sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cosplay #12 | Crossplay

Olá pessoas! Chegamos a mais um post da coluna cosplay! Acompanhei a reação dos leitores sobre a última matéria e vi que alguns estranharam o Kigurumi Cosplay ou Doller, achando o visual um tanto quanto bizarro. Achei interessante ver como o Doller não era tão conhecido e não era considerado cosplay, e também de ter a chance de trazer algo novo para vocês.


Então vamos lá! O post dessa semana vai abordar um estilo cosplay que apesar de acontecer bastante nos eventos ainda é visto com estranheza pelo público. O crossplay nada mais é do que fazer cosplay de um personagem do sexo oposto ao seu. A expressão vem da junção das palavras em inglês crossdressing e cosplay, e um dos muitos significados de cross, para que não sabe é oposto, contrario daí a denominação.

Crossdressing é a arte de usar vestimentas destinadas ao sexo oposto. E se você pensa que isso é algo novo, se enganou. Desde os primórdios da história temos registros de pessoas que se vestiam com roupas destinadas ao outro sexo pelas mais diversas razões. A literatura trás muito dessa cultura, muitos escritores criaram personagens que eram crossdressers, e se utilizavam deste artifício para o desenrolar da história. Na arte isso sempre foi muito comum, o teatro se utiliza muito do crossdressing em palco não só por escolhas, onde todo o elenco é masculino ou feminino, mas como em muitos casos por questões históricas e culturais. Um exemplo disso é o Teatro Kabuki, o teatro japonês de canto, dança e atuação, representado somente por homens, inclusive os papeis femininos, pois no Japão antigo as mulheres eram proibidas de se apresentarem publicamente.


O crossdressing não tem nenhuma relação com a orientação sexual, e apesar de esse ser o motivo de algumas pessoas o praticarem, não se deve fazer essa ligação, pois cada pessoa tem o direito de escolher sua opção sexual, e praticar o crossdressing não implica que a pessoa é tenha essa ou aquela orientação sexual. Durante a minha pesquisa uma das fontes me chamou a atenção para um personagem que se utilizou do crossdressing por um grande motivo, Hua Mulan, e achei bem interessante trazer isto para a matéria porque o que ela fez foi exatamente um crossdressing. Sendo ela um personagem histórico ou fictício, Mulan se utilizou desse artifício para salvar a honra de sua família, e como conta a história, salvar a China.

Dentro do crossplay existe ainda uma subdivisão chamanda genderplay. Apesar de muita gente achar que é a mesma coisa, existe uma diferença significativa entre os dois. O crossplay é quando, por exemplo, uma mulher decide fazer um cosplay de um personagem masculino com a sua roupa original, já o genderplay ocorre quando uma mulher decide fazer o cosplay de um personagem masculino, modificando a roupa e tornando-a um traje feminino. A expressão genderplay vem de genderbender, que significa mudança de gênero, mais a palavra cosplay.

Cosplay de Robin
Crossplay de Robin, uma menina fantasiada de Robin
Genderbender de Robin, onde a menina modificou a roupa original para o gênero feminino
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A quarta foto seria de um crossplayer masculino com uma rouba de Robin na versão feminina para caracterizar o genderbender masculino, mas confesso que não encontrei nenhum crossplayer com essa versão!

Começarei com as cosplayers femininas que fazem cosplays masculinhos, denominadas de “female to male” crossplayers. Falando primeiramente em adaptações dentro do universo de animes e mangás, as mulheres geralmente representam os personagens masculinhos muito bem, pois o traço dos mangás é bastante delicado e representa a maioria dos personagens masculinos com feições bastante parecidas com a feminina. Assim sendo, quando uma menina decide fazer um crossplay de um personagem com essas características, seu crossplay fica extremamente parecido e bem caracterizado.

A cosplayer Thaís Yuki fazendo crossplay de Ayame de Fruits Basket
No caso de cosplays de comics também existem as adaptações que sofrem modificações de acordo com o gosto da cosplayer, que é o genderbender. O interessante é que muitos dos super-heróis têm a sua versão feminina, mas mesmo assim muitas cosplayers ainda fazem adaptações das roupas dos personagens masculinos, fazendo sua versão feminina. Quando a adaptação é bem feita os resultados são incríveis e super válidos. É só procurar pela internet que aparecerão milhares de super-heroínas com suas lindas versões dos super-heróis. O mesmo acontece com personagens de séries, filmes, RPG’s e etc..

Genderbender do Capitão América, ela modificou a roupa para uma versão feminina de um personagem masculino
E ainda tem as meninas que resolvem fazer crossplay de comics, que fica também visualmente interessante.

É claro que nem todos os personagens masculinos têm feições delicadas e por isso nem sempre é possível que um crossplay feito por uma mulher fique tão bem feito. É a mesma questão do cosplay, procurar um personagem que se pareça com você, que seja adaptável para que o crossplay fique bom.

Acredito que esse tipo de crossplay e/ou genderbender não incomode tanto, pois o público masculino gosta de ver essas variações ou acham pelo menos engraçado. Claro que as meninas que fazem crossplay muitas vezes são julgadas e taxadas homossexuais e tudo mais, mas como eu já disse acima, isso não tem absolutamente nenhuma relação com a orientação da pessoa. Sempre existirão aqueles que não vão apreciar o crossplay, gosto é gosto, mas como todo cosplayer, os crossplayers também merecem respeito.

Crossplay de Loki de "Os Vingadores" feito por uma menina
Os crossplayers masculinos, “male to female”, já não são tão bem vistos assim. Primeiro que já existe certo preconceito contra cosplayers que fazem cosplays de personagens masculinos, agora imaginem o que pensam sobre os crossplayers masculinos.


Não que exista um tipo de subdivisão dentre os crossplayers, mas acredito que podemos separá-los em três tipos diferentes. Observando fotos e matérias sobre crossplay, percebi que os crossplayers masculinos ou tem traços bem delicados, fazendo com que quando se produzam e usem os seus crossplays, fiquem muito parecidos com meninas, fazendo com que as fantasias fiquem bem fiéis à personagem; ou fazem o crossplay como uma brincadeira, ou para se expressarem, mas sem se preocuparem com a fidelidade da personagem; ou ainda os genderbenders que podem fazer um crossplay de alguma personagem feminina só na versão masculina, como por exemplo, uma Mulher Maravilha, só que na versão masculina, e sim, eu encontrei uma foto disso.

Crossplay de Miku feito por um menino
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No primeiro caso, se o crossplayer tiver as feições bem femininas, fica até difícil de saber se é homem ou não. E isso já aconteceu várias vezes comigo, de não conseguir identificar o gênero do cosplayer sem ver a sua ficha técnica. Então para os preconceituosos, se não conhecerem o crossplayer, fica difícil de identificar, só mesmo se conhecer a pessoa ou se ler o gênero em algum lugar. Sinceramente não tenho absolutamente nada contra crossplayers, inclusive já vi muitos crossplayers masculinos fazendo cosplays bem melhores que muitas meninas por aí. É questão de gosto e escolha, o bom senso serve para todos, crossplayers e cosplayers.

Já no segundo existem duas possibilidades, o crossplayer pode querer somente se divertir e por isso resolve se vestir de uma personagem feminina, o que é muito agradável, porque geralmente estas pessoas são bem humoradas e divertem a todos o evento. Ou então talvez o menino não tenha feições tão delicadas, mas mesmo assim queira fazer um crossplay, e não tem problema nenhum, pois se ele vai se sentir bem e vai ser divertido para ele, porque não fazer?

Esse é um Sailor Buuba que tem fotos divertidas vestido com o seu crossplay de Sailor Moon por toda a internet
Quem decide fazer o crossplay provavelmente já superou a timidez e o medo de ser criticado, pois sabe que vão tem pessoas que vão adorar e pessoas que não. Por isso tem que estar preparado para receber qualquer tipo de crítica e ter argumentos para defender o seu hobby caso alguém faça algum comentário desnecessário e ignorante. Eu não sei se no caso de crossplayers masculinos se existe algum atrito com a família por causa dessa escolha de se vestir como mulher, mas se houver, saibam que não há nada que não possa ser resolvido com uma conversa. E tanto cosplay como crossplay são para serem divertidos, então vençam esses obstáculos e vamos brincar!

O crossplayer Allan Lustosa é famoso aqui no Brasil por fazer crossplays como Sailor Moon e Jessica Rabbit
Com a disseminação do crossplay surgiram os chamados “sailor bubbas”, crossplayers que se vestem e fazem paródias de Sailor Moon, usando seus uniformes sailor, collants apertados e saias curtas, ironizam e satirizam o esse estilo sempre divertindo a galera. Aqui no Brasil nós temos um grupo chamado Ero Moons, ele participam de eventos, se apresentam e fazem a alegria do público.

Grupo de crossplayers brasileiro Ero Moo
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Já no caso dos genderbenders masculinos, nós temos o crossplayer usando uma versão masculina de um cosplay feminino. Nesse caso as adaptações e customizações são inúmeras. Vale de tudo porque um homem usando uma fantasia que foi feita para ser feminina resulta em algo bizarro, por isso as adaptações são aceitas e recomendadas, fazendo com que a roupa fique de acordo com o gênero e o corpo do crossplayer. A não ser que você tenha um corpo apropriado para usar uma roupa feminina sem modificações. Tudo é válido.

Genderbender da personagem Harley Quinn e do Coringa, duas inversões de gênero
Na minha percepção o crossplay “female to male” é encontrado mais facilmente porque como as mulheres tem traços mais delicados, permite que certa androgenia seja criada quando se usa o cosplay masculino, deixando-as com o gênero indefinível. Já o masculino, tirando o caso dos meninos que tem feições delicadas, isso já não acontece por causa da condição física natural mesmo. Homens tendem a serem mais fortes e terem maior porte do que as mulheres, dificultando o crossplay, mas nada que um personagem bem escolhido não resolva.

Portanto, seja você homem ou mulher, se sentir que quer fazer um crossplay, não se acanhe. Escolha o seu personagem, pesquise, veja modificações possíveis, escolha acessórios, boas perucas e vá em frente. Não se importe com o que vão dizer, porque muitas vezes a pessoa nem conhece o personagem, só comenta porque quer criticar. Todo trabalho bem feito é reconhecido, mesmo que algumas vezes o reconhecimento venha em forma de inveja ou olhares tortos. E se você quer fazer um crossplay ou genderbender para se divertir, por favor, faça! Adoro essas pessoas bem humoradas alegrando o evento e deixando tudo engraçado, tenho certeza que muitos também acham divertido!

Eu conversei com a cosplayer Akito, que é do Rio de Janeiro e adepta do estilo crossplayer. A primeira vez que vi fotos dela, fiquei bastante tempo sem saber se era menino ou menina, e, além disso, os seus cosplays são tão bem feitos que isso não importa, fico horas perdida na galeria de imagens dela olhando seus trabalhos.

Ana Luiza: Como começou a sua relação com o cosplay?

Akito: Bem, começou há mais de 10 anos atrás quando comecei a frequentar eventos de anime aqui no Rio de Janeiro, quase não tinha publico nem cosplayers, a gente apenas ficava assistindo episódios de animes lançados no Japão, caramba... eu via as pessoas vestidas e me apaixonei também.

Ana Luiza: Como e quando descobriu que queria fazer crossplay?

Akito: Na primeira vez que vi uma pessoa vestida, sabia que aquilo era o que eu queria fazer para mim.

Ana Luiza: Qual foi o seu primeiro crossplay?

Akito: O primeiro cosplay, que tenho muito amor e depois fiz todas as versões dela, foi de Lara Croft do filme.

Ana Luiza: Qual a sua percepção sobre o que os fãs de cosplay e a sociedade em geral pensam sobre o crossplay?

Akito: Acho que ainda é uma cultura não explorada, como é no Japão e tal, porem hoje é muito, muito mais fácil de fazer cosplay, de comprar coisas do que há dez anos quando eu comecei.

Ana Luiza: O que você poderia dizer para quem quer fazer crossplay, mas tem vergonha?

Akito: Acho que cosplay tem que ser feito com amor, um personagem que você goste, e não algo pra chamar atenção ou que está na moda. E não ligue para que os outros pensem, apenas seja você mesmo.

Eu consegui conversar também com um crossplayer masculino, o Maxime, ele é francês e também faz não só crossplays, como cosplays belíssimos! Fiquei encantada de ver um menino fazendo cosplays tão delicados e crossplays que simplesmente te fazem esquecer que ele é um menino! É um trabalho incrível!

Ana Luiza: Quando você começou a fazer cosplay?

Maxime: Eu comecei em 2009, usando o cosplay de Naruto Shippuden. Um amigo fez o cosplay para mim. O primeiro cosplay que eu fiz todo sozinho foi o Grimmjow from Bleach em fevereiro de 2010.

Crossplayer Maxime fazendo a personagem Chocola de "Sugar Sugar Rune"
Ana Luiza: Qual a sua relação com cosplay?

Maxime: Minha relação com cosplay é muito boa, eu estou me divertindo muito e conhecendo e conversando com muitas pessoas pelo mundo.

Ana Luiza: Como você descobriu que queria fazer um crossplay?

Maxime: Eu decidi começar com o crossplay como eu decidi começar o cosplay, é o mesmo para mim. Eu não ligo se fizer um cosplay de menina, se eu gostar do personagem.

Seu lindo crossplay de Kuranosuke de Princess Jellyfish
Ana Luiza: Qual foi o seu primeiro crossplay?

Maxime: Meu primeiro cosplay foi a Miku de Vocaloid na versão “Fantasma da Ópera”, em Junho de 2010.

Ana Luiza: O que você poderia dizer para quem quer fazer crossplay, mas tem vergonha?
Maxime: Eu diria, faça! Se você realmente quiser fazer e se sentir bem com isso, faça!! Talvez se você ainda estiver um pouco tímido e envergonhado, espere até que se sinta a vontade, pois isto poderia ser uma situação estranha. O mais importante é se divertir!

É interessante ver o ponto de vista de um crossplayer, pois ele faz aquilo porque gosta. E é perceptível, pois a qualidade é incrível. Eu mesmo já fiz um genderbender de Coringa e digo para vocês, foi o cosplay, ou crossplay mais divertido que eu já fiz! Então se você gosta dessa brincadeira entre os gêneros não deixe de procurar um personagem que é a sua cara e faça o seu crossplay!

Para conhecer mais o trabalho do Maxime deem uma olhada no portfólio dele!
http://feeracie.deviantart.com/

O mesmo para a Akito http://www.facebook.com/akito.souma.1

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And Let’s Crossplay!

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