mais a incomoda. Eu não sei se vocês já visitaram Curitiba, mas eu fico do lado do Caio, aqui é frio demais!!!!

Para finalizar com essa breve cobertura à cena pop japonesa, fiz uma pequena entrevista mais pessoal com os dois cosplayers, Jully Ana e Caio Frankiu, que se disponibilizaram a conversar comigo e me contar um pouco sobre tudo o que rola por aqui!

Toku Bahia - O que é ser cosplayer para vocês?

Jully - Ok, para mim é algo satisfatório pelo fato de você estar ali como um personagem, não como você mesmo. Fazer cosplay é algo "incomum" e isso faz com que você se sinta diferente e, de certa forma, isso é bom.

Caio - Ser diferente, poder ser algo que não teria coragem de ser normalmente por vergonha. É viver o personagem. Essa é uma pergunta simples e difícil ao mesmo tempo.

Toku Bahia - Qual é a relação de vocês com o cosplay?

Jully - Comecei fazendo um cosplay bobo, por fazer mesmo e acabei desistindo depois. Mas eu vi como o do meu irmão, que começou junto com o meu, tinha evoluído e isso me motivou a ser como ele. Fazer as pessoas olharem e dizerem “é o personagem de verdade ali".

Caio - Eu comecei só para ter uma experiência mesmo, tanto que foi uma roupa simples, o Luigi, mas depois do primeiro evento que fui, queria ser ao nível das outras pessoas, melhorando na atuação e fazendo com mais detalhes possíveis. Ao ponto de olharem e falarem... "ele (o personagem) existe". E acabou se tornando um objetivo, não consigo me ver sem estar costurando e montando acessórios, seria meio vazio.

Toku Bahia - O que seus amigos e família acham desse hobby?

Jully - Minha família acha estranho, mas me apoiam por ser algo que eu gosto. Meus amigos já gostam mais por ser algo diferente.

Caio - A família acha uma inutilidade, jogar dinheiro fora, porque fantasia é igual a coisa de criança. Já meus amigos fazem e curtem.

Toku Bahia - Quantos cosplays vocês já fizeram?

Jully - Eu fiz um e tem mais um em andamento agora.

Caio - Cinco e tenho um e andamento.

Toku Bahia - Quais foram os personagens?

Jully - Katara de Avatar e o da Meiko, que está em andamento.

Caio - Vou lembrar quantos eu fiz... O Luigi, Gliteratti, Angel, Kaito (Alice Human Sacrifice) e Kaito (Cantarella). E tem o Iroha uta, que ainda está em andamento.

Toku Bahia - Já foram para eventos fora do Estado?

Jully - Eu não, mas pretendo ir.

Caio -  Ainda não, mas acho que este ano vou para o Anime Friends.

Cosplayer Caio com seu cosplay de Kaito
Queria agradecer ao Caio e a Jully por terem sido tão simpáticos e prestativos, por terem me recebido e conversado comigo tão amigavelmente! Espero que possamos nos ver futuramente em algum evento!!!

É isso aí pessoas! Espero que tenham gostado desse apanhado geral sobre o que acontece em Curitiba na parte de eventos e cosplays! Eu sei que foi uma matéria bem geral, mas no futuro pretendo visitar um dos eventos que aqui acontecem para fazer uma cobertura mais aprofundada da comunidade otaku paranaense! Por isso aguardem o Toku Trip Curitiba - Parte II!

Se algum cosplayer curitibano quiser se manifestar sobre algum ponto que não ficou bem esclarecido ou quiser completar a matéria é só enviar um comentário aqui no site ou me mandar um tweet em @marshmalloworld!

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Let’s Cosplay!

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